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2.3. İlgili Araştırmalar

2.3.2. Yurtdışında Yapılan Araştırmalar

Como parte do projeto de construção da Vila Operária da Companhia Fiação e Tecidos do Marzagão, como se pode constatar, também foi criada uma escola para atender aos seus operários. Inicialmente funcionando no horário diurno, a escola fora convertida em noturna pela Lei n. 199, de 19/09/1896, provavelmente para não interferir na jornada de trabalho diurno das crianças e poder, inclusive, atender também aos operários adultos. A preocupação com a abertura de escolas no interior das vilas ou nas dependências das fábricas encontra-se na gênese das próprias fábricas mineiras. Nesse sentido, a pioneira

Fábrica do Cedro (1872) também deteve o pioneirismo na criação e manutenção de escolas primárias, diurnas ou noturnas, para os seus operários39

A fábrica da Cachoeira, estabelecida em 1872, na freguesia da cidade do Curvelo por Mascarenhas Irmãos & Barbosa, e a do Cedro, próxima ao Tabuleiro Grande, município de Sete Lagoas, fundada em 1872 por Mascarenhas Irmãos, sempre se mantiveram sem auxílio estranho [...] Em ambas as fábricas existem duas escolas de instrução primária para ambos os sexos e uma Caixa Econômica, havendo também na do Cedro uma aula de música [...] A iniciativa da fundação dessas fábricas e da organização da Companhia é devida ao gênio empreendedor e progressista de um dos distintos membros da família Mascarenhas, Bernardo Mascarenhas, a quem a província muito deve, sendo que a fábrica do Cedro, a primeira fundada na província, é a origem das muitas que hoje existem e da já bastante desenvolvida educação industrial na província

. Como parte do empreendimento da Fábrica do Cedro, a escola primária começou a funcionar, de acordo com o seu levantamento contábil, dois anos depois de sua instalação, isto é, em 1874. De acordo com Alisson Vaz Mascarenhas (1990) a instrução primária era o único benefício pelo qual os operários dessa fábrica não precisavam pagar para usufruir; em alguns contratos a moradia e a alimentação também poderiam ser gratuitas.

Em relatório encaminhado à Secretaria do Governo, em 1876, o gerente da Cedro e Cachoeira, Francisco Mascarenhas, já destacava a importância do empreendimento para o setor industrial mineiro, bem como a influência que exercia sobre as demais fábricas no tocante aos cuidados com a educação dos operários. O gerente fez questão de destacar a autonomia financeira e o empreendedorismo dos irmãos que fundaram a Fábrica:

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A razão para a manutenção das duas escolas primárias estava, provavelmente, no número de crianças empregado nas Fábricas naquele momento. De acordo com o citado documento, do total de 465 operários, 46% eram mulheres (213); 36% crianças (166) e 18% (86) eram homens. Dados que confirmam tanto a presença feminina como predominante, quanto a necessidade dos proprietários de construírem escolas para tão elevado número de crianças. É plausível afirmar que a presença de um grande número de crianças em idade escolar compondo o quadro de trabalhadores das fábricas,

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39 No ano de 1890, Minas Gerais contava com 79 escolas noturnas, sendo que sete funcionavam nas

seguintes fábricas: Fábrica de Tecidos do Bom Jesus D’Água Fria, Fábrica Nossa Sra. das Dores da Conquista, Fábrica de Fiação de S. Roberto, Fábrica do Cedro e Fábrica São Miguel de Piracicaba. No ano seguinte somavam-se a essas a Fábrica de Tecidos de Botelho e Cia., a Fábrica da Cachoeira dos Macacos e a Fábrica de S. Vicente.

40 Correspondência recebida pela Presidência da Província referente a agricultura e indústria. Secretaria

associada à questão da obrigatoriedade escolar, vigente naquele momento compelisse aos proprietários das fábricas a fundar escolas nas vilas operárias41

A legislação estabelecia que “pais, tutores, patrões e protetores” e responsáveis eram obrigados a fazer com que as crianças em idade escolar freqüentassem uma escola pública; o que nos leva a indagar sobre a relação que se estabeleceu entre os proprietários e o Estado: a escola da fábrica seria de que natureza? As fábricas, ao assumirem a responsabilidade pela criação e manutenção da escola estariam sendo consideradas no cumprimento dessa exigência? O relatório da Fábrica de Beriberi, de 1883, também se referia à questão da educação dos operários, deixando explicita a questão da obrigatoriedade escolar

. Pode-se supor que a escolarização estaria desempenhando um duplo propósito: cumprir as exigências legais e disciplinar os trabalhadores para a cultura do trabalho fabril por meio da inculcação dos valores e da ética indispensável ao trabalho.

