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2.1. Uluslararası ĠliĢkiler Teorileri

2.1.2. Çok Düzeyli/Aktörlü YönetiĢim

A seguir, serão descritas algumas aulas do terceiro ano do Ensino Médio, referentes à disciplina de Sociologia, acompanhadas na Escola Estadual Victor Lacorte.

Aula 1

A professora demora a começar a aula. Então, quando começa a organizar a sala em

círculo para desenvolver sua aula, surge a coordenadora para dar uma “bronca” nos estudantes

em decorrência de um fato desagradável que aconteceu entre os alunos e uma professora, no qual foi colocado o cesto de lixo na parte superior da porta da sala de aula, ocasionando a queda do mesmo na docente assim que esta entra. Ela lamenta pelo ocorrido, afirmando ter sido este ato algo de muita falta de respeito. A coordenadora reclama também da baixa nota da sala na Olimpíada de Matemática, informando que de 20 questões existentes no teste, somente uma aluna conseguiu acertar ao menos metade.

A aparição da coordenadora na sala demonstra a insatisfação dos alunos com ela. De acordo com os comentários feitos pelos adolescentes, nota-se que eles a consideram “chata”.

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Wikipédia é um projeto de enciclopédia coletiva universal e multilíngue estabelecido na Internet. A Wikipédia tem como pressuposto fornecer um conteúdo reutilizável livre, objetivo e verificável. É um dos mais comuns resultados sobre diversos assuntos quando o tema a ser pesquisado é procurado via Google.

Uma aluna reclama, inclusive, demonstrando muita raiva de ter sido acusada pela coordenadora de colar em uma prova.

Assim que a coordenadora sai da sala, a professora completa o que ela disse, afirmando que essa sala vai mal nas provas, e é muito desinteressada. Durante essa conversa da professora com a sala, um garoto chama o outro de “viado”. Então, a professora aproveita para explicar a origem do termo viado. Segundo ela, viado vem de indivíduo transviado e que,

de certa forma, todos então podem ser considerados “viados”, já que faz parte da natureza

humana sair de alguns padrões impostos pela sociedade. Essa explicação da docente fez gerar

“piadinhas” entre os adolescentes, que começam a chamar um ao outro de “viado”. Sobre

isso, a professora, inclusive, conta a seguinte piada: “Um cara disse: ‘Quem nunca errou, atire

a primeira pedra’. Aí o cara atirou. E o outro perguntou: ‘Mas você nunca errou’? E ele respondeu: ‘Dessa distância não’”. Atenta-se para o fato de que essa exposição se dá em meio

a muita conversa dos alunos.

Professora dá início a uma revisão para a prova, explicando o contexto do fim da 2ª Guerra Mundial (1945). Cita também sobre a ONU (Organização das Nações Unidas), e sobre a carta dessa época com 111 artigos – isso tudo para explicar sobre direitos humanos. Pergunta aos alunos também qual a opinião deles sobre os direitos humanos, afirmando ser útil termos conhecimento sobre nossos direitos. Sobre isto, cita o exemplo de que, caso passemos por uma abordagem policial, é importante estarmos inteirados sobre possíveis abusos de autoridade que possam vir a cometer. Em meio a esse assunto, uma aluna cita que o irmão dela, por ser negro, quase sempre que sai de moto é abordado pela polícia.

Esse fragmento demonstra as tensões cotidianas em sala de aula; tanto do lado do aluno, quanto do lado do professor.

Aula 2

Aula inicia com atraso de 15 minutos, com a professora expondo sobre o exercício valendo nota que deveria ter passado. A proposta desta atividade é apresentar o Brasil de

acordo com “aquilo que nos classifica enquanto brasileiros”. Sobre este tema, a professora

cita que é muito importante mostrar as coisas boas do país, salientando que não há só violência, mas também muitas coisas interessantes para ressaltar. Em meio a essa explicação, a professora chama várias vezes a atenção dos alunos.

No decorrer da exposição, a professora insere o tema “linxamento”, explicando que

este significa “fazer justiça com as próprias mãos”, isto é, aqueles que não acreditam na

contexto, a docente realiza a seguinte pergunta: “Quem não gosta de política”? Todos erguem as mãos. Diante desta reação, ela explica que todo ato é político, isto é, tudo na nossa vida é

político, ressaltando inclusive que: “O pior analfabeto é o analfabeto político” e que “Quanto

menos conhecimento você tem, mais você é manipulado”.

