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Yeniliklerin Yayılmasını Etkileyen Unsurlar

Belgede PAZARLAMA YÖNETİMİ ORTAK DERS (sayfa 181-189)

8. ÜRÜN HAYAT SEYRİ, İNOVASYON VE YENİ ÜRÜN GELİŞTİRME

8.2. İnovasyon ve Yeni Ürün Geliştirme

8.2.5. Yeniliklerin Yayılmasını Etkileyen Unsurlar

Maçã cheia, pêra e banana Groselha... Tudo isso fala

Morte e vida na boca... Eu pressinto...

É o que se deve ler na fisionomia de uma criança, Quando lhe sente o sabor. Vem de longe.

Não se torna aos poucos sem nome em vossa boca? Aonde antes estavam palavras, correm descobertas Surpreendentes que se libertam da carne do fruto. Ousai dizer o que chamais de maça.

Essa doçura que só se concentra Para, instalada suavemente no sabor, Tornar-se clara, vígil e transparente, Ambígua, ensolarada, terrena, daqui -:

Experiência, sensação, alegria -, abundantes. 108

Além da representação

O que é preciso, então, para elucidar o prisma pulsional? Um primeiro passo foi identificar a pulsão ao dizer. Agora convém introduzir, no tratamento da pulsão, uma idéia renovada de sentido. Por intermédio destas duas operações, assimilando a pulsão ao dizer e reconhecendo nela uma experiência de sentido, transpõe-se a barreira da representação em direção à práxis (direção da análise), inclinando-se o pensamento à vida. A pulsão se torna praticável. Pode-se indagar ainda uma vez por que é preciso transpor o campo da representação, e a resposta será simples: a pulsão não é um objeto nem a imagem (representação) de um objeto; não é tampouco um sujeito, se ele não sabe o que diz. Não se trata de buscar uma representação da pulsão na

origem, pois na origem ela se apresenta como aquilo que ela é – a diferença

em pessoa. Os procedimentos da representação são inadequados para pensar e afirmar a diferença. Isto não impede que ela seja passível de experiência direta. Se houvesse uma teologia analítica, sua fórmula derradeira seria eu e a

pulsão somos um.

Se, por um lado, a idéia de não-senso, enquanto ponto de partida e ponto de chegada, é liberadora e abre o campo das significações ao imprevisível, à criação, por outro tende a localizar o sentido no nível da representação, separando a subjetividade do real. Com isto não se foi além da

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segunda distinção freudiana entre mundo interno (de representação, subjetivo) e mundo externo (objetivo, real). O não-senso é uma passagem, abre um campo, mas a consistência desse campo e o esclarecimento do não-senso são

indissociáveis de um sentido pulsional 109. Ali onde aparece o não senso,

anuncia-se o sentido pulsional; por isto as formações do inconsciente como o lapso, o sonho ou o sintoma só encontram sua decifração adequada sob o ponto de vista da pulsão. O teor de não-senso, no entanto, se desloca; é sempre o índice de uma transposição de fronteira.

Como é possível bem-dizer sem ouvir, sem ver? Mas se temos olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, como diz o Evangelho? Localize-se a questão do exercício pulsional: a linha de sentido evoca o sentir, o ouvir, o ver, estar vivo, acordado. Freud falava em pulsão sexual e acertava o alvo, pois o sexo é saber, sabor, gosto. Mas foi para encadear o sentido das narrativas que Lacan inventou o objeto a, sua eminente descoberta. Como o sentido e o objeto a se articulam, e o que isto tem a ver com o sentir, o acordar? No filme Esse obscuro objeto do desejo, de Buñuel, duas atrizes fazem, alternadamente, a mesma personagem, à qual o sujeito apaixonado nunca tem o acesso esperado. A evasiva, a escapada, determinam o desenrolar dos acontecimentos. As cenas diferem e, no entanto, tudo se repete. A mulher que invariavelmente foge no último momento é tão essencial, tão decididamente o objeto cobiçado, que surpreende o fato de não precisar ser sempre a mesma. É evidente que o sujeito dorme, hipnotizado por uma idéia. Esse truque de Buñuel alcança, por vezes, o espectador, que pode passar boa parte do filme, e até o filme inteiro, dependendo de sua vulnerabilidade à

sugestão, sem perceber que são duas atrizes e não uma. Ora, esse “obscuro

objeto” tanto hipnotiza como faz acordar. Ele remete à diferença e à sua

repetição, ou seja, à pulsão em pessoa 110. É verdade que é só no âmbito da

sublimação, em virtude de seu caráter extra-pessoal, que a existência do outro, enquanto sujeito de desejo, passa a ser devidamente considerada.

