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I. BÖLÜM

4. BANKALARIN ÖDEDİKLERİ VERGİLER

4.2. BANKALARIN SORUMLU SIFATIYLA ÖDEDİKLERİ VERGİLER

4.2.2. Kurumlar Vergisi Tevkifatı

Diante da figura do “precedente”, em voga após a aprovação do novo Código de Processo Civil, faz-se necessário esclarecer as peculiaridades dos dois grandes sistemas jurídicos.

Há dois grandes sistemas jurídicos, o romano-germânico e o anglo-saxão. Os sistemas diferenciam-se, sobretudo, pelo que consideram como fonte do direito. No entanto, cada um dos sistemas, uma vez adotado por um país, assume particularidades próprias.

Existência de dois grandes sistemas de Direito contemporâneo no mundo dito ocidental, e dentro deles os sistemas jurídicos e judiciários adotados por cada país, com todas as peculiaridades históricas e culturais derivadas de seu processo de formação. Esses dois sistemas são o romanístico, romano- germânico ou da civil law e o anglo-saxônico, anglo-americano ou da

common law187.

Assim, em apertada síntese, o sistema da common law valoriza os precedentes. Ou seja, os julgamentos não apenas têm força para deliberar no caso concreto, mas também servem como um parâmetro, um padrão do qual o julgador não deve se distanciar.

Desse modo, pela common law, a jurisprudência exerce o papel de principal fonte do direito.

187 AZEVEDO, Marco Antonio Duarte. Súmula vinculante: o precedente como fonte do direito. São Paulo: Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, 2009, p. 31.

Por sua vez, o sistema da civil law baliza-se pela legislação positivada, e o precedente judicial não tem como regra força vinculante.

Os sistemas jurídicos português e brasileiro, ombreando-se na família romano-germânica do civil law, estruturam-se na base da supremacia da lei, sendo considerada a principal fonte do direito. A jurisprudência, entendida como o conjunto das decisões dos tribunais, é tratada, em geral, como fonte mediata ou informativa188.

Tais sistemas são distintos, porém não podem ser vistos como antagônicos ou sistemas estanques.

Há, inclusive, que se ressaltar uma tendência de aproximação entre os dois sistemas, sem que se fale mais em absoluta prevalência da lei ou do precedente. Conforme Marco Antonio Duarte de Azevedo:

Aliás, tendência nítida do Direito atual é que ambos os grandes sistemas aproximem-se cada vez mais: o Direito legislado se torna cada vez mais importante no Direito anglo-saxão e o precedente se torna cada vez mais importante no Direito de origem romano-germânica189.

Por sua vez, Miguel Reale, em sua obra Lições Preliminares de Direito, aduz

sobre a “influência recíproca” entre os sistemas:

Na realidade, são expressões culturais diversas que, nos últimos anos, têm sido objeto de influências recíprocas, pois enquanto as normas legais ganham cada vez mais importância no regime do common law, por sua vez, os precedentes judiciais desempenham papel sempre mais relevante no Direito de tradição romanística190.

Desse modo, no desenvolvimento da ciência do Direito, os grandes sistemas jurídicos têm caminhado para uma convergência, influenciando-se mutuamente.

6.3.1. O novo paradigma dos precedentes

188 SIFUENTES, Monica. Súmula vinculante: um estudo sobre o poder normativo dos tribunais. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 148.

189 AZEVEDO, Marco Antonio Duarte. Súmula vinculante: o precedente como fonte do direito. São Paulo: Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, 2009, p. 46.

É importante perquirir se o novo diploma processual civil estabelece uma mudança de paradigma do direito pátrio, uma vez que, originariamente, o direito brasileiro foi erigido sob o sistema da civil law, tendo, até então, permanecido distante da common law.

A exposição de motivos do novo diploma aponta para a importância das decisões dos Tribunais, que devem nortear toda a interpretação e aplicação do direito:

Prestigiou-se, seguindo-se direção já abertamente seguida pelo ordenamento jurídico brasileiro, expressado na criação da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) e do regime de julgamento conjunto de recursos especiais e extraordinários repetitivos (que foi mantido e aperfeiçoado) tendência a criar estímulos para que a jurisprudência se uniformize, à luz do que venham a decidir tribunais superiores e até de segundo grau, e se estabilize.

Essa é a função e a razão de ser dos tribunais superiores: proferir decisões que moldem o ordenamento jurídico, objetivamente considerado. A função paradigmática que devem desempenhar é inerente ao sistema191.

