3. TÜRKİYE’DE GAZETECİLİK PRATİĞİ VE BASIN İŞ HUKUKU:
3.1. Çalışma Biçimleri
A Organização Pan-Americana de Saúde foi instituída como Repartição Sanitária Internacional, em consequência de uma decisão das delegações dos países representados na I Conferência Sanitária Internacional das Repúblicas Americanas, realizada em dezembro de 1902, em Washington, que por sua vez havia sido convocada por resolução da II Conferência Internacional Americana, ocorrida entre outubro de 1901 e abril de 1902, na Cidade do México. O propósito da nova organização sanitária era promover a adoção de normas comuns entre os países, que favorecessem a melhoria das condições sanitárias gerais, sobretudo nas cidades portuárias, evitando, assim, a adoção de quarentenas e outras medidas prejudiciais ao fluxo do comércio. Pretendia também facilitar a circulação de informações de importância epidemiológica, para fins de defesa sanitária, além de discutir aspectos conceituais e práticos pertinentes à uma medicina tropical com base em uma biomedicina, então, florescente (CUETO, 2007).
A instituição da Repartição Sanitária Internacional refletia, no terreno da saúde pública, o crescimento vertiginoso do fluxo de pessoas e mercadorias no âmbito continental americano, a partir da segunda metade do século XIX. No período em questão, a região das Américas experimentava um crescimento econômico importante, com o aumento significativo dos preços das matérias-primas e dos produtos das atividades agrícolas e pecuárias. Simultaneamente, os EUA aprofundavam seu processo de industrialização, passando a demandar na região um volume de trocas mercantis compatível com sua nova escala de produção. Esse incremento da atividade comercial e industrial era acompanhado de uma crescente urbanização, de uma atividade portuária frenética e de um maior trânsito de pessoas, inclusive no tocante à migração intercontinental. Assim, autoridades políticas e médicas, do norte e do sul das Américas, reconheciam que a eclosão de epidemias de cólera, peste bubônica e febre amarela, em particular, era um tema de interesse comum, que justificava a adoção de medidas compartilhadas em algum grau. Todavia, a extensão de tais medidas e a possibilidade de subordinação de interesses e da autoridade nacional aos eventuais tratados internacionais não deixaram de suscitar resistências e controvérsias.
O empenho por parte das reuniões sanitárias interamericanas e da Repartição Sanitária Internacional nos assuntos de relevância epidemiológica e na gestão de medidas de defesa sanitária foi explicitado pela adoção, já em 1905, da Convenção Sanitária de Washington. Fruto de negociações prolongadas e de gestões diplomáticas persistentes, com vistas à sua aplicação efetiva pelos Estados nacionais, esse documento, duas décadas mais tarde, em 1924, portanto, foi transformado após sucessivos aprimoramentos no Código Sanitário Pan-americano (CUETO, 2007).
Nas mesmas reuniões sanitárias, é digna de nota a ausência, quase absoluta, de enunciados pelo menos assemelhados com aqueles das concepções de assistência e cooperação para o desenvolvimento, tal como formulados a partir da metade do século XX. No terreno geral das relações interamericanas, a III Conferência Internacional dos Estados Americanos, realizada no Rio de Janeiro, em agosto de 1906, que ratificou a Convenção Sanitária de Washington, deliberou pela instituição de um centro de informações epidemiológicas, em Montevidéu, Uruguai. Um dos objetivos desse centro seria manter estreito contato com as comissões sanitárias nacionais dos vários países, coletar e comparar a experiência acumulada em cada uma delas e estar capacitado a assistir, mediante solicitação, qualquer uma dessas organizações sanitárias. Vale registrar, a esse respeito, que, desde muito cedo, a organização interamericana voltou-se para a problemática da reunião e difusão de informações confiáveis em saúde. A mesma conferência sinalizou quanto à necessidade de o escritório central da União das Repúblicas Americanas difundir informações sobre as disponibilidades educacionais dos países, considerando que relações educacionais crescentes propiciariam uma identidade comum ainda maior entre as nações do continente (REINSCH, 1907).
Ainda que a organização, nos seus primeiros anos, tenha sido palco de militância ativa das lideranças da saúde pública latino-americana, sobretudo mexicanas, cubanas e chilenas, o protagonismo das autoridades da saúde norte-americanas na sua condução foi indiscutível. Essa proeminência correspondia ao peso regional da economia e da política estadunidense, uma vez que essa nação ditava o ritmo e os termos da interdependência entre as sociedades nacionais da região. Como confirmação dessa hegemonia no âmbito da organização da saúde, já bastante destacada na literatura, vale
lembrar que, entre 1902, ano da fundação da organização, e 1959, todos os seus quatro diretores foram norte-americanos.12
Em virtude, sobretudo, das dificuldades decorrentes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, apenas uma reunião interamericana dedicada à saúde foi realizada durante a década de 10. Assim, em 1911, em Santiago do Chile, foi realizada a V Conferência Regional da Saúde, que registrou o início de uma gradativa ampliação da agenda de temas, pela inclusão de questões não estritamente pertinentes à defesa sanitária de portos e fronteiras. Dentre os novos temas incluídos estavam a profilaxia da tuberculose; a regulamentação da prostituição e da emissão de atestados de óbito; o controle da qualidade de alimentos; e o incentivo à formação de especialistas em higiene para o desempenho de funções públicas da saúde. Esse aspecto, em particular, introduziu pela primeira vez a temática da formação e qualificação de profissionais da saúde, ainda que de forma acessória. Para Marcus Cueto, essa agenda, paulatinamente ampliada, representava uma convergência entre os interesses da saúde internacional e de uma emergente saúde pública urbana, inclusive no que concerne ao processo de profissionalização dos seus quadros. Portanto, os anos 10/20 teriam registrado também, segundo Cueto, um aumento da participação de cientistas de renome nas reuniões da organização, percebidas como espaço de visibilidade na esfera pública (CUETO, 2007, p. 70-71 e 76).
Assim, a VI Conferência Sanitária Internacional, realizada em 1920, em Montevidéu, a primeira no pós-guerra, confirmou a tendência por uma ampliação da pauta. Verificou-se a introdução de temas como a educação sanitária, ainda que suas preocupações centrais se referissem ao controle de doenças infectocontagiosas no contexto da circulação de mercadorias e pessoas. A esse respeito, foi digna de nota a proposição, pela delegação brasileira, de uma versão pan-americana de um código sanitário internacional capaz de atender às especificidades nosológicas da região. Nessa mesma conferência, Hugh Smith Cumming, cirurgião geral dos EUA, foi designado
12 Os nomes e os períodos de exercício no cargo dos diretores da organização, entre 1902 e 1959, foram: Walter Wyman (1902/1911); Rupert Blue (1912/1920); Hugh Cumming (1920/1947) e Fred Soper (1947/1959). O chileno Abraham Horwitz, que dirigiu a organização entre 1959-1975, foi o primeiro diretor não norte-americano.
diretor da Repartição Sanitária Internacional, cargo que ocuparia até 1947, já no período pós- Segunda Guerra Mundial, portanto (CUETO, 2007).