6.1. Geçerlik ve Güvenirlik Çalışması
6.2.4. Deney Grubunun Son Test ve Kalıcılık Puanlarına İlişkin Bulgular
Em fins do século XIX, a instrução primária noturna, destinada aos adultos na Província de Minas Gerais, encontrava-se a cargo do Poder Público e de entidades filantrópicas, tais como a Associação Propagadora da Instrução, que mantinha uma aula noturna, subsidiada pelo governo, de acordo com as Leis de n. 2051, de 3 de dezembro de 18732 e n. 2112, de 18743
2 Segundo a Lei n. 2051, de 3 de dezembro de 1873, o Presidente da Província, Venâncio José d´Oliveira
Lisboa, determinou a quantia de 2:000$000 como auxílio para a aula noturna da capital, nos seguintes termos: “Art. 1º O presidente da província fica autorizado a auxiliar desde já a escola noturna desta capital, sob a regência do cidadão Delfino Clemente Dias Bicalho, com a quantia de 2:000$ réis, do modo seguinte: §1º A quantia de 800$ réis lhe será entregue como remuneração de efetivo exercício nessa escola por espaço de 16 meses, a contar de abril de 1872 a outubro último. §2º A de 1:200$, em prestações mensais, apresentando este professor atestado do presidente da sociedade propagadora, com o qual prove que durante o mês funcionarão as aulas de 1ªs letras, aritmética e gramática portuguesa” (MINAS GERAIS, 1873, p. 186).
3 Consta do Art. 2º, §24, da Lei n. 2112, o auxílio à Sociedade Propagadora da Instrução de Lavras no
valor de 2:000$000 (MINAS GERAIS, 1875, p. 133)
. A Associação era uma instituição filantrópica cujas aulas noturnas funcionaram até por volta de 1896, quando, sob a regência do professor Vicente Ferreira de Souza, a frequência diminuiu e não se obteve mais matrículas (SECRETARIA DO INTERIOR, 1896). A experiência dessa instituição fora considerada pelo inspetor geral, como algo digno de ser imitado e aclimado por todos. Ao se referir aos sujeitos que frequentavam essas aulas, o inspetor nos permite inferir que elas eram frequentadas não
somente por adultos como também por menores, fenômeno que se manterá por décadas em Minas. Reconhece, por isso, a sua utilidade, assim se expressando:
ela foi frequentada até por maiores, o que prova a sua utilidade. É uma ideia generosa e de muita conveniência [...] além de sua utilidade prática a muitos que d’ella precisam, seria nesta Capital como o exemplo de uma instituição fiilantrópica digna de ser imitada e aclimada entre nós4
Numa relação, provavelmente não arbitrária, o mesmo professor da única cadeira para adultos era um padre e também professor da escola da cadeia
.
Concomitante ao funcionamento dessa escola, também funcionava a escola noturna pública de Minas Gerais, criada no ano de 1882, na Freguezia do Ouro Preto, Capital, sob a regência do Padre Cândido Ferreira Velloso, professor da Cadeia Pública, encarregado da distribuição do “pão espiritual” aos que a ele buscassem, conforme se expressou o presidente da Província Theophilo Ottoni, em 1882. A escola noturna funcionava em uma das salas do Lyceo Mineiro (Ver FIG. 10) e era regida por um jovem sacerdote, bastante elogiado pelo inspetor geral, Jose Aldrete de Mendonca Rangel de Queiroz Carreira:
designei para regê-la o e confiando-lhe tão árdua missão, esse meu ato, aprovado por V. Exc., importa a consagração do merecimente do jovem sacerdote à cujo zelo e bom espírito doutrinador devem já muitos os alunos das escolas da Freguezia do Antonio Dias nas explicações de catecismo e ensino religioso que ele lhes liberaliza aos sábados (QUEIROZ CARREIRA, 1882).
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A sala de aula, a julgar pela quantidade de carteiras, parecia comportar mais de trinta alunos, além de estar provida de materiais didáticos e utensílios, como quadro e giz branco, além de mapas e cartazes para o ensino de geografia e aritmética.
que deveria realizar a árdua missão de alimentar os espíritos maduros, afinal a instrução diminuiria a criminalidade, conforme propugnava o Presidente da Província e o chefe de polícia da Capital.
4Assembléia Legislativa Provincial de Minas Gerais, 1876, p. 93.
5Sobre a idéia de se instruir os presos, o regulamento das escolas das cadeias mostra claramente a
influência das idéias cientificistas que permeavam o cenário nacional, principalmente a corrente ligada à Nova Escola Penal, profundamente influenciada pelas teses antropológicas do médico italiano Cesare Lombroso. A vinculação entre a instrução e a diminuição das estatísticas criminais, difundida nessa época, é reafirmada pelo Presidente da Província: “a instrução, a par de outras vantagens, modifica os costumes e opera a diminuição da estatística criminal [...] Tem sido os mais lisonjeiros e satisfatórios os resultados obtidos na aula de instrução primária, que já existe na cadeia da capital, e na qual são freqüentes 40 presos”. A idéia era criar escolas em todas as cadeias, mas o orçamento somente permitira a iniciativa nas cadeias centrais, como da Capital (MINAS GERAIS, 1881, p. 41,42).
