I. BÖLÜM
2. BANKALARIN HAK VE ÖDEVLERİ
3.1. TASARRUF MEVDUATI SİGORTA PRİMLERİ
Segundo alguns historiadores, séculos de dominação moura e relação com outras civilizações facilitaram o contato entre os colonos portugueses e os indígenas brasileiros. Todavia, isso não impediu que os nativos fossem dizimados pela ação colonizadora.
Estima-se que, em 1500, existiam de 1 milhão a 3 milhões de indígenas no Brasil. Em cinco séculos, a população indígena reduz-se aos atuais 270 mil índios, o que representa 0,02% da população brasileira, segundo dados da FUNAI. São encontrados em quase todo o país, mas a concentração maior é nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio). Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha. Na Carta de
Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha. As tribos indígenas possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas. O contato entre as tribos acontecia em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum.
De acordo com Castro (2005)23:
”Se comparado à colonização espanhola e à inglesa, a portuguesa foi marcada por uma maior reciprocidade cultural; ocorreu aqui um processo de degradação de cultura mais sutil e mais lento que em outras partes da América.
Por um lado, o índio desempenhou no Brasil papel de sujeito, transformando a cultura da colônia: através do homem indígena foi possível o devastamento e conquista dos sertões e a defesa da colônia; a mulher indígena divulgou vários processos e conhecimentos agrícolas, de alimentos e de saúde; do menino indígena, que inverteu o processo civilizador ao educar os pais, vieram elementos morais indígenas combinados já ao conhecimento da língua do dominador e de seus costumes. Ainda subsiste em nossa dieta, vida íntima, costumes, influência do fetichismo, totemismo, dos tabus ameríndios.
Por outro lado, o índio também sofreu extermínio e degradação; a religião católica e a língua tiveram papel deculturador; o contato com o português dissolveu a cultura indígena; jesuítas e colonos foram responsáveis por despovoamento, degeneração e degradação das populações indígenas, vitimadas por mortes, doenças, maus tratos – a escravidão.” (CASTRO, 2005, p. 1) Ao chegarem ao Brasil, os colonizadores europeus, julgando-se portadores de uma superioridade técnica e cultural, passaram a repudiar e a subjugar os demais povos que não se enquadravam no seu modelo cultural: humanos/brancos, civilizados/europeus e cristãos/católicos. A partir desta referência, os índios, conforme nos relata Moura (2002)24:
“foram considerados: animais / não-brancos, selvagens / bárbaros e pagãos/hereges. A colonização vai consolidando-se a partir desse sentimento de superioridade em relação, não só aos povos indígenas, mas a outros povos vistos como diferentes do padrão europeu. A ordem era domesticá-los, catequizá-los e civilizá-los. Um dos primeiros instrumentos eficazes para
23CASTRO, Nil. O clássico dos clássicos. Artigo publicado em 14/08/2005, disponível na internet em
http://www.poppycorn.com.br/artigo.php?tid=918, acessado em outubro de 2008.
24 MOURA, Marlene Castro Ossami de. Discriminação Estrutural, Institucional e Sistêmica - Povos
Indígenas. Anais de Seminários Regionais Preparatórios para Conferência Mundial contra o Racismo, discriminação, xenofobia e intolerância correlata, Brasília, v. 1, p. 221-252, 2001
a transfiguração dos indígenas foi o projeto de catequese, discutido e elaborado ainda em Portugal, e executado no bojo do projeto colonial. Desta forma, as relações que foram estabelecidas entre europeus e indígenas - quer no âmbito político ou no religioso - foram baseadas nas relações de dominação-sujeição.” (MOURA, 2002, p.2)
Na opinião de Caio Prado Júnior, citado por Moreira (2007, p. 33)25, a ação missionária desenvolvida pelos jesuítas junto aos índios, não serviu ao propósito de solucionar o conflito de interesses existente na época entre moradores e administração portuguesa. Na verdade, tornou a situação ainda mais complexa, pois as missões religiosas não eram simples instrumentos da colonização. Ao contrário, tinham objetivos próprios, como a propagação da fé e a defesa dos interesses da Igreja e de suas respectivas ordens e, por isso mesmo, freqüentemente entravam em conflito com os anseios escravistas dos colonos ou com os interesses da metrópole Em outras palavras, as “reduções” ou “aldeamentos” indígenas funcionavam à base de um sistema de segregação que interditava não apenas a plena escravização do índio pelo colono, mas também a sua utilização eficiente na obra da colonização da América portuguesa, de acordo com os objetivos da metrópole. Dessa forma, uma nova estratégia surgiu: a vinda de escravos africanos.
As primeiras décadas de colonização possibilitaram uma rica fusão entre a cultura dos europeus e a dos indígenas, dando margem à formação de elementos como a Língua Geral, que influenciou o português falado no Brasil, e diversos aspectos da cultura indígena herdadas pela atual civilização brasileira.
O índio, embora figure na história atual como elemento formador de nossa cultura mestiça, simboliza o “primitivo”, o “outro”. Mesmo fazendo parte da nossa história, são um povo sem voz e direitos em nossa sociedade. Todavia, é indubitável a influência da cultura indígena, sua importância para construção de nosso país.
Esse processo inicia-se na época da colônia com a necessidade de o colonizador português aproveitar os conhecimentos dos indígenas para vencer as dificuldades impostas pelo novo mundo. Assim, durante um longo período, o
25MOREIRA, Vânia Maria Losada. O Índio e a “Formação do Brasil Contemporâneo”. Artigo publicado
na Revista Universidade Rural: Série Ciências Humanas, Seropédica, RJ: EDUR, v. 29, n 2, p. 26-40, jul.-dez., 2007., disponível na internet em < http://www.editora.ufrrj.br/rch/rch29n2/26-40.pdf>
colonizador apropriou-se do idioma: o tupi foi a língua utilizada em terras brasileiras ao lado do português e do latim.
A herança cultural indígena é bastante significativa. Quando falamos em alimentos temos: mandioca, milho, palmito e guaraná. Objetos em geral: rede, jangada, canoa e instrumentos musicais. Alguns hábitos indígenas também foram incorporados pela nossa sociedade, como o uso do tabaco, o banho diário e o pouco uso de roupas. Os trabalhos envolvendo cerâmica também é uma cultura indígena, e sem falar no vocabulário. Temos vários exemplos de palavras de origem indígena. São elas: Curitiba, Piauí, mandioca, caju, jacaré, sabiá, tatu, abacaxi e outras.
A influência indígena é também forte no folclore do interior brasileiro, povoado de seres fantásticos como o curupira, o saci-pererê, o boitatá e a iara, entre outros. Na culinária brasileira, a mandioca, a erva-mate, o açaí, a jabuticaba, inúmeros pescados e outros frutos da terra, além de pratos como os pirões, entraram na alimentação brasileira por influência indígena.