2.2. YaĢam Temelli Öğrenme
2.2.3. YaĢam Temelli Öğrenme ile Ġlgili Yapılan Proje ve Kurslar
Esse segundo estudo exploratório teve como objetivo principal fundamentar o planejamento da segunda fase da pesquisa. Em outras palavras, (re)pensar e (re)planejar qual seria a melhor forma/maneira de investigar o processo de aprendizagem na produção de projetos arquitetônicos. Ele foi importante, também, para ampliar o entendimento sobre o funcionamento da produção de projetos arquitetônicos, bem como para responder algumas questões/dúvidas que ainda pairavam em relação ao objeto da pesquisa: De quais etapas as pessoas em diferentes níveis participavam? Quais atividades desenvolviam? Quem repassava as atividades e a quem submetia o trabalho?
Este estudo exploratório foi realizado durante uma semana, no período da tarde22, no Escritório A, em agosto de 2012. Tratou-se da observação da prática cotidiana da produção de projetos. Esse escritório foi o escolhido para este estudo exploratório porque os diretores foram os mais disponíveis (solícitos) e os que demonstraram maior
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interesse nesta pesquisa. Além disso, foi o escritório que forneceu mais informações sobre seu sistema de gestão.
Para a observação da prática de produção de projetos nesse escritório, não me preocupei, inicialmente, em registrar tudo o que acontecia23, mesmo porque isso seria impossível. Meu foco naquele momento era saber se seria possível observar o processo e, principalmente, como eu faria isso: se somente observaria as pessoas trabalhando ou se seria necessário fazer perguntas. Senti-me naquele momento como um iniciante: de fato, eu era o “aprendiz dos meus mestres no campo” (VELHO, 2006). O foco da observação a priori era o cotidiano da estagiária. Mas, logo no primeiro dia, percebi que seria importante acompanhar outras pessoas por perceber que estavam, também, em um momento explícito de aprendizagem. Dessa forma, deixei que o campo de pesquisa, de certo modo, me orientasse neste sentido: o de perceber quais seriam as pessoas e as atividades que eu observaria.
No decorrer dos dias, estabeleci a estratégia de observar a pessoa que estava realizando a atividade (estagiária ou arquiteta trainee) e, em seguida, observar também quem lhe passava as tarefas, para que eu pudesse entender o que estava acontecendo de maneira geral. Assim, observei a estagiária e a arquiteta I, que estava lhe passando as tarefas; observei a arquiteta trainee e a arquiteta II, para quem ela estava realizando atividades. Além de observar, senti necessidade de conversar com ambas para melhor entender o que estavam fazendo. Conversei também com outras pessoas, como o gerente de projetos, o gerente administrativo-financeiro, responsável também pela área de gestão, e com o arquiteto III.
A maioria das atividades de produção de projetos arquitetônicos, nesse escritório, era realizada no computador, um trabalho quase solitário (pessoa-computador), por isso as explicações foram fundamentais para que eu entendesse o que estavam fazendo.
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Cabe aqui fazer um parêntese sobre essa questão da forma/maneira de trabalho, pessoa-computador, exercido atualmente pelo arquiteto. Arantes (2010, p. 104) faz o relato de como foi essa mudança, da utilização de ferramentas manuais e papel para o trabalho no computador:
Esse trabalho do ofício artesanal de preparação das pranchas para a obra era um pequeno canteiro de obras, uma experiência física com a matéria, de controle rigoroso dos movimentos do corpo e dos instrumentos de desenhos. Por ele passavam todos os arquitetos, com extensões e profundidades variáveis, e ocupando diferentes posições dentro dessa manufatura. Essa ‘coreografia’ de ritmos e gestos do desenho de arquitetura foi quase integralmente substituída pelo desenho em computador, que instaurou uma nova relação com o corpo do desenhista, menos elaborada e tortuosa e mais repetitiva: os inúmeros cliques no mouse e comandos de teclado no CAD.
A sala de produção de projetos de arquitetura não difere muito de outros escritórios que realizam atividades distintas, como escritórios de advocacia ou escritórios comerciais. Conforme afirma Arantes (2010, p. 110) sobre os escritórios de arquitetura, “os escritórios passaram por uma espécie de assepsia, com pranchetas quase sempre limpas e mesas povoadas de computadores”.
Foi possível, nesse curto período – uma semana – perceber, em parte, como os procedimentos estabelecidos no sistema de gestão de projetos acontecem no dia a dia, na prática, por exemplo, na utilização dos controles de projeto, como “diário de projetos” e checklists24.
Naquela semana, o Escritório A estava sendo auditado para recertificação da ISO 9001, e, apesar da auditoria, as pessoas estavam, aparentemente, trabalhando normalmente. Na conversa com uma das arquitetas, porém, ela disse que estava interrompendo as atividades de um projeto para atualizar os diários de outros projetos por causa da auditoria, a pedido da gerência. Fora esse episódio, não percebi nenhuma ação/atividade específica para atender ao processo de auditoria.
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Maiores detalhes sobre esses controles de projeto no item 2.3 – Gestão de projetos: “alguns eu cumpro, outros incorporo”.
No último dia de observação nesse escritório, o auditor chegou à sala de produção e disse que queria fazer uma reunião com todos. Ele iniciou a conversa dizendo que a equipe estava de parabéns, que deixou o relatório com a gerente, que os processos relacionados à gestão estavam bem consolidados, que o pessoal era capacitado para realizar as atividades e finalizou a reunião declarando que recomendava a empresa para um novo ciclo de recertificação. Todos bateram palmas, inclusive eu. Ele se despediu e foi embora. Assim que ele saiu, todos voltaram ao trabalho, cada um no seu canto.
Uma das principais contribuições deste estudo foi mostrar que seria viável a observação da prática de produção de projetos, que até aquele momento ainda era uma questão que gerava dúvida como processo metodológico. Ao mesmo tempo em que se mostrou ser um método exequível para a pesquisa, ficou claro que seria necessário maior tempo de permanência no campo.