1.5 Ülkemizde Laikliğin Gelişimi
1.5.2 Cumhuriyet Dönemi Laiklik
1.5.2.4 Çok Parti Dönemi
A ideia de “evento” está associada ao tempo experimentado subjetivamente. André Brasil, estudioso da Comunicação, situa o evento no âmbito da experiência estética. Segundo ele, trata-se de um fenômeno inesperado e contingente, propiciado pela experiência estética mas inscrito na banalidade do cotidiano: “[...] é aí, no terreno da experiência ordinária [...] que o evento irrompe: nos atravessa com sua descontinuidade para se desfazer logo após em sua precária singularidade” (BRASIL, 2006, p. 95).
O que nos parece fundamental, na passagem acima, é assinalar o caráter surpreendente e transformador do evento. Este pode ser pensado, então, como um fenômeno fugaz, capaz de converter rotinas banais de uso do espaço em práticas urbanas marcantes porque significativas para o habitante da cidade. Em nossa
100 compreensão de evento, a temporalidade tem um valor epifânico para o indivíduo; por isso, sugerimos pensar o evento como o marco temporal da experiência urbana. Em outras palavras, o momento do evento é o momento da experiência urbana.55
Assim entendido, o evento torna-se o período em que os sentidos óbvios e imediatos que nos circundam são desmontados e desestabilizados – uma etapa necessária para que novos modelos de engajamento com os objetos e espaços possam ser construídos. Mas, a nosso ver, esse processo de desconstrução e reconstrução de sentidos somente poderá ter efeito na camada experiencial, isto é, na camada subjetiva de cada usuário da cidade, se o design se detiver sobre o domínio coletivo que tanto afeta nossas percepções e predisposições individuais. Então, o design sobre superfícies urbanas deveria repensar essas superfícies, que qualificam os lugares antropológicos, e buscar meios alternativos ao conforto das imagens estáveis, anestesiantes e autocentradas que preenchem o dia a dia das cidades.
A anestesia nega os sentidos do corpo, portanto nega também as possibilidades da experiência urbana. Em estado de anestesia, o ser humano é insensível: insensível à dor e aos obstáculos à rotina de sua vida urbana; mas também insensível ao prazer de um evento que rompe com aquela rotina de maneira significativa.
Mas deve-se ter cautela para que o projeto de S.M.U. baseadas no evento não se transforme em um mero exercício artístico em espaço público. Enquanto produtos de design, as S.M.U. devem refletir as premissas daquela disciplina, subordinando-se à realidade concreta e imediata do meio socioespacial, bem como às contingências de uso dos objetos. Antes de visar a arte, o campo plástico e a experiência, entendemos que o projeto de design deva perseguir a usabilidade, os sentidos práticos e objetivos de cada interação.
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Embora partindo de diferentes pressupostos conceituais, a pesquisadora Ana Paula Baltazar também associa o evento à experiência com obras artísticas e arquitetônicas. Cf. BALTAZAR, Ana Paula. Cyberarchitecture: the virtualisation of architecture beyond representation towards interactivity. The Bartlett School of Architecture, University College London, London, 2009.
101 Reconhecemos o papel fundamental das esferas subjetiva e significativa das interações – tanto que embasamos nesses termos o nosso conceito de experiência –, mas vimos também que não acessamos diretamente esses domínios. E, quanto mais tentamos fazê-lo a priori, mais nos distanciamos da prática essencial do design, porque a concepção de design que seguimos se atém às relações objetivas entre usuário e artefato. Em termos temporais, significa dizer que, para nossa investigação, o design se alinha ao “tempo cotidiano”, à dinâmica cíclica e rotinizada que rege os usos dos espaços públicos, a fim de que cada usuário, no ato mesmo da interação, produza o sentido particular do tempo vivido de sua experiência.
Portanto, o percurso metodológico do design orientado à experiência parece passar pela faceta tangível dos usos e tempos banais dos espaços públicos. Contudo, se ele passa, não deve estacionar aí: pois se interrompêssemos as análises e decisões projetuais na esfera da banalidade cotidiana, também deixaríamos de lado uma dimensão vital do design, sobretudo quando visamos o nível da experiência. Isto porque a experiência urbana aqui discutida não é uma prática espacial meramente utilitária; pelo contrário, é o elo emocional que os usuários estabelecem com os artefatos e espaços à sua volta que pode costurar relações significativas entre eles e o ambiente. Aqui se entrelaçam a dimensão simbólica e a rede de significados subjetivos e socialmente compartilhados (McDONAGH; BRUSEBERG; HASLAM apud LIDA; BARROS; SARMET, 2008). Já mencionamos essa questão com Dawes (2007), a respeito da experiência com artefatos, e com Varejão (2008), no tocante à aplicação do design no lugar. De fato, o envolvimento emocional, sintetizado na ideia de prazer, ocupa o topo da “hierarquia de necessidades”56 apresentada por Lida, Barros e Sarmet (2008), podendo, inclusive, interferir na percepção dos demais valores e atributos do produto.
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A hierarquia de necessidades ilustra a escala de importância que os usuários atribuem a diferentes aspectos de um objeto interativo. Ela é representada por uma pirâmide, cuja base é formada pelos requisitos de segurança e bem-estar, na parte intermediária estão os aspectos funcionais e, no topo, o prazer (LIDA; BARROS; SARMET, 2008. Esquema adaptado de GREEN, W. S.; JORDAN, P. W. (ed.). Pleasure with products: beyond usability. London: Taylor & Francis, 2002).
102 Interessa sublinhar como o tempo atua nesses processos. A relação ordinária e continuada do homem com o meio ambiente configura o tempo cotidiano, a rotina. As rotinas formatam o hábito, a cultura, a memória e, por conseguinte, a identidade e a subjetividade dos indivíduos. Situamos aí a importância da rotina: através dela, estabelecemos relações estáveis com o nosso meio e organizamos nossas atividades repetitivas segundo parâmetros como eficiência, segurança e conforto. Além disso, o tempo rotinizado forma como que o preenchimento das interações do homem no espaço – é o tempo majoritário, mas também o tempo comum de nossas atividades e percepções triviais; tal condição faz da rotina o quadro de referência em relação ao qual podemos experimentar o tempo extraordinário, o sentido do prazer e da experiência urbana.
Se admitimos o evento como o marco temporal da experiência urbana, o evento é um fenômeno extraordinário, posto que aquela experiência também é sempre extraordinária, ao transcender a rotina, os usos automatizados e as relações ordinárias que as pessoas estabelecem com os espaços públicos. No domínio experiencial, as relações do homem com os espaços e objetos são demarcadas por vínculos emocionais profundos: são relações significativas, capazes de converter interações aparentemente banais em eventos.