1.3. Tanzimat Dönemi Romancılarının Eğitime Ait Düşünceleri
1.3.4. Recaizade Mahmut Ekrem
Em um texto, as proposições são construídas uma após a outra e se relacionam de modo a constituir significado para o todo. As próprias regras da língua direcionam a forma de construção das proposições, por exemplo, sequências causais, temporais, condicionais. Desse modo, representar estas relações entre proposições, tanto de forma intra como interproposicional, é uma tarefa cognitiva importante para o locutor ou escritor, visto que o
ouvinte ou leitor tem a tarefa de estabelecer relações de sentido, a partir das proposições construídas pelo locutor ou escritor. Um texto não pode ser apenas um conjunto de proposições, pois tais proposições precisam satisfazer certas regras de formação, de conteúdo, de significados conceituais e referências. A sequência de proposições subjacentes a um texto aceitável para o interlocutor necessita satisfazer certas condições da chamada “coerência” (VAN DIJK, 2010). A coerência, na visão de Van Dijk (2010, p. 47), “deve sempre ser definida em termos de proposições completas e de fatos denotados, e que é relativa ao conhecimento de mundo que o falante e o ouvinte têm”.
No trato do texto, há de se ponderar que se há coerência textual também pode haver incoerência textual. Alguns autores colocam que texto incoerente seria aquele em que o receptor não consegue estabelecer continuidade de sentido, sem que haja discrepância entre os conhecimentos ativados (BENTES, 2008). Segundo Fonseca (1992), há dois princípios básicos de coerência, o princípio de não contradição, o qual está implicado em uma relação lógica, sequência temporal e sequência de ordem e causalidade, por exemplo; e o princípio de não tautologia, isto é, presença de uma continuidade textual, a qual se dá pela progressão temática, integrando conteúdos novos.
Para alguns autores, como Marcuschi (2008), a coerência se dá de forma apenas global. Já para Van Dijk, a coerência se dá de forma global e local (KINTSCH; VAN DIJK, 1983; VAN DIJK, 2010). A coerência global relaciona-se com a macroestrutura, o macroplanejamento textual, mais especificamente, ela trata das relações de significado entre as proposições e o tópico do texto. Já a coerência local tem relação com a microestrutura, o microplanejamento do texto, estabelecendo relações de significado entre as frases ou proposições do texto.
A coerência local, para Van Dijk (2010), tem bastante semelhança com o que Koch (2008a, 2008b) chama de coesão sequencial frástica. Desse modo, a coerência local muitas vezes é encontrada na literatura como coerência local ou sequencial. Ambas as nomenclaturas, propostas por Van Dijk e Koch, tratam das relações de sentido intraproposicional ou entre proposições. Isto é, tratam da forma como os elementos linguísticos, na superfície do texto, se ligam entre si, e igualmente formam sequências de sentido. Na Linguística Textual, a coesão sequencial tem por objetivo fazer o texto avançar e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade dos sentidos (KOCH, 2008a).
A progressão textual pode ser feita por meio de sequenciação parafrástica ou frástica. Na sequenciação parafrástica há procedimento de recorrência, havendo recorrência de termos, de um mesmo item lexical, recorrência de estruturas, o que se chama de paralelismo sintático,
bem como recorrência de conteúdos semânticos, paráfrase, recorrência de recursos fonológicos e recorrência de tempo e aspecto verbal. A paráfrase, por exemplo, é introduzida por expressões linguísticas como: isto é, ou seja, quer dizer, ou melhor, etc (BENTES, 2008; KOCH, 2008a).
