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1.4. Bir Eğitmen Olarak Yazarın Görüntüleri

1.4.2. Diğer Türlerdeki Görüntüsü

1.4.2.2. Tiyatro Eserleri

A produção de uma narrativa requer uma série de habilidades linguísticas e cognitivas por parte dos indivíduos. Em termos linguísticos, é necessário que se conheça o sistema de regras da língua, as características do gênero textual e o assunto abordado. Em termos cognitivos, é importante que os indivíduos tenham as funções executivas (FEs) preservadas.

As FEs, também chamadas de controle executivo ou controle cognitivo, tratam dos processos mentais necessários para a execução de tarefas (DIAMOND, 2013). Elas envolvem velocidade de processamento, flexibilidade cognitiva, controle atencional, planejamento, memória operacional e inibição, entre outros termos utilizados na literatura para descrever funções semelhantes.

Cabe ressaltar que ainda não há consenso na literatura sobre quais componentes devem integrar as FEs. Igualmente há controvérsias com relação à definição do termo “funções executivas”, havendo uma multiplicidade de abordagens (KRISTENSEN, 2006). Segundo Mattos e Coutinho (2007), para muitos pesquisadores, as FEs são os processos mais complexos da cognição. De modo geral, a literatura trata as FEs como um conjunto de funções cognitivas superiores que controlam a execução de tarefas complexas. As FEs, assim, ajudam a manter um arranjo mental apropriado para alcançar um objetivo futuro, incluindo processos de focalização atencional, gerenciamento de tarefas, inibição, monitoramento e planejamento (KRISTENSEN, 2006).

Segundo Malloy-Diniz e colegas (2008), a inibição, o planejamento, a tomada de decisões, a flexibilidade cognitiva e a memória operacional são importantes componentes das funções executivas. A inibição, nessa perspectiva, consiste na capacidade de inibir respostas nos momentos em que o indivíduo apresenta uma forte tendência de responder, ou ainda interromper respostas em curso. Dificuldades com a inibição estão relacionadas à impulsividade. O planejamento consiste em uma maneira de alcançar um objetivo. Dificuldades de planejamento relacionam-se a possíveis dificuldades na obtenção de bons resultados. Já a tomada de decisão é um processo que envolve uma decisão entre várias alternativas, especialmente em situações que apresentem insegurança e risco. Durante a tomada de decisão, outros processos das FEs igualmente estão envolvidos, como memória, planejamento, inibição, etc. A flexibilidade cognitiva, por sua vez, implica mudar, alternar o curso de um pensamento. Dificuldades de flexibilidade cognitiva interferem na vida social do indivíduo. E, por fim, a memória operacional, também conhecida como memória de trabalho, é um sistema que armazena temporariamente informações e permite seu monitoramento e

manejo. Dificuldades com a memória operacional interferem na qualidade das atividades realizadas, deixando a pessoa mais lenta, por exemplo. É importante enfatizar que o envolvimento de vários processos cognitivos em uma mesma tarefa demonstra a dificuldade de tratá-los de forma estanque, isolada.

Entre os modelos atuais mais utilizados na pesquisa empírica envolvendo as FEs está o modelo de Diamond (2013), o qual divide as FEs em três grandes pilares: 1) inibição e

controle de interferência (autocontrole, inibição comportamental), 2) memória de trabalho e,

por fim, 3) flexibilidade cognitiva (igualmente conhecida como flexibilidade mental e inter- relacionada com a criatividade). A autora igualmente destaca o raciocínio, a resolução de problemas e o planejamento como habilidades das FEs. Conforme Diamond (2013), todas as habilidades envolvidas nas FEs são essenciais à saúde mental e física, bem como ao sucesso na vida pessoal e escolar.

Quando as FEs estão preservadas, os indivíduos têm possibilidades de formular planos de ação específicos para chegar a uma meta, considerando possíveis obstáculos que, por ventura, encontrem pelo caminho. Para que se chegue ao objetivo final, são necessárias constantes reavaliações do desempenho e flexibilidade cognitiva, no intuito de criar novas soluções para resultados não esperados (MATTOS, COUTINHO, 2007).

