6. ELEKTRİK ENERJİSİ YATIRIMLARI
6.6. Yeni Elektrik Enerjisi Mevzuatı ve Yatırımlar
Segundo o Agricultor 7, no ano 1950, uma família composta de onze pessoas apossou-se de uma área de terra na Chapada do Apodi, desbravou matas e construiu casa. O patriarca da família, João Eduardo Freire (conhecido na comunidade como “papai João”), e sua esposa, Maria Pureza do Nascimento (a “mãe Maria”), são considerados os fundadores da comunidade. O casal, juntamente e seus nove filhos, vivia basicamente com o que a natureza lhes oferecia: da agricultura familiar, da caça, e a principal renda financeira vinha da extração de madeira. Assim nasceu Quixabeirinha.
Esse nome foi dado em virtude da existência dessa árvore na região em descrição. A principal dificuldade da comunidade era a falta de água, pois não havia poço, o que levava seus moradores a se deslocarem treze quilômetros, até a vizinha comunidade, do Sítio Algodão, para conseguir água para o consumo humano e animal. O poço da comunidade só foi perfurado no ano 1982.
Atualmente, residem em Quixabeirinha 22 famílias que conformam um número de 68 habitantes na comunidade. Lá, as principais atividades econômicas desenvolvidas por elas são a criação de caprinos e a agricultura familiar, em especial, nos quintais, onde são cultivados feijão, milho, cebola, coentro, tomate, pimentão, alface, de acordo com o Agricultor 7. Apesar de possuírem um poço na comunidade, a irrigação dos quintais é feita pela água da chuva, e a água do poço e cisternas é somente para o consumo das pessoas.
Quanto à agricultura familiar, constitui uma prática que acompanha a origem da comunidade e que predomina até então, mesmo com as primeiras investidas do DNOCS em implementar o Perímetro Irrigado Santa Cruz do Apodi naquele território. As investidas – com a presença do desse órgão nas comunidades – serão discutidas, mais explicitamente, no capítulo seguinte. Para ilustrar a agricultura de Quixabeirinha, trouxemos fotos retiradas pelos Agricultores 5 e 7, bem como as falas a seguir.
[...] Aqui, são os quintais das casas lá. Tem cisterna lá. Meu avô trabalha lá no roçado, com dois filhos dele, roçado, tem 83 anos em pura atividade. Eles plantam milho e feijão. Procurei retirar as fotos dos quintais pra mostrar a plantação de hortaliça também [...], as bichinhas aí sem agrotóxico, tudo orgânico [...]. Nas comunidades, todo mundo é primo; não tem ninguém de fora. É primo que casa com primo. É tudo da mesma família. (Agricultor 7).
Figura 6 – Quintais produtivos de Quixabeirinha e seus cultivos
Figura 7 – Formas de acesso à água (caixa d'água em destaque e cisternas de placa) e aspectos estruturais e do cotidiano em Quixabeirinha
Fonte: Acervo da pesquisa.
A vida no campo, inclusive, é tida pelo sujeito da pesquisa como mais saudável, pois as pessoas, mesmo com mais idade, estão ativas nas atividades agrícolas, além de que há o fortalecimento dos vínculos familiares pela agricultura, que aglutina pais, filhos e netos nos quintais produtivos e permite a perpetuação das práticas de cultivo para a descendência. Os vínculos, segundo o sujeito da pesquisa, ainda acontecem nas articulações conjugais/afetivas e sociais. As comunidades, mais que locais que aglutinam pessoas, são território de fortalecimento da família.
Outro ponto a se considerar são as práticas de lazer da comunidade, como o futebol no campinho de Quixabeirinha, palco de muitos campeonatos locais que costumam atrair pessoas de outras comunidades, para assistir a eles. Inclusive, o esporte – que fez parte do passado e perdura no presente – é considerado não só um lazer, mas elemento da cultura de
Quixabeirinha. Após as falas, apresentamos parte de um painel construído pelos sujeitos da pesquisa no terceiro encontro do grupo, representando uma das formas de lazer bem comum nas comunidades e assentamentos da Chapada, ou seja, as “peladas” de fim de tarde.
Bom, esse aí é o campo lá de nossa comunidade Quixabeirinha. Esse aí é o nosso centro comunitário lá da comunidade. Reunimos todos os meses as associações; tem
reuniões, grupo de jovens, lá, também, tem. Essa aí é a ‘peladinha’ no final de tarde.
O pessoal gosta, né? É esporte, tem até um campinho. Essa foto eu retirei ela de cima da caixa d’agua [...]; esse espaço aí é da comunidade [...]. A comunidade tem uma grande dificuldade. Lá, tem muitos jovens, e uma das dificuldades que foram encontradas foi a questão da quadra de esportes. Eles gostam muito de futebol! (Agricultor 7).
Inclusive, esse esporte, lá, é uma comunidade pequena, ele junta aquele povo da Chapada, junta a maioria do pessoal lá, no final de tarde e no final de semana. É bem tradição essa cultura lá. Pessoal de Frei Damião, São Manuel, Milagres, Soledade, Aurora da Serra, esse pessoal, sempre, está participando desses treinozinhos lá, todos os finais de semana. (Agricultor 5).
Figura 8 – Representação em desenho do campo de futebol de Quixabeirinha, feita pelos sujeitos da pesquisa
Fonte: Acervo da pesquisa.
Outra forma de congregar as pessoas da comunidade são as reuniões mensais da associação de moradores no centro comunitário, estrutura que, ainda, serve para articulação de grupos de jovens. Em outra comunidade, Sítio do Góis, há, também, um evento cultural e econômico que foi colocado por morador(a) de lá e sujeito da pesquisa.
Hoje, lá no Sítio do Góis, a gente tem um torneio leiteiro que é cultura, já tamo entrando no oitavo ano que a gente faz isso. É como o pessoal lá de Palmares, que passaram anos pra construir, e, hoje, dentro de um estalarzim de dedos, o Governo pode destruir, porque é o Governo. (Agricultora 1).
Quanto às questões ambientais, o que o sujeito da pesquisa trouxe de destaque foi uma árvore – uma oiticica centenária – plantada pelo seu bisavô, e a história da planta sempre é contada pelo avô. Assim, o respeito às gerações passadas e ao ambiente se torna presente na fala e na vida do chapadense quando uma comunidade preserva durante cem anos, entre outras coisas, uma árvore. Ao mostrar sua casa, o sujeito considerou Quixabeirinha como “o melhor lugar do mundo” (Agricultor 7).