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Pozitif Yükümlülüklerin Türleri: Usuli-Esasi Yükümlülükler

B. Pozitif Yükümlülük

2. Pozitif Yükümlülüklerin Türleri: Usuli-Esasi Yükümlülükler

Fonte: Arquivos do CRB. Foto: Larissa Bezerra Fonte: Arquivos do CRB. Foto: Larissa Bezerra

Foto 3 - Dinâmica "estranhamento" Foto 4 - Dinâmica "estranhamento"

Depois que todos haviam terminado, sentamos em círculo e expusemos nossas mandalas, explicando o que cada detalhe representava de nós mesmos. Essa “figuração de si” gerou uma espécie de definição simbólica e “não linear” de cada um, a qual permitiu que os aspectos das suas subjetividades surgissem nos elementos visuais da mandala (DELORY- MOMBERGER, 2008).

3.1.3. Terceiro encontro – a narrativa de si29

Cheguei ao GEPE por volta das 14h. O ambiente já parecia ter sido preparado para as atividades que iríamos realizar. O clima estava tranquilo, o salão arrumado, iluminado e limpo. Liguei o data-show e projetei uma série de fotos e vídeos da época em que frequentávamos o Arte em Cena. Espalhei sobre a mesa, peças, fotos, recadinhos, livros, cadernos, crachás de eventos, cartões, tudo o que eu havia guardado daquela época. À medida que os jovens foram chegando e colocando, também, suas lembranças sobre a mesa, começamos a grande “partilha de memórias”. A cada novo item, várias histórias iam sendo rememoradas e narradas. De maneira bem informal, foi um dos momentos mais divertidos do

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O encontro foi realizado no dia 02 de dezembro de 2012, no Grupo Espírita Paulo e Estevão (GEPE), das 14h00 às 18h00.

Fotos 5, 6 e 7 - Dinâmica "estranhamento"

Fonte: Arquivo pessoal. Foto: Larissa Bezerra

Fonte: Arquivo pessoal. Foto: Larissa Bezerra

Fonte: Arquivo pessoal. Foto: Larissa Bezerra

CRB. Ele serviu não só para relembrar fatos que foram importantes nas narrativas, mas também para apertar os laços de amizade e confiança que estavam um pouco “frouxos”, por causa do tempo e da distância.

Acredito que outro fator que contribuiu bastante para que esse momento fosse o mais produtivo possível foi o local. Aquele era o salão onde nós vivenciamos a maioria das experiências no Arte em Cena. O palco, as paredes, as cadeiras, tudo fazia parte da “partilha”, tudo narrava uma história. “O palco sempre foi desse tamanho? Eu lembrava dele bem maior!”; “Vocês lembram o tanto de coisa que a gente fez nesse salão?” e “Gente, faz tempo, mas parece que foi ontem!”. Esses e outros comentários enfatizaram a importância desse momento para o restante do processo.

Uma das coisas que mais chamou a atenção deles, além das fotos, foram as peças. Eles observaram atentamente os papeis e foram relembrando os personagens que faziam, as apresentações e todo o contexto que envolvia aquelas obras. A maioria, foi escrita pelo Allan Denizard, então, acredito que, para ele, a emoção foi ainda mais intensa. Reencontrar com peças que ele havia escrito, algumas até perdidas na memória, e que, de certa forma, como ele mesmo comentou, são reflexos de momentos que ele estava vivendo àquela época, tornou aquilo uma experiência única.

A sensação que surgiu em todos nós foi a de que fazíamos tudo aquilo de forma tão espontânea e verdadeira, que não tínhamos noção do quanto aquilo se tornou importante na nossa vida. Justamente para refletir sobre isso e sobre os aprendizados que construímos a partir dessa experiência, passamos para a fase da “biografização” (DELORY-MOMBERGER, 2008), ou seja, ação de narrar relatos de vida com a finalidade de observar e refletir sobre processos formativos.

O cenário das “narrativas de si” foi o velho e bom palco. Ele foi escolhido por ter um significado importante nesse processo. Durante muitos domingos da nossa vida, aquele palco foi não só uma casa, mas também um mundo novo em constante transformação. A dimensão daquele lugar fica explicita até nas falas dos jovens, como no comentário da Aline Rodrigues, logo no início da sua narrativa:

(risos), porque a gente fazia tanta coisa aqui neste pequeno lugar, que, eu juro pra vocês, estando aqui hoje, eu imaginava que ele era bem maior. Nós já fizemos este lugar ser casa, ser sala, ser tanta coisa.

Quando fomos iniciar as narrativas, a Marina Leite propôs que iniciássemos a atividade da mesma maneira que iniciávamos os encontros do Arte em Cena, com uma prece. Demos as mãos e o Allan Denizard a fez. Sentamos no palco e eu expliquei como seria esse processo. O Allan se propôs a ser o primeiro. Ele foi o único que reclamou de termos apenas 30 minutos para narrar. Por ele, passaríamos a tarde inteira falando. Depois, foi a vez do João Romário. O interessante, é que, a cada narrativa, as pessoas ficavam mais empolgadas e ansiosas para comentar sobre os fatos narrados pelos colegas.

É incrível: quando você começa a observar a narrativa do outro, você vai se enxergando e se lembrando de várias coisas, porque aquilo também aconteceu com você, mas o outro tra z outro olhar sobre o mesmo fato! (Tamara Larripa)

Não pode falar nada, nada? É tão difícil ficar calado quando o outro “tá” narrando, porque a gente participou dos mesmos momentos e a gente quer compartilhar de alguma forma. Mas realmente não dá pra falar não... Porque, se fôssemos falar, iria virar um diálogo e não uma

narrativa. A pessoa que “tá” falando iria se tornar apenas mais um elemento do diálogo, e não o foco da narrativa. (Allan Denizard)

Com as narrativas, compartilhamos não só lembranças, mas também lágrimas e sorrisos. Foi um momento realmente de encontro e reencontro com pessoas, memórias, emoções, sentimentos, fatos, aprendizados, amizade e amor.

Assim, a sequência de narrativas seguiu com Tamara Larripa, Marina Leite, Aline Rodrigues, Lucas Moura e Larissa Bezerra. A maioria não utilizou o limite do tempo que era disponível (30 minutos). No começo, fiquei me perguntando se deveria ter insistido para que eles falassem mais, ou para que usassem os 30 minutos inteiros. Mas acabei deixando-os à vontade e, quando julgava necessário, acabava pedindo que eles se falassem a respeito de um ou outro ponto. Eles mesmos sentiram essa necessidade depois de finalizar suas narrativas. A

Tamara e a Aline, depois de já haverem finalizado suas narrativas, solicitaram que acrescentássemos alguns fatos que elas haviam lembrado só depois.

Ao término de cada narrativa, o comentário unânime era: "eu não falei NADA do que tinha planejado falar". Conversamos um pouco sobre isso e eu aconselhei que eles pudessem refletir sobre o que havia "surgido" na narrativa, sem ser planejado, e o que havia ficado de fora. Algumas questões propostas para que eles pensassem foram: Porque “aquelas” memórias específicas surgiram? Porque não outras? Porque elas foram faladas naquela sequencia cronológica? Porque eu não falei mais, se eu tinha um tempo bem maior? Porque eu falei tanto e teria muito mais para falar?

Aconselhei a todos que refletissem e questionassem tudo, porque esse era o momento. Afinal,

falar das próprias experiências formadoras é, pois, de certa maneira, contar a si mesmo a própria história, as qualidades pessoais e socioculturais, o valor que se atribui ao que é "vivido" na continuidade temporal do nosso ser psicossomático. Contudo, é também um modo de dizermos que, nesse continuum temporal, algumas vivências têm uma intensidade particular que se impõe à nossa consciência e delas extrairemos as informações úteis às nossas transações conosco próprios e/ou com o nosso ambiente humano e natural (JOSSO, 2010, p. 47 e 48)

Cada um levou uma cópia de sua narrativa gravada. Pedi que transcrevessem e levassem no próximo encontro. Assim encerramos esse encontro com um sentimento de felicidade, uma vontade de permanecer mais um tempo ali e uma certeza de que os laços que outrora nos uniam nunca deixaram de existir.

3.1.4 Quarto encontro (1) – a colaboração narrativa30

Esse encontro foi marcado na minha residência, para que pudéssemos ter mais tempo e mais privacidade para o desenvolvimento das atividades. O momento da colaboração narrativa necessitava dessa dedicação. Dois dos participantes/atores/autores não puderam comparecer por motivo de trabalho, o Allan e a Tamara. Então eu marquei somente com eles

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um novo encontro, para que não atrasasse o andamento do trabalho.

Primeiramente, como exercício de “despertar consciencial”, propus uma dinâmica chamada “O olhar coletivo”. O objetivo da dinâmica era pensar coletivamente alguns conceitos de Arte Espírita. Sentamo-nos em círculo à mesa, e cada um recebeu um pedaço de papel em cujo topo havia grafado “Arte Espírita, para mim, é...”. Cada um deveria colocar apenas uma palavra e passar o papel para a pessoa da direita. À medida que íamos recebendo os papéis dos colegas, escrevíamos mais uma palavra e passávamos para o próximo. As palavras deveriam formar uma frase coerente e coesa, a respeito do conceito de Arte Espírita. Os conceitos elaborados nessa dinâmica serão apresentados mais adiante, juntamente com os personagens, em forma de epígrafe. Vale lembrar que eles são um conceito construído coletivamente, e não uma fala de uma pessoa específica.

Assim que finalizamos a dinâmica, começamos o processo de colaboração narrativa. O sentimento de estranhamento ao se ver e ouvir no vídeo da narrativa foi unânime. Muitos tiveram até certa resistência à transcrição por não se sentirem à vontade com sua própria fala ou imagem. Após comentar sobre as sensações e impressões da transcrição, de um por um, fomos lendo nossas narrativas, e, dessa vez, os outros podiam intervir, questionar, comentar e instigar reflexões a respeito dos fatos narrados. É nessa fase do processo que encontramos “a dialética entre o individual e o coletivo, mas desta vez sob a forma de uma polaridade; de um lado, empenhamos a nossa interpretação (nos autointerpretamos) e, por outro, procuramos no diálogo com os outros uma cointerpretação da nossa experiência” (JOSSO, 2010, p. 54).

Fonte: Arquivos do CRB. Foto: Larissa Bezerra