BÖLÜM II: ALANYAZIN/ İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.2. Young’ın Şema Terapi Modeli
2.2.1. Young’a Göre Şema Gelişimi
Como instrumentos de recolha de dados28, optou-se pela realização de um GF diri- gido à equipa de enfermagem da UIPIA, do CHLC, e pela análise documental da documentação de enfermagem resultante do processo de diagnóstico do cliente, produzida pelos enfermeiros da referida unidade, conforme se apresenta em segui- da.
2.4.1. Grupo Focal: raízes históricas
As raízes históricas do GF remontam ao ano de 1941, sustentadas pelo sociólogo Robert King Merton. Merton integrava um grupo de investigadores que defendiam que as questões fechadas nem sempre proporcionam respostas exatas, pela possi- bilidade de serem involuntariamente influenciadas, pelo entrevistador, durante a ela- boração dos questionários, limitando, em simultâneo, as respostas do entrevistado. Para colmatar essas inconsistências, Merton desenvolveu um método distinto de recolha de dados, que consistia em solicitar a uma audiência de pessoas que des- crevessem as suas respostas, com o intuito destas proporcionarem novas linhas de reflexão. Apenas, em 1980, começou a ser utilizado como uma metodologia de investigação das ciências sociais, sendo depois adotado pela investigação em enfermagem como uma ferramenta de compreensão dos seus diferentes fenóme- nos, com interesse clínico e ao nível da educação (Andreou & Papastavrou, 2012, citando McLafferty, 2004).
Ao ser reconhecido como uma metodologia qualitativa, o GF tem sido utilizado, por investigadores de todo o mundo, para obter dados diretamente do discurso de um grupo de indivíduos (Vilelas, 2009, citando Leopardi et al., 2001), com interesses e
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Entende-se como qualquer recurso que o investigador pode recorrer para conhecer um fenómeno e extrair dele a informação (Vilelas, 2009).
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caraterísticas comuns (Shaha et al., 2001, citando Parahoo, 2007). Nesta técnica de investigação, o investigador recolhe os dados, sobre um determinado tema “a partir do diálogo e do debate com e entre [os participantes]” (Vilelas, 2009, p.222), recor- rendo ao uso da entrevista não-directiva, e privilegiando “a observação e o registo de experiências e reacções dos (…) participantes (…), que não seriam possíveis de captar por outros métodos” (Galego e Gomes, 2005, citando Morgan, 1997, p.177). “A «fala» que é trabalhada nos grupos focais não é meramente descritiva ou exposi- tiva, ela revela os pontos de vista expressos pelos participantes” (Vilelas, 2009, p.222), pelo que essa interação grupal permite o desenvolvimento de novos insights sobre as suas atitudes, crenças e opiniões, bem como a reflexão sobre a realidade social do respetivo grupo (Andreou & Papastavrou, 2012). O GF permite que os par- ticipantes possam trocar, discutir, concordar ou discordar sobre as suas opiniões, atitudes e experiências, com o intuito de provocar atitudes ou opiniões face a temas sensíveis (Shaha et al., 2001, citando Parahoo, 2007). Assim, “é uma forma especí- fica de entrevista de grupo com a intenção de explorar a dinâmica do mesmo” (Car- penter & Streubert, 2013, p.39, citando Freeman, 2006).
No GF existe um moderador, que pode, ou não, ser o investigador. Este tem um papel facilitador do grupo, devendo apresentar, de forma clara e objetiva, o trabalho a ser desenvolvido. É importante que promova o debate, colocando questões aber- tas e lançando desafios aos participantes. “É desejável que (…) tenha conhecimento das características dos membros do grupo” (Galego e Gomes, 2005, p.181-182) e que recolha os dados com pelo menos outro investigador ou facilitador (Carpenter & Streubert, 2013, citando Kidd & Parshall, 2000). Quando não é viável a videograva- ção da sessão, recomenda-se que seja atribuído a um, o papel de facilitador, e ao segundo, a responsabilidade de anotar o registo da comunicação não verbal dos participantes (Carpenter & Streubert, 2013). “A literatura indica que cada focus group seja composto entre seis e doze participantes” (Galego e Gomes, 2005, p.181, citando Suter, 2004). Grupos maiores podem não permitir que todos tenham a opor- tunidade de falar, sendo que os grupos menores podem inibir a participação dos indivíduos convidados (Carpenter & Streubert, 2013).
