BÖLÜM 2: MÜŞTERİ MEMNUNİYETİ, ALGILANAN DEĞER, İLGİLENİM
2.3. İlgilenim
2.3.1. İlgilenim Kavramı ve Önemi
Diversas falas de Ana dão a medida do quanto ela considera como fator importante o trabalho coletivo no ambiente escolar para o desenvolvimento do planejamento escolar. A valorização do trabalho coletivo aparece em diferentes dimensões em seu trabalho cotidiano. Da sala de aula, como ferramenta didática, às reuniões pedagógicas, a troca de informações é um elemento de grande importância.
A instituição onde Ana trabalha dá também bastante importância ao trabalho coletivo. As reuniões pedagógicas são realizadas periodicamente e nelas discute-se
desde problemas cotidianos até decisões sobre a adoção de materiais didáticos e o currículo das áreas específicas. Segundo Ana, essas reuniões constituem um importante espaço de reflexão sobre a prática docente, pois há espaço para o estudo de textos de diferentes autores da área de educação e realização de discussões sobre as obras. Podemos considerar os encontros como um importante espaço de auto-formação e de formação continuada no próprio local de trabalho.
“Entrevistador: Essa reflexão de avaliação sobre o que não está funcionado e o que
pode funcionar melhor, isso é feito individualmente ou em grupo?
Ana: Não, no grupo. Sempre nos estudos. Nós temos [reuniões] quinzenais, e a gente
vai elegendo, assim, qual é, como não dá para estudar tudo de uma vez, a cada semestre elege um, uma das disciplinas para estudar. Aquela que a gente acha também que já faz tempo que a gente não reflete sobre, ou que a gente percebe algumas coisas que estão pegando’, você vai vendo no dia-a-dia da aula que tem coisa que não está saindo muito legal. Então, semestre passado, o semestre do ano de 2003, nós estudamos ciências. Então, volta aquele olhar de novo, para as novas didáticas, então a gente sempre adota, assim,... um, a... autores, ou uma, uma proposta dentro do ensino. Aí a gente estuda e no grupo, na equipe, decide essas modificações.” (Ana - Entrevista 1).
A valorização do trabalho coletivo por Ana, aparentemente, advém da conjugação de uma série de fatores contextuais que, conjuntamente, contribuem para que cada vez mais essa forma de trabalho seja considerada fundamental pela professora. Foi possível identificar alguns desses fatores diretamente nas falas da professora. Entre eles podemos destacar o tamanho reduzido da instituição onde trabalha, o tempo de convívio profissional com a equipe de professores - “(...) o mínimo de tempo que nós estamos juntos são dez anos(...)” – (Ana – Entrevista 1) - e, por fim, o trabalho como formadora de professoras no âmbito do ensino público municipal. Esses fatores associados aos declarados, sucesso e satisfação profissional, criam uma atmosfera
positiva em torno do trabalho coletivo tornando-o frutífero e gratificante. Contudo, algumas declarações da professora Ana parecem indicar que os fatores acima citados apenas reforçam uma característica pessoal da profissional.
“Entrevistador: E no Estado você disse que não tinha companheiras de trabalho... Ana: Era..
Entrevistador: Isso faz falta?
Ana: Ah, faz... faz muito. Eu vejo, assim, que é uma coisa que o Estado tenta há muito
tempo com os HTPCs, que é o horário de trabalho coletivo. É... eu acho que é uma tentativa disso, desse trabalho, porque não dá para você falar, olha, as crianças precisam trabalhar em grupo. E o professor trabalha isoladamente! Não tem condições... acontece isso, né. Então acho que para... se você trabalha com grupos de crianças, grupos de pessoas ou grupos de adolescentes, ou de adultos, sei lá, você precisa antes ter tido uma experiência de trabalho de grupo, de troca... Eu acredito nisso, eu acredito, assim, que a gente aprende muito mais na troca com os outros, ninguém aprende sozinho, eu não acredito nisso, que alguém seja autodidata, como se costumava dizer há um tempo atrás, né. Aprendeu tudo sozinho. Não existe! Acho que a gente aprende com o outro, observando o outro, trocando com o outro. Então eu acredito que esse trabalho de... coletivo de produção tem que existir em todo momento... Então, é difícil quando você vai pra um lugar, mesmo tendo... eu passei por uma experiência assim... mesmo tendo horário de trabalho coletivo, não acontecia! (...) o professor precisa ter esse horário que os professores se encontram para troca, para estar junto efetivamente. Agora, eu não acredito que só o horário faça com que as pessoas trabalhem coletivamente, precisa ter uma cultura, né, alguém que coordene isso que... Então, mesmo tendo o horário a gente não tinha o trabalho coletivo. Cada uma fazia o seu e acabava... Então a gente sempre juntava com uma colega que era mais próxima, né, que tem idéia. Eu também tive a felicidade, assim, de ter mãe professora, então trocava muito com ela, então a gente estava sempre junta, né. Mas, já trabalhei muito em escola, assim, que ficava sozinha, você com você mesma e ninguém com quem você pudesse falar depois... não tinha isso, eu acho que falta...” (Trecho da entrevista 2 realizada com Ana).
Em sua fala Ana dá mostras de que, apesar de ter como característica pessoal a sensação de que o trabalho coletivo é essencial, há a necessidade de apoio institucional para que este se concretize efetivamente. Deve-se ressaltar a figura da coordenadora como gestora escolar, pois, este é um elemento facilitador desse processo de reflexão permitindo que as experiências individuais sejam discutidas no grupo e transformadas em experiência coletiva.
Ainda, é importante citar, que a fala de Ana possui diversos elementos identificadores de saberes que se situam no rol dos saberes experienciais, destacando-se alguns elementos relacionados à experiências anteriores ao processo de formação profissional, relacionados à família e aos antigos professores. Esses saberes experienciais serão, em itens subseqüentes, descritos e analisados mais atentamente.