1.4. Bir Eğitmen Olarak Yazarın Görüntüleri
1.4.1. Romanlardaki Görüntüsü
1.4.1.3. Yazarın Ben’i ve Değerler Dünyası: İdeal Kahramanlar
O estudo da memória é uma das maiores contribuições das ciências cognitivas ao estudo da linguagem. Trata-se de uma função cognitiva que desempenha papel fundamental na produção de texto, pois sem ela não conseguiríamos retomar nosso conhecimento prévio. Tampouco conseguiríamos armazenar informações, enquanto processamos outros estímulos. Não conseguiríamos igualmente retomar a significação das palavras.
Diversos são os modelos teoricos sobre a memória, porém destacaremos o modelo proposto por Baddeley et al. (2011). A memória provém das experiências, que são traduzidas em códigos, com a participação das emoções e do contexto, para posterior evocação. Cabe à memória codificar, armazenar e recuperar informações. Ela divide-se de acordo com o seu conteúdo em procedimental e declarativa, assim como de acordo com a sua duração em memória de curto prazo (MCP), incluindo a memória de trabalho (MT), e memória de longo prazo (MLP) (SQUIRE, 1992; BADDELEY et al., 2011; IZQUIERDO, 2011).
A memória procedimental ou de procedimentos está associada às capacidades ou habilidades motoras e/ou sensoriais. Ela refere-se aos conhecimentos que constituímos ao longo da vida, aqueles que dificilmente conseguimos explicar verbalmente. Esse tipo de memória também é chamado de memória implícita, pois ela é adquirida de forma mais ou menos automática e sem que o indivíduo perceba claramente o que está aprendendo. Já a memória declarativa refere-se aos eventos e conhecimentos que os seres humanos adquirem, de forma explícita, que podem ser facilmente verbalizados; ela divide-se em episódica ou autobiográfica, esta última se refere aos eventos aos quais assistimos ou dos quais participamos, e semântica7, a qual engloba o conhecimento que temos do mundo, incluindo a(s) língua(s) (BADDELEY et al., 2011; IZQUIERDO, 2011).
Quanto à duração, a MCP serve para se referir à execução de determinada tarefa que exija retenções simples de pequenas quantidades de informações, que não necessitem ser manipuladas. A MCP dura poucas horas, apenas o tempo necessário para que as memórias de longa duração se consolidem ou para que sejam descartadas. Na leitura, esse tipo de memória se mostra importante porque simboliza o que se está pensando no momento. Entretanto, sua capacidade é limitada, devido ao seu tempo de duração e qualidade da informação armazenada.
7 Não é proposta, do presente trabalho, discutir sobre onde enquadrar a memória semântica, se como parte do
A MT, por sua vez, teria uma função bem mais complexa do que a MCP, embora também seja uma memória de curta duração. A MT contempla um sistema que não só armazena, mas também manipula a informação, de forma a permitir que os indivíduos possam raciocinar, aprender e compreender (BADDELEY et al., 2011). Na leitura a MT possibilitaque o conhecimento velho seja associado ao novo, proveniente da interação como texto.
A memória mais longa que possuímos, com respeito à duração, é a MLP. Nesse tipo de memória reside todo o conhecimento de que dispomos. Trata-se de um conhecimento já consolidado e, portanto, de mais fácil acesso. Essa memória pode permanecer por alguns anos ou até mesmo pela vida toda (IZQUIERDO, 2011).
No que tange ao processamento da narrativa, evidentemente todos os tipos de memória citados acima têm especial participação, visto que cada um tem uma função particular. Destaca-se, porém uma das mais difíceis tarefas que subjazem à memória: a evocação. Para podermos fazer uso de uma informação armazenada na memória, necessitamos evocar essa memória. Para tanto, geralmente buscamos uma memória específica, um fato, uma ideia, ou uma experiência. Poderíamos chamar esses fragmentos de pistas de evocação. Estas pistas devem ser precisas, isto é, relevantes e necessitam estar relacionadas ao objeto que se quer memorizar, do contrário podem falhar. Além disso, devemos escolher uma estratégia de evocação, como, por exemplo, lembrar de um grupo de itens e adotar um conjunto cognitivo que garanta que os estímulos sejam processados pela memória declarativa. Por último, ressaltamos a importância do contexto, pois ele se refere às circunstâncias sob as quais um estímulo foi codificado. Assim, “a evocação se beneficia do fato de entrar na configuração mental correta, uma tarefa realizada pelo córtex pré-frontal direito” (BADDELEY et al., 2011, p.187).