Em oposição à sequenciação parafrástica, a sequenciação frástica não tem procedimento de recorrência estrita. Os fatores de coesão frástica garantem a manutenção do tema, o estabelecimento de relações semânticas ou ainda pragmáticas entre segmentos maiores ou menores no texto, a ordenação e articulação de sequências textuais (KOCH, 2008a). Destacam-se os seguintes procedimentos: manutenção temática e progressão temática. A manutenção do tema, ainda de acordo com Koch, se dá em geral pelo uso de termos do mesmo campo lexical. Koch (2008a) cita o exemplo de um acidente, o qual ativa outras formas lexicais como ambulância, vítimas e hospital, por meio de um frame que é ativado na memória do sujeito, permitindo selecionar o que vai ser colocado no texto. A progressão temática, por sua vez, articula entre a informação dada, o tema, e a informação nova, o rema.
Há cinco tipos de progressão temática: progressão temática linear, progressão temática com um tema constante, progressão com tema derivado, progressão por desenvolvimento de um rema subdividido e progressão por salto temático. A progressão temática linear ocorre em casos de o rema de um enunciado passar a tema do enunciado que segue, e assim por diante. O esquema A---B, B---C, C---D representa esse tipo de progressão. Na progressão temática com um único tema constante, o mesmo tema aparece com novas informações temáticas, tendo o seguinte esquema: A---B, A---C, A---D, A---E. Já na progressão com tema derivado, há um hipertema, do qual se derivam temas parciais. Esse tipo de progressão é bem comum em textos expositivos. Então, A deriva pra A1, A2, A3 e A4, mas internamente A1 deriva pra B, A2 deriva pra C, A3 deriva pra D e A4 deriva pra E. A progressão por desenvolvimento de um rema subdividido se dá a partir de partes de um rema superordenado e pode ser ilustrada por meio do seguinte esquema: A---B (=B1 + B2 + B3 ...), B1---C, B2 ---D, B3---E. Diferentes das demais, a progressão com salto temático tem por pressuposto a omissão de um segmentos intermediário na cadeia da progressão temática linear, e, assim, vai ser deduzível do contexto. O esquema desse último tipo de progressão temática se dá do seguinte modo, A-- -B, B---C, ---, D---E (KOCK, 2008 a).
A sequenciação frástica, além dos elementos anteriormente expostos, trata dos mecanismos de encadeamento do texto, os quais se dão através de justaposição ou de conexão. A justaposição pode ser estabelecida com ou sem elementos sequenciadores. Nesse caso, o lugar do conector é marcado por uma pausa na fala e por vírgulas na escrita. Já a
conexão se dá por meio de relações lógicas-semânticas (condicionalidade, causalidade, mediação, disjunção e temporalidade); relações discursivas ou argumentativa (por meio de conjunções, disjunção argumentativa, explicação ou justificativa, comprovação, conclusão, comparação, generalização, especificação, contraste e correção/redefinição).
Em se tratando de sequência textual, Van Dijk (2010) divide a coerência local em condicional e funcional. Segundo Van Dijk (2010), uma sentença possui coerência condicional se ela trata de uma sequência de fatos relacionados, por exemplo, relação de causa e consequência. Há relações condicionais de várias intensidades (possibilidade e probabilidade, por exemplo). A coerência condicional necessita que a ordem da sentença reflita a ordem particular ou geral dos fatos.
Para satisfazer as condições de coerência funcional, as partes finais da sentença precisam ter relação semântica com os elementos anteriores da sentença. Assim, os elementos posteriores de uma sentença podem funcionar como especificação, generalização, explanação, contraste, exemplo, correção e preparação em relação aos elementos anteriores da oração. “A coerência funcional é simplesmente marcada pela coordenação ou subordinação da oração ou sentença” (VAN DIJK, 2010, p. 46). Em suma, a coerência local ou sequencial para Van Dijk (2010) diz respeito às relações de sentido e igualmente à organização entre as ideias no interior de uma oração. A figura que segue, Figura 2, ilustra a forma de organização semântica do texto, de acordo com Van Dijk (2010).
Figura 2 – Processamento semântico do texto
Fonte: Van Dijk (2010, p. 72).
Na Figura 2, Van Dijk (2010) trata dos elementos que compõem a coerência (local e global), que leva à interpretação do texto. Abaixo, abordaremos o tópico de estratégias comunicativas no texto oral.