Quando Lacan afirma não existir relação sexual porque não existe o saber do outro sexo, porque esse outro gozo é impossível, assimila ainda uma vez o saber ao sexo, como desde cedo Freud vinculou a curiosidade infantil às pesquisas sexuais. A razão disto parece simples, embora, por motivos óbvios,

109 É ainda uma aproximação tímida de Lacan pretender que o saber da análise seja de não-senso, e que o

gozo do sentido se circunscreva apenas ao campo do simbólico e do imaginário. Digamos que o saber da análise seja de não-senso por conta da abertura analítica; ora, é justamente essa abertura que faz – do ponto de vista pulsional – todo o sentido. Um estilo, por si próprio, faz sentido. E nada faz mais sentido que o real. É claro que é preciso ter presente o que se entende por sentido e por real. Adiantemos a fórmula de que o sentido real não é um significado, ou uma explicação, mas uma orientação no tempo.

110 “A diferença e a repetição só se opõem aparentemente e não existe um grande artista cuja obra não nos

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nem sempre esteja disponível à consciência: na origem, todo o saber é da diferença, saber do vivo, e por isto coincide com uma atividade imanente. Já o auto-erotismo era isto, experimentação e gozo da diferença. Fineza de Freud ao distingui-lo do narcisismo, que se define pela prevalência da imagem, pelo regime da semelhança e do mesmo.

Até onde se levará a indagação sobre o gozo sem inscrevê-lo na ordem do saber? Uma tal ordem não se refere apenas a um campo, mas a uma ordenação do que é primeiro, originário, e do que é secundário e derivado. O gozo não serve para nada, diz Lacan em Mais, Ainda. Eis uma proposição inteira, acabada. Sim, é isso. Mas com que esmero se fez do gozo a coisa mais enfadonha no campo do conhecimento! E devido a quê? Ao fato de não se ter aliado o gozo ao conhecimento. E no entanto a psicanálise não é senão esta aliança. Ao contrário do que se presume nos meios psicanalíticos, gozo e desejo não são incompatíveis, se o gozo for o do saber. É o único caso, mas é o caso originário. A vida, em seu ponto mais aguçado, é luz.

Mas o gozo é inútil... Seria no mesmo sentido em que a obra de arte é inútil, como queria Oscar Wilde? Mais uma vez, a resposta é simples: ele não serve a nenhum uso porque antecede todos os usos; não se deixa sujeitar, subjugar. É neste sentido, precisamente, que implica uma dessubjetivação. Se formos muito rápidos e, conforme a tendência dominante, só concebermos o gozo como redutível ao lust-Ich (o que se faz muito freqüentemente), ou como um estado out of control e, no limite, como uma espécie de pântano mortífero,

perderemos de vista seu nódulo ativo – é a nível desse nódulo que se decidem

todos os usos. Por isto não é passividade e sofrimento, Coisa e Morte, mas

condição ativa – o gozo é o ouro, o sol desta condição. Cabe insistir ainda na

natureza desse conhecimento gozoso: é um conhecimento intuitivo, para dizê-

lo à maneira de Spinoza e de Bergson 111, acentuando-se o sentido que adquire

neste último de ser uma direção contrária à que é ordinariamente adotada pela inteligência, voltada para a utilidade e o domínio prático da matéria. Conhecimento, portanto, que não serve para nada; diríamos contemplativo,