FIGURA 10 – Sala de aula onde funcionava a aula noturna da Penitenciária de Ouro Preto, no final do séc. XIX.
Fonte: Acervo Arquivo Público Mineiro.
Num movimento de ampliação das escolas, nesse mesmo ano, o Doutor Theophilo Ottoni, Presidente da Província de Minas Gerais, determinou a criação de diversas escolas noturnas primárias nas cidades de Paraíso, Itapiba, Christina, S. Miguel de Guanhães e Santa Bárbara (MINAS GERAIS, 1882). Além dessas, também foi criada uma escola noturna de instrução primária para o sexo masculino no povoado denominado Fábrica do Cedro, no distrito da cidade de Montes Claros (MINAS GERAIS, 1882a) e uma escola noturna de instrução primária elementar, para adultos do sexo masculino, anexa a uma das cadeiras da cidade de São João Del Rey (MINAS GERAIS, 1882b). A freqüência exigida para a manutenção de todas as cadeiras era a de 15 alunos, pelo menos, e o ordenado mensal dos professores era de 300$000.
A preocupação com a educação dos adultos mineiros elevou o número de escolas noturnas ao final do XIX. De acordo com o relatório anual da Inspetoria Geral de Instrução Pública de Ouro Preto, em 1885, a Província Mineira contava com 1.477 cadeiras de instrução primária distribuídas da seguinte forma: 24% localizadas em cidades e vilas, 56% em freguesias e 20% em distritos e povoados. Desse total, 57%
eram para o sexo masculino, 40% para o sexo feminino e 3% eram cadeiras mistas. As cadeiras noturnas correspondiam a 2,4% do total, ou seja, a 35 cadeiras. Havia também seis escolas funcionando em cadeias (VASCONCELLOS, 1855, p. 6).
No ano de 1890, o Estado contava com 1487 escolas primárias de 1º grau, 487 de 2º grau, seis cadeiras funcionando em cadeias e 79 escolas noturnas, sendo duas em fábricas, correspondendo a 5,32% do total de escolas primárias, o que representou um aumento de mais do que o dobro, em apenas cinco anos. Como mostra o ANEXO 2, as escolas noturnas estavam distribuídas por 66% das 120 principais cidades mineiras, ou seja, mais da metade das cidades mantinham, pelo menos, uma escola noturna. Percebe- se, porém, que a partir do ano seguinte o número de escolas diminui drasticamente; resultado da política de redução do número de escolas primárias implementada pelo governo republicano, por meio das reformas da instrução pública. Essa política restringiu o movimento de ampliação das escolas primárias afetando significativamente as escolas noturnas, dando início a um processo crescente de extinção, como se pode ver na TAB. 1 que mostra o início desse processo de declínio.
TABELA 1
Número de escolas primárias em Minas Gerais – 1888-1891
Escolas/ Ano 1888 1889 1890 1891
Total de escolas primárias 1684 1892 1974 1941
1o grau 1304 1427 1487 SI*
2o grau 380 465 487 SI*
Escolas primárias noturnas
Escolas noturnas 37 80 79 35
2o grau 32 75 SI* SI*
1o grau 4 2 SI* SI*
Sem informação do grau 1 1 SI* SI*
Funcionava em fábrica 2 2 2 0
Escolas em fábricas (subsidiadas) 3 7 7 7
Fonte: SECRETARIA DO INTERIOR. Inventário do Fundo da Instrução Pública. Quadro das cadeiras primárias existentes em Minas Gerais. Códice: IP 76. Arquivo Público Mineiro, 1888 – 1891.
*SI – sem informação.
A redução do número de escolas primárias noturnas foi da ordem de 44%, percentual considerável que coloca em xeque a preocupação dos republicanos em arrancar das
trevas a massa de ignorantes que compunha a população mineira. Essa medida começou a ser questionada pelos políticos durante a última legislatura do regime anterior, na Assembléia Legislativa Provincial de Minas Gerais, quando, em junho de 1889, o senador Dr. Francisco Martins Andrade cobrou o cumprimento das medidas relativas à ampliação do número de cadeiras de instrução primária para os adultos, determinadas no ano anterior.
O senador se referia especificamente à criação de “cadeiras de instrução primária mistas, noturnas (...) em diversas cidades, vilas, freguesias, distritos e povoações” (ANDRADE, 1889, p. 1.021). A outra medida, também cobrada pelo senador, havia sido aprovada a partir de uma emenda e visava a assegurar os recursos financeiros para a execução da medida anterior, desviando a verba no valor de “30:000$000, consignada no orçamento vigente para os festejos com a inauguração do ramal férreo de Ouro Preto (...) às cadeiras de instrução primária noturna nas sedes de todas as comarcas da província, ainda mesmo as não instaladas” (ANDRADE, 1889, p. 861).