Atinente à produção de texto, o planejamento e a memória de trabalho8 são processos fundamentais para que se possa construir um texto coerente. No caso do texto oral, tais processos se destacam, pois, para produzi-lo, é necessário que todo o conteúdo já enunciado vá sendo processado, enquanto se buscam informações novas e a ideia seja concluída. Trata- se de um processo cíclico que vai se repetindo inúmeras vezes ao longo da construção do texto. No texto escrito o processo é o mesmo, a diferença reside no tempo de planejamento, que é maior.

A avaliação do planejamento pode ser realizada de diversas formas e por meio de diferentes testagens. O planejamento requer um roteiro para alcançar as metas propostas e frequentemente está associado a outras FEs como atenção e inibição. Sua avaliação requer a elaboração de um plano de ação, a fim de se obter a solução mais eficiente possível para um problema previamente definido. Dentre os vários instrumentos utilizados para a avaliação do planejamento, estão o Teste da Torre de Londres (Krikorian et al., 1994; Malloy-Diniz et al., 2008), a Torre de Hanói (Simon, 1971), o Teste do Desenho do Relógio (Sunderland et al., 1989) e o Teste dos Labirintos (Porteus, 1965). Cabe ressaltar que uma das críticas feitas aos

8 A memória de trabalho também é conhecida na literatura como memória operacional (MALLOY-DINIZ et al.,

instrumentos citados é quanto a sua validade ecológica, isto é, a distância que eles podem ter de situações cotidianas. No intuito de aproximar a avaliação de situações mais realísticas, alguns instrumentos trazem situações do cotidiano para resolução, como o teste do mapa do zoológico, que contém diferentes caminhos a serem percorridos (MALLOY-DINIZ et al., 2010).

Na pesquisa com idosos, especialmente se com suspeita de doença de Alzheimer (DA), um dos testes mais utilizados para aferir a habilidade de planejamento é o Teste do Desenho do Relógio (TDR). A literatura disponibiliza de diferentes formas de análise do teste, tanto quantitativas como qualitativas, as quais variam em termos de pontuações. Aprahamian e colegas (2010) investigaram a acurácia do TDR como rastereio de DA, por meio de três diferentes métodos de análise: Shulman et al. (1993), Sunderland et al. (1989) e Mendez et al. (1992). Os resultados mostraram que, independente do método, o TDR mostrou-se um teste robusto ao ser comparado com outros testes de rastreio de DA como o Mini Exame do Estado Mental (MEEM9) e o Cambridge Cognitive Examination (CAMCOG).

A avaliação da memória de trabalho tem sido frequentemente realizada por meio de tarefas que avaliam o processamento e manejo da informação. Dentre as tarefas mais habituais, está o teste de Span de Dígitos na ordem inversa. É importante ressaltar que o teste Span de Dígitos na ordem direta não configura uma avaliação da MT, mas da MCP, pois o teste não requer processamento da informação, e sim retenção dos números na memória, da mesma forma e ordem como foram escutados (Diamond, 2013). O teste Span de Dígitos na ordem direta está associado à habilidade de atenção.

Além do planejamento e da memória de trabalho, o controle e a integração de comportamentos dirigidos a um objetivo são extremamente importantes para que a produção textual se efetive. Para tanto, é necessário que o desempenho de subcomponentes como atenção, inibição de processos e de informações concorrentes, assim como o monitoramento, estejam ativos. O conjunto de todos esses elementos é controlado e regulado pelas FEs. As FEs, portanto, regulam uma série de processos fundamentais para as necessidades do dia a dia, o que vai desde o planejamento de um texto até o armazenamento temporário de uma informação para que se processe outro estímulo, entre outros.

Há inúmeros estudos que verificam a preservação dos componentes executivos, ao longo do ciclo vital, por meio de testes que mensuram o grau de preservação ou

9 A sigla MEEM (Mini Exame do Estado Mental) foi traduzida da sigla MMSE (Mini Mental State

comprometimento de cada componente. Os resultados sugerem que o desempenho em termos de FEs siga um traçado de uma curva em U invertida, ao longo da vida. Isto é, há um declínio natural do idoso, em termos de capacidade de inibição, velocidade de processamento e coordenação entre tarefas (MALLOY-DINIZ et al., 2008).

Na próxima seção, retomaremos o tópico de funções executivas, bem como processamento da linguagem e das memórias, aplicados ao envelhecimento.