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Diante do fato de que os resultados experimentais demonstram uma maior resposta da cana-de-açúcar ao fornecimento de Ca e Mg em relação a correção da acidez, foi possível desenvolver um método para recomendação de Ca e Mg dentro de uma filosofia de balanço nutricional no Sistema solo-planta, em que o pH e a capacidade tampão do solo são de fundamental importância. O nível crítico da saturação por alumínio é o índice utilizado no modelo para correção da acidez. Portanto, o presente método tem por objetivo desenvolver um modelo para recomendação de Ca e Mg para diferentes produtividades esperadas e condições de acidez, considerando a tolerância da cultura aos teores de Al trocável. Este é, portanto, um método em que há a preocupação com a produtividade esperada, diferentemente dos outros métodos anteriormente descritos.

Após a estimativa da demanda nutricional de Ca e de Mg para uma dada produtividade, seja para a primeira ou segunda calagem, calcula-se quanto de Ca e de Mg é necessário aplicar no solo.

Conhecendo-se qual é a quantidade de Ca e Mg a aplicar para atender as demandas nutricionais de um cultivo sucessivo de cana planta, soca e primeira ressoca (primeira calagem) ou segunda, terceira e quarta ressoca (segunda calagem), transforma-se esta quantidade em CaO e MgO a aplicar, em kg ha-1.

CaO = 1,40 x Ca (Eq. 4)

MgO = 1,66 x Mg (Eq. 5)

Para estimar qual a variação no pH do solo decorrente da quantidade recomendada para atender as demandas nutricionais da cultura, ajustou-se um modelo com diferentes solos, que relaciona a variação no valor do pH por tonelada de calcário aplicada em função de uma medida da capacidade tampão da acidez (teor de H + Al).

A acidez potencial (H + Al) é uma análise de uso comum nos laboratórios de fertilidade do País, podendo ser determinada pelo método

do acetato de cálcio 0,5 mol L-1 a pH 7 ou estimada por meio do pH SMP

(QUAGGIO, 1983b; RAIJ et al., 1987; SOUZA et al., 1989; PEREIRA et al., 1998; ESCOSTEGUY & BISSANI, 1999; NASCIMENTO, 2000). Assim, ajustou-se um modelo que relaciona a variação no valor do pH do solo por tonelada de calcário aplicado em função da acidez potencial (Figura 7). Os dados utilizados para o ajuste deste modelo são dos trabalhos de PITA (1974), BORGES (1982) e FREITAS (1998). Esse ajuste mostrou uma certa inconsistência em solos em que a acidez potencial é baixa. Todavia, é um modelo de grande utilidade prática, pois irá indicar qual o pH final do solo pela aplicação do calcário adotando-se qualquer método de determinação da necessidade de calcário. A indicação do pH final do solo para cada critério proporcionará uma tomada mais criteriosa de decisão de qual será o melhor método a utilizar para recomendar calcário em cana-de- açúcar.

0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 0 2 4 6 8 1 0 H + A l ( c m o lc d m -3 ) Variação do pH por t ha -1 de calcário Yˆ= - 0,02 + 1,4941** (1 / X) ; (R2 = 0,814) ∀ X entre 2 e 10 (Eq. 6)

Figura 7. Variação no valor do pH do solo por t ha

-1

de calcário

aplicado em função da acidez potencial de diferentes

solos.

Sabendo-se qual a variação no pH do solo decorrente da aplicação de calcário para atender as demandas nutricionais da cultura, o SBNR -C calcula qual será o pH final esperado:

pH final esperado = pH inicial do solo + variação do pH

Considerando a tolerância da cana-de-açúcar à acidez do solo, alguns trabalhos (IAA/PLANALSUCAR, 1980; MARINHO & ALBUQUERQUE, 1983; RODELLA et al., 1984) mostram que o nível de tolerância à saturação por alumínio encontra-se em torno de 30 %. Desse modo, ajustou-se um modelo que relaciona a saturação por alumínio (m) ao pH do solo utilizando dados de QUAGGIO (1983a) (Figura 8).

Diante da estimativa do pH final esperado decorrente da aplic ação de calcário para atender as demandas nutricionais em Ca e em Mg da cana-de-açúcar para uma dada produtividade esperada, estima-se, por meio desta regressão, qual será a redução na saturação por alumínio do solo decorrente da quantidade de calcário rec omendada. Quando o pH final a ser atingido pela aplicação de calcário para atender as demandas nutricionais não proporcionar uma saturação por alumínio de 30 % ou menor, estima-se qual deve ser este pH e calcula-se qual deve ser a

variação de pH, estimando-se qual será a quantidade de calcário adicional para corrigir a acidez do solo.

0 2 0 4 0 6 0 8 0 1 0 0 4 4 , 5 5 5 , 5 6 6 , 5 p H

Saturação por alumínio (%)

Yˆ= 1.436,51 – 494,8430**X + 42,5894**X2 ; (R2 = 0,884)

∀ X entre 4,3 e 5,6 (Eq. 7)

Figura 8. Saturação por alumínio em função do pH em amostras de

diferentes solos.

Para exemplificar, imagine-se que o pH final atingido com a quantidade de calcário recomendada para atender as demandas de Ca e de Mg foi de 4,8. Isto significa que a saturação por alumínio estimada é de, aproximadamente, 43 %, ou seja, acima do nível tolerado pela cana que é de 30 %. Portanto, para esta tolerância, estima-se qual deve ser o pH final a ser atingido, que é de, aproximadamente, 5,0. Se o pH inicial do solo era de 4,5 e com a aplicação de uma certa quantidade de calcário necessária para atender as demandas nutricionais ele passou para 4,8, então é preciso que este pH seja aumentado em mais 0,2 unidade, ou seja, é necessária, ainda, uma quantidade de calcário adicional para corrigir o pH e manter a saturação por alumínio a um nível adequado à cultura. Dessa forma, o método, em casos como estes, calcula duas quantidades de calcário que serão objetivamente diferentes. Uma irá atender as demandas nutricionais e, se não for suficiente para reduzir a saturação por alumínio a níveis tolerados pela cultura, calcula -se uma outra quantidade que corrige o Al3+ do solo.

Como a demanda de Ca e de Mg é estimada para três cultivos sucessivos (Quadro 10), na maioria dos casos, o calcário recomendado para atender essa demanda é suficiente para reduzir a saturação por alumínio e deixá -la abaixo dos 30 %. Apenas em solos muito tamponados e

para baixas produtividades é possível que haja necessidade de uma quantidade adicional de calcário para corrigir a acidez excessiva.

Na segunda calagem sugerida, as demandas de Ca e de Mg são bem menores, o que vai levar a recomendações de calcário também menores quando comparada à primeira calagem. No entanto, a segunda