7. ULUSLARARASI ENTERKONNEKSİYONLAR 1. Enterkonneksiyonların Gelişimi ve Yararları
7.6. Enterkonneksiyonların Kullanımı ve Kapasiteleri
De acordo com as intenções do Departamento (DNOCS, 2008), a implantação do Perímetro Irrigado Santa Cruz do Apodi aconteceria a partir de ações em cinco etapas e nos seguintes prazos:
1. Expedição da Licença de Instalação: de 02/02/2010 a 30/11/2010; 2. Projeto Básico: antes de 2009 a 30/08/2010;
3. Licitação das Obras: de 30/08/2010 a 30/10/2010; 4. Execução das Obras: de 01/12/2010 a 01/12/2012; 5. Ações de Desapropriação: de 02/08/2010 a 30/12/2010.
Os prazos pensados pelo DNOCS estão em atraso e, em 2013, as ações de desapropriação transcorrem lentamente, em meio a resistências e movimentações. Sem ocorrerem as desapropriações em sua completude, as obras da estrutura física não podem ser iniciadas, os lotes não são demarcados, muito menos, divididos e entregues aos respectivos irrigantes, e o perímetro é postergado para um ano não definido. Tão indefinido que, em slides de apresentação do DNOCS, de 2013, os prazos não são mais apresentados.
Como já elencado no Capítulo 3, os agricultores da Chapada atentaram para os possíveis impactos do perímetro irrigado nas suas vidas, após o Seminário Impactos do
Agronegócio/Agrotóxico na Saúde do Trabalhador e no Ambiente e os intercâmbios com as
proposta que se pretende implementar na Chapada potiguar começaram a acontecer em articulação com outras entidades, como CPT (Comissão Pastoral da Terra), FOCAMPO (Fórum do Campo), ASA (Articulação do Semiárido) Potiguar, Terra Viva, Centro Feminista 8 de Março (CF8) e Movimento das Mulheres, porém, sempre, encabeçadas e articuladas pelo STTR de Apodi. Dentre as ações mais marcantes que foram colocadas no grupo de pesquisa, na fala do Membro do Sindicato e pelo Presidente deste (em entrevista cedida para a pesquisa), foram listadas as seguintes:
Seminário de Sementes;
Seminário Impacto dos Agrotóxicos/Agronegócio na Saúde, no Trabalho e no Ambiente; Audiência com o Ministro da Integração Nacional;
Ato público nas ruas de Apodi;
Discussão sobre o projeto de irrigação nas comunidades de Apodi; Intercâmbio com os Agricultores do Ceará;
Manifesto do Fórum do Campo Potiguar (FOCAMPO) contra a instalação do projeto; Exibição do filme “O veneno está na mesa” nas comunidades (Campanha Permanente
contra os Agrotóxicos e pela Vida);
Reuniões com outros segmentos organizados apodienses;
Ato Mundial da Marcha Mundial de Mulheres (24 horas de Ação Mundial – Aqui somos Todas Apodi);
As 2.000 cartas das mulheres de Apodi à presidenta Dilma (modelo/rascunho da carta no Apêndice E);
Mobilização de rua “Caminho das Águas”.
A seguir, algumas ilustrações dos momentos supracitados. Figura 21 – Seminário de Sementes
Fonte: Acervo do STTR Apodi (2010).
Figura 22 – Audiência com Ministro da Integração Nacional
Fonte: Acervo do STTR Apodi (2010).
Figura 23 – Reuniões do movimento de resistência com as comunidades
Fonte: Acervo do STTR Apodi (2011).
Figura 24 – Reuniões do FOCAMPO
Figura 25 – Ato público nas ruas de Apodi (mais de 2.000 agricultores)
Fonte: Acervo do STTR Apodi (2011).
Figura 26 – Exibição de “O veneno está na mesa” nas comunidades
Figura 27 – Caminho das Águas (assembleia e caminhada nas ruas, até o Banco do Nordeste, Agência de Apodi)
Fonte: acervo da pes quis a
Fonte: Acervo da pesquisa.
