B. İletişimin Denetlenmesine Karar Verilebilmesi İçin Yasada
III. YASAYA AYKIRI İLETİŞİMİN DENETLENMESİNİN SONUÇLARI
Recentemente, a teoria da relação com o saber tem sido empregada pelos pesquisadores de Educação em Ciências1 de língua francesa no estudo do envolvimento dos alunos diante a aprendizagem das Ciências Naturais na escola porque se encontra neste quadro teórico as noções de sentido e valor do conhecimento e também porque esta teoria considera os estudantes como sujeitos
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Na França, a área de Educação em Ciências é chamada de Didactique des Sciences (Didática das Ciências).
ativos e multidimensionais. Apesar de seu recente desenvolvimento, as ideias de Charlot se expandiram em diferentes disciplinas (sociologia, psicanálise, psicologia social, por exemplo) e países além França, como a República Checa, Tunísia e Brasil. As pesquisas de países francófonos no âmbito da Educação em Ciências inicialmente interessavam-se na relação com o saber dos estudantes em uma tentativa de superar as limitações dos quadros teóricos anteriores empregados para compreender os fenômenos do engajamento. Venturini e Cappiello (2011) fizeram uma revisão da literatura sobre o uso da teoria da relação com o saber na pesquisa em Educação em Ciências e apresentamos aqui uma breve descrição desta aplicação base neste trabalho.
As primeiras pesquisas focalizaram a relação dos estudantes com saberes específicos, em outras palavras, os saberes dos componentes curriculares. Chartrain (2002, 2003) e Catel, Coquide, Gallezot (2002) tiveram como objetivo estabelecer a relação entre a relação com o saber científico e a mudança conceitual. Os autores assumiram que a relação dos estudantes com o saber é um fator relevante na mudança conceitual e conduziram pesquisas para observar a evolução conceitual sobre vulcanismo e nutrição de plantas, respectivamente. Venturini e Albe (2002) pesquisaram a relação com o saber da Física de estudantes de graduação, visando perceber o domínio de conceitos de Eletromagnetismo. Eles concluem que o fraco domínio conceitual esta associado a um fraco engajamento na aprendizagem e uma relação claramente utilitarista com o saber. Por outro lado, aqueles que tinham um domínio conceitual médio ou forte mantinham uma relação que incluía uma componente de utilidade, mas regulado pelo desejo de aprender e pelo prazer que a atividade traz. Um grupo de investigadores em Educação em Ciência tunisianos conduziu estudos com o intuito de entender aquisições conceituais e o comportamento de estudantes em sala de aula dentro de um contexto cultural fortemente marcado pela religião. Chabchoub (2000), Bahloul (2000) Hrairi e Coquide (2002) tinham como objetivo compreender o sentido dado estudantes do Ensino Médio e graduandos a teoria da evolução e Jelman (2002), o sentido dado ao fenômeno do trovão.
No que se refere relação aos componentes curriculares específicos, Cappiello (2007) conduziu estudos sobre a relação com o saber da Science de la vie
e de la terre (SVT)2. Por sua vez, Rhodes e Venturini (2006) e Venturini (2005a, 2005b) conduziram pesquisas sobre a relação com o saber da Física. O primeiro estudo permitiu identificar relações entre relação com o saber de Física e a relação com o saber em geral. Por fim, Venturini e Cappiello (2009) realizaram um estudo comparativo entre a relação com o saber da Física e SVT.
Os estudos sobre a relação com o saber das Ciências Naturais também levaram em conta as relações dos professores com o conhecimento disciplinar. Bru, Pastré e Vinatier (2007) sustentam a hipótese de que as relações dos professores com o saber disciplinar que ensinam pode ser um organizador da prática docente. De fato, outros estudos têm ligado relação dos professores com o saber e as práticas de ensino em salas de aula de física (Venturini et al., 2004, 2007), Matemática (Magendie, 2004) e SVT (Pautal, et al., 2008). Este último teve como objetivo compreender como relação com o saber de alguns estudantes e professores poderia iluminar parte da ação didática conjunta dos professores3.
No Brasil, alguns estudos vêm sendo desenvolvidos levando-se em consideração a noção de relação com o saber proposta por Charlot ou por outros autores. Laburú, Barros, Kanbach (2007), baseados na relação com o saber profissional dos professores, buscaram compreender a inserção de atividades experimentais nas aulas de Física por parte de professores do Ensino Médio. Trabalho semelhante foi feito por Salvarengo, Laburú (2009) em aulas de Química também no Ensino Médio. Ainda lidando com questões relativas à prática docente, Leite (2008) investigou os sentidos e concepções que orientam professores quando realizam atividades de leitura em aulas de Física e discutiu as possibilidades e dificuldades apontadas pelos docentes para o uso desse recurso. Utilizou as considerações de Charlot para argumentar que a origem social não é determinante para a formação de bons ou maus leitores.
Braz, Andrade (2009), com as atenções também voltadas para os docentes em formação, analisaram como licenciandos e professores de Química e Física pensam suas disciplinas e a aprendizagem. Para as autoras, a relação com o
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Ciências da vida e da terra: componente curricular que faz parte do ensino de ciências durante a educação primária e secundária na França. É composta por conteúdos de Biologia, Ecologia e Geologia.
saber do grupo envolvido nas pesquisas é empobrecida pelas representações sociais compartilhadas de seus campos disciplinares e da aprendizagem. Já Dalri, Mattos (2009) abordaram a escolha da profissão de professor de Física relacionando-a aos sentidos/significados e aos valores atribuídos à Física e à Educação. Juntamente com a noção de perfil conceitual, a relação com o saber aparece como fundamento teórico para a análise dos dados coletados nas entrevistas. Ainda dentro da temática da formação de professores, Carvalho e Arruda (2008) buscaram compreender aspectos observados e vivenciados por licenciandos em Física no decorrer das atividades de atendimento no Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina. Para uma boa compreensão do fenômeno, os autores julgaram necessário entender o comportamento dos alunos que visitam o museu por meio da problemática da relação com o saber. Ballestero (2009) analisa a permanência de um grupo de alunos de mestrado num curso introdutório de mecânica clássica e Ricardo (2003) traz a noção da relação com saberes, ao discutir situações didáticas e obstáculos epistemológicos. É importante ressaltar que a noção levantada por Ricardo (2003) não é a mesma trazida por Charlot (1997).
No tocante à nossa pesquisa, o foco de análise é o estudante e não os professores. Como os trabalhos de Rhodes e Venturini (2006), Venturini (2005a, 2005b), Cappiello (2007), Venturini e Cappiello (2009), também temos o objetivo de conhecer a relação com um saber específico de um grupo de estudantes. No entanto, estes estudos identificam a mobilização dos estudantes para a aprendizagem das disciplinas, mas nada dizem sobre o que faz com que os elementos da relação favorecem a mobilização. Também pouco informam sobre os estudantes pouco mobilizados. Assim, nos propomos a compreender, por referência a história pessoal do estudante, o que faz com que estes elementos tenham relevância no processo.