BÖLÜM II: ALANYAZIN/ İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.2. Young’ın Şema Terapi Modeli
2.2.4. Erken Dönem Uyumsuz Şemaların Davranışlara Etkisi
Durante a análise de conteúdo do discurso dos enfermeiros e de entre as diferentes escolas de pensamento em enfermagem existentes, aquela que melhor parece ir ao encontro das categorias identificadas é a escola das interações, em que se depreende que a interação enfermeiro-cliente é central no decurso da intervenção de enfermagem. O facto de essa interação promover o crescimento quer do enfer- meiro, quer do cliente parece convergir na teoria de Hildegard Peplau.
Relativamente ao primeiro conceito do metaparadigma apresentado, correspondente à “Dimensão I - Pessoa”, Peplau define «pessoa» como um homem que «luta» à sua maneira para reduzir a tensão gerada pelas suas necessidades (Belcher & Fish, 2000). Na UIPIA, do CHLC, o alvo central da intervenção de enfermagem trata-se da criança/adolescente, que na procura de alívio do seu sofrimento emocional, desen- volve respostas adaptativas únicas. Esta definição parece ajudar a traduzir o com- portamento imprevisível da criança/adolescente, descrito pelos enfermeiros partici- pantes, que consideram na sua prática clínica as necessidades e caraterísticas específicas de desenvolvimento de cada criança/adolescente. Apesar de Peplau não se referir à família na definição do conceito de «pessoa», esta acaba por ser consi- derada ao longo da sua teoria. Na UIPIA, do CHLC, a intervenção de enfermagem abrange também a família/figura tutelar da criança/adolescente, pela compreensão dos enfermeiros participantes de que o sofrimento da criança/ adolescente é exten- sível à família/figura tutelar.
No que respeita ao segundo conceito do metaparadigma e “Dimensão II - Saúde” da análise de conteúdo, “Peplau define saúde como (…) um movimento da personali- dade para a frente e outros processos humanos em curso, no sentido de uma vida criativa, produtiva, pessoal e comunitária” (Howk, p.429). Na UIPIA, do CHLC, a
69
saúde mental da criança/adolescente traduz-se, essencialmente, pela estabilidade emocional, por um comportamento que deve ser ajustado à idade e pela capacidade em estabelecer relações interpessoais positivas, aspetos fundamentais para a crian- ça continuar a desenvolver-se no sentido de uma “vida criativa, produtiva, pessoal e comunitária”. O hospital consiste num contexto social no qual o paciente é capaz de crescer na direcção da saúde, sendo que isso requer que o enfermeiro investigue as condições que promovem o seu “bem estar físico, emocional e social” (Peplau, 1988).
Relativamente à “Dimensão IV - Cuidados de Enfermagem”, Peplau considera a «enfermagem» como “um processo interpessoal significativo, terapêutico” (Belcher & Fish, 2000, p.51, citado Peplau, 1988), uma conceção que a UIPIA, do CHLC, igual- mente, absorve. Talvez seja nesta categoria, que a teoria de Peplau mais se aproxi- ma do discurso oral dos enfermeiros. Esta teórica apresenta uma sequência de fases da relação enfermeiro-cliente, designadamente: a orientação, identificação, exploração e resolução, que apesar de serem independentes, se sobrepõem (Howk, 2004), assim como acontece no processo de enfermagem (Doenges & Moorhouse, 2010). Algumas semelhanças poderão ser consideradas entre essas duas estrutu- ras, pois ambas são “sequenciais e enfocam as interacções terapêuticas” (Howk, 2004, p.51). Além disso, ambas permitem uma definição mais clara do problema do cliente e a identificação das suas necessidades específicas; enfatizam o uso da téc- nica de resolução de problemas, pelo enfermeiro, em colaboração com o cliente, com o objetivo de se preencher as necessidades do cliente; e usam a observação, a comunicação e a documentação dos dados como instrumentos básicos para a práti- ca de enfermagem (Belcher & Fish, 2000).
A fase de orientação, da relação enfermeiro-cliente, encontra-se estritamente rela- cionada com o tema em estudo. Na fase de orientação, o cliente e/ou a família apre- sentam uma «necessidade sentida» e procuram a ajuda de um profissional que colabora com os mesmos na análise da situação, de modo a que juntos possam reconhecer e compreender o problema existente. “Estabelece-se um vínculo entre a enfermeira e o [cliente] que continua a ser fortalecido enquanto as preocupações estão sendo identificadas” (Belcher & Fish, 2000, p.47). Esta fase encontra-se rela-
70
cionada com a fase de apreciação inicial, do processo de enfermagem, que se reveste de grande importância como momento fundador da RT com o cliente e sua família (Phaneuf, 2005). Quando o cliente esclarece a sua «necessidade sentida», inicia-se a fase de diagnóstico, do processo de enfermagem que, para Peplau con- siste numa “declaração resumida baseada na análise da enfermeira” (Belcher & Fish, 2000, p.52).
