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Yeni Anayasa İçin Kitlesel Aydın Seferberliği’nin Doğuşu

İNİSİYATİFİ ÖRNEKLERİ

3.1. AYDINLARIN TOPLUMSAL HAREKETLERE DOĞRUDAN KATILIMI: SİVİL ANAYASA GİRİŞİMİ ÖRNEĞİ

3.1.1. Yeni Anayasa İçin Kitlesel Aydın Seferberliği’nin Doğuşu

No contexto dos novos urbanos gestados nos cerrados piauienses recentemente, Araujo e Alves afirmam que:

Essas transformações, a princípio próprias no espaço rural, refletem sobremaneira no espaço urbano já que o processo de modernização da produção agrícola fez surgir novas atividades especializadas, como a de comércio e de serviços, que sobrepujam uma nova dinâmica urbana nos municípios interioranos piauienses, como efeito do que ocorre nas demais frações do espaço brasileiro atingidas pela modernização agrícola (ARAUJO; ALVES, 2008, p. 4).

Feitas essas observações em relação à dinamização do espaço urbano do município em apreço, segue-se para a análise da paisagem urbana tendo como referências as ideias de homogeneização e diferenciação aplicadas ao espaço urbano de Uruçuí.

7.3 Paisagem urbana: o ponto de vista da homogeneização e diferenciação do espaço urbano em Uruçuí

A trajetória urbana do município de Uruçuí revela uma organização espacial peculiar a várias outras cidades brasileiras que denotam desigualdade e concentração. Apesar de seus 113 anos de emancipação política, os eventos recentes, que muito contribuíra para a transformação da economia da região dos cerrados piauienses, em escala mais ampla, pouco têm alterado as fundamentais e mais elementares questões sociais.

Essas transformações no campo da economia deveriam andar em par com o amplo espectro da vida social. Questões básicas, tais como: renda, moradia, saúde, educação e emprego, de modo amplo, têm ficado aquém do que poderia se esperar do município mais rico do Estado do Piauí, segundo recentes dados do PIB.

O descompasso entre crescimento econômico e desenvolvimento social encontra, no modelo econômico que se vem discutindo até aqui, suas razões de ser. Ao analisar a organização do espaço da região de Ribeirão Preto, Elias afirma:

Desde a aceleração contemporânea da urbanização da região de Ribeirão Preto, a história de suas cidades mostrou o agravamento dos problemas urbanos provocados pelo descompasso entre evolução econômica e social, inerente ao modo de produção capitalista, especialmente na sua fase monopolista (ELIAS, 2003, p. 327).

A citada autora ainda faz referências à responsabilidade atribuída à expressão das formas capitalistas de produção na fase monopolista, a contradição entre a geração e a concentração de riquezas, ao tempo em que se cresce e se dissemina a pobreza, no espaço

urbano e rural, de modo a gerar um ―espaço corporativo e fragmentado‖ (ELIAS, 2003, p. 324). Nesse sentido, os estudos da referida autora deram conta de que os interesses econômicos e os interesses sociais não dialogam, e que, de fato, a organização desses espaços, sobre a égide do capital monopolista, cria, recria e agrava os problemas sociais ao invés de atenuá-los e muito menos solucioná-los.

Não resta dúvida que a produção agrícola dinamizou a economia local, sobretudo ao aglutinar bens e serviços anteriormente raros ou inexistentes naquela região, seja para servir à cidade ou ao campo. Esses são o reflexo do modelo de modernização agropecuário implantado na região, posto que a desigualdade esteve presente desde a apropriação do aparato financeiro e tecnológico pelos grupos socioeconômicos envolvidos (ALVES, 2006). O depoimento a seguir dá conta de algumas contradições inerentes a esse contexto no município.

O agronegócio chegou? Chegou! Melhorou? Melhorou umas partes e outras, não! Porque ela é visada no mundo inteiro, no Piauí, Uruçuí é visto como a cidade da capital da soja. É. Na verdade é. Tem muita soja, só que por outro lado, as pessoas de baixa renda, quem vive... esses que vieram para o nosso município e, principalmente, migrou muito agricultor familiar para a zona urbana, para os bairros que foram surgindo sem oportunidade de emprego. Aí aumentou o que? A cidade inchou, ela cresceu sem um planejamento, sem água nos bairros, sem energia, sem o posto de saúde, e aumentou a demanda. Aí causou um problema para a saúde, na educação e os filhos desses agricultores que vieram, uns tiveram sucesso, e outros caíram no mundo das drogas, na prostituição, as mulheres e os jovens, e isso... assim... nós tivemos uma perda total nisso aí. A ilusão de muito dinheiro sem, e não tinha esse dinheiro no bolso, esse jovem. Você imagina você viver na cidade que é uma movimentação muito grande, o comércio começa a crescer, por umas partes, e você não ter dinheiro para comprar.42

O depoimento acima relata questões pontuadas ao longo do trabalho: o modelo de desenvolvimento desigual imposto à região e os reflexos no campo e na cidade, bem como os reflexos na mobilidade da população que se direciona a um espaço urbano, que não tem preparo para a captação desse contingente populacional se traduz em expropriação. Em sua fala, a ausência de planejamento e o desinteresse por parte do poder público em viabilizar condições dignas de moradia, vivência e desenvolvimento para a sociedade local tornam-se evidentes. Ademais, a forma como a territorialização do capital monopolista se apropriou e se apropria desses territórios ancestrais dos nativos da região descortina conflitos em que a comunidade campesina e também a citadina vivenciam.

Não há que se esperar uma organização equitativa do espaço urbano em uma região em que se estabelece a territorialização do capitalismo monopolista, operado na prática, através da modernização da agropecuária. Nesse modelo, o crescimento quantitativo, sempre vislumbrado, tem ofuscado as necessidades da população local. Não foi verificado no núcleo original da cidade, edificações luxuosas compatíveis com o volume de recursos que emana do campo.

As melhores habitações, em sua maioria, ainda representam edificações antigas. Em se tratando de um padrão residencial moderno, cujo valor e arquitetura possam ser mais compatíveis com uma situação superior de renda, este padrão se encontra no bairro denominado Portal dos Cerrados, na serra, a cerca de 10km do núcleo urbano original. Naquela localização, residências bem construídas e porte diferenciado foram projetados inicialmente para os funcionários das empresas que aportaram no município (Foto 15).

Ao longo da pesquisa de campo, observou-se o abandono e a degradação dessas residências, assim como o abandono das áreas de lazer (praças e parques) como se pode verificar nas Fotos 16 e 17, respectivamente.