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Pazarlama ve Pazarlama Yönetiminde Güncel Trendler

1.4. Yirmi Birinci Yüzyılda Pazarlama Yönetimi

1.4.3. Pazarlama ve Pazarlama Yönetiminde Güncel Trendler

A DERDIC é um centro de referência no campo em que atua, especialmente no da surdez. Ela recebe, hoje em dia, uma população de nível socioeconômico e cultural de certa forma diversificado.

A escola – Instituto Educacional São Paulo (IESP) – é particular e a mensalidade é alta pelo alto custo com a equipe de profissionais. No entanto, muitos alunos conseguem algum tipo de auxílio/bolsa para custear a mensalidade.

A clínica da DERDIC e o CeAC estabeleceram, há cerca de 7 anos (tempo de existência do CeAC), um convênio com o SUS para os casos de surdez, que cobre: diagnósticos otorrinolaringológico e audiológico (as avaliações neurológica e psicológica só são cobertas se forem necessárias para um diagnóstico diferencial); a seleção e adaptação de aparelhos auditivos; terapia fonoaudiológica para bebês (0 a 3 anos) numa frequência de duas sessões semanais, e para a faixa de 3 a 14 anos, uma sessão semanal.

Os pais entrevistados têm um nível socioeconômico e cultural médio-baixo.

Optei por realizar duas entrevistas com o mesmo pai, utilizando a segunda para tentar aprofundar aspectos levantados na primeira. Assim, o material usado será aquele obtido junto a três pais, pois considero que é suficiente e esclarecedor. As seis entrevistas trouxeram abundante material para pensar em questões acerca do tema deste estudo. Acabei tendo acesso a pais tanto com filhos na escola da DERDIC, como a um pai cuja filha fez atendimento fonoaudiológico na clínica da DERDIC e frequenta uma escola especial da rede municipal, ou seja, pais com experiências diversas. Além disso, esta é uma pesquisa qualitativa. Não se propõe a fazer generalizações. Através da escuta analítica de pais, propõe-se a levantar material que ajude a pensar sobre a

questão da exclusão dos pais em relação ao(à) filho(a) com surdez precocemente adquirida.

Quando planejei esta pesquisa, avaliei que seria interessante ouvir pais de surdos de faixas etárias diferentes, no intuito de verificar se aconteciam ou não modificações elaborativas significativas no mundo psíquico dos genitores masculinos, oriundas de um período mais longo de elaboração da ferida narcísica instaurada pela imperfeição do filho. Em outras palavras: estou supondo que o pai de uma criança pequena, cuja surdez foi descoberta há pouco tempo, ainda está impactado com a dor e com uma ferida recente em seu narcisismo. Trata-se de uma questão de um excesso, de transbordamento, demandando uma metabolização psíquica. Um pai de uma criança já um pouco mais velha teve um tempo para elaborar a castração da sua fantasia de perfeição, completude, imortalidade, talvez tenha podido recuperar-se do abalo narcísico. Se este pai ainda fala do(a) filho(a) como se estivesse num transbordamento psíquico, será indício de que houve alguma perturbação no processo de elaboração e de que terei que lançar hipóteses para pensar sobre isso.

Apresentei-me por telefone como sendo uma psicóloga da DERDIC, fazendo uma pesquisa sobre o pai e seu filho surdo.

Surpreendi-me com a pronta aceitação de grande parte deles. Entretanto, cabe situar, eu me propus a agendar os horários respeitando a disponibilidade de cada um. Houve uma única exceção: um pai com quem eu havia agendado a entrevista para um sábado pela manhã. Eu havia pedido autorização para usar as dependências da instituição nesse dia, como é praxe. O pai não compareceu. Quando liguei para ele a fim de saber o motivo da ausência, disse-me que estava difícil sair aos sábados, bem como durante a semana, e me propôs que realizasse a entrevista em sua casa. Perguntei-lhe se teria um lugar em que poderíamos conversar sossegada e reservadamente. Perante sua resposta negativa, agradeci, mas declinei da sua oferta, pois não teria como garantir o enquadre e o sigilo. Houve uma resistência ao meu convite, o que indica que ele nem sempre é

bem-vindo ou aceito. Sempre há um certo grau de angústia nas respostas, sejam elas afirmativas ou negativas.

Dos pais entrevistados, dois deles me foram indicados pela coordenadora pedagógica do IESP/DERDIC. O outro pai me foi indicado por uma fonoaudióloga, professora da disciplina Fono Clínica: supervisiona grupo de alunos do 3º ano da graduação da Faculdade de Fonoaudiologia da PUCSP, que realizam atendimento em terapia fonoaudiológica a pacientes da clínica da DERDIC.

Quis fazer uma entrevista com um pai de criança atendida no Serviço de Audiologia Educacional da clínica da DERDIC ou no Centro de Audição na Criança – CeAC –, uma vez que tenho uma história de trabalho conjunto com as profissionais que trabalham nesses Serviço e Centro (as três fonoaudiólogas do Serviço também atuam no CeAC) e também porque trabalham com uma proposta oral-aural, diferentemente da proposta da escola que é bilíngue37 e da fonoaudióloga e professora da Fono Clínica, Maria Cecília de Moura, uma das precursoras no Brasil no uso da Língua de Sinais. Por uma série de vicissitudes institucionais bem como impostas pelo próprio pai – no caso da marcação da segunda entrevista-consulta –, o caso foi descartado.