Em meio a essa exposição, uma garota cita: “Eu não gosto de política porque eu não entendo”. A professora concorda com essa frase da garota, dizendo: “Então, você não entende

a política. Retire o ‘eu não gosto de política’”. O correto seria então afirmar: “Eu não gosto da

atuação de alguns políticos”. Com a aula assim desenvolvida, a sala já se encontra bem mais

em silêncio.

Aproveitando o rumo que a aula tomou, a professora alerta que os alunos devem demonstrar interesse pelos estudos, ressaltando que nada adianta ir para a aula e fica apenas

“de corpo presente”. Disso só resulta contribuir ainda mais para a manutenção de uma ordem

já existente, na qual a classe mais alta manipula a classe mais baixa em decorrência de um maior conhecimento.

Ao final da aula, aplica exercícios da apostila, com o tema “Homem enquanto ser social”, explicando que o homem assimila o que advém da sociedade, e também interage

agindo sobre essa sociedade. Sobre o homem enquanto ser social, a professora dá o exemplo

da história infantil “Mogli, o menino lobo”.

Aula 3

Também nesta sala os alunos, a princípio, estão agitados. No entanto, talvez pelo fato do dia em questão apresentar grande número de faltas, mesmo com a pouca autoridade da professora, eles se acalmam com mais facilidade.

A professora inicia a aula comentando as provas que foram entregues na aula anterior.

Abordando o tema “preconceito”, afirma que os alunos “não foram muito bem”, e que

possuíam embasamento teórico para desenvolverem questões mais completas, já que, segundo ele, retrataram o assunto de forma superficial. Esse comentário do professor se dá com os alunos em silêncio, sem nenhum questionamento por parte deles.

Em seguida, começa a expor o tema da aula: Cidadania. Para tal fim, se remete à Esparta, e também à Revolução Francesa, explicando a importância desta na trajetória da aquisição dos direitos pelos cidadãos. Ela relata de forma resumida como se deu a Revolução Francesa, e tenta contextualizar o processo de expansão dos direitos daquela época aos dias atuais.

“Atualmente compreendemos muitos direitos”, cita a professora, isso no contexto da

intenção de demonstrar a evolução dos direitos que a nós são disponibilizados. Comenta também sobre a existência da Constituição Brasileira e pede, para a próxima aula, que cada aluno traga uma Lei para ser discutida em sala.

Os alunos demonstram interesse por essa temática, e um deles, inclusive, diz conhecer o ECA (Estatuto da Criança de do Adolescente), comentando que uma de suas professoras grita de forma extrema com os alunos e, caso esse fato se repetisse, mostraria que isso é desrespeito à criança e ao adolescente, segundo o Estatuto que ele traria impresso para a aula.

Aula 4

A docente entra na sala e, a princípio, confunde a aula de sociologia com história. Os alunos a informam do mal entendido, informando em que ponto a matéria parou na aula passada.

A professora reorganiza a sala para iniciar a exposição da matéria, já que a maioria estava sentada no fundo. O tema da aula foi “O estrangeiro - do ponto de vista sociológico”, sendo o primeiro passo escrever na lousa o significado dos termos emigrante, migrante e imigrante, seguindo exatamente o conteúdo da apostila proposta pelo Estado. Ela explica estes conceitos e levanta a questão do estrangeiro, questionando os alunos sobre a origem de seus familiares, aconselhando-os a pesquisarem sobre isto (isso ainda de acordo com o que está na apostila). Em meio a essa temática, surge o coordenador na porta da sala para dar recado à professora sobre o HTPC do dia anterior. A aula segue com a exposição sobre o autor George

Simmel, para o qual, conforme cita a professora, a definição de estrangeiro é “todo aquele indivíduo que chega e não vai embora”.

Tentando, talvez, adaptar o tema da aula à realidade, a professora procura explicar o conceito de estrangeiro utilizando o exemplo do preconceito diante de pessoas que mudaram recentemente para uma cidade ou até mesmo bairro. Ela pergunta então aos alunos se algum deles conhece um caso desse tipo, e um garoto responde que sim, relatando a história de um vizinho que atrapalha o bairro com o som alto até tarde da noite, em decorrência de festas que realiza quase sempre. Sobre esse vizinho, nas palavras do adolescente, diz, carregado de

preconceito, ser “viado”, e que saem muitos “caras” da casa dele pela manhã. Isso levanta

polêmica na sala, e a professora tentar, de uma forma descontraída, combater o preconceito por homossexuais apresentado pelo aluno, dizendo que a única atitude desse indivíduo a ser controlada pela vizinhança é aquela relacionada ao fato de atrapalhar as pessoas após o horário permitido com música alta. Mas deixa claro que a opção sexual do mesmo não deve

interessar aos moradores do bairro. Ela cita, inclusive, que ele pode estar fazendo algo errado (sua opção sexual) de acordo com os valores do aluno. Porém, esse é um valor dele próprio, que não é necessariamente de todos. O ideal, conforme ela aconselha, é possuir outro olhar, não o de estranhamento.