Apesar de o DNOCS divulgar ações educativas, entre outras coisas, para “Sensibilização dos formadores de opinião e da população com o intuito de conseguir uma adesão consciente ao projeto de agricultura irrigada” (DNOCS, 2013, slide 13), os agricultores colocam que – em vez de reuniões noturnas ou, em sua maioria, a portas fechadas, como são as organizadas pelo DNOCS – seus encontros acontecem com a simplicidade típica do povo da Chapada e demonstrando uma proximidade com os implicados
e a construção de espaços de falas importantes e pautados nos territórios. Vale salientar que a (já comentada em momentos anteriores) ação educativa de sensibilização dos formadores de opinião preconiza atuar com o intuito de conseguir uma adesão ao projeto já criado, impossibilitando, de acordo com a proposta de 2013, a troca de saberes ou reconstrução coletiva da proposta do perímetro, já que, em momento algum, tal perspectiva é colocada. Isso, inclusive, demonstra o que já tratamos como invisibilidade dos vulnerabilizados, pois o projeto foi construído, os desejos dos verdadeiros donos da terra são negados e as ações educativas, claramente, colocadas pelo DNOCS são, exclusivamente, para convencimento ou, como trazido na apresentação, “adesão consciente”.
Interessante como a gente se reúne nas comunidades e as imagens, elas, assim, a organização como se dá no município de Apodi: debaixo de um alpendre, numa casinha de taipa simples, a gente bota um pano, um data show e a gente começa a discutir, construir valores. Então, esses são os formadores de opiniões. Essas pessoas, elas formam opiniões. Não é só Agricultor 6, não é só Agricultor 11, não é só eu; nós formamos opiniões, e é assim que forma opinião. Então, essa é a nossa proposta, também, pro DNOCS, de diálogo pro projeto. Por que contestar o projeto de irrigação da Chapada do Apodi? A gente usa muito como referência, a gente, pra questionar uma coisa, a gente tem que ver outras experiências. (Agricultor 2).
Tanto os espaços de discussão quanto as mobilizações de rua, reuniões, exibição de vídeos, encontros e cartas são ações que dizem “não” ao perímetro irrigado e expressam “os desejos, as nossas propostas de combate a esse modelo excludente do DNOCS” (Membro do STTR 1). Ações pautadas na concepção de que o projeto do DNOCS trará, segundo eles, custos sociais não contabilizados pelo Estado ou pelos empresários (nem pelas indenizações nem pelas políticas públicas voltadas a essa população), como: privatização dos perímetros públicos; aumento da desigualdade social na região; contaminação ambiental do solo e da água com prejuízos à saúde da população atingida; exposição permanente aos agrotóxicos; condições precárias de trabalho; mão de obra assalariada barata; extinção de comunidades rurais; transformação de pequenos agricultores expulsos de suas terras em agricultores sem terra, a serviço da agroindústria e moradores das periferias das cidades; concentração de terras e utilização de terras públicas; aumento de doenças causadas pela exposição aos agrotóxicos (SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RUAIS DE APODI, 2013).
O que eles almejam, com o movimento de resistência, é a defesa da vida que lá existe, com todas as suas atuais experiências colocadas em prática pelos agricultores familiares na região: manejo da caatinga; apicultura; caprinocultura; hortaliças agroecológicas e outros gêneros nos quintais produtivos; agricultura de sequeiro; polpa de frutas (SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RUAIS DE APODI,
2013). Assim, ancorados na ideia de que não podem aceitar “um Projeto de Irrigação baseado numa ótica de desenvolvimento totalmente contraditória à realidade local” (SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RUAIS DE APODI, 2013, slide 3) e na reflexão “o projeto do Perímetro Irrigado trará ‘Desenvolvimento para quê e para quem?’” (SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RUAIS DE APODI, 2013,
slide 3), foi pensada uma proposta documentada pelos docentes João Abner Guimarães Júnior
(Doutor e Engenheiro em Recursos Hídricos) e João Matos Filho (Doutor em Economia), para a zona rural de Apodi.
A proposta é denominada Plano Integrado de Desenvolvimento Sustentável da
Chapada e do Vale do Apodi (RN) ou Projeto Padre Pedro Neefs25 (nome dado pelas
entidades que atuam no meio rural daquele município) e sugere a integração das quatro áreas da zona rural de Apodi (Vale, Chapada, Areia e Pedra). No que diz respeito à irrigação no Vale do Apodi, propõe-se a irrigação de dois mil hectares à jusante da Barragem de Santa Cruz, com distribuição da água por gravidade, a um custo pequeno se comparado ao custo de bombeamento para a Chapada. A priori, o sistema preconizado pelo Projeto Padre Pedro Neefs entregará, uniformemente, a água nas pequenas propriedades atuais, e ficará a cargo dos usuários a definição do tipo de uso. Inicialmente, voltado para o Vale; após um levantamento das demandas específicas, será desenvolvido um projeto de abastecimento de água para as comunidades da Chapada do Apodi (GUIMARÃES JÚNIOR; MATOS FILHO, 2011).