Todas as segundas entrevistas foram agendadas após transcrição e revisão das primeiras. Este procedimento me facilitou a condução da entrevista- consulta subsequente, em função de ter material sobre aspectos que considerava importante abordar, e que não tinham sido expostos no primeiro contato, bem como aprofundar determinados temas.

37 Movimento que se inclui no multiculturalismo, no sentido de uma reivindicação da parte das

minorias dos mais diversos tipos, do direito a uma cultura própria, do direito de ser diferente. O bilinguismo preconiza a implantação de um sistema de educação que considere que a primeira língua a ser adquirida pela criança surda seja a Língua de Sinais. Para mais informações, sugiro o livro O surdo, de Maria Cecília Moura, já citado. Há várias formas de implantação do bilinguismo: o IESP desenvolve as atividades educacionais priorizando a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a modalidade escrita da Língua Portuguesa. Disponível em: <http://www.pucsp.br/derdic/escola.html>. Acessado em 12/7/2010.

Utilizei até o momento, o binômio entrevista-consulta, pois o trabalho realizado foi uma mescla entre os dois. Segundo o Novo Dicionário Aurélio38, em sua versão digital, encontrei as seguintes acepções para os termos “entrevista” e “consulta”:

Entrevista: Colóquio previamente marcado entre duas ou mais pessoas para se obterem certos esclarecimentos; 2. Encontro combinado entre duas ou mais pessoas a fim de divulgar ou elucidar atos, ideias, planos, etc. de um dos participantes.

Consulta: 1. Ato de consultar; 2. Parecer, conselho; 3. Conferência para deliberação; 4. Prudência, reflexão.

No Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Caldas Aulete Digital39, encontrei os seguintes sentidos para os mesmos termos:

Entrevista: 1 Jorn. Diálogo conduzido por um jornalista com o fim de realizar matéria sobre a pessoa escolhida ou assunto de sua especialidade; 2. Jorn. A matéria resultante; 3. Encontro formal para avaliar uma pessoa profissionalmente ou obter informações, esclarecimentos; 4. Conversa entre duas ou mais pessoas ger. em lugar, dia e hora pré-determinados.

Consulta: 1 Ação ou resultado de consultar, buscar informação, opinião ou diagnóstico profissional [ + a, com, sobre: consulta ao advogado: consulta com pediatra: consulta sobre construção de ponte.]; 2 Parecer, conselho: Prefere não dar consulta aos amigos fora do ambiente profissional; 3 Atendimento; serviço ou tempo determinado em que um profissional recebe um cliente, ouve suas dúvidas e as responde; 4 Reunião em que especialistas ou detentores de certos cargos trocam opiniões e deliberam a respeito de um assunto, apresentado oficialmente

E no Dicionário Hoauiss Eletrônico da Língua Portuguesa40, encontrei:

38 FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário eletrônico Aurélio versão 5.11a. Curitiba: Positivo, 2004 39 AULETE F. J. C. & VALENTE, A. L. S. Dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de

Janeiro: Lexikon, 2008

40 HOUAISS, A. Dicionário eletrônico da língua portuguesa. Versão 1.0 Rio de Janeiro: Objetiva,

Entrevista: 1 colóquio entre pessoas em local combinado, para obtenção de esclarecimentos, avaliações, opiniões etc.

1.1 Rubrica: jornalismo: coleta de declarações tomadas por jornalista(s) para divulgação através dos meios de comunicação 1.2 Derivação: por metonímia: as declarações assim coligidas

Consulta: ato ou efeito de consultar

1 ato ou efeito de pedir a opinião de alguém mais experiente ou especialista sobre (algum assunto)

2 ato ou efeito de atender, dar conselho, diagnóstico ou opinião, ou receitar ou efetuar tratamento médico etc.; atendimento 3 ato ou efeito de buscar informações em (livro, serviço de informações etc.)

4 parecer, conselho

Há um consenso entre os dicionários consultados quanto ao termo “entrevista” no sentido de um colóquio marcado para se obter esclarecimentos, buscar informações.

Quanto ao termo “consulta”, há em comum o sentido de parecer, conselho, diagnóstico ou opinião, embora o Caldas Aulete, traga um sentido que abrange também a busca de informação, ou seja, que abrange o que é atribuído ao termo “entrevista”.

Neste estudo busquei informações e esclarecimentos, através da minha escuta, mas também intervim, dando meu parecer ao pai entrevistado quando julgava oportuno.

Em função disso, vou manter o binômio entrevista-consulta. Os dois termos servem para definir o que se passou na relação estabelecida com cada pai.

Como mencionei acima, os pais foram por mim procurados, mas tendo aceitado participar da pesquisa, posso dizer que vieram procurar ajuda. Houve o estabelecimento de uma transferência.