B. İfade Özgürlüğü (AİHS m. 10) Kapsamında Pozitif Yükümlülükler
VIII. DERNEK KURMA ve TOPLANTI ÖZGÜRLÜĞÜ (AİHS m. 11)
A Tamara começa seu caminho com um desenho dos seus pés. Entre os pés, ela fez um olho derramando algumas lágrimas, simbolizando as dificuldades que ele teve em seu caminhar, até encontrar o Arte em Cena. Nesse caminho o Arte em Cena ganha um lugar de destaque. Colorido, vivo, praticamente iluminado, é como uma placa luminosa composta por laranja, representando a dinamicidade e a alegria que ela encontrou no grupo e o verde representando suas esperanças. A partir daí, o caminho segue fazendo referência ao caminho de tijolos amarelos do livro O mágico de Oz. Ela desenha os tijolos amarelos envolvendo e direcionando a sua trajetória e, no meio do percurso, identifica algumas virtudes que ela encontrou dentro do Arte em Cena: a consciência, o amor e a coragem.
Em seguida, ela desenhou, de um lado da estrada, a palavra “sonhos” e, do outro, “realizações”, e, no meio das duas palavras, várias pedras e buracos, demonstrando que, entre essas duas instâncias da vida, existem vários desafios, e que ela conseguiu vencer alguns deles. Depois, segue com as palavras ensinar e aprender, que são necessidades que nasceram a partir da prática dentro do Arte em Cena. Foi então que surgiram a faculdade de Teatro e a Cia. Plural, que a levaram a trabalhar com o ensino de Arte até os dias atuais. Nesse momento do caminho, a Tamara destacou como as vivências dentro do Arte em Cena e da MEPE contribuíram para sua formação profissional e para sua visão de mundo enquanto educadora.
Dentro do seu projeto vital, nos planos para o futuro, está a faculdade de Psicologia, que sempre foi um sonho para ela. Ao lado do caminho, ela escreveu um trecho de uma música que diz “você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aqui...”. Para a Tamara, este foi um dos maiores aprendizados que adquiriu no Arte em Cena: a consciência e a certeza de que nós nunca estamos sozinhos, seja por causa da espiritualidade, seja por causa das amizades.
Antes do Arte em Cena
Durante toda a sua biografia educativa, a Tamara se utiliza da metáfora da árvore para se definir e definir suas ações. Ela se vê como uma árvore que fincou raízes no Espiritismo e na arte, por meio da experiência que viveu no Arte em Cena. Sua relação com a Arte sempre foi forte, e, assim como para o Romário, a Arte foi o adubo fértil, que fez com que ela fincasse suas raízes e permanecesse no Espiritismo durante muitos anos, gerando sementes e frutos até os dias atuais.
Eu gostava muito de teatro, na escola, sempre procurava apresentar trabalhos com encenações, mas nunca tinha feito nada mais concreto. O fato de ser em um centro espírita não me chamou muita atenção, mas a oportunidade de fazer uma Oficina de Teatro, sim. [...] A oficina foi ministrada pelo grupo Arte com Texto, na época com a Caroline Treigher e a Maria Castro. Fui muito bem recebida, apesa r de atrasada, e o exercício proposto foi bem interessante. Todos de pé, espalhados pela sala, deveríamos imaginar que nossos pés se tornavam raízes, e criar movimentos dos pés no chão, como se essas raízes crescessem pa ra o solo. Talvez, essas raízes tenham sido muito mais profundas do que eu podia imaginar naquela época. Essa analogia de raízes, plantar, sementes, e frutos, eu utilizo muito nas minhas falas. Acredito que as nossa s ações vêm das nossa s raízes, e essas ações se ramificam, e essas ações podem ser sementes, e essas ações tra zem frutos.
Durante o Arte em Cena
Para a Tamara, o sentimento de família, anteriormente mencionado neste capítulo, é algo muito importante. Era um sentimento que transcendia os laços da amizade construídos dentro do grupo, e englobava os familiares, os amigos e todos os que fazem parte dessa grande família que foi surgindo no dia a dia, no convívio, dentro e fora do palco.
Antes eu passava a semana querendo que o domingo não existisse, agora eu já chegava na segunda-feira, querendo que já chegasse o domingo de novo pra voltar ao GEPE. [...] A importância do Arte em Cena, a dedicação que nós tínhamos, quando precisava ensaiar no sábado, precisava fazer um cartaz no meio da semana, a gente ia pra casa de um ou de outro amigo do teatro. As mães faziam o lanche, faziam almoço, a tia Gegê, mãe da Lara, mãe do Allan, o chocolate quente da mãe da Salena... E as nossas relações transcendiam ao domingo, construímos amizades reais. [...] Vocês fazem parte da minha vida.
Ao declarar “Vocês fazem parte da minha vida”, a Tamara não está dizendo uma simples frase solta. Se analisarmos bem, fazer parte da história de uma pessoa, é fazer parte de sua vida, de sua formação. É, de alguma forma, ter contribuído para que ela se tornasse a pessoa que é hoje. A respeito dessa relevância do outro no nosso processo de formação, Josso
(2010, p. 196) afirma que
caminhar com os outros passa, pois, tanto por um saber-caminhar consigo, em busca do seu saber-viver, sabendo que cada encontro será uma ocasião para se aperfeiçoar ou se infletir, até mesmo de transformar o que orienta o nosso ser-no-mundo, o nosso-ser-dentro-do-mundo, o nosso ser-com-o-mundo num paradigma da fragmentação, de uma abertura ao desconhecido, na convivência consigo, com os outros e com os universos que nos são acessíveis. É uma busca que visa despertar-se para uma existencialidade que não se satisfaz com os prêts-à-porter sociais e culturais, uma existencialidade capaz de reconhecer os limites de qualquer epistemologia.
É bom perceber o quanto as experiências foram formadoras, e como eles tomam consciência disso. O aprendizado vem justamente desse “despertar” (Josso, 2010) para observar as experiências vividas e refletir sobre elas, gerando os aprendizados. (DELORY- MOMBERGER, 2008)
De alguma forma, estar no Arte em Cena trazia não só a responsabilidade do trabalho, mas uma imagem dos integrantes diante dos outros jovens da mocidade. Quem participava do teatro era mais cobrado no sentido de “dar o exemplo para os outros”, porque éramos considerados mais engajados e, por isso, tínhamos de ser mais responsáveis. Isso, de certa forma, exigiu um crescimento e uma maturidade nossa que nos fez enxergar os problemas, os desafios e as conquistas de uma forma diferente, mesmo quando tínhamos 15, 16 ou 17 anos.
E assim, com o passar do tempo, eu fui me envolvendo cada vez mais com as atividades, e nós exercíamos uma liderança, meio que sem querer. Virávamos referência meio que sem querer,
nós éramos “os meninos do teatro”.
Os aprendizados não se restringiam ao ambiente do Arte em Cena, eles permeavam todas as dimensões da vida. O grupo se tornou um porto seguro, um lugar aonde todos iam para encontrar forças para resistir às dificuldades da juventude. Cada um tinha necessidades diferentes, mas a maioria conseguia encontrar o que haviam ido buscar, nas experiências vividas e nos relacionamentos conquistados. A juventude necessita de cada vez mais espaços que lhe proporcionem essa redescoberta de si e dos seus processos de
aprendizagem (PAIS, 1993).
Esse contato com a espiritualidade, principalmente com o teatro espírita, me deixava mais forte, me fazia compreender algumas situações, e eu podia conversar com muitos amigos,
com as “tias”, nossas monitoras, eu recebia conselhos, e era acolhida quando não estava
bem. Eu podia chorar, e rir, e todo esse apoio que eu recebi, também se transformava na vontade de retribuir essa atenção, e era tão bom ajudar quanto ser ajudada.[...] Conhecer outras pessoa s, ter a prática do teatro, da mocidade, de vir pra evangelização, isso me transformou completamente, me deu um norte, me trouxe pensamentos, me trouxe reflexões, muitas reflexões.
Depois do Arte em Cena
Para a Tamara, o aprendizado mais forte que permaneceu até os dias atuais foi a presença da espiritualidade em sua vida.
Pode parecer meio contraditório, eu ter me afastado da casa espírita porque eu não dava mais conta dos compromissos, mas, por outro lado, eu nunca subi num palco pra fazer uma apresentação em que eu não estivesse fazendo uma prece antes, pedindo para dar tudo certo. [...] eu estava lá quietinha, pedindo à equipe espiritual, que até hoje eu peço, em todos os meus trabalhos, à equipe espiritual que protege o Arte em Cena, que inspira o Arte em Cena, que possa estar iluminando o nosso trabalho, que a gente possa continua r plantando sementes. Mesmo que as peças não sejam mais espíritas, todas as peças da minha companhia, por uma filosofia minha, por uma filosofia do meu esposo, que não é espírita, mas que tem essa visão também de estar plantando as sementes através do teatro, que sempre trazemos uma mensagem, por acredita r no teatro como uma ferramenta poderosíssima de transformação.
A Tamara define o ato de “plantar as sementes” como uma forma de espalhar aquilo que ela possui de melhor dentro dela para os outros. As sementes seriam os aprendizados compartilhados e transmitidos para o outro. Josso (2010) afirma que somos seres capazes de socializar aspectos da nossa vida interior, seja através do exemplo, seja
através da experiência.
A Arte Espírita, nesse caso, vem complementar sua formação profissional no aspecto de ampliar sua visão para enxergar os seus alunos, não só como crianças ou jovens com dificuldades de aprendizado, mas como espíritos que necessitam educar seus sentidos, sentimentos e pensamentos (DUARTE Jr., 2001), e podem fazer isso através da arte, com o auxílio da espiritualidade.
A arte pra mim vem como uma ferramenta de vida, e arte espírita me deu essa possibilidade de, antes de qualquer coisa que eu vá trabalha r, eu vou estar fazendo uma prece antes, eu vou estar pedindo inspiração, vou estar pedindo auxílio espiritual pra estar conduzindo aquele trabalho, seja um trabalho com as crianças, ou com os adolescentes. [...] Com certeza, se eu não tivesse passado pela arte espírita, eu não seria a profissional com a competência que eu tenho hoje.
4.1.6. Arte e afeto: o início de minha trajetória - Aline Rodrigues
A Aline iniciou seu caminho pelo mar, porque, segundo ela, “a gente vem da água e volta para a água”. Esse mar representa a sua infância, que foi uma época de muita liberdade e espontaneidade. Ela afirma que essa naturalidade e essa fluidez vão se perdendo ao longo do caminho à medida que nos ligamos a coisas “teoricamente” mais séries e nos desvencilhamos da inocência da criança que existe dentro de nós. A área pedregosa representa a sua adolescência, com todos os conflitos e as dificuldades que a maioria dos jovens enfrenta. Ela