Diante da aula assim exposta, a professora consegue prender a atenção dos alunos.

Aula 5

A professora chega uns cinco minutos atrasada, sendo que, após sua chegada, demora também um pouco para iniciar a aula. Em decorrência de seu atraso, os alunos estão ainda mais inquietos do que comumente ficam no início das aulas.

O tema da aula em questão foi a Conquista de direitos e cidadania no Brasil, com a exposição tendo início com a seguinte frase escrita na lousa pela professora: “Toda revolução brasileira aconteceu de cima para baixo”. Simultaneamente a isso, um grupo de alunos conversa no canto da sala. Várias datas históricas são colocadas também na lousa como 1822 (Independência do Brasil); 1888 (fim da escravidão) – inclusive sobre esta, uma aluna pergunta o que foi a Lei Áurea – e 1889 (Proclamação da República). A professora pergunta

datas posteriores a estas, e os alunos vão respondendo várias “besteiras”, sem encarar a aula

com seriedade. Além disso, alguns alunos levantam para conversar, e um deles, inclusive, atende o celular.

Durante a explicação, a professora tenta desmistificar o caráter heróico de D. Pedro com relação à Independência do Brasil. Isso, contudo, de uma forma não muito clara. Há também uma confusão por parte dela com relação às datas que coloca na lousa. Ela continua fazendo várias perguntas, mas somente uma aluna se esforça em respondê-las.

Os alunos ofendem a mãe um do outro e, diante das conversas, a docente grita com estes e pede para se retirarem caso não estivessem interessados na exposição. Para a próxima aula, propõe uma redação a ser entregue sobre o tema em questão.

Nesse contexto, nota-se que os alunos quase não demonstram interesse por aquilo que a professora expõe, ou seja, a atenção dos alunos não é exclusivamente voltada para o conteúdo que a docente transmite.

Aula 6

Novamente a sala apresenta baixo número de alunos (aproximadamente 20 alunos), assim como também demora certo tempo até iniciar de fato a exposição da matéria. A

princípio, a professora questiona quem fez o exercício que passou na aula anterior (pesquisa sobre a trajetória familiar – seus descendentes).

Paralelo a isto, alguns alunos se apresentam inquietos. Um deles mostra as canetas que

diz ter “roubado” de outro colega, e outros dois sentados ao canto da sala são repreendidos

pela professora por estarem ouvindo música no celular com o fone de ouvido.

Dando seguimento à aula, a professora pega a apostila para ler os exercícios daqueles que entregaram. Contudo, não lê para a sala toda. Em meio a vários alunos, a professora pergunta para um destes se havia feito o exercício. A resposta que obteve desse garoto foi

“não tive tempo”. Então, a professora chama a atenção dele, afirmando que enquanto for

arrogante, no sentido de não gostar disso ou daquilo, jamais vai conseguir obter o

conhecimento necessário para a vida. A professora, inclusive, faz questão de ressaltar: “o conhecimento nos é necessário” – e aponta para a sua pele, negra, igualmente à do aluno.

A professora escreve na lousa o conceito de aculturação, segundo Dennys Cuche. Ressalta também, de acordo com o mesmo autor, a diferença entre aculturação e assimilação.

Uma garota pergunta o que é “Cuche”, e a docente responde que é o nome do autor.

Questiona também se este é brasileiro, mas a professora diz não o conhecer.

Durante a explicação dos termos aculturação e assimilação, a sala até permanece em silêncio, havendo, contudo, conversas paralelas e demonstrações de apatia. Sobre isso, a professora passa uma bronca, e diz ficar desanimada com essa sala, pois no momento da explicação os alunos começam a conversar. Ela diz que estes parecem preferir cópias a debates. Para explicar estes termos, a docente cita o exemplo dos indivíduos da cultura indiana que agora vestem jeans.