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C. Tazminat

4. Zarar Miktarı

Jane Pinheiro: Boa noite! Na sessão de hoje vamos apresentar alguns filmes produzidos

pelo Coletivo Tapacurá. Incluímos uma apresentação especial do filme Três voltas que, apesar de não levar o selo do Coletivo, carrega muito da estética do grupo por causa da direção compartilhada entre Txai Ferraz, Vinícius Gouveia e Fabíola Gomes. Logo após a projeção dos curtas, teremos uma mesa-redonda com a participação dos integrantes do coletivo, Larissa Cavalcanti, Txai Ferraz e Vinícius Gouveia, o pesquisador Pedro Oliveira e a professora Vera Flores.

Convidamos os realizadores do Coletivo Tapacurá e sua parceira, Bruna Monteiro, para falarem sobre os filmes que veremos em seguida.

Larissa Cavalcanti: Boa noite!

Falar sobre Fôlego... Fôlego foi feito para o concurso Olimpikus.mov. Eu era primeiro período de Cinema e chegou um pessoal da Olimpikus dizendo que ia ter um concurso sobre movimentar-se com qualidade, e eu fiquei animada. Os meninos, Vinícius e Txai, nem estavam na faculdade ainda. Mas como eu sabia que eles tinham essa vontade de fazer também, a gente fez.1 Foi aí que surgiu o Coletivo Tapacurá, dos nossos encontros

e conversas para realizar esse filme.

Fôlego foi o primeiro curta sério, entre-aspas, que eu fiz, e ele foi escolhido para a Mostra

Pernambuco do Cine-PE 2010.2

Acho que nunca vou esquecer. A tela grande de cinema inclui uma plateia gigante que, como hoje, foi a do São Luiz. E estava lotado. E eu sabia que de cada cabeça ali ia sair uma coisa, e era o meu primeiro filme e... eu estava cheia de insegurança, mas ao mesmo tempo estava orgulhosa por ele ter sido escolhido. Eu já tinha recebido elogios dele antes,

porque ele estava no YouTube antes de ir para essa mostra.3 Sem contar que quando

você vê o filme pronto, você pensa, meu filho!! Dá orgulho! Mas eu fico meio nervosa, e também fico meio autocrítica, eu fico: eu devia... devia, devia... Mas eu gosto...4 E espero

que vocês também gostem. Uma boa sessão para todos!

Bruna Monteiro: Boa noite! Esse vídeo foi feito para a Redecard Conexão Brasil –

Gincana Cultural. Era a última fase, e a gente acabou fazendo ele em cinco dias porque a gente tinha o deadline do concurso. A gente roteirizou. Depois de roteirizar a gente pensou: Que cenas a gente precisa? A gente precisa do Mercado de São José, a gente precisa disso, precisa daquilo... A gente dividiu e a galera saiu com a Cyber-shot na rua, filmando. Todo mundo filmou. A gente virou a noite, todo mundo junto editando... 5

E valeu muito a pena toda essa correria, ganhamos a gincana e fizemos uma viagem inesquecível juntos.

Recife 85 é um filme muito saudoso... E é engraçado porque ele é saudoso de uma coisa

que ainda existe...6

Boa sessão!

Txai Ferraz: Boa noite, eu sou Txai Ferraz, eu falo pelo filme Três Voltas. Esse filme tem

três realizadores, eu, Vinícius Gouveia que está aqui ao meu lado e Fabiana Gomes do Ceará. Esse filme foi feito assim por muitas mãos, num esquema bem arriscado. É... A gente mandava a proposição para as atrizes e elas respondiam como elas quisessem, se gravando, ou com fotos, depoimento pessoal, enfim... A gente chegou a se perguntar, muitas vezes, se a gente teria um filme no final das contas. Saber que ia ser exibido aqui foi muito massa!

COLETIVO

TAP

ACURÁ

Vinícius Gouveia: Não, só dizer que Amanda Beça e Ana Lúcia, as atrizes, estão aqui. Que

não estavam com a gente in loco produzindo o filme, mas por mensagens, por Facebook, a gente conseguiu fazer o filme. Obrigado, meninas!8

Txai Ferraz: É... Eu, De novo aqui... [risos]! Bom, foi em 2011, mais ou menos, que eu

comecei a escrever o roteiro. Acho que muitas coisas mudaram na cidade, desde então. Mas a ideia surgiu muito assim, foi muito pensar... Caramba, tenho vinte anos, sou adolescente, num país adolescente, também.9

E assim, quando a gente fez esse filme, já tava na faculdade. Na faculdade a gente via que a gente fazia um filmezinho por semestre, às vezes dois. Teve disciplina que a gente teve que fazer quatro filmes, mas era um filme por semana e a gente sempre acabava muito esgotado e muito frustrado mais do que nada, porque não tinha um tempo de pensar os filmes direito, de imprimir uma qualidade técnica que a gente sabia que tava a fim de experimentar. Porque também, essas câmeras DSLR, pelo menos aqui no curso alguns alunos estavam começando a comprar e foi a primeira vez que a gente se viu diante da possibilidade de fazer alguma coisa em HD...