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Em 2 de Junho de 1884 fundei uma escola noturna de instrução primária para ambos os sexos, sob a direção de um bom professor, pai de família exemplar e cheio de serviços da mesma profissão, com o que tem-se difundido alguma luz e mais amor ao trabalho nestes desprestigiados da fortuna, que além de interesse material enxergam nesta nova instituição uma vida moral para o futuro (apud Libby, 1898, p. 236).

: “os operários da nossa fábrica são obrigados ao ensino primário, doutrina, etc. O estabelecimento já tem escola por conta da província; tinha desde o princípio por conta da fábrica”. (apud LYBBI, 1988, p. 236). Chama a atenção o fato de que a citada escola, inicialmente, era mantida “por conta da fábrica” e, posteriormente, por conta do Estado. Nesse caso, a criação das escolas não estaria ligada a uma forma de “paternalismo”, mas antes à exigência do cumprimento da legislação; o que faz sentido, principalmente, se considerarmos que a maior parte do operariado fabril era formada de crianças menores. As demais fábricas mineiras também cumpriam as imposições legais e mantinham escolas nas suas dependências, como relata o gerente da Fábrica Senhor Bom Jesus d'Água Fria:

41 A primeira reforma de ensino republicana já dispunha, no art. 54 da Lei n. 41, de 1892, que “os pais,

tutores, patrões e protetores são responsáveis pela educação dos meninos que em sua companhia ou sob sua autoridade estiverem, e, como tais, obrigados a fazer com que eles, em idade escolar, freqüentem a escola pública primária do Estado...” (MINAS GERAIS, 1892, p. 43)

42 Em cumprimento ao Ato Adicional de 1834, a Província Mineira estabeleceu, na Lei de n. 13, e no

Regulamento n. 3, de 1835, a obrigatoriedade escolar, nos seguintes termos: Art. 12: os pais de família são obrigados a dar a seus filhos a instrução primária de 1º grau ou nas Escolas Públicas ou particulares, ou em suas próprias casas, e não os poderão tirar enquanto não souberem as matérias próprias do mesmo grau. A infração desse artigo será punida com multa de dez a vinte mil réis... Art 13: A obrigação imposta no artigo precedente aos pais de família começa aos 8 anos de idade dos meninos; mas estende-se aos que atualmente tiverem 14 anos de idade [no caso da população feminina a freqüência não era obrigatória]. (GOUVEIA, 2004, p. 267).

Nos documentos com os quais nos deparamos, pudemos constatar que a criação e a manutenção de escolas primária nas fábricas não obedeciam a uma regularidade. Ora o proprietário custeava o provimento da escola, ora esse ficava a cargo do Estado, ou ainda, algumas vezes as escolas eram subsidiadas com auxílios financeiros ou com materialidade.

Não é possível afirmar que havia um único modelo de funcionamento das escolas das fábricas, pois, o que vimos é que muitas escolas eram diurnas e mistas, o que provavelmente não comprometeria a jornada de trabalho considerando a inexistência de medidas que impedissem a ampliação noturna da jornada. Havia ainda as escolas noturnas que atendiam aos dois sexos e outras exclusivamente masculinas. O ANEXO 1 apresenta alguns dados relativos à manutenção das escolas pelas fábricas mineiras. Mesmo sabendo da precariedade das informações, observa-se que após 1890, as escolas noturnas são extintas, provavelmente em virtude do cumprimento do Decreto de n. 260, de 1º de dezembro de 1890, que será discutido posteriormente. No ano seguinte, a Fábrica do Cedro reabre a sua escola noturna e nos permite conhecer um pouco mais dessa história. No ano de 1896, o governo autorizou a conversão da cadeira do sexo masculino, da Fábrica do Brumado, município de Pitanguy, em cadeira noturna43

1.3.

Dos relatórios dos inspetores às escolas primárias das fábricas