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Yönerge’de Tüketici Hakları ve Hakların Kullanılmasının Tabi Olduğu Süreler Olduğu Süreler

C. VİYANA SATIM SÖZLEŞMESİNDE

IV. Yönerge’de Tüketici Hakları ve Hakların Kullanılmasının Tabi Olduğu Süreler Olduğu Süreler

Um (p. 13-14)

– Suas meias estão cain- do.

– Ou enforcam os joelhos ou ficam desabando. Olha aí. No começo, este elástico aper- tava de deixar a perna roxa. – Mas que idéia, querida, usar meia com este calor. E sa- patões de alpinista, por que não calçou a sandália? Aquela mar- rom combina com a sacola. – Hoje tenho que camelar o dia inteiro, putz. E sem meia dá bolha no pé.

Provavelmente nas solas.

Le ragazze

Uno (p. 163)

– Le tue calze stanno sci- volando.

– O stringono troppo le gi- nocchia o scivolano. Ecco, ve- di? All’inizio questi elastici stringevano fino a farmi venire le gambe viola.

– Ma che idea, tesoro, mettersi le calze con questo cal- do. E gli scarponi da alpinista, perché non ti sei messa i sanda- li? Quelli marroni stanno bene con lo zaino.

– Oggi devo sgambettare tutto il giorno, cavolo. E senza

Ragazze

Uno (p. 13-14)

– Le tue calze stanno ca- dendo.

– O si reggono sulle gi- nocchia o precipitano. Guarda. All’inizio l’elastico stringeva che lasciava la gamba viola. – Ma che idea, cara, met- tersi le calze con questo caldo. E scarponi da alpinista, perché non ti sei messa i sandali? Quelli marroni stanno bene con la borsa.

– Oggi devo trottare tutto il giorno, accidenti. E senza calze mi vengono le vesciche

Cafonérrimo. Pior do que bo- lhas só os tais joanetes da Irmã Bula. Joanete deve vir de Joa- na, houve uma antiga Joana com os primeiros pés deforma- dos e os netos herdaram a de- formação e viraram os joane- tos. Ai meu Pai. Primavera, eu apaixonada e Lião falando em bolha no pé.

– Tenho umas meias tão bacanas, ainda nem usei, quer ir com elas?

– Só se forem francesas, entende.

– São suíças, minha que- ridinha.

– Não gosto da Suíça, é limpa demais.

E nem vão servir, imagi- ne, ela deve calçar quarenta. Que idéia usar meias que en- grossam os tornozelos, a coita- dinha está com patas de ele- fante. Ainda assim, emagreceu, subversão emagrece.

– Lião, Lião, ando tão apaixonada. Se M.N. não tele- fonar, me mato.

Estou demais aperreada para ficar ouvindo sentimentos lore- nenses, ô! Miguel, como preci- so de você. Falo baixo mas de- vo estar botando fogo pelo na- riz.

– Lena, escuta, eu não es- tou brincando.

– E eu estou? Por que es- sa pressa? Suba, venha ouvir o último disco de Jimi Hendrix, faço um chá, tenho uns biscoi- tos maravilhosos.

– Ingleses? – pergunto. – Prefiro nossos biscoitos e nossa música. Chega de colonialismo cultural.

– Mas nossa música não me comove, querida. Se os seus baianos dizem que estão desesperados, acredito, acho ó- timo. Mas se vem John Lennon e diz a mesma coisa, então vi- bro, fico mística. Sou mística. – Você é fresca. – Fresca, Lião? Você disse fresca – repete ela.

calze vengono le vesciche ai piedi.

Probabilmente sui talloni. Troppo cafone. Peggio delle ve- sciche ci sono solo le cipolle ai piedi di Suor Bula. Oh mio Dio. Primavera, io innamorata e Lião che parla di vesciche ai piedi. – Ho delle calze davvero carine, non le ho ancora usate, le vuoi mettere?

– Solo se sono francesi, capisci.

– Sono svizzere, tesoruc- cio mio.

– Non mi piace la Svizze- ra, è troppo pulita.

E neppure le starebbero, figuriamoci, porterà il quarantu- no. Ma che idea mettersi delle calze che ingrossano le caviglie, poverina, ha i piedi che sembra- no delle zampe di elefante. Tut- tavia è dimagrita, la sovversione fa dimagrire.