111 É claro que a “ciência intuitiva” de Spinoza, nome dado ao terceiro grau do conhecimento, ou seja, ao

conhecimento das coisas singulares e de Deus, não corresponde ao método intuitivo de Bergson; não se trata, absoltamente, de sugerir a mesma espécie de conhecimento. O ponto em comum, no entanto, diz respeito ao que se pode chamar de um conhecimento “direto”, seja de Deus, da Vida, ou ainda do Tempo. Pensamos, aqui, na expressão de Deleuze para considerar, a propósito do cinema, a imagem-tempo, isto é, o que ele denomina de ”imagem direta do tempo”, distinguindo-a da imagem-movimento, que faria do tempo uma apresentação indireta (cf. Deleuze, G., Cinema II - imagem-tempo, Brasiliense, SP, 2005). Sobre a intuição como método em Bergson, cabe lembrar ainda que não se trata, de modo algum, de um sentimento, de um pressentimento obscuro, mas do que ele chama de “precisão” em filosofia (Cf. Deleuze, G., Bergsonismo, p. 7, Editora 34, SP, 1999). Está longe, portanto, de ser um saber de natureza “instintiva”, “feminina”, desprovido de lógica ou de razão. O instintivo e o feminino estão compreendidos em sua razão superior, o que é muito diferente.

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não fosse o vetor ativo em que se resolve como potência de avaliação (afeto). Eis um ponto que exige o maior discernimento, pois o caráter desprendido desse saber não exclui seu valor prático, não retira a importância de sua incidência na vida real. Na verdade, a vida real está na altura desse saber desprendido. É ele que decide pelo valor dos valores, é ele o ouro da condição ativa.

Seja um exemplo literário, extraído da vida real. Quando T. E. Lawrence reflete sobre o interesse que haveria em avançar, conforme os objetivos já traçados, sobre Medina, ponto alto da revolta árabe contra os turcos, torna muito evidente, como só um autor brilhante e profundamente sensível saberia fazê-lo, que a ordem do saber se desdobra em planos, até o estágio mais desprendido. Esgotado com a longa e áspera viagem, doente, recolheu-se dez dias em uma tenda, a fim de se recuperar. Sofria, escreve ele, “de uma fraqueza física que fazia meu ego animal se esconder, até que a vergonha passasse. Como sempre, em tais circunstâncias, minha mente ficou

bastante lúcida, os sentidos se aguçaram. Comecei finalmente a pensar...” Até

então prevalecera a necessidade da ação imediata, de modo que os líderes da revolta estiveram agindo, no geral, instintivamente, segundo as metas já estabelecidas, sem se perguntarem realmente o que queriam ao final de tudo.

Lawrence observa que o abuso do instinto, “sem base no conhecimento

passado e na reflexão, se tornara intuitivo, feminino (...). Assim”, continua ele,

“naquela inação compulsória, procurei a equação entre a leitura de livros e meus movimentos. Passei intervalos entre os sonos e sonhos irrequietos a

sondar nosso presente” 112. Um dos resultados práticos das inquirições

filosóficas e estratégicas sobre a guerra em geral e a revolta árabe em particular, conjugadas à responsabilidade do escritor no conflito, foi a conclusão de que Medina, em face dos acontecimentos mais recentes, já não apresentava o menor interesse. O intuitivo e feminino que Lawrence menciona não corresponde ao que se poderia chamar legitimamente de intuição à maneira bergsoniana, muito mais próxima do pensar que nasce e se desenvolve naquelas condições de “inação compulsória”. Logo, não falta a esse pensar lógica e precisão, muito pelo contrário. Mas não é da lógica que ele surge, e sim de uma reversão no pensamento, a contra corrente do mecanismo automático da inteligência e dos chamados instintos. Começar a

pensar, já dissemos, é começar a viver, mas no ponto em que o viver é “sondar

nosso presente”, em uma espécie de visão direta do tempo. O que se quer

realmente, e como os tempos se encaixam, afinal, dentro do tempo? Desse ponto de vista, o tempo de conquistar Medina passou, sob o tempo maior da