Reconhecer a completa importância do problema e o tipo de assistência profissional que é necessária faz parte, em grande parte, da tarefa de avaliar e diagnosticar o problema emergente. As funções de enfermagem ajudam na recolha de dados observáveis objetivos, no reforço e clarificação do que o médico comunicou ao clien- te, e na identificação dos problemas periféricos ou sub-problemas relacionados com o problema principal. O enfermeiro deve encorajar o cliente a participar na identifica- ção e avaliação do seu problema de forma a envolve-lo como parceiro ativo.
O conhecimento dos serviços do hospital a ser colocado à disposição do cliente aju- da-o a sentir-se seguro, pois percebe que algo vai ser feito para conhecer e satisfa- zer as suas necessidades e desejos. Quando essas expectativas ficam claras ao princípio, o cliente pode visualizar os limites e usar as suas energias para harmoni- zar as suas necessidades e objetivos. Dependendo dos padrões de resposta carac- terísticos do cliente em situações de crise, a ansiedade pode desenvolver-se rapi- damente devido à ameaça de separação dos seus membros da família/figura tutelar, particularmente quando o paciente é separado de alguém de quem é muito depen- dente. O enfermeiro deve pedir aos familiares para saírem rapidamente, fornecer avisos amplos e explicações claras sobre o que é preciso fazer, permitindo ao cliente antecipar um evento novo e receber a garantia dos familiares. Tudo o que é neces- sário intervir com o cliente requer uma explicação de orientação. Toda a equipa de saúde pode apresentar-se ou ser apresentado à medida que entram em contacto com o cliente. Assim, quando o profissional arranja tempo para ajudar o cliente a ficar orientado quanto às maneiras e costumes do hospital e a ver as relações des- ses serviços com o seu problema, a experiência no hospital pode ser caracterizada como uma aprendizagem significativa (Peplau, 1988).
71
Para Peplau a enfermagem “é terapêutica por ser uma arte curativa (…) encarada como um processo interpessoal, pois envolve a interação entre dois ou mais indiví- duos com uma meta comum” (Belcher & Fish, 2000, p.46). Nesse processo interpes- soal, o enfermeiro mobiliza-se como instrumento terapêutico, o que determina, para além do desenvolvimento do cliente, que o enfermeiro também se desenvolva, quer do ponto de vista profissional, quer pessoal. “A enfermagem é um processo inter- pessoal, e tanto o [cliente] quanto a enfermeira têm partes igualmente importantes na relação terapêutica” (Belcher & Fish, 2000, p.47). Cada pessoa, durante o pro- cesso interpessoal, é influenciada pela sua própria cultura, valores, crenças, senti- mentos, ideias preconcebidas e experiências anteriores, o que determina que os indivíduos desenvolvam reações diferentes.
peplau salienta que o paciente e a enfermeira amadurecem como resultado da interacção tera- pêutica. Quando duas pessoas encontram-se em um relacionamento criativo, existe uma sen- sação permanente de reciprocidade e proximidade ao longo da experiência. Ambos os indiví- duos são envolvidos em um processo de autopreenchimento, que se torna uma experiência de crescimento (Belcher & Fish, 2000, p.56).
Preconiza-se o completo desenvolvimento do enfermeiro como pessoa que está consciente de como funciona numa situação (Peplau, 1988). Neste sentido, é impor- tante que o enfermeiro tenha consciência das suas reações contra transferenciais quando intervém com o cliente, uma vez que “as pessoas que estão conscientes dos seus próprios sentimentos (…) têm mais probabilidade de estar conscientes das reacções individuais dos outros” (Belcher & Fish, 2000, p.46).
Perante a diversidade de caraterísticas pessoais e profissionais dos enfermeiros que constituem a equipa de enfermagem da UIPIA, do CHLC, estes são atribuídos às crianças/adolescentes, consoante o papel que se espera que desempenhem durante esse processo interpessoal. O enfermeiro responsável deverá ser capaz de viver qualquer um dos papéis35, assumindo-se adaptável às necessidades da crian- ça/adolescente/família/figura tutelar. Ainda que por vezes, possa ter que viver o «papel de estranho», na relação que estabelece com a crian-
35
Para Peplau, o enfermeiro assume diferentes papéis durante as várias fases da relação interpessoal (Belcher & Fish, 2000).
72
ça/adolescente/família/figura tutelar, o enfermeiro responsável deverá viver maiorita- riamente os restantes papéis de pessoa de recurso, professor, líder, substituto e conselheiro36. É essencialmente, neste último papel, de conselheiro, que o enfermei- ro responsável se deverá destacar na medida em que este é o que assume maior ênfase no contexto psiquiátrico (Townsend, 2011; Howk, 2004). Ao assumir esse papel, Peplau (1952) defende que a intenção é de ajudar o cliente “(…) a lembrar e a compreender totalmente o que lhe está a acontecer na situação actual, de modo a que a experiência possa ser integrada em vez de dissociada de outras experiências de vida” (Peplau, 1952, citado por Howk, 2004, p. 428).