– Lião, Lião, sono così in- namorata. Se M.N. non chiame- rà, mi ammazzo.

Sono troppo scocciata per stare ad ascoltare i sentimenti lore- nensi, oh Miguel, come ho biso- gno di te. Bisbiglio ma starò vo- mitando fuoco dalle narici. – Lena, ascolta, io non sto scherzando.

– E io sì? Perché tutta que- sta fretta? Vieni su, vieni ad as- coltare l’ultimo disco di Jimi Hendrix, faccio un tè, ho dei bi- scotti meravigliosi.

– Inglesi? – chiedo. – Pre- ferisco i nostri biscotti e la no- stra musica. Basta con il colo- nialismo culturale.

– Ma la nostra musica non mi commuove, tesoro. Se i tuoi baianos dicono che sono dispe- rati, io ci credo, va benissimo. Ma se arriva John Lennon e dice la stessa cosa, allora mi esalto, divento mistica. Io sono mistica. – Tu sei schizzinosa. – Schizzinosa, Lião? Hai detto schizzinosa – ripete.

sui piedi.

Probabilmente sulla pian- ta. Cafonissimo. Peggio delle bolle solo gli occhi di pernice di Sorella Bula. Occhio di per- nice, dev’essere così perché qualcuno una volta ha inciam- pato su una pernice e gli è ri- masto il segno. Oh padre mio. Primavera, io innamorata e Lião a parlare di vesciche sui piedi.

– Ho delle calze bellis- sime, non le ho ancora usate, le vuoi prendere tu?

– Solo se sono francesi, ok?

– Sono svizzere, carina. – Non mi piace la Svizze- ra, è troppo pulita.

E non le staranno nean- che bene, deve avere quaranta di piede. Che idea, mettersi cal- ze che ingrossano le caviglie, poveretta, sembra che abbia zampe di elefante. Però è dima- grita, la sovversione fa dima- grire.

– Lião, Lião, sono così innamorata. Se M.N. non tele- fona, mi ammazzo.

Sono troppo stordita per restare a sentire sentimenti lorenensi, oh Miguel, quanto ho bisogno di te. Parlo piano ma devo ave- re le fiamme che mi escono dal naso.

– Lena, ascolta, io non sto scherzando.

– E io? Perché questa fretta? Sali, vieni a sentire l’ul- timo disco di Jimi Hendrix, faccio un tè, ho dei biscotti me- ravigliosi.

– Inglesi? – domando. – Preferisco i nostri biscotti e la nostra musica. Basta coloniali- smo culturale.

– Ma la nostra musica non mi commuove, cara. Se i tuoi baiani dicono che sono di- sperati, ci credo, è il massimo. Ma se viene John Lennon e dice la stessa cosa, allora vibro, divento mistica. Sono mistica. – Tu sei insensibile. – Insensibile, Lião? Hai detto insensibile – ripete lei.

Já no primeiro capítulo do romance, portanto, o leitor depara-se com uma mudança da voz narrativa – nesse caso, como no anterior, de um narrador homodiegético a outro também homodiegético – sem qualquer indício aparente, visto que os espaços em branco, que separam os segmentos narrativos, não são usados apenas para representar a mudança de narrador. Não há um narrador heterodiegético que intercale as duas vozes, ao contrário, a mudança de perspectiva se dá de forma silenciosa, surpreendendo o leitor.

Num primeiro momento, essa passagem da voz narrativa fica ainda menos evidente na tradução. O texto em português apresenta, logo na primeira frase, uma expressão tipicamente nordestina: aperreada – que acompanhada do advérbio demais ganha uma entonação ainda mais próxima do sotaque nordestino. Conseqüentemente, embora a mudança de voz surja de forma sorrateira, o leitor brasileiro, ao identificar a expressão típica da fala nordestina, logo reconhece nela a voz de Lia. Essa identificação, evidentemente, não ocorre nas traduções, pois ao perder-se a conotação geográfica e cultural, perde-se também a possibilidade de uma imediata identificação da voz narrativa, ou melhor, perde-se a acentuação dessa voz. A partir desse exemplo, observa- se que a questão lexical também gera impasses na tradução, como ressalta Rega:

È comunque un fatto che anche la dimensione lessicale lato sensu presenta notevoli difficoltà per il traduttore, in particolare per quello letterario: e questo già solo perché si tratta del livello in cui i problemi sono quantitativamente più numerosi. In altre parole, la strategia traduttiva che si sceglie in riferimento al momento stilistico-sintattico rimane in generale più omogenea per tutta la durata del testo; per contro, il livello lessicale propone in continuazione una serie ininterrotta di problemi di difficile sistematizzazione, in quanto le soluzioni che si propongono nella dimensione lessicale sono in linea di massima ancora più numerose di quelle che si offrono a livello sintattico: e di tale circostanza è prova anche il fatto che si tratta dei problemi in generale più discussi nel momento in cui si affronta il problema della traduzione e del tradurre in un’ottica sia teorica sia pratica. Si ritiene che ciò sia dovuto [...] alla densità semantica che investe la parola in sé, densità che è certamente il risultato di tutta una serie di rapporti endo- ed extratestuali, ma che impone comunque una propria, fortissima presenza al destinatario del messaggio.112 (2001, p. 153)

112 [É de qualquer forma um fato que a dimensão lexical lato sensu também apresenta dificuldades

notáveis para o tradutor, sobretudo para aquele literário: e isso simplesmente porque já se trata do nível em que os problemas são quantitativamente mais numerosos. Em outras palavras, a estratégia tradutiva que se escolhe em relação ao momento estilístico-sintático permanece em geral mais homogênea por toda a duração do texto; diferentemente, o nível lexical propõe continuamente uma série ininterrupta de problemas de difícil sistematização, enquanto que as soluções que se propõem na dimensão lexical são geralmente ainda mais numerosas que aquelas que se oferecem a nível sintático: e de tal circunstância é também prova o fato de que se trata dos problemas em geral mais discutidos no momento em que se enfrenta o problema da tradução e do traduzir numa ótica seja teórica seja prática. Considera-se que isso se deva [...] à densidade semântica que investe a palavra em si, densidade que é certamente o resultato de toda uma série de relações endo- e extratextuais, mas que impõem mesmo assim uma própria e fortíssima presença ao destinatário da mensagem.]

Esse é o caso do trecho apresentado, no qual a palavra usada por Lia é intrínseca a um contexto cultural que não pode ser reproduzido na tradução. Encontrar na língua italiana uma palavra típica, por exemplo, da fala dos meridionais – por se tratar de um caso análogo ao dos nordestinos no que diz respeito à emigração –, seria afastar ainda mais a narrativa do seu contexto de origem. Por isso, a melhor saída encontrada – e nota-se que ambas traduções parecem concordar nesse ponto – era a escolha por uma palavra equivalente embora sem o referente cultural, o que implicava numa perda do acento de Lia. Tal solução influencia indiretamente na transição entre as vozes, não chegando, porém, a causar grande alteração no texto.

Esse fragmento representa o primeiro momento do romance no qual ocorre uma transição da voz narrativa entre dois segmentos, coincidindo também com a primeira passagem de uma narração homodiegética a outra também homodiegética. Assim sendo, é natural que tanto no texto em português quanto nas traduções a mudança de voz cause maior surpresa e seja sentida de forma mais abrupta que na transição entre dois capítulos.

Nota-se, contudo, que se as traduções coincidem nesse aspecto, divergem em relação ao estilo de linguagem das personagens. É o que ocorre, por exemplo, na tradução de uma das expressões recorrentes no discurso de Lorena, ou seja, querida. Considerando que a jovem também utiliza o diminutivo (queridinha), optei pela dupla

tesoro/tesoruccio; já Pesante, numa tradução um pouco mais literal, optou por cara/carina. As soluções empregadas, portanto, não são tão divergentes; trata-se de uma

escolha mais estilística que lingüística.

O mesmo ocorre na tradução de putz, expressão que caracteriza a voz de Lia – como já se disse anteriormente113, por essa razão, a melhor alternativa parecia ser a escolha de um termo italiano que pudesse ser repetido cada vez que a personagem recorresse à palavra. Efetivamente, ambas traduções adotam tal solução, divergindo apenas na escolha do vocábulo em língua italiana: Pesante opta por accidenti enquanto eu opto por cavolo. A expressão freqüentemente usada por Lia – e que caracteriza a gíria dos jovens principalmente nos anos Setenta e Oitenta –, embora não conste nos principais dicionários da língua portuguesa (como o Aurélio ou o Houaiss), tem sua origem provavelmente na criação de um eufemismo para puta. Considerando tal fato, optei por uma palavra do italiano (cavolo) que, apesar de não ter o significado literal de

putz, é usada nos mesmos contextos e também se constitui num eufemismo (para cazzo).

Outro diferencial da linguagem de Lia é a repetição de entende. Dada a oralidade do termo e a grande freqüência com que é utilizado, procurei encontrar uma tradução que se adequasse a todos ou pelo menos à maioria dos contextos nos quais a personagem recorre à palavra. Assim, optei por capisci que, como se vê, não coincide com a solução empregada pelo tradutor italiano (ok). Cabe observar, entretanto, que Pesante adota diferentes traduções (além de ok, ele também utiliza capisci, capito, etc.) para o mesmo termo, dependendo do contexto no qual é pronunciado por Lia.

Há outros momentos, nesse mesmo fragmento do romance, nos quais as traduções divergem nas escolhas lingüísticas e estilísticas: é o caso das soluções empregadas para bacana, mais uma das expressões recorrentes, que traduzo sempre como carino/a e Pesante, mais uma vez, faz a escolha de acordo com o contexto (bellissime nesse trecho). Já na tradução de fresca, as escolhas divergem bem mais, de fato, schizzinosa e insensibile têm sentidos muito diferentes.

Todavia, o ponto mais divergente entre as duas traduções no trecho apresentado diz respeito à joanete, ou melhor, à frase “joanete deve vir de Joana, houve uma antiga Joana com os primeiros pés deformados e os netos herdaram a deformação e viraram os joanetos”. A diferença lingüística impedia uma tradução que aludisse a três coisas simultaneamente: ao nome próprio, aos “netos” e à joanete. Assim, nesse caso, duas opções eram possíveis: ou a adaptação, ou a supressão da frase. Levando em consideração que para adaptar a frase seria preciso mudar todo o seu sentido, alterando radicalmente o trecho, optei pela supressão. Pesante, diferentemente, ao traduzir joanete por occhi di pernice, conseguiu uma interessante adaptação para a frase seguinte (“occhio di pernice, dev’essere così perché qualcuno una volta ha inciampato su una pernice e gli è rimasto il segno”), ainda que alterando o sentido da frase em português. É evidente que tanto num caso quanto no outro o texto foi alterado, sendo que tal alteração fica invisível aos olhos do leitor. No entanto, por mais que se almejasse a fidelidade ao texto, a diferença lingüística entre o português e o italiano não deixava outras saídas possíveis para a tradução desse fragmento.

Voltando, porém, à questão da voz narrativa e da transição entre dois segmentos narrativos, observamos que num trecho mais adiante do romance, quando a voz volta a ser assumida por Lorena, a mudança ocorre de forma mais ambígua que nos casos anteriores:

Cotejo 3: Mudança da voz narrativa entre dois segmentos As meninas

Um (p. 15-16)

– Lorena, me empresta um lenço, estou resfriada – di- go e tenho vontade de esfregar esta cara molhada de lágrimas. Mas que lenço? Não quero len- ço, quero o carro. – Quero o carro, Lorena. Posso contar com você?

– Tenho branco, rosa, azul e verde-malva. Ah, e um turquesa, olha que lindo este turquesa. Então, Lia de Melo Schultz, que cor a senhora pre- fere?

Fico olhando a caixa de lenços que ela foi buscar. Guarda tudo em caixinhas de pano florido, essa é de papou- las vermelhas e azuis com fun- do preto. Tem ainda as de prata e couro que ficam nas pratelei- ras da estante. E sinos. Por on- de o irmão passa, manda um si- no. Outros colecionam selos, um outro coleciona gravatas e lá adiante um entra na fila de cinema. Maurício aperta os dentes que se quebram. Não quer gritar e então aperta os dentes quando o bastão elétrico afunda lá no fundo. No dese- nho animado, o gato leva um trompaço e dentes e ossos se trincam. Mas na cena seguinte já se colam e o gato volta intei- ro. Seria bom se fosse como nos desenhos, Silvinha da Flauta. Gigi. Japona. E você, Maurício? Quando o bastão en- trar mais fundo, desmaia. Des- maia depressa, morra. Devía- mos morrer, Miguel. Em sinal de protesto devíamos todos simplesmente morrer. “Morre- ríamos se adiantasse”, você disse. Lembra? Eu sei, nin- guém daria a mínima. Arranca- ríamos o coração do peito, olha aqui meu sangue, olha aqui meu coração! Mas tem um tipo ao lado engraxando os sapatos, que cor de graxa o cavalheiro prefere?

– O verde.

Le ragazze

Uno (p. 164)

– Lorena, prestami un fazzoletto, sono raffreddata – dico e ho voglia di sfregare questa faccia bagnata di lacri- me. Macché fazzoletto! Non voglio il fazzoletto, voglio la macchina. – Voglio la macchi- na, Lorena. Posso contare su di te?

– Ne ho uno bianco, rosa, azzurro e verde malva. Ah, e uno turchese, guarda che bello questo turchese. Allora, Lia de Melo Schultz, che colore pre- ferisce?

Guardo la scatola di fazzo- letti che è andata a prendere. Conserva tutto in scatolette di stoffa a fiori, questa è di papa- veri rossi e azzurri con lo sfon- do nero. Ci sono anche quelle d’argento e pelle che sono sui ripiani dello scaffale. E campa- ne. Dovunque vada il fratello, le manda una campana. Altri col- lezionano francobolli, un altro colleziona cravatte e dall’altra parte uno fa la coda per il cine- ma. Maurício stringe i denti che si rompono. Non vuole gridare e allora stringe i denti quando il bastone elettrico affonda fino in fondo. Nei cartoni animati il gatto si prende una botta e i denti e le ossa si spezzano. Ma nella scena che segue si incolla- no subito e il gatto ritorna inte- ro. Sarebbe bello se fosse come nei cartoni, Silvinha da Flauta. Gigi. Japona. E tu, Maurício? Quando il bastone entrerà più in fondo, svieni! Svieni subito, muori. Dovremmo morire, Mi- guel. In segno di protesta do- vremmo tutti semplicemente morire. “Moriremmo se servis- se”, avevi detto. Ti ricordi? Lo so, nessuno se ne importerebbe. Strapperemmo il cuore dal pet- to, ecco il mio sangue, ecco il mio cuore! Ma c’è un tizio ac- canto che lucida le scarpe, che colore il gentiluomo preferisce?

– Il verde.

Ragazze

Uno (p. 15-16)

– Lorena, prestami un fazzoletto, sono raffreddata – dico e mi viene voglia di sfre- gare questa faccia bagnata di lacrime. Ma che fazzoletto? Non voglio fazzoletti, voglio la macchina. – Voglio la macchi- na, Lorena. Posso contare su di te?

– Ce l’ho bianco, rosa, azzurro e verde malva. Ah e u- no turchese, guarda che bello questo turchese. Allora, Lia de Melo Schultz, che colore pre- ferisce?

Resto a guardare la scato- la di fazzoletti che lei era anda- ta a prendere. Conserva tutto in scatolette di panno fiorito, que- sta è con i papaveri rossi e blu su fondo nero. Ci sono ancora quelle d’argento e cuoio sugli scaffali della libreria. E campa- nelli. Da dovunque il fratello passi, manda un campanello. Alcuni collezionano francobol- li, altri collezionano cravatte e lì davanti uno entra nella fila del cinema. Maurício stringe i denti che si spezzano. Non vuole gridare e allora stringe i denti quando il bastone elettri- co affonda là in fondo. Nel car- tone animato, il gatto prende u- na botta e i denti e le ossa si rompono in pezzettini. Ma nel- la scena dopo si rincollano e il gatto ritorna intero. Sarebbe bello se fosse come nei cartoni, Silvinha da Flauta. Gigi. Japo- na. E tu, Maurício? Quando il bastone entra più a fondo, svie- ni. Svieni rapidamente, muori. Dovremmo morire, Miguel. In segno di protesta dovremmo tutti semplicemente morire. «Moriremmo se servisse», hai detto. Ti ricordi? Lo so, non gliene fregherebbe niente a nessuno. Ci strapperemmo il cuore dal petto, guarda qua il mio sangue, guarda qua il mio cuore! Ma c’è un tipo di fianco a farsi lustrare le scarpe, che colore di lucido preferisce si- gnore?

Tiro da caixa o verde- malva que está em terceiro lu- gar na pilha. Tão delicados os lencinhos que Remo mandou de Istambul, adeus meu lenci- nho. Lião é capaz de limpar os sapatões em você mas pense no

lf dos lenços: a poeira é tão

digna quanto as lágrimas.

Prendo dalla scatola il ver- de malva che sta al terzo posto