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liberdade árabe. Mas T. E. Lawrence retoma mais uma vez o tema, insistindo no caráter feminino da intuição, e mais uma vez toca no âmago da questão, tanto da pulsão como do pensamento, precisamente ali onde existiriam atos de

decisão em jogo, com seu poder de integração e de superação: “Os lìderes

árabes possuíam um instinto aguçado, confiavam na intuição, o que sempre nos deixava aturdidos. Como mulheres, eles compreendiam e julgavam rapidamente, sem qualquer esforço, muitas vezes irracionalmente. Quase que parecia que a exclusão das mulheres na política oriental fora compensada com a transferência para os homens de seus dotes específicos. Uma parte da rapidez e sigilo que nos levaram à vitória pode ser atribuída a isso, ressaltando-se a característica excepcional de que, do princípio ao fim, não

houve nada de feminino no Movimento Árabe, exceto as camelas” 113. Como

diz o autor, “instinto aguçado, confiança na intuição” são dotes femininos; a

pulsão, porém, e muito especialmente sob a forma do pensar, é uma força de apropriação, é o aguçamento do instinto e a introdução das potências da vida na lógica e na razão. Ora, essa apropriação se dá por uma série de escolhas, por uma série de decisões verificáveis ao longo do tempo. Há nela uma constância processual, uma direção que se aprofunda. É preciso tornar-se

feminino e, ao mesmo tempo, guerreiro, confiar na “intuição”, adotar esse

poder estranho, exercê-lo como recurso próprio e incliná-lo à vitória. Mas não se deve esquecer que tal exercício já é essa inclinação e também a vitória.

De que modo esse conhecimento atua na vida para que não seja apenas platonismo redivivo? Já o dissemos, é preciso que ele seja a própria vida. Subjetividade da vida, vida interior, Desejo. A vida humana ganha consistência e alcança sua própria altura com a ciência que adquire de si. Em outras palavras, só é possível uma noção clara do que é a vida quando as suas condições originárias são reconstituídas. Tal reconstituição, porém, é inteiramente singular, como era, aos olhos atentos de Lawrence, a revolta dos árabes.

Se existe uma indeterminação de saída, ela não implica que se possa escolher qualquer direção que seja, como se todas as conseqüências fossem equivalentes. A precisão, aqui, é a exigência e a garantia de uma prática constante, consistente e sem modelo. Pulsão, tal é o nome da precisão em psicanálise. Daí a necessidade de se distinguir dois aspectos desta precisão. O primeiro é que a liberdade de escolha ou a indeterminação do querer não exclui o discernimento das vias que permitem um exercício ainda mais apurado dessa mesma liberdade, bem como daquelas que, mais cedo ou mais tarde, irão enfraquecê-lo, torná-lo inconsistente e inviabilizá-lo. Pelo

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contrário, esse discernimento é inerente à liberdade do querer. É o que permite abordar o segundo aspecto da precisão analítica, pois se é verdade que o saber da diferença de que falamos há pouco, referindo-nos ao sexo, é imediatamente

prático – para que serve, como funciona, como se goza dessa e daquela coisa,

desse e daquele movimento? – também é verdade que esta praticidade muda

de plano quando se considera a espécie de uso que se fará de tal coisa, de tal movimento, e isto ainda em nome da diferença. Para irmos adiante diremos agora: em nome do que faz diferença. A diferença se tornou interna, e a pergunta passa a ser então pelo sentido de tal coisa e tal movimento a certa altura do tempo ou da duração (para usar uma expressão cara a Bergson). O

que faz diferença todo o tempo não condiz com qualquer caminho; pelo

contrário – e nisto consiste o segundo e mais profundo aspecto da precisão –,

diz respeito a um único caminho, o único pelo qual se pode alcançar uma

auto-determinação 114. É devido a esta singularidade absoluta que a auto-

determinação é de natureza ética. “Sempre sei, realmente. Só que eu quis, todo

o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa – a inteira – cujo

significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma de um caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar, como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só

uma ação possìvel da gente é que consegue ser a certa” 115.

A palavra-valise jouissance, empregada por Lacan e traduzível por “gozo-sentido”, compreende um conjunto de semas que explicitam a noção de sentido pulsional, malgrado a limitação de seu uso ao conjunto do simbólico e

do imaginário nas digressões lacanianas: je jouis, j’ouis, oui, sense... Eu ouço

significa também eu obedeço, isto é, ajo de acordo, pratico, digo, afirmo. Eis aí, inclusive, uma maneira adequada de se conceber o saber prático da análise – a escuta flutuante e suas conseqüências. Esse saber, gerador de análise e de analista, faz sentido em si mesmo, o que não exclui que seja também de não- senso. Não é difícil compreender porque insistimos na idéia de um sentido pulsional: o caminho do desejo não é qualquer caminho. Mas, o não-senso não sugere a dispersão e o caos? Já dissemos que o não-senso decorre de que

114 Pensamos essa “auto-determinação” a partir do processo pulsional, e não a partir de um eu, de um sujeito

da consciência. A auto-determinação pulsional se encontra assim na mesma linha do que designávamos de “auto-afeto” em Spinoza, ou ainda do que Deleuze-Guattari chamam de “auto-movimento expressivo”, reportando-se à constituição estética de um território.