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O GF subscreve quatro fases, nomeadamente: o planeamento, o recrutamento (dos participantes), a moderação e a análise e relato final (Morgan, 1998).
2.4.1.1. Grupo Focal dirigido à equipa de enfermagem da UIPIA, do CHLC
A ideia da realização de um GF surgiu a partir da leitura do livro de Silva (2006), em que logo no respetivo prefácio surge que:
em projectos de implementação de novos sistemas de trabalho dos enfermeiros, o factor mais importante é a análise e discussão do que é cuidar em enfermagem, e o que são os cuidados de enfermagem, pelas pessoas implicadas na mudança. (…) A documentação dos cuidados de enfermagem é um óptimo instrumento para as equipas de enfermeiros reflectirem sobre a sua prática (p.15).
Compreendendo-se que o processo de enfermagem – que implica um processo de pensamento crítico – reflete-se na documentação de enfermagem que é produzida sobre o cliente, torna-se necessário que esta seja concordante com o objeto de estudo da própria disciplina. Assim, “é preciso saber se (…) o modelo conceptual em uso pelos enfermeiros (…) é concordante com os modelos conceptuais definidores da própria disciplina e que norteiam a concepção e o desenho dos SIE” (Silva, 2006, p.23).
Não sendo evidente o modelo conceptual em uso no CHLC, assim como na UPIA, planeou-se um GF destinado a todos os elementos da equipa de enfermagem da referida unidade, no sentido de se apurar um quadro orientador do processo de diagnóstico do cliente. Entre as suas principais finalidades, estabeleceram-se as seguintes:
identificar o modelo conceptual de enfermagem, orientador da prática clínica dos enfermeiros da UIPIA, do CHLC, através da perceção que detém dos qua- tro conceitos centrais do metaparadigma de enfermagem, nomeadamente: «pessoa», «ambiente», «saúde» e dos «cuidados de enfermagem».
promover o envolvimento dos enfermeiros face à seleção do modelo concep- tual de enfermagem em uso na UIPIA, do CHLC, de modo a motivá-los no pro-
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cesso de mudança que se pretende com este estudo. Pois, “os cuidados devem ser discutidos desde o início com os enfermeiros e mais importante, obtida a respectiva aceitação” (Silva, 2006, p.31).
Apesar de se identificar a necessidade de se realizar um GF que possibilitasse cum- prir esses objetivos, tornou-se evidente que estes não deveriam de ser especificados aquando da fase de recrutamento dos enfermeiros, uma vez que eles poderiam con- siderar como constrangedor debaterem um assunto sobre o qual não se encontra- vam intimamente vinculados desde o curso de licenciatura. Daí que se pensou num tema mais abrangente, tal como: “A prestação de cuidados de enfermagem na Uni- dade de Internamento de Pedopsiquiatria”. O GF foi divulgado, à equipa de enfer- magem, duas semanas antes da data estabelecida para a realização da sessão29, por meio de cartaz (ver Apêndice 1), que foi exposto na sala de enfermagem. Além disso, privilegiaram-se as passagens de turno para mobilizar o maior número de par- ticipantes possível e desmistificar algumas dúvidas quanto ao tema e ao próprio método de recolha de dados. O GF foi, então, planeado para dia um de outubro de 2012, na biblioteca/sala de reuniões da UIPIA, do CHLC, sendo, igualmente, revela- das as respetivas moderadoras (salienta-se que o GF foi realizado em conjunto com uma colega, que no âmbito do CMESMP, procurou identificar as intervenções de enfermagem desenvolvidas pelos enfermeiros da UIPIA, do CHLC, tendo objetivos que se cruzam com os do presente estudo).