Nota-se, desse modo, uma mudança substancial na interpretação do direito no país, porquanto, até o presente momento, a legislação, salvo raras exceções, não admitia o efeito vinculante de decisões.

Desse modo, cumpre sopesar se o novo diploma processual civil aparece como uma mudança de paradigma do sistema jurídico pátrio adotado.

Inclusive, o atual Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, em palestra realizada no 18º Congresso Internacional de Direito Constitucional, organizada

pelo Instituto Brasiliense de Direito, posicionou-se por entender que “nosso sistema

caminha a passos largos para o common law”.

191 Exposição de motivos do novo Código de Processo Civil. Disponível em: <http://legis.senado.leg.br/mateweb/arquivos/mate-pdf/160823.pdf>. Acesso em: 28 jul.2015.

Contudo, ressalvada a opinião esposada pelo ministro, o novo diploma não tem o condão de romper com a sistemática da civil law.

Conquanto não se possa prever como se materializará a aplicação da lei processual civil, permanecerá tendo primazia como fonte de direito a legislação pátria.

Com efeito, a valoração dos paradigmas não implica diretamente a ruptura da sistemática. Inclusive, diversos Estados onde se adota o sistema da civil law têm se rendido à força dos paradigmas em casos pontuais. Nesse sentido é o ensinamento de René David, que cita exemplos:

A autoridade do precedente liga-se, assim, na Alemanha Federal, às decisões do Tribunal Federal de Justiça Constitucional, que são, por esta razão, publicadas no jornal oficial federal (Bundesgesetzblatt). Ela se liga, na Argentina e na Colômbia, às decisões do Supremo Tribunal proferidas em matéria constitucional e, na Suíça, os tribunais cantonais estão igualmente vinculados pela decisão do Tribunal Federal, quando este tenha declarado inconstitucional uma lei cantonal. A autoridade do precedente é ainda reconhecida em Portugal às decisões (assentos) proferidas pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal de Justiça, logo que tenham sido publicadas no jornal oficial (Diário da República) e no Boletim do Ministério da Justiça [...]

192.

A crescente importância dos precedentes não leva à subvalorização da lei como fonte principal do direito no sistema da civil law. Destarte, o novo paradigma dos precedentes tão somente readéqua a relevância da jurisprudência como instrumento apto a uniformizar a pacificação do conflito.

192 DAVID, René. Os grandes sistemas do direito contemporâneo. São Paulo: Martins Fontes, 2002, p. 160-161.

Conforme ensina Marco Antonio Duarte de Azevedo: “a filiação a determinado sistema jurídico é consequência das características peculiares e históricas da formação

da cultura jurídica de um país”193.

Portanto, em que pese a valorização dos precedentes por meio do novo diploma processual civil, não se está diante de um novo sistema e tampouco se caminha para uma mudança de sistema jurídico.

“Nada que o novo CPC traz a respeito do assunto, contudo, autoriza afirmativas genéricas, que vêm se mostrando comuns, no sentido de que o direito brasileiro migra

em direção ao common law ou algo do gênero”194.

Ademais, registre-se que, historicamente, o Brasil, ao adotar a legislação portuguesa, quando ainda colônia de Portugal, possuía o instituto dos assentos, restando evidente a importância da uniformização da jurisprudência já naquela época.

Conforme ensina Lenio Luiz Streck:

O legislador português, há vários séculos, procurou realizar a ideia de uniformizar a jurisprudência, através do instituto do “assento”, que era um ato do Poder Judiciário que objetivava dar à lei uma interpretação autêntica. Pelo assento, não se julgava um caso concreto, mas determinava-se o entendimento da lei, quando a seu respeito ocorriam divergências nas sentenças judiciais. [...]

Durante o Império, várias leis regularam no Brasil o regime jurídico dos assentos195.

A aproximação entre os dois grandes sistemas ocidentais, frise-se, é tendência natural e não importa em ruptura com a sistemática até então vigente: “ao longo das últimas décadas, os sistemas romano-germânico e anglo-saxônico vêm emprestando um

193 AZEVEDO, Marco Antonio Duarte. Súmula vinculante: o precedente como fonte do direito. São Paulo: Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, 2009, p. 130.

194 BUENO, Cassio Scarpinella. Novo código de processo civil anotado. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 567. 195 STRECK, Lenio Luiz Streck. Súmulas no direito brasileiro: eficácia, poder e função. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1995, p. 100-101.

ao outro a sua experiência. Assim é que o Brasil, país de tradição legalista, vem se

curvando à força dos precedentes judiciais”196.

6.4. Reflexos da pacificação de jurisprudência na duração razoável do processo