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aquela “pauta”, aquele caminho único, não recebe explicação de nenhum outro saber.

Repetição do mesmo e repetição da diferença

Em “O Anjo Exterminador”, de Buñuel, os convidados sofrem uma degradação moral rápida, irresistível, à medida que se vêem presos de maneira insólita à tensão de irem embora, na hora propícia, e permanecerem onde estão, sem saída, durante um tempo angustiante que não se escoa; repetem a impossibilidade até o ponto de repetirem a possibilidade, e isso por meio de um retorno cênico às condições iniciais, ao reconstituírem as posições e atitudes relativas ao instante em que ainda podiam sair. De fato, como observa Deleuze, as duas repetições, a que condena e a que salva, se confrontam como as pulsões de vida e de morte. Que a repetição salvadora passe pela sexualidade, que a virgem se ofereça em sacrifício ao Deus-anfitrião e este ato restaure um élan vital, traga de volta o instante de sair, a liberdade de ir, o

futuro, é o que se deve atribuir à força constante e originária da pulsão – ao

que faz diferença todo o tempo. Quer dizer, todo o tempo havia a eventualidade dessa solução, ou melhor, desta escolha, insistindo como abertura ou saída não encontrada, passagem virgem, linha de fuga ainda ignorada, inconsciente. Que a cena se repita na igreja, onde os personagens acabam de comemorar sua liberação, e se repita de um modo ainda mais alarmante e intenso, situa-nos diante de uma espécie de dilema pulsional, de uma escolha entre a repetição do mesmo e a repetição da diferença. Mas por

que o dilema? 116 A repetição da diferença como caminho do saber, gai-savoir,

se faz certamente com experiência, degustação, avaliação, sempre sob o regime superior da indeterminação e seu correlato, o discernimento. É um caminho, uma direção que se define tanto pelo sentido como pela constância: exige uma determinação do desejo. Uma análise, aliás, serve para garanti-la, e isso graças ao desejo do analista, já que o do sujeito está em questão. No filme de Buñuel, a repetição do mesmo é uma escolha menor, uma escolha pelo desconhecimento, pelo fechamento do inconsciente, com todos os fenômenos

116 Será do mesmo gênero das questões formuladas por Lacan quanto à alienação e à separação, onde se

coloca igualmente em cena uma escolha, como a que deve decidir pelo ser ou pelo sentido, a bolsa ou a vida? O seminário, Livro 11, op. cit., p. 201. É notável que Lacan não tivesse chegado à decisão originária, relativa às duas repetições, isto é, à vida e à morte, se as operações em jogo remetiam necessariamente às pulsões primordiais. Talvez elas ainda não tivessem adquirido o sentido de uma prática, de serem operações por excelência. A operação de reunião, promovida pelo traço unário, unifica pela alienação e faz desaparecer o vivo sob o representante da representação, enquanto a separação reabre o campo do inconsciente ao re- introduzir a falta (isto é, a diferença) no sujeito e no Outro. A reabertura desse campo é um sopro de oxigênio existencial. Ora, o primeiro processo era o de identificação, o segundo de castração, cujo lado direito é a experiência positiva, real, da diferença, isto é, do saber pulsional.

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de degradação resultantes de um processo que estanca, reflui sobre si e perde a direção, como se deslizasse para dentro de um pântano: a falência progressiva dos códigos culturais e éticos, as fixações perversas, as violências mesquinhas, os maus hábitos, o recurso esotérico ao nome impronunciável, pedaços de animais mortos, as insinuações escatológicas, tudo parece descer a um fundo

Belgede PAZARLAMA YÖNETİMİ ORTAK DERS (sayfa 181-189)