TARİHSEL SÜREÇTE BATI TRAKYA
C. DEMOGRAFİK YAPI
Segundo Ângela Alonso, algumas obras literárias até mais ou menos a primeira metade do século XIX– período de consolidação do Estado imperial – serviram para “gerar uma imagem da nação brasileira como síntese americana de europeus e aborígines” excluindo-se dessa maneira a presença e a identidade do africano como formador da nacionalidade brasileira. As obras dos conservadores e conselheiros de Estado José de Alencar n’O Guarani (1857), e Gonçalves de Magalhães em A Confederação dos Tamoios (1856) cumprem esse papel de forjar a identidade brasileira.(ALONSO,178). Alonso elucida melhor essa questão: “[...] para que a nação fosse brasileira era preciso gerar uma diferenciação com a antiga metrópole, uma origem nativa. Tratava-se de dotar o Brasil de uma identidade, uma língua, uma historia, um povo, enfim inventar uma tradição nacional.” (ALONSO,2002:179).
A propósito da interpretação romântica daquele momento, segundo Schwarcz, o índio era representado como brancos e a realeza nunca fora tão tropicalizada, o que ia de encontro aos propósitos da elite daquele momento que se indagava sobre sua identidade, rejeitando, para efeito de representação, o negro escravo e o branco colonizador. Desta forma, o indígena, lido como o bom selvagem rousseauniano, atendeu bem aos interesses da elite. Ainda segundo Schwarcz, a pátria sem ser nação, no Brasil os símbolos ‘surgiam’ na mesma velocidade em que se consolidava a imagem do Império. E, assim, por meio do indianismo, realizava-se o velamento da colonização(SCHWARCZ, 2003,148). Entretanto, como analisado por John Manuel Monteiro (1996), havia um tipo certo de indígena a ser tomado como símbolo nacional