Conforme observações do senador Martins de Andrade, republicano convicto, as medidas ainda não haviam sido executadas e, mostrando sua preocupação com o desrespeito às leis e com a possibilidade dessas virem a se tornar uma “moeda falida no Estado, alertou à Casa: “como sabem os nobres senadores, o ano passado essa assembléia votou a criação de aulas noturnas para as quais foi destinada uma verba; e, no entanto, passaram-se os tempos e nunca a província viu realizado este benefício.” (p. 28). Explicitando sua fala anterior, o senador fez uma severa crítica ao governo, causando uma grande agitação na Assembléia:
Eu, quando disse que esta corporação ia tomando a feição de uma moeda falida, fi-lo porque a administração pública ou os delegados do governo central têm impedido inteiramente a sua ação prática, reduzindo-a a uma chancelaria! A assembléia vota medidas importantíssimas, mas, na prática, a sua ação desaparece.
Eu atribuo este fato aos delegados do governo central, porque eles, vindo aqui sem saber cousa alguma, são apenas cabos eleitorais. (Há muitos apartes)
Foi por isso, Srs. que eu disse que, diante da resistência dos delegados do governo central, as corporações provinciais vão perdendo sua autonomia e transformando-se em moedas falidas.
É necessário que saibamos cumprir o nosso dever, tomando na devida consideração todas as medidas que forem de utilidade pública, a fim de erguermos essa assembléia à altura a que tem direito (ANDRADE, 1889, p. 861).
Para além da preocupação com o ensino noturno o senador deixou transparecer que a “briga” era outra. O que estava em jogo era a suposta autonomia local e uma clara crítica ao atual Presidente da Província. Em defesa da inépcia da Província, o senador Dr. Antônio Pinheiro Lobo de M. Jurumenha destacou que o ano financeiro ainda estava em exercício e que a administração estava tratando da questão. Porém, o senador Martins de Andrade reiterou sua posição: “Foram criadas aulas noturnas para todas as comarcas desta província, mesmo as não instaladas; a verba votada parece-me que era suficiente, e, entretanto, o governo não deu providência alguma relativamente a este negócio”
Srs. a bancada republicana, e todo o homem em cujo peito pulsar um coração patriótico, necessariamente há de desejar a disseminação da instrução pública por toda parte.
(ANDRADE, 1889, p. 28). Inconformado com o não-cumprimento da medida que previa a criação das escolas noturnas, o senador Francisco Martins de Andrade, recobrando os compromissos da bancada, discursou:
É de minha opinião, assim como deve ser de todo o homem que pensa, que a instrução pública é o único órgão da civilização humana. (Muito bem) Entretanto, este assunto tem sido descurado pela administração, e nós devemos hoje tomar em inteira consideração esse importantíssimo ramo do serviço público, procurando dar-lhe uma forma prática e útil.
Atendendo às necessidades da instrução pública, e considerando como uma necessidade palpitantíssima, venho fazer o seguinte requerimento, que, espero será aprovado por esta ilustrada assembléia (ANDRADE, 1889, p. 28).
Propôs e obteve aprovação, sem debate, do Requerimento que exigia do governo informações “acerca da verba destinada às escolas noturnas, votada o ano passado, declarando as razões porque ainda não pôs em execução a referida disposição de lei.” (Ibidem, p. 28). Infelizmente, não localizei a continuidade da discussão acerca dessa questão.
O investimento na criação e ampliação dos cursos noturnos para adultos, ao final do século XIX, parecia estritamente vinculado a duas preocupações: a primeira ligada à necessidade de educação dos libertos, como constou do discurso do senador Francisco Martins de Andrade: “Depois da Lei de 13 de Maio, que veio arrancar da ignomínia do cativeiro grande número de homens, é preciso também arrancá-los das trevas da ignorância”. E a segunda justificativa parecia motivada pela preocupação política com a necessidade de ampliação da base eleitoral no Estado. Nesse sentido, ao defender um projeto de lei propondo a criação “de uma aula noturna para adultos na cidade de Santa Luzia”, o Sr. Francisco Sá destacará a exigência do momento político de se investir na
educação desses sujeitos, alegando: “parece-me que a aprovação deste projeto satisfará também a uma necessidade, visto como a educação de adultos é tanto mais necessária agora quando se trata de alargar a base do censo eleitoral” (SÁ, 1889, p. 140). O projeto foi aprovado sem restrição.
A despeito dessas preocupações, as iniciativas republicanas pareciam determinadas a alterar o panorama da educação de adultos em Minas Gerais, provocando um processo gradual de redução e extinção das escolas noturnas existentes. O golpe inicial foi dado pelo Decreto de criação do Ginásio Mineiro, n. 260, de 1º de dezembro de 18906 que determinou, no seu art. 29: as “escolas noturnas atualmente existentes serão suprimidas à proporção que vagarem, e verificar-se-á não freqüência de 30 alunos” (MINAS