A grande vontade era que fosse um filme teste de todo mundo. Todo mundo tava pegando uma função que queria se aprimorar de alguma forma dentro daquela função, se não soubesse como fazer aquela função ia conversar com algum profissional de cinema mesmo, pra trocar uma ideia. Mas foi muito isso, um desejo de se provar, de vamos fazer algo diferente. Vamos nos permitir um tempo maior, porque era muito frustrante fazer filmes que a gente sabia que a gente pensou e que a ideia podia ser desenvolvida de uma forma melhor.10 É isso gente!

Eu gostaria de agradecer a todo mundo que contribuiu para que o filme ficasse pronto. Boa sessão pra vocês.

ba

Jane Pinheiro: Agradeço a equipe do Cinema São Luiz por essa projeção tão bem cuidada,

como é de praxe nessa casa. Estava aqui sentada lembrando que eu já tive oportunidade de assistir a alguns desse filmes nessa mesma tela. Em 2010, Fôlego, numa Mostra Competitiva do Cine-PE. Larissa nervosa... Bruna Monteiro, Txai Ferraz, Vinícius Gouveia fazendo a cobertura do Cine-PE, de forma independente, pro Canal Futura. Depois, em 2013, no 15o FestCine, assistimos juntos a De novo aqui, Três voltas e ao filme de Bruninha

que vocês terão a oportunidade de ver amanhã, Somos todos, que acabou ganhando uma Menção Honrosa na Mostra Competitiva de Formação!

E a primeira divulgação de Fôlego no Orkut? Parece que ainda posso ouvir Vinícius Gouveia na Comunidade do Colégio de Aplicação da UFPE: “Pessoas, Larissa Cavalcanti dirigiu um curta que está concorrendo num concurso da Olympikus. Participei da produção e posso dizer que esses quatro minutos e meio valem a pena!”11

Antes que me perca mergulhada em lembranças, gostaria de chamar as pessoas que vão compor a Mesa: Pedro Oliveira, Vera Flores, Larissa Cavalcanti, Txai Ferraz e Vinícius Gouveia. Grata pela presença de todos, passo a palavra a Pedro Oliveira.

Pedro é pesquisador e professor de Cinema Contemporâneo Brasileiro. Sua tese de doutorado, sobre a importância dos coletivos na retomada do cinema brasileiro, foi publicada recentemente e está à venda no hall de entrada do cinema.

Pedro Oliveira: Boa noite, quero agradecer o convite para falar do Coletivo Tapacurá.

Tenho um interesse muito especial por esse tipo de organização. É que antes se ser professor de Cinema Contemporâneo Brasileiro, antes de ser o autor de uma tese sobre

MOSTRA IMA

GINÁRIA

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esse assunto, eu fui adolescente [risos], um adolescente que fez cinema! Pela minha calvície, e as trilhas que se insinuam em minha face denunciando que percorri muitos caminhos, esses sulcos arados pelo tempo que alguns chamam de rugas, pode-se deduzir que isso aconteceu há algum tempo [risos]!

Foi na década de setenta, época em que aportaram no Recife, na casa das famílias de sobrenome importante, aquelas camerazinhas trazidas das viagens ao exterior com o propósito de registrar as festas e passeios de finais de semana12. Eu tinha quinze anos,

quando vi os primeiros filmes em super 8. Mas, só quando assisti aos documentários que Kátia Mesel produziu em suas andanças pela Europa é que fiquei fascinado pela bitola. Naquele momento, compreendi que era possível fazer cinema em super 8. Foi como uma revelação!

Kátia Mesel: Boa noite, Pedrinho! Posso lhe interromper? Fico feliz com sua referência

àqueles primeiro filmes. Curioso é que para mim, fazer cinema naquela época era uma coisa muito amadora, espontânea, inocente até... não comecei a fazer super 8 achando que estava fazendo cinema.13

Pedro Oliveira: Kátia! Que alegria tê-la como interlocutora! Pois saiba que sua inocência

me levou a fazer cinema! Depois de assistir aos seus filmes, segui o conselho de Geneton – “Arranje uma câmera, reúna a turma, vá para a rua. A transa é filmar”14 –, juntei uns

amigos e fizemos vários filmes. Claro que fazer filmes em super 8 não era tão accessível quanto o é, hoje, o formato digital. Era preciso ter a câmera, comprar os rolos de filmes, revelar, editar... Fazer circular, então, era uma loucura! Muitas vezes levávamos os filmes para os festivais debaixo do braço, com medo de perdê-lo, já que fazer uma cópia não era tão simples... Fazíamos projeções nas ruas... Lembro da forte sensação de transgressão ao assistir aos filmes de Jomard Muniz de Britto, exibidos em Olinda, no meio de uma ladeira...

Mas tudo isso para dizer que meu interesse por coletivos de cinema vem dessa minha vivência com o super 8, depois com o vídeo, e agora com o cinema digital... Daí, também, meu interesse por tecnologia... Para mim, a democratização da tecnologia ajuda a circular sonhos!