Considerando a proposta de Baddeley et al. (2011) sobre a evocação, poderíamos dizer que os textos que possuem uma estrutura bem definida, como é o caso das narrativas, que apresentam uma sequência de fatos, podem trazer dicas que auxiliam na evocação de memórias, pois elas aparecem de forma contextualizada. A tarefa de produção narrativa foi adotada nesta pesquisa. Desse modo, reservamos um espaço para discorrer, mesmo que brevemente, sobre as memórias de trabalho e episódica, respectivamente, por serem essenciais para esse tipo de tarefa.
A produção narrativa envolve aspectos que estão estreitamente relacionados à MT. Na falta da lembrança de uma proposição, o locutor precisa ir mantendo as demais informações acessíveis até conseguir acessar parte da sequência que preenche adequadamente a história.
Há diferentes concepções sobre a MT, o modelo proposto por Baddeley et al. (2011) tem sido o mais influente, o qual divide a memória de trabalho em quatro componentes: alça fonológica, esboço visuoespacial, buffer episódico e executivo central (ver Figura 3). Os autores defendem a teoria de que as tarefas de raciocínio e aprendizagem dependem de um sistema que deve ser capaz de manter e manipular temporariamente a informação. Esse sistema é a memória de trabalho, que, de acordo com Izquierdo (2011), não tem a função de formar arquivos, seria uma espécie de memória on line.
Figura 3 – Componentes da memória de trabalho
Fonte: Baddeley et al. (2011, p. 57).
A alça fonológica, componente responsável pelo armazenamento temporário das informações faladas, é supostamente especializada na gravação de sequências acústicas ou em aspectos fonológicos. Já o esboço visuoespacial “exerce uma função semelhante na seleção de itens e arranjos codificados visual e/ou espacialmente” (BADDELEY et al., 2011, p. 57). O esboço é necessário ao uso de imagens tanto para armazenar informações visuoespaciais, como para resolver problemas.
O buffer episódico, último componente adicionado ao modelo, surgiu da necessidade de poder explicar como a MT se relacionava com a MPL. Ele é o componente de MT que presume um código multidimensional, o qual permite a interação de vários subcomponentes da MT com a MLP. Esboço visuoespacial Buffer episódico Alça fonológica
Semântica Memória Linguagem visual episódica de longa duração EXECUTIVO CENTRAL Sistemas fluídos Sistemas cristalizados
No modelo exposto, assume-se que a MT seja gerenciada pelo executivo central, um controlador atencional, em lugar de um sistema de memória. Uma das principais funções desse componente é o foco atencional, a capacidade de dirigir a atenção à tarefa a ser executada. Essa capacidade atencional está relacionada à tarefa de dividir a atenção entre duas ou mais tarefas.
Desse modo, o executivo central pode auxiliar na tarefa de produção textual porque ele controla o fluxo de informação dentro da memória de trabalho e garante que as estratégias utilizadas se relacionem aos objetivos do texto. Como o executivo central seleciona as informações que serão processadas pela MT, ele deve ativar e atualizar os conhecimentos episódicos e semânticos necessários para a criação de uma macroestrutura textual.
Além da MT, destaca-se a importância da memória episódica (ME) para a produção de narrativas, pois a maior característica da ME é a capacidade de armazenar e evocar eventos específicos, que se desenvolvam em um lugar e tempo específico. Tais eventos podem, a partir disso, se acumular e consolidar para formarem a base da memória semântica, isto é, formar nossos conhecimentos sobre o mundo. Na literatura, os limites entre as memórias episódica e semântica, muitas vezes, são controversos; entretanto, não é nosso objetivo entrar nesse debate. Segundo Baddeley et al. (2011, p. 107), ME, por conceito, é a capacidade de recordar experiências específicas e “é a ME que favorece o que Tulving chama de „viagens mentais no tempo‟, que nos proporciona viajar de volta e „liberar‟ episódios anteriores, e utilizar esta capacidade para viajar adiante e prever eventos futuros”.
Baddeley et al. (2011) citam um teste realizado pelo filósofo Barlett, em 1932, para averiguar a ME através da narrativa “A guerra dos fantasmas”. Primeiramente, as pessoas eram solicitadas a ler a narrativa e depois, sem olhar o texto, deveriam recontá-la. Segundo os autores, no reconto, foi descoberto que a história lembrada era sempre mais curta, mais coerente e tendia a estar mais ligada ao ponto de vista do participante do que ao da história original. Isso quer dizer que os participantes se utilizam da memória episódica para buscar o significado e a essência do material apresentado. Além das diferentes memórias, com destaque à ME e à MT, abaixo, chamamos a atenção à importância das funções executivas para a atividade de produção narrativa.