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TARİHSEL SÜREÇTE BATI TRAKYA

B. TARİHÇESİ

A Primeira Guerra Mundial foi responsável por tornar mais visível a diferença que existia entre os países industrializados e o Brasil. Não existia nada que pudesse, de acordo com Mario de Andrade, conferir um caráter de nação ao país e, com tal situação de guerra, ampliava-se ainda mais o temor de que não pudesse manter a sua independência e unidade territorial. Nessa situação, era necessário que o país demonstrasse sua capacidade de cuidar do território, de povoá-lo, utilizar e proteger seus recursos naturais, entrar “na ordem do dia a tarefa de dar ao Brasil um sentimento de conjunto, transformando-o num todo coeso” (de LUCA, 1999:37)

Contrastando, com restante do país, São Paulo “que era apenas uma aldeia pestilenta e entreposto comercial” (SEVCENKO,1992: 106) viu-se modificada a partir do processo de relativa industrialização que vivia, passando a ser vista como núcleo mais dinâmico do país e centro político importante. Apesar de “único exemplo”, o desenvolvimento paulista “atestava a compatibilidade entre sucesso econômico, progresso, modernidade e os trópicos, que

79 finalmente davam mostras de poder abrigar a civilização” (de LUCA,199: 298). O discurso da modernização econômica desenvolvida por São Paulo implicou em (re)- criar uma nova versão de nação onde fosse possível desenvolver o progresso e a modernização.

[...] Cada vez mais a nação foi sendo identificada ao Estado de São Paulo que, com suas fazendas, indústrias, ferrovias e grandes cidades, desfrutava de uma prosperidade econômica

sem similar no país. Os atributos da nacionalidade - fronteiras definidas, conquista da soberania política, feitos históricos gloriosos, habitantes dotados de traços étnicos específicos, posse de uma língua e de uma cultura própria - acabaram sendo creditados exclusivamente aos paulistas. Nas páginas da Revista do Brasil é possível acompanhar os passos dessa construção mitológica que atribuía ao Estado toda e qualquer positividade contida na ideia de Brasil. (de LUCA, 1998:298 )

A Semana de Arte Moderna tentou produzir uma cultura fosse própria do Brasil definindo para isso questões como a língua, a tentativa de identificar uma língua brasileira, questões étnicas, o índio foi retomado como elemento nacional e questões políticas, a consolidação do estado de São Paulo e a construção da imagem do bandeirante como centrais para a formação do país.

Como já mencionado, Anderson relata que no segundo momento do nacionalismo na Europa, a questão da língua vinculou-se estritamente ao conceito de nação gerando comunidades baseadas em línguas vernáculas propagadas através de jornais e romances. Nas Américas, entretanto, “o inglês e o espanhol nunca foram questões relevantes” durante os processos revolucionários. (Anderson: 2009: 107). Se num primeiro momento a questão da língua não era relevante no Brasil, de Luca aponta que na segunda metade do século XIX, já se distinguia duas vias de abordagem que se voltaram para pensar a questão da língua nacional. Os puritanistas ou legitimista que defendiam a forma culta da língua e a aplicação estrita dos cânones gramaticais e, o grupo combatente do academicismo e do formalismo que pregava a legitimidade das novas construções populares e enfatizavam a necessidade de se separar o português da América do português falado na Europa. Estas disputas acabavam por conduzir a discussões mais profundas segundo Luca, sobre o estatuto da língua falada no Brasil, se havia um novo idioma emancipado do português ibérico ou se era apenas uma modificação. (LUCA, 1998:243-9).

A questão da língua esteve presente nas discussões da Semana de Arte Moderna tendo em Mário de Andrade representante da discussão. Era necessário definir um estatuto de independência da língua aqui falada, o brasileiro, em relação à língua portuguesa. Entretanto, apesar do movimento reivindicar para si a característica de ser nacional, como ressalta de Luca, a questão da língua assume também um “caráter de afirmação da paulistaneidade”

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[...] São Paulo, que já fornecera à Nação o café, as indústrias, um passado glorioso, uma raça de bravos, um território de dimensões continentais, desejava agora brindá-la com uma língua e uma arte próprias, coroando assim os esforços de enfim dotar o Brasil de sentido e continuidade histórica, graças ao trabalho de construção de mitos, símbolos e heróis capazes de serem compartilhados por todos os seus filhos. Desde logo, percebe-se a dimensão política da questão, uma vez que nessa busca dos caracteres particularizadores da Nação fundiam-se o anseio de autonomia e afirmação ante o estrangeiro, manifesto no desejo de possuir uma língua própria, capaz de dar conta da sensibilidade local; a dificuldade - se não impossibilidade - de encontrar critérios objetivos para definir o nacional; e a tentativa paulista, aberta pela referida dificuldade, de apresentar-se como padrão ou modelo válido para todo o país. (de LUCA,1999:280)

Na obra de Oswald de Andrade parece que o surgimento da nação também está ligado à consolidação de uma nova língua. A nação que iria se desenvolver deveria ser moderna, portanto, necessitaria também de uma língua nacional que realmente a representasse e que da mesma forma implicasse num processo de modernização. A nova língua estaria separada do idioma português, portanto implicaria numa mudança mais dinâmica que a original, pois incorporou elementos coloquiais desenvolvidos oralmente. Na obra Memórias Sentimentais de João Miramar (1925) aparece em todo o texto neologismos, não somente palavras e formações coloquiais, mas também incorporações de palavras e expressões em outros idiomas aportuguesadas ou não por Andrade, como no poema

VANITY-FAIR

D. Tira-Vira de sabida suspeita esganiçava segredos ingleses para o filho usura calvo antigo organizador de cotillons com declarações néscias de amor e passadas aventuras criadais na Alemanha Kaiseriana. Paletózão besta e paternal achava-os feras e flambavam farras trianeiras. Mas D. Pequitibota bancava milionários trens de vida ante a crise começada para fazendeiros comprometidos, enxovalando filhas com dúzias de dessous avistadores de alianças fortunais. Nhôs levantavam palácios confeiteiros questionando que quadros ou fossem assinados por figurões do Larousse ou pelo Barbabassi.

Escritórios gigolôs de mexericos preguiças e noturnos pokers de pensões.

Enquanto nos casarões ramazevedos das avenidas, despeitadas solitárias metiam a ronca nas de morfino viver que parisiavam aventuras com velhos meninos domésticos e outros.

E vôos insexuados de velhotas cultas inventavam primeiras ofensivas de cruzes coloradas.

Mas crendices na cruz única inda titulares e mães antigas mantinham com pedidos ardentes a São José pela salvação da jangada desgarrada e espevitada de tão feios dias.

Quando para o Guarujá driblavam 100 à hora Packards Hudsons Cadillacs desabando os barulhos das balsas. .(ANDRADE, 1995).

81 Se inicialmente a questão da língua não foi relevante para os movimentos de separação das Américas, as discussões surgidas nas últimas décadas do XIX e, a partir da Semana de 1922, parecem denotar a necessidade de se adaptar o modelo de nação europeu ao Brasil. Baseado na língua vernácula, este, um ideal romântico que uniria sob um mesmo território todos os falantes de uma mesma língua, aparece como uma necessidade para marcar diferenças com Portugal afirmando a originalidade da língua aqui falada.