O projeto elenca como objetivos: definir as ações integradas para Vale e Chapada; definir a forma e as responsabilidades institucionais para a implementação das ações; definir recursos humanos, materiais e financeiros para a implementação da proposta e o sistema de gestão do Plano. Nas suas primeiras ações, esperam-se: cadastro georreferenciado dos aspectos socioeconômico, ambiental, institucional e de infraestrutura da área de influência direta do Plano; avaliação das potencialidades da região e identificação dos projetos alternativos; avaliação de viabilidade dos projetos alternativos; aprovação do Plano pelos atores do Estado e da sociedade civil, diretamente, envolvidos na construção da agenda; definição do Sistema de Gestão para implementação do Plano (GUIMARÃES JÚNIOR;
25
A denominação foi uma forma de homenagear Padre Pedro Neefs pelo trabalho na região, nos últimos 40 anos, em defesa do desenvolvimento equitativo, socialmente justo, includente do seu povo; pelo papel histórico fundamental de articulação com os setores técnicos e político para a tomada de decisão nos estudos do Governo Federal, em Apodi, na década de 70, sobre a localização atual da barragem Santa Cruz – o que preservou o Vale e a Cidade do Apodi da inundação do lago da barragem (GUIMARÃES JÚNIOR; MATOS FILHO, 2011).
MATOS FILHO, 2011). Vale salientar que o projeto em cena não elenca prazos para a referida agenda de ações.
Conscientes de que o projeto Padre Pedro Neefs está em processo de construção, como explicou o Membro 1 do STTR, ao falar sobre isso, compreendemos as limitações no tocante à presença da agenda de ações mais definidas; de uma argumentação mais atrelada ao modelo de desenvolvimento expansionista e degradante, e não só à inviabilidade hídrica do perímetro; de uma caracterização das comunidades que contemple os aspectos de trabalho, ambiente e da vida delas; de um espaço para a colocação das falas, das denúncias e dos anseios dos agricultores familiares para suas comunidades e assentamentos, ou seja, de um debate mais abrangente com as comunidades.
Diante disso, colocamos a presente pesquisa à disposição dos agricultores e dos grupos acadêmicos para, quem sabe, contribuir com a continuidade da construção do projeto Padre Pedro Neefs, já que “riscos ambientais e problemas de saúde podem ser sistematizados a partir da compilação e leitura crítica de trabalhos acadêmicos e profissionais” (PORTO; FINAMORE, 2012, p. 1498). Até porque pretendemos construir um saber que sirva para proteger a vida dos “pequenos” e fortalecer os movimentos que resistem a qualquer manobra do sistema do capital que impacte nos territórios tradicionais. Compreendemos a tarefa árdua, processual e desafiadora da construção de pautas, reivindicações e de fomento dos anseios dos agricultores, pois são muitas as pressões geradoras: por um lado, de resistência, mas, por outro, de sofrimento dos grupos de excluídos (DEJOURS, 2007).
Transversal à importância dos textos acadêmicos, qualquer que seja o documento produzido a partir das iniciativas dos movimentos sociais é de extrema relevância para analisar o contexto de injustiça vivido nos territórios, já que, na compreensão de riscos ao ambiente e à saúde, Porto e Finamore (2012) colocam que
Também pode haver a produção direta de materiais em diversas linguagens por parte das próprias populações atingidas e organizações de justiça ambiental, que sistematizam problemas ambientais e de saúde ocorridos no passado e no presente. Tais narrativas produzem, muitas vezes em linguagens populares e inovadoras, inventários, mapeamentos e relatos importantes de casos de poluição, doenças e mortes, acidentes, desastres e catástrofes relacionados com várias atividades econômicas, produtivas e tecnológicas. (PORTO; FINAMORE, 2012, p. 1498).
A articulação dessas formas de saber (acadêmicas, profissionais e populares) em prol de problemas específicos permite a troca de experiências e o intercâmbio na construção de um aprendizado solidário e coletivo, ferramenta fundamental para a compreensão dos riscos aos quais os sujeitos estão submetidos em seus territórios em conflito. O conhecimento acadêmico, por si só (ao contrário do que muitas correntes epistemológicas defendem), tende
a não trazer resposta às demandas desses territórios, pois se inclina a descontextualizar a compreensão sobre vida e problemas ambientais, de trabalho e saúde das populações, o que leva a assimetrias de poder de decisão sobre os dilemas sobre os quais se debruça (PORTO; FINAMORE, 2012).