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A expectativa deste trabalho foi explicitar o olhar dos gestores envolvidos na elaboração e implantação da Escola Plural e de professores da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte sobre o processo vivido, desde as discussões preliminares até os desdobramentos da proposta nos dias atuais.

A partir da fala de cada segmento, buscou-se fazer um levantamento dos principais aspectos e questões da proposta na prática, dentre estes os pontos polêmicos, as substanciais transformações e as limitações e contradições vivenciadas na prática cotidiana. Procurou-se fazer uma discussão de cada aspecto, de forma mais ou menos aprofundada, permitindo a constituição de um parecer geral das visões de gestores e professores.

Como já discutido no trabalho, os gestores veem o cenário atual de forma positiva. Passado o “furacão”, segundo eles, as escolas buscam organizar o trabalho pedagógico de acordo com o seu contexto e demandas, estando umas mais “plurais” do que outras. A questão da educação inclusiva, seja em termos de raça/etnia, sexo, condição social ou física e aprendizagem hoje são familiares, devido ao amadurecimento da comunidade escolar. A Secretaria Municipal de Ensino de Belo Horizonte dá continuidade à proposta em várias frentes, como materialidade, formação e projetos complementares, assim como a tomada de novos rumos.

Já os professores veem vários problemas no cenário atual, ao afirmarem desconhecer escolas que conseguiram efetivamente implementar o projeto, ao apontarem que a promoção da inclusão se limita a iniciativas superficiais que não trazem avanços efetivos, sendo que os segmentos da comunidade escolar entendem e demandam pela inclusão, de modo geral, ao reconhecerem algumas iniciativas da Secretaria Municipal de Educação em termos de projetos, porém ressaltando que o não envolvimento do segmento docente nas propostas e a própria falta de articulação entre os diversos projetos acaba por inviabilizar que eles cumpram os objetivos a que se propõem.

Com relação à organização por ciclos, pode-se dizer que ela representa um grande marco na educação de qualidade e para todos, através do movimento desencadeado em âmbito nacional.

A seriação permitiu dar o primeiro passo rumo à expansão do ensino no Brasil, além de abrir às mulheres um mercado de trabalho. Um século depois, quando o Ensino Fundamental está quase universalizado e vivemos numa sociedade que valoriza cada vez mais a informação e a análise, os ciclos podem representar um passo tão grande quanto aquele (NOVA ESCOLA, mar./2003, p. 40)

Ficou evidente nas falas de gestores e professores, assim como em algumas citações colocadas que, para que os ciclos representem de fato um divisor de águas na escolarização das crianças brasileiras, é de suma importância que as políticas educacionais ofereçam instrumentos para a efetiva prática deste novo modelo nas salas de aula, pois

sempre que o propósito da organização em ciclos não ocupa lugar central nas políticas de educação, ele perde em parte a sua condição potencial de desafiar as velhas estruturas excludentes e toca apenas de maneira superficial na cultura escolar (BARRETO e SOUSA, 2004, p. 45).

Com os novos rumos sinalizados pela Secretaria Municipal de Educação, que é a implantação de uma educação guiada pelo ensino de metas e resultados, os professores já manifestam receio com relação à forma como tal processo se dará, já que se desgastaram com a maneira de como se deu a Escola Plural. Além disso, temem a perda de alguns ganhos que foram viabilizados pela proposta anterior.

Conforme fala de Maria da Consolação Rocha, diretora do Sindicato Únicos dos Trabalhadores da Educação Pública Municipal (Sind-Rede), em reportagem da Internet citada anteriormente,

A busca pela meta traz de volta a padronização e joga por terra a reflexão crítica sobre a educação voltada para a cidadania e da formação para a vida. Isso era o mais bonito da Escola Plural. Não queremos um aluno que simplesmente resolve problemas de matemática e domina as letras, mas não sabe conviver em sociedade. Se não há boas políticas públicas voltadas para a juventude e o aluno chega fragilizado à sala de aula, não é correto responsabilizar o jovem, a família ou os professores pelo seu fracasso nas avaliações (“Ensino de metas sepulta Escola

Plural em BH”. www.uai.com.br, 26/03/2009, acesso em abril/2009).

Ao possibilitar que os professores, especificamente, pudessem dar voz às suas demandas e críticas, visto que estão diretamente no fazer pedagógico cotidiano, possibilidades e limitações de ordens diversas do contexto no qual estão inseridos, intentou-se trazer à tona suas angústias, seus desejos e ideias, além de buscar saber o que eles sugerem como ajustes, adaptações e até mesmo novas propostas para consolidar ano a ano uma escola municipal de qualidade para alunos, professores e sociedade.

Assim como ao ouvir os gestores foi possível tecer uma análise abrangente do processo, ao ouvir os professores buscou-se avançar na tarefa de fazer um diálogo entre estes e aqueles, cada um falando do processo a partir do lugar no qual ocupa. Este trabalho pretendeu, como já dito anteriormente, se constituir em mais uma contribuição acadêmica para compor o caleidoscópio dos trabalhos de avaliação dessa importante experiência para a Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte.

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