Dada a inexperiência das investigadoras face à moderação do GF, estabeleceu-se um guião das questões a colocar à equipa de enfermagem. Este teve como intuito, assegurar a enunciação das questões, pelo moderador, de modo percetível e coe- rente com os objetivos do GF (ver Apêndice 2). Optou-se por se efetuar a gravação das declarações verbais dos participantes através de dois microfones, que foram dispostos pela mesa da sala de reuniões.
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De forma geral, os contactos de recrutamento devem começar, pelo menos, duas semanas antes e continuar até ao dia anterior da sessão, de forma a lembrar os participantes (Galego e Gomes, 2005, p.181, citando Suter, 2004).
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2.4.2. Análise documental da documentação de enfermagem resultante do processo de diagnóstico do cliente
Segundo Oliveira (2007), citando Bardin (1988), a análise documental carateriza-se por um conjunto de procedimentos que possibilitam a análise da informação contida num ou mais documentos sobre os quais é realizada a investigação. Os documentos consistem em todo o tipo de registos escritos que podem ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano, a fim de melhorar a compreensão sobre as relações interpessoais e situações que expressam momentos de produção (de trabalho) e reprodução social (modos de viver). Este tipo de método permite, também, a transição de um documento primário para uma matéria secundária, sendo esta a representação analítica do primeiro (Oliveira, 2007, citando Richardson, 1989). A análise documental compreende um processo minucioso, através da leitura e recolha dos dados que “estão lá, resta fazer sua triagem, criticá-los, isto é, julgar sua qualidade em função das necessidades da pesquisa, codificá-los ou caracterizá- los” (Oliveira, 2007, p.58, citando Laville & Dione, 1999).
O processo clínico do cliente constitui um tipo de documentação passível de ser sujeito a recolha de dados, podendo ser útil à investigação, no terreno (Fortin, 2009). Beck, Hungler e Polit (2004) corroboram com essa perspetiva ao afirmarem que os registos são uma fonte de dados fundamental para os investigadores em enferma- gem. Nomeadamente, os “registos hospitalares, os gráficos de enfermagem, as prescrições médicas e os formulários do plano de atendimento” (p.249), consistem em fontes de dados enriquecedores, sendo recursos convenientes e económicos. Nesta linha de pensamento, realizou-se a análise documental da documentação de enfermagem produzida pelos enfermeiros da UIPIA, do CHLC, convocada no pro- cesso de diagnóstico do cliente, designadamente sobre o:
impresso de apreciação inicial, denominado de “notas de enfermagem na admissão (NEA)”. Este emerge do processo de apreciação inicial, efetuada no momento da admissão do cliente, podendo conter dados importantes para infe- rir os diagnósticos de enfermagem (Silva, 2006).
impresso das notas de enfermagem, intitulado de “diário de enfermagem”. Reporta-se a uma folha na qual são referenciados os dados do cliente, median-
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te uma determinada data e hora, e um determinado enfermeiro. A informação é de natureza diversa e surge em texto livre (Silva, 2006).
Salienta-se que, no suporte informático existente para o registo de terapêutica (denominado de Sistema de Gestão Integrada do Circuito do Medicamento), surge um campo, de preenchimento livre, associado às intervenções não farmacológicas. Inicialmente, este campo serviu, ainda que, de forma desestruturada, de plano de cuidados, onde era esperado que os enfermeiros descrevessem as intervenções de enfermagem planeadas para cada cliente, sendo possível estabelecer a sua data de início e de término. As suas alterações eram realizadas, principalmente, no turno da noite, por ser presumível haver uma maior disponibilidade de tempo para as efetuar. Contudo, esse registo de informação sobre o cliente foi, gradualmente, entrando em desuso, talvez, por não haver uma uniformização da linguagem usada para a des- crever, assim como, por não existir nenhum modelo conceptual de enfermagem orientador desse processo de tomada de decisão. Isto resultava em descrições extensas, desorganizadas, desatualizadas, havendo, com frequência, duplicação da informação. Por esse motivo, não foi considerado esse campo no momento de reco- lha de dados, para inferir os diagnósticos de enfermagem.