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Zararın Çeşitleri

C. Tazminat

2. Zararın Çeşitleri

uma brisa de esperança

Human Colours

Déo Machado: Quando a família avisou que ia passar o final de semana na praia, Vinícius

insistiu para ficar em sua casa, num subúrbio do Recife, e produzir um vídeo.

Motivado pela possibilidade de se posicionar diante um tema instigante, ganhar um prêmio e viajar para os Estados Unidos, ele não titubeou em captar imagens com uma simples câmera fotográfica com função vídeo e utilizar conteúdos disponíveis na internet.

O tema do concurso da Rede Social ExchangesConnect, promovido pela Agência de Relações Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos EUA, era Minha Cultura + Sua Cultura = ?. Equação difícil de resolver em textos acadêmicos, num longa-metragem ou num vídeo de, no máximo, três minutos. O caminho escolhido por Vinícius para se aproximar do cálculo proposto foi a metáfora das cores, Cores Humanas, título do filme. Vinícius utiliza pelo menos três recursos de captação de imagens. Imagens filmadas por ele na função vídeo; imagens captadas por ele como fotografias e editadas em vídeo,

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utilizando a técnica conhecida como stop motion; imagens captadas da internet no formato de vídeo e de fotografias. As imagens captadas na internet de Barack Obama, Luís Inácio Lula da Silva, Hugo Chavez, Severn Suzuki e Charles Chaplin foram trabalhadas na edição com um efeito de desenho utilizando o Movie Maker.

O autor não estava sozinho em sua empreitada, contou com a ajuda de dois amigos do colégio em que estudava, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (CAp-UFPE). Fernanda Lima traduziu para o inglês o texto escrito por ele. É dela a voz-

over que escutamos desde o segundo plano, acompanhada pela música composta

especialmente para o vídeo por Hugo Lima. O trabalho de três dias com a ajuda desses amigos e a mobilização de sua rede social, uma vez que a primeira etapa do concurso incluía o voto popular, lhe valeu o primeiro lugar no concurso dentre cento e setenta concorrentes de diversos países, e um curso de verão, Filmmaking, na School of Creative and Perform Art de Nova York (SOCAPA-NY).

Na primeira cena do vídeo vemos, em primeiro plano, um fogão com frigideiras e as mãos de alguém que acende o fogo. Ao fundo, fragmentos de uma cozinha. Esse é o único plano do vídeo em que escutamos o som captado de forma direta, som que é ouvido todas as vezes que o plano se repete.

Um corte nos revela em plongée algo de um azul intenso. Novos cortes, mudanças de posição da câmera, apresentam o fogo e novas cores. Preparadas nas frigideiras, tinturas na cor azul, amarela e verde funcionam como elementos que sustentam visualmente o que diz a voz feminina. Ela nos fala da necessidade da singularidade e da mistura na construção da diversidade.

As cores dançam, agora, no movimento dos dedos e da palma da mão. Ao azul, amarelo e verde dos planos iniciais foram acrescidos o vermelho, o branco e o preto.

As imagens não escondem sua origem fotográfica. A opção pelo formato retrato e não paisagem, reforça essa origem. Fotos da mão espalmada, dos dedos dobrados, de dedos solitários se sucedem, gerando um movimento quebrado, pulsante, artificial. A edição que gera esse movimento dos dedos em stop motion não almeja qualquer naturalismo, ela quer se fazer presente e notada.

Uma rápida sequência de uma pilha de livros que cresce e diminui, também pela técnica de stop motion, nos lembra que essa cultura de que fala o texto, tem expressões concretas. Os balões coloridos multiplicam, no encadeamento das imagens e do texto narrado, a diversidade da produção escrita humana.

Contrapondo-se à nossa produção literária, registros de estadistas intercalados por imagens de contextos diversos são apresentadas, dirigindo de tal forma as associações a serem feitas pelo espectador que nos lembra o experimento de Lev Kuleshov.

E aqui, permitam-me um pequeno comentário para quem não conhece o russo Kuleshov, pioneiro na reflexão teórica sobre a linguagem cinematográfica em construção: Para ele, residia na montagem, a essência do cinema. Era a justaposição de cenas que as conferia significado. É célebre o seu experimento com uma tomada do ator Ivan Mozjukhin à qual ele intercalou um prato de comida, uma mulher morta e outras imagens. A reação do público foi a esperada, dizendo o quanto ele parecia faminto diante do prato de comida, e como ele parecia comovido diante da mulher morta etc. O público não percebeu que, em todos os casos, a expressão do ator Mozjukhin era exatamente a mesma, os mesmos frames. O que mudava era apenas a cena justaposta na sequência fílmica.9

Bom, retomando...

A edição, utilizada deliberadamente como construtora de sentidos, nos oferece em sequência as imagens de Obama – tendo ao fundo três bandeiras americanas –, um tubarão branco que ataca uma foca, uma bomba explodindo, Severn Suzuki aos doze anos discursando na Rio 92, novamente Obama, cenas de uma enchente, Hugo Chavez,

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crianças que atacam um animal a pedradas, novamente a enchente, Severn Suzuki, a bomba, Lula, Chavez, o tubarão com a foca entre os dentes, e finalmente Chaplin, como

O grande ditador.

Ao mesmo tempo que aponta a posição de poder dos Estados Unidos, associando essa potência ao tubarão branco, predador conhecido por sua força e agressividade, à guerra e às catástrofes ambientais, Vinícius evoca a responsabilidade de cada um nós, estadistas, crianças, adolescentes, de escolhermos atuar em prol do planeta e da humanidade. Escutamos a voz feminina que não quer nos deixar dúvidas: “Seres desumanos, nós. Esquecemos de quão ativos e importantes personagens somos na vida, não apenas de nossos companheiros, mas também no devir das demais criaturas que compõem o planeta.” A diversidade das cores humanas expressa em pinturas modernas, desfilam diante dos nossos olhos conduzindo-nos à figura de um jovem com o mapa-múndi projetado sobre seu corpo, Vinícius. Seguem-se imagens das tinturas no fogão, que retornam para reforçar o que o áudio enuncia: incansável discurso sobre a diversidade necessária. As imagens fotográficas de peças de tabuleiro coloridas, vistas do alto, de lado, em plano mais geral ou close-up, pulsam numa cadência ritmada como um vídeo game, ou um letreiro luminoso de propaganda, novamente em stop motion.

A imagem de Vinícius com o mapa do mundo projetado sobre seu corpo retorna e quebra a cadência da edição das peças do tabuleiro que continuam pulsando, a partir de então, de uma maneira menos ritmada.

Uma nova sequência de imagens fotográficas é introduzida. São imagens de um adolescente, o autor, que assume diversas posturas num sofá. Posturas emblemáticas que cada um de nós pode oferecer diante das questões que estão sendo expostas: meditar, relaxar, refletir...

Pequenas bolinhas coloridas escorrem em fluxo contínuo para dentro de uma taça de vidro, vistas ora de cima, ora de lado, sempre de um ângulo novo na sequência de cortes. São gomas de mascar. São, ao mesmo tempo, a diversidade de culturas humanas. Minha cultura + Sua cultura, não aponta para uma homogeneização ou amalgamento das culturas. À equação proposta pelo concurso, o autor recusa uma solução matemática, “Não é uma questão de matemática, é de sentimento” afirma, e soluciona com o aparente paradoxo: “O todo é maior do que a soma das partes”.

No sofá, o autor descansa, pensa, indaga. Qual a nossa posição? Pergunta-nos em silêncio a imagem do jovem que da sua casa aponta para o espectador.

Numa estrutura repetitiva ressurgem os tabuleiros e sua infinidade de peças, seguidos dos livros, das pinturas, dos dedos, finalizando com o rosto do jovem com o mapa do mundo, lembrando-nos que fazemos parte desse imenso colorido. E que, se estamos no mundo, o mundo está em cada um de nós.

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