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Vergi Politikası Uygulamalarında KarĢılaĢılan Problemler

BÖLÜM 1: VERGĠ POLĠTĠKALARI, EKONOMĠK BÜYÜME ve GELĠR DAĞILIMI KURAMSAL AÇIKLAMALARI GELĠR DAĞILIMI KURAMSAL AÇIKLAMALARI

1.1. Vergi Politikasına ĠliĢkin Açıklamalar

1.1.4. Vergi Politikası Uygulamalarında KarĢılaĢılan Problemler

As crianças fizeram algumas imagens fotográficas de certos locais da escola e ao falarem sobre essas fotos, relataram suas experiências vivenciadas nesses lugares e um pouco do funcionamento dessa instituição.

Uma das crianças que fotografaram o corredor da escola afirmou que gosta desse local, porque nele elas podem correr e fazer o que quiserem, diferente do comportamento que exigem delas dentro da sala ou do refeitório. Ela acrescentou que é um lugar em que eles podem correr porque “é grandão”.

Foto 1: Corredor - Flávia

A foto número dois, também mostra o corredor, mas de um outro ângulo. Matheus Henrique salientou que desejava tirar uma foto da porta da sala de sua turma:

“Porque ele entrou na frente e eu queria tirar lá da classe, desde lá da classe, daí não deu

para tirar, direto. Queria tirar da porta da classe, mas não deu”. Afirmou ainda que desejava

tirar uma foto da porta da sala porque lá “é legal”. Quando questionado sobre o motivo de ser legal, disse: “Brincar de massinha, de (pausa), de pecinha (brinquedos plástico com encaixes

Ao afirmar que na sala é um lugar bom e gostoso, Mateus apontou com muita clareza quais são as atividades ‘legais’ que ali são desenvolvidas: brincadeiras com massinhas de modelar e peças de montar.

Foto 2: Corredor - Matheus Henrique

A foto número três, tirada por Bruna, também mostra o corredor da escola e um de seus colegas, o Matheus Vinícius.

Num primeiro momento, quando questionada sobre o motivo de ter reproduzido essa imagem, Bruna ficou em silêncio, como se estivesse pensando. Depois de algum tempo ela falou que na fotografia apareceu o “Matheuzinho”. Ao ser indagada se ela gostou de ter fotografado o Matheus e se ele era um bom colega, rapidamente ela respondeu:

“Eu não gosto, eu gosto por amigo, não é nada demais”. No momento da conversa aparentou

que ela ficou chateada de ter feito uma foto em que apareceu o amigo, pois talvez sua intenção inicial era fotografar a escola ou tenha se sentido mal por fotografar um menino. Dando continuidade à conversa, comentei e perguntei: Ah, é como amigo, foi isso que eu perguntei. Por quê? Você gosta de algum colega, que é mais que um amigo? Bruna demonstrou certa agitação e respondeu que não com um tom de voz como se estivesse gritando.

Na foto abaixo (número quatro), Flávia retrata uma imagem que mostra o gramado, na lateral da escola.

Ao falar sobre a imagem produzida, Flávia afirmou ter tirado essa fotografia porque ficaria bonita com as flores enfeitando a lateral da escola que fica próxima ao corredor. Tamires, uma outra criança da sala que passou a olhar as fotos juntamente com Flávia, comentou que na grama eles não podiam brincar para não estragarem as flores. Flávia a corrigiu, dizendo: “Pode. Só pode naquela que tem ali dois homens” (apontou para o gramado fotografado, no qual havia dois homens que trabalhavam como vigilantes da escola). Flávia confirmou que nas outras não podia pisar para não estragar as flores que a diretora da escola mandou o jardineiro plantar.

Assim, nessas falas as meninas repetem as ordens que recebem dos adultos quanto ao uso dos espaços. A produção de fotografias e, principalmente, as entrevistas sobre essas imagens acabaram fornecendo algumas informações sobre a escola ou sobre como as crianças viam a escola, que em outras ocasiões dificilmente apareceriam.

A foto número cinco foi produzida por Matheus Vinícius e mostra um dos portões da escola.

Ao ser questionado sobre o motivo de ter escolhido essa imagem para fotografar, Matheus Vinícius respondeu: “Porque eu gostei” ... “Porque eu quero”. Aliston, um colega de sala, comentou que “tem dois lugares de ir embora”.

O espaço do parque e do tanque de areia foi um dos locais mais fotografados. Das cinco crianças que produziram fotos para este estudo, três ou possivelmente quatro fizeram imagens desse lugar116.

A foto número seis, feita por Bruna, retrata alguns de seus colegas brincando no parque. Ao dizer o motivo pelo qual havia feito essa foto, ela afirmou: “Porque ele é o

nosso prêmio”. Em seguida, quando questionada sobre por que era prêmio, Bruna respondeu

que foi a professora que havia falado que o parque era prêmio e acrescentou: “Porque nós só

vamos no parque quando faz tudo certo”, referindo-se à lição.

Foto 6: Crianças no parque - Bruna

116

É possível supor que quatro crianças fizeram fotos do parque, pois tenho anotado no caderno de campo alguns dos locais fotografados e nele consta que Matheus Vinícius esteve com a máquina ao lado do parque, tentando enquadrar uma ou mais imagens. Uma outra evidência foi que no dia das entrevistas, mostrando as fotos reveladas, ele perguntou se não estavam faltando fotos e mencionou: aquela do parque e do corredor. No filme utilizado por Matheus, três fotos não puderam ser reveladas por excesso de luminosidade, possivelmente uma ou mais retratavam alguma imagem do parque.

Bruna demonstrando ter conhecimento sobre a rotina de atividades da escola, pois mencionou o que as crianças fazem quando não vão ao parque: “Faz lição e depois

brinca de massinha e de pecinha” (brinquedos plásticos de montar).

Na fala de Bruna sobre o parque como um prêmio é possível perceber que as crianças já aprenderam as regras disciplinares impostas pela escola, elas já entenderam a necessidade de se submeterem a um processo de escolarização precoce, cumprindo as tarefas obrigatórias, para que possam ter a oportunidade de se divertir no espaço externo da sala.

Idéias semelhantes perpassam as falas abaixo referentes a outras fotos que retratam o parque da escola. Ao ouvir sobre os espaços fotografados é possível dizer que algumas falas das crianças parecem se referir a uma prisão, onde o melhor local é o pátio.

Na foto número sete, Matheus Henrique retratou uma cena com algumas crianças brincando no parque. Comentou que gosta do parque e que este é um lugar para se divertirem.

A foto número oito, também produzida por Matheus Henrique, mostra o parque por um outro ângulo e na conversa sobre essa imagem ele complementou a sua fala anterior, dizendo ser esse um local em que eles, as crianças, podem conversar.

Foto 8: Parque - Matheus Henrique

Ao falar sobre a foto número nove, Matheus Henrique apenas disse que tirou essa foto porque ele gostou.

Flávia também fez uma foto em que apareceu o parque (foto número 10). Ela comentou que gosta de ir a esse local e que “o parque é legal para brincar”. Ainda conversando sobre a foto, Flávia afirmou que uma das mulheres que aparecem na imagem tinha sido sua professora quando ela freqüentava a sala de crianças com quatro anos de idade, e acrescentou: “ela era muito brava”.

Foto 10: Parque e professoras - Flávia

Ao falar sobre o que significa ser brava, Flavia fala sobre a necessidade que eles tinham de ficar quietos na sala, fazer atividades sentados nas cadeirinhas e sem conversar alto, mostrando novamente o caráter disciplinar da escola.

Na foto seguinte (número 11), tirada também por Flávia, aparece a passarela da escola. Ela se surpreendeu com a imagem de um menino na extremidade esquerda da foto e comentou com Tamires: “Você se lembra quando aqueles moleques corriam atrás de nós”.

Foto 11: Merendeira - Flávia

A fotógrafa nos revelou que desejava registrar a merendeira, que apareceu em segundo plano, no lado direito da fotografia. Quando questionada sobre o motivo de fotografar a merendeira, as meninas falaram que ela dá comida, que fica de braços cruzados andando pelo corredor e olhando as crianças enquanto as professoras tomam café, que é

“boazinha e legal”.

Flávia afirmou que gostou “só da metade” dessa fotografia, na qual apareceu a merendeira.

Nas fotos em que aparecem imagens dos espaços da escola, as crianças tecem vários comentários que nos revelam como elas entendem o funcionamento dessa instituição e alguns breves comentários sobre as características das profissionais que atuam nessa escola de educação infantil. Falam também das ordens que recebem e que necessitam acatar para não serem repreendidas, quais as atitudes e os comportamentos que são considerados adequados para os diferentes espaços, quais os espaços e tempos que podem utilizar para se divertirem e sobre as relações que estabelecem com as outras crianças e com os adultos (professoras, merendeira e diretora).

As falas mostram que as crianças já aprenderam perfeitamente quais são as regras às quais devem obedecer na escola. Elas já assimilaram as várias normas do processo de disciplinarização ao qual estão submetidas.

Ao fotografarem os espaços dessa escola as crianças mostram que a escola tem grades, muros e alguns portões ‘fechados’. Nas falas elas também indicam que os espaços externos às salas também são fechados porque estão circundados pelas grades e portões. Elas mostram que a escola é uma instituição fechada, pois percebem que a ‘escola está fechada’117. Ao fotografar mais o mundo de fora (parque, corredores e gramados), elas anunciam que o fora, por mais dentro que seja porque é murado, tem grades e portões trancados, é o preferido, e não a sala (o mais dentro).