BÖLÜM 4: VERİ ANALİZİ VE BULGULAR
4.4. Yapısal Modelin Değerlendirme Süreci
O nacionalismo, tal como referido por Benedict Anderson (1989), nasceu na Europa, filho da revolução dupla do século XVIII e do liberalismo burguês, os quais darão ensejo à construção sistemática das nações modernas43 durante o século XIX. Esse momento, de acordo com Eric J. Hobsbawn (1990), tem seu auge no período de 1830 a 1880, no qual o “princípio da nacionalidade” tornou-se, pela primeira vez, um tema maior na política internacional. O termo nacionalismo é definido como anterior às nações, significando fundamentalmente um princípio que sustenta que a unidade política e nacional deve ser congruente. Para o autor, o “princípio de nacionalidade” ou o nacionalismo é, em si, um construto que, além de motivar a organização dos Estados em nações modernas, busca estabelecer vínculos desses Estados com as populações de cujo apoio eles dependem.
O Estado moderno44 foi uma novidade em vários aspectos, definido como um território separado por fronteiras e limites, dominando a totalidade de seus habitantes. Politicamente, seu domínio e sua administração sobre os habitantes eram exercidos diretamente, sem mediações de corporações ou sistemas intermediários de dominação. Procurava impor as mesmas leis por todo o território, embora estas não fossem mais religiosas ou seculares, além de ser crescentemente obrigado a ouvir as opiniões dos indivíduos e cidadãos ou requerer seu consentimento prático em questões militares, por exemplo. Por sua vez, os agentes estatais, facilitados pela revolução nos transportes e comunicações que se verificou no século XIX, cada vez mais alcançavam os habitantes por meio de censos, através da educação primária compulsória, do sistema
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Qualquer que fosse o significado pré-moderno do termo “nação”, ele ainda é diferente do seu significado moderno, de forma que em seu sentido moderno e basicamente político, o conceito de nação é historicamente muito recente (Hobsbawm, 1990: 27-30).
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Para Dante Moreira Leite (1992), a França apresentava o primeiro exemplo europeu do Estado-nação, concebido como um governo que decorria de um escolha popular e não de um direito divino, exercido por uma família. E, por vias diretas e aparentemente contrárias à Revolução - as guerras napoleônicas – os exércitos franceses acabaram por levar o liberalismo e o nacionalismo aos outros povos europeus. Neste sentido, o nacionalismo teria nascido como uma ideologia tipicamente burguesa, capaz de unir o povo para o liberalismo econômico (Leite, 1992: 25-26).
de documentação e registro pessoal e através do serviço militar obrigatório (Hobsbawm, 1990: 101-102).
As primeiras tentativas de estabelecer critérios objetivos sobre a existência de nacionalidade freqüentemente foram feitas com base em dados como a língua ou a etnia ou em uma combinação, que incluía o território comum, a história comum, os traços culturais comuns, entre outros. Dada a heterogeneidade das nações européias quanto a esses aspectos, como no caso da Grã-Bretanha ou França, outros fatores relevantes para a construção da nação foram levantados nesse período, como a importância do Estado-nação para gerir as “economias nacionais” e o tamanho do território45. De qualquer forma, a “nação” se apresenta sobretudo como uma idéia construída pelas classes dirigentes do Estado, e que entretanto não pode ser concretizada sem adaptar-se às aspirações do restante da população.
Por essa razão as nações são, do meu ponto de vista, fenômenos duais, construídos essencialmente pelo alto, mas que, no entanto, não podem ser compreendidas sem ser analisadas de baixo, ou seja, em termos das suposições, esperanças, necessidades, aspirações e interesses das pessoas comuns, as quais não são necessariamente nacionais e menos ainda nacionalistas (Hobsbawm, 1990: 20).
Neste sentido, embora não fornecessem inicialmente os pré-requisitos para a organização nacional, a criação e disseminação de uma língua oficial tiveram papel importante para a formação das nações européias. Foi a língua impressa responsável por se tornarem grandes expoentes do nacionalismo as camadas média e inferior das categorias profissionais, administrativas e intelectuais, ou seja, as classes educadas em áreas que eram até então ocupadas apenas por uma pequena elite aristocrática, a qual não se preocupava com uma língua oficial.
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Conforme definição de Hobsbawm (1990), o chamado “princípio de ponto crítico” determinava que a nação teria que ser de tamanho suficiente para formar uma unidade viável de desenvolvimento, senão não teria justificativa histórica. Em última instância, esse princípio foi um dos motivos que motivou a construção das nações como um processo de expansão.
As pequenas elites podem operar com línguas estrangeiras, mas a língua nacional se impõe uma vez que o quadro de pessoas instruídas tenha-se tornado suficientemente grande. Daí, o momento em que livros didáticos e jornais são impressos pela primeira vez na língua nacional, ou quando essa língua é usada pela primeira vez para algum fim oficial, marca um passo importantíssimo na evolução nacional, como se deu na década de 1830 em grandes áreas da Europa (Hobsbawm, 1977:155).
É claro que a imensa maioria dos europeus (e não europeus) continuava sem instrução e, de qualquer forma, as massas populares – trabalhadores, empregados, camponeses – foram as últimas a serem afetadas pela consciência nacional, a qual tendeu a se desenvolver desigualmente entre grupos sociais e regiões dos países.
A priorização do elemento lingüístico, conjuntamente ao da etnicidade, como critério central crescentemente decisivo para a existência de uma nação potencial46, ocorrerá, de acordo com Hobsbawm (1990), apenas no período de 1880 a 1914, quando o nacionalismo europeu abandona o princípio territorial e econômico da era liberal. Nesse momento, consolidaram-se as mudanças políticas que possibilitam a recepção real aos apelos nacionais, como a democratização da política em um número crescente de Estados e a criação de um Estado administrativo mobilizador e influenciador dos cidadãos. Antes disso, Hobsbawm (1990) refere-se a um “protonacionalismo”, que consistia na descoberta de sentimentos de vínculo coletivo entre pessoas não-alfabetizadas, que formavam a maioria da população mundial47, e que se baseava sobretudo na consciência de pertencimento a uma “nação histórica” e a um povo-Estado especial.
Já para Benedict Anderson (1989), o critério central para a formação do sentimento de nação, desde o início, foi a língua oficial impressa, responsável pela criação das “comunidades políticas imaginárias” que constituiriam as nações, já que os
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Além do elemento “língua”, para Hobasbawn (1990), os liames entre nacionalismo e racismo eram óbvios. Por isso, a “língua” e a “raça” eram facilmente confundidas em alguns casos, apesar de são serem correspondentes. Além disso, havia uma evidente analogia entre a insistência dos racistas na pureza racial e nos horrores da miscigenação e insistência sobre a necessidade de se purificar a língua nacional de elementos estrangeiros (Hobsbawm, 1990:132).
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De fato, com exceção dos alemães, dos holandeses, dos escandinavos, dos suíços e dos norte- americanos, não se pode dizer que qualquer outro povo fosse alfabetizado em 1840. Até mesmo a Grã- Bretanha, a França e a Bélgica tinham cerca de 40 a 50% de analfabetos na década de 1840. Muitos povos eram quase analfabetos, como os portugueses e espanhóis (Hobsbawm, 1977: 155).
membros de uma nação jamais conhecem a maioria de seus compatriotas, permanecendo, entretanto, a imagem de sua comunhão.
Para o autor, os fatores fundamentais para a construção dessas “comunidades imaginadas” foram a primazia do capitalismo editorial e a língua impressa. O desenvolvimento da imprensa-como-mercadoria seria a chave da geração de idéias inteiramente novas de simultaneidade, por meio de narrativas ficcionais e, principalmente, do jornal. O consumo simultâneo e cotidiano do jornal como cerimônia de massa, onde cada um dos leitores sabe que a cerimônia que executa está sendo replicada, simultaneamente, por milhares de outros, tornaria os leitores conscientes das milhares de pessoas no seu campo lingüístico e formaria o embrião da comunidade nacionalmente imaginada.
Pode-se perceber melhor porque essa transformação seria tão importante para o nascimento de uma comunidade imaginada da nação se considerarmos a estrutura básica de duas formas de imaginar que pela primeira vez floresceram na Europa, no século XVIII: o romance e o jornal. Pois essas formas ofereceram os recursos técnicos para “re-[a]presentrar” a espécie de comunidade imaginada que é a nação (Anderson, 1989: 34).
Os intelectuais - lexicógrafos, gramáticos, folcloristas, jornalistas – tiveram papel importante ao produzirem para o mercado da imprensa e por meio desta se vincularem ao público consumidor, constituído pelas famílias das classes leitoras48. A ascensão de elementos da classe média a instituições burocráticas consolidou esse padrão, fazendo com que as burguesias, estabelecendo laços de solidariedade por meio da língua impressa, sejam as primeiras classes a consumar solidariedades numa base
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Os altos índices de analfabetismo, ainda em 1840, indicavam o poder dessas classes, as quais eram, além das antigas classes dirigentes da nobreza e da pequena nobreza fundiária, os cortesãos e membros do clero, as camadas médias ascendentes de pequenos funcionários plebeus, os profissionais liberais, e as burguesias comercial e industrial. (Anderson, 1989: 86) Para Hobsbawm, diferentemente, o entusiasmo pelo nacionalismo lingüístico se restringia inicialmente aos estratos cultos da classe média, os “pequenos- burgueses”, que ocupavam empregos não-manuais que requeriam escolaridade. Tampouco não havia entusiasmo especial pelo nacionalismo lingüístico nem por parte da aristocracia ou grande burguesia nem por parte dos camponeses ou trabalhadores analfabetos (Hobsbawm, 1990:139-140).
essencialmente imaginada, estabelecendo relações com o capitalismo editorial em língua vulgar. (Anderson, 1989: 87-88)
O crescimento da alfabetização, do comércio, da indústria, das comunicações e das máquinas estatais no século XIX, criou novos impulsos no sentido da unificação de cada reino dinástico, na qual o domínio de uma língua vulgar tornada oficial era fator importante, fazendo com que a intelligentsia buscasse uma língua que as massas compreendiam.
Desse modo, enquanto para Hobsbawn (1990) o critério decisivo para o nacionalismo seria a consciência comum de uma população de ter pertencido a uma mesma “nação histórica” a partir da qual forma-se o povo-nação, tendo a língua papel secundário em um primeiro momento; para Benedict Anderson (1989) a adesão das massas aos nacionalismos oficiais explica-se pela difusão da imprensa e da alfabetização em uma língua comum, as quais, segundo Hobsbawm (1990), tiveram papel relevante apenas em um segundo momento na construção das nações modernas.
Outro fator importante para Benedict Anderson foi o plágio do ideário de movimentos revolucionários, disseminados pela imprensa como modelos de emancipação nacional. O primeiro deles seria a Revolução Francesa que ingressou na memória acumuladora da imprensa, e foi modelada como um conceito e, depois, como um modelo. De modo muito semelhante, assim que se tornaram matéria impressa, os movimentos de independência na América se tornaram “modelos”, “conceitos” e, de fato, “projetos”, de cuja memória foi eliminada a resistência dos subordinados (Anderson, 1989: 92).
Os nacionalismos oficiais europeus formaram a base da idéia de nação, a qual tem continuidade até os dias de hoje e ultrapassaram fronteiras, como se pode ver em inúmeros casos, inclusive o do Brasil, o qual acolheu essas idéias e a elas deu colorido específico. Aqui, o nacionalismo nasceu por meio de uma camada “de elite”, a qual juntou-se aos intelectuais, no século XIX, para formular os primeiros construtos nacionalistas, ao sabor das tendências européias, e descontextualizados na realidade do Brasil monárquico.
Podemos conjecturar que a coesão de uma comunidade imaginária brasileira ocorreu apenas no século XX, quando o rádio, o cinema e a televisão alcançaram a ampla camada analfabeta da população. Poderemos ver que essa foi uma tendência internacional e, antes de irmos ao nosso caso, é importante verificar como esse construto ideológico, que é a nação, teve continuidade no século XX.