• Sonuç bulunamadı

B. Yaşam Hakkı’nın Kapsamı

1. Ceninin Yaşam Hakkı ve Kürtaj Sorunu

O Lucas representou seu caminho através de uma tablatura. Segundo ele, ela possui começo, meio e fim, assim como a sua história. Ele resolveu utilizar esse formato, porque a música sempre esteve presente na sua vida. Foi por meio dela que ele se descobriu e se ligou às outras linguagens artísticas. Assim como a maioria, ele passou por um período de timidez, até encontrar o Arte em Cena. Depois que ele começou a fazer teatro uma série de transformações foram ocorrendo em seu modo de ver a vida e sentir o mundo. Ele nomeou esse momento-charneira de “despertar” (JOSSO, 2010).

No seu caminho, o que mais se destacou foi o momento em que ele desenhou as máscaras do teatro seguidas de um sinal de diferente e do nome Arte em Cena. Ele explicou que, para ele, a experiência do Arte em Cena era diferente do teatro, e até da arte por si só. Ela era uma experiência de vida. Ele chega a defini-la, no desenho, como uma “fonte de amizades e os primeiros passos de um propósito”. Propósito esse que se encontra e se materializa na prática.

De acordo com o Lucas, o caminho dele começa nas notas mais graves, demonstrando ainda o processo de busca pelo conhecimento vivenciado nos primeiros anos da infância e da pré-adolescência, e vai evoluindo para as notas mais agudas, demonstrando as conquistas, o amadurecimento e os aprendizados que foi construindo ao longo do tempo. Na parte de baixo da tablatura, ele desenhou a fermata, que é um símbolo que significa o momento, na música, de parar. O Lucas disse que esse símbolo aparece na partitura para que o músico fique atento à condução de parada do maestro, ou seja, aquele símbolo, em seu caminho, se refere à confiança que ele tem de que só o Maestro Divino poderá dizer quando e onde a sua música deve parar. Abaixo da tablatura ele escreveu “até a internalização plena” e afirmou que esse é seu projeto para o futuro, a verdadeira compreensão e aplicação de todos esses aprendizados que acumulou ao longo da sua vida.

Antes do Arte em Cena

O Lucas anuncia, desde o começo da biografia educativa, que sempre teve contato com a arte, através da música, e que isso era um fator fundamental para entender como ele se tornou a pessoa que é hoje. Outro fator relevante é a presença da Doutrina Espírita desde a sua infância. Sendo o único que nasceu “em berço espírita”, o Lucas não consegue diferenciar ou estabelecer um antes e depois do contato com o espiritismo e com a Arte Espírita, afinal, isso

sempre fez parte do seu cotidiano.

Eu comecei a me envolver com arte na música. O primeiro instrumento que aprendi foi a flauta e eu aprendi sozinho. Foi então que meus pais sugeriram para que eu aprendesse a tocar violão e, como espírita desde o berço, curiosamente fui aprender a tocar violão dentro de uma igreja Franciscana, onde o Frei era quem ministrava as aulas de violão. [...] Eu frequentava outros centros espíritas antes do GEPE. Eu frequentava o Centro Espírita João, o Evangelhista (CEJE) e frequentava o Instituto de Cultura Espírita (ICE). Ambos são perto da minha casa. Frequentando a evangelização infantil e, posteriormente, a mocidade, a primeira coisa que eu fiz com arte foi entrar para o Coral Cativar do CEJE, na mesma época que estava aprendendo violão. Esse coral era do pessoal da mocidade, que se encontrava no sábado, e, aos domingos, havia os encontros do coral.

Apesar de a arte sempre ter feito parte da vida do Lucas, ele nunca se sentiu um artista. Durante a etapa da colaboração narrativa47, pedimos que ele refletisse sobre essa questão, porém, ao trazer sua biografia educativa finalizada ele afirmou não ter chegado a uma conclusão sobre isso. Afirmou, ainda, que hoje ele consegue se sentir um artista, mas que é um tipo de artista diferente, um artista com uma prática e um objetivo diferente dos outros. Essa afirmação pode ser consequência da visão preconcebida e perpetuada por anos na nossa sociedade, de que o artista é aquele ser que recebeu um dom divino e que nunca poderá ser alcançado pelos outros indivíduos. Aos poucos, vamos identificando necessidades de mudança nesses parâmetros, para que a arte possa alcançar outras dimensões no fazer-humano (DUARTE Jr., 1981; DEWEY, 2010; BARBOSA, 2002).

Mas, uma vez, eu não queria vir, porque eu era muito envergonhado e também, porque eu nunca me senti artista. Eu sempre me senti uma pessoa que gostava de arte e fazia isso por diversão.

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Durante o Arte em Cena

Essa tranquilidade que o grupo me proporcionava, graças às amizades e às diversões saudáveis junto de todos, foi então quebrando a minha timidez, esse meu medo que eu tinha de me expor mesmo. Eu era muito de aceitar as coisas, por timidez também. E o grupo me ajudou nisso. [...] Cheguei à Mocidade Espírita Paulo e Estevão em 2005 e, desde então, eu não sai mais. Me ausentei apenas em 2007 no ano em que tentei vestibular e um ano depois quando eu passei no vestibular, em 2008, eu voltei. Só que eu já voltei querendo traba lhar,

querendo ser o tal “jovem aprendiz”. Desde 2008 até hoje eu estou como evangelizador da

Mocidade. Nesse percurso, mais uma vez eu me envolvi justamente com o grupo arte em cena que, na época, estava quase parado por falta de alguém estar à frente.

Mais uma vez o protagonismo juvenil surge nas biografias educativas. Essa vontade de fazer algo, de “colocar a mão na massa”, é comum aos sete participantes/atores/autores e, de certa forma, diferenciava os jovens que estavam na oficina dos que estavam apenas na mocidade. A Arte Espírita, nesse contexto, estimulava uma espécie de autonomia e pensamento crítico a respeito da vida e de si, a partir do momento em que colocava em pauta, nas apresentações e nos estudos, assuntos48, em sua grande maioria, polêmicos, mas necessários para a juventude de uma forma geral.

Depois do Arte em Cena

Quando estimulado a refletir sobre a importância dessa experiência para sua formação, o Lucas se define como um “artista das belezas eternas”, cujo intuito de fazer a arte não está tanto fora de si – na apresentação, na técnica, no espectador –, mas dentro de cada espírito artista que tenta fazer da arte uma experiência de transformação de si (EMMANUEL, 1999).

Hoje, o Lucas vê a Arte Espírita como uma oportunidade de fazer com que a luz que ilumina, anima e revela qualquer manifestação artística, seja a luz que parte do criador, do artista, do espírito inspirado pela vontade divina.

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Essa foi uma pequena trajetória do meu envolvimento com arte e com o Arte em Cena e se fosse pra dizer mesmo assim o que isso importou na minha formação enquanto quem eu sou hoje, eu diria que toda a minha responsabilidade que adquiri, muitas das decisões que eu tomo são frutos dessa quebra de timidez que a arte me proporcionou. A arte sempre esteve na minha vida, embora muitas vezes eu tivesse, sem saber, renegado esse ofício. A arte está presente na minha vida até hoje, é algo muito importante, mas só hoje em dia que me vejo como artista das belezas eternas, como muito bem disse Emmanuel, me ajuda ndo a crescer enquanto espírito espírita e o que eu ca rrego pra mim é que a arte é um veículo bastante motivador de um ser mais evangelizado e como nos disse uma certa vez um espírito amigo, permite que os holofotes que iluminam o palco sejam as luzes que saem de dentro de nós.

4.1.4. A fonte da juventude - Allan Denizard