B. Geçersizlik Yaptırımı
2. Kısmi Geçersizlik
Jane Pinheiro: Boa noite! É com alegria que damos início às sessões de filmes da nossa
Mostra Imaginária. Os audiovisuais que serão apresentados na Sessão ExchangesConnect Video Contest foram premiados no concurso promovido pelo Bureau de Relações Exteriores do E.U.A. Pensamos essa Sessão como um espaço para discutirmos a produção de audiovisuais em situações precárias, da possibilidade desses vídeos circularem internacionalmente, de levarem o autor a se deslocar geograficamente, e da importância das redes de relações nas competições on-line. Convidamos os diretores Vinícius Gouveia e Bruna Monteiro para que nos digam algumas palavras antes de iniciarmos a projeção.
Vinícius Gouveia: Boa noite! Esse filme, Human Colours, eu fiz para um concurso em
2008. O tema do concurso era Sua Cultura + Minha Cultura =? [...] Eu pensei, o que é que eu posso contar de juntar minha cultura mais sua cultura? Eu tentei meio que achar o conceito do filme, o discurso do filme. Que acabou sendo esse, que não existem culturas superiores, que a soma das partes é maior que o todo, isso foi a primeira coisa que eu fiz: procurar a minha voz, a voz que eu queria usar pra escrever o texto que tem muito menos a ver com cinema, e muito mais a ver com a minha formação mesmo da época, de colégio, de aula, de vida.1
Então a ordem foi o conceito, a ideia, depois o texto; e as imagens vieram durante todo o processo. Eu via na minha casa o que tinha, que eu podia usar e que tivesse a ver com o que eu queria fazer – com minha proposta estética, digamos assim, que eu tinha na minha cabeça –, e eu usava. E tem até imagens que eu tinha feito antes de saber do concurso, que eu guardei, pensando “quando eu quiser uma imagem assim, eu uso”, e eu acabei usando. E eu acho que com o que eu podia fazer, eu fiz o melhor!2 E, pra mim, ver esse filme na tela do
Cinema São Luiz, com todos vocês aqui – essa plateia tão especial – é muito emocionante! Boa sessão pra vocês!
Bruna Monteiro: Boa noite! New Eyes foi feito em 2009, com uma câmera Cyber-shot e
muito apoio dos amigos. No Colégio [de Aplicação da UFPE], a querida professora Jane Pinheiro estimulava a produzir com o que desse, mas sempre produzir. Pois bem, o vídeo acabou sendo vencedor do concurso Save the Climate, Save the World, o que me premiou com uma viagem para estudar fotografia nos Estados Unidos por quinze dias.
Agora, anos mais tarde, fico feliz de ter mudado um pouco. A mensagem do vídeo, que antes era apenas dita no ar, tenho conseguido cada dia por em prática. No entanto, ainda com o sentimento que poderia fazer mais.
E então percebi, que apesar da viagem, do curso, o maior prêmio que eu poderia ganhar/ ganhei seria a alegria de ver que consegui comover e mover um pouco as pessoas a verem com “novos olhos” o próximo e o mundo.3
Obrigada pela presença e boa sessão para todos! ba
EX
CHANGES
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ONECT
Jane Pinheiro: Os vídeos que acabamos de assistir, Human Colours [Cores Humanas],
produzido por Vinícius Gouveia aos dezesseis anos de idade, e New Eyes, produzido por Bruna Monteiro aos dezessete, podem ser pensados como exemplos condensados das questões apontadas na conferência de abertura desse evento. Iniciaremos com uma fala de Déo Machado sobre os filmes e, logo em seguida, abriremos para o diálogo com o público e os realizadores. Déo Machado é crítico de cinema independente, atua como cineclubista, e tem sido convidado para participar, como jurado, em festivais de cinema brasileiros.
ba
Déo Machado: Boa noite! Gostaria de agradecer a organização da Mostra pelo convite.
Essa é a primeira vez que sou convidado para conversar sobre filmes produzidos por adolescentes, olhando para eles com o status de obras e não de exercício escolar. Pode soar estranho, mas para mim esta oportunidade se apresenta como um desafio. Há alguns anos, assisti a um pequeno diálogo com David Lynch na Cinemateca Francesa. Estavam fazendo uma homenagem a ele com uma retrospectiva integral de sua obra. Lynch entrou na sala lotada, Serge Toubiana claramente emocionado lhe fez algumas perguntas sobre Mulholland Drive que seria exibido em seguida. Ele começou a responder, mas em determinado momento se deu conta que algumas das pessoas que ali estavam talvez não tivessem visto o filme. Dirigiu-se à plateia e perguntou. Para não privar àquelas pessoas que ainda não haviam assistido a Mulholland Drive de terem a experiência única dessa aventura diante de algo desconhecido, recusou-se, bem-humorado, a continuar
discorrendo sobre o mesmo.4 Hoje, vejo-me na situação inversa. Todos aqui na sala
acabaram de assistir a esses dois curtas sobre os quais me proponho a conversar. Qual o sentido da minha palestra se todos vocês já viram os filmes e podem tecer por si mesmos suas conclusões? Esse foi o primeiro problema que me coloquei: O que eu poderia falar que ampliasse a experiência que acabaram de ter? O próprio Lynch nos dá uma pista... Nesse mesmo evento ele afirma que “todos os elementos necessários à compreensão de um filme, estão no filme. [E que,] em nossos dias, as pessoas sempre querem que o realizador, o autor, o romancista explique sua obra, mas, de fato, o filme, ele mesmo, é a coisa. O filme é a resposta.”5 – Até aqui, parece, eu só fiz piorar minha situação, não é?!
MOSTRA IMA
GINÁRIA
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[risos] – Lynch continua sua fala dizendo que ao sair de uma exibição, as pessoas sempre compreendem muito mais do que imaginam, e que isso fica muito claro quando, numa conversa, diante de alguém que diz algo que soa estranho à sua experiência, mesmo aquelas pessoas que pensam que não entenderam absolutamente nada de um filme são levadas a se posicionar, a se contrapor.6 Penso que essa já seria uma boa razão para
conversarmos sobre esses curtas: instigar uma reflexão pessoal sobre eles confrontando nossas ideias. É nisso que acredito, que a minha fala pode contribuir para que a visão de cada um dos presentes aflore com mais força e clareza.
ba
Para analisar um filme, com o intuito de perceber melhor os detalhes de cada plano, entender melhor seu encadeamento, gosto de decupá-lo. A palavra já aponta o problema. Decupar vem do francês découper, cortar em pedaços. Ora, se corto em pedaços um filme para analisá-lo, o que restará dele ao final? Enredando ainda mais essa teia: A decupagem de um roteiro faz parte do processo de produção de um filme, ao menos nos grandes estúdios. Finda a montagem, aqueles papéis não são mais nada além de papéis – como a borboleta abandona o casulo, eles são abandonados depois de sua metamorfose em imagem, seu destino muitas vezes é caixa de reciclagem.7 O roteiro de um filme não é o filme, porque
este é imagem em movimento. E nós, para fins analíticos além de o decuparmos, de o decompormos em planos trazendo-o de volta para o papel, ainda detemos suas imagens.
Roubamos do fluxo, frames, fotogramas que se querem em movimento.8
Percebem o quanto pode ser incompleta e por vezes paradoxal a análise de um filme? Além dos filmes, propriamente ditos, interessava-me compreender um pouco o processo de criação dos mesmos e a motivação desses dois adolescentes para produzi-los, por isso troquei alguns e-mails com Bruna e Vinícius.
Para evitar perder-me, e abusar do tempo, passo a ler as minhas anotações. Vou projetar alguns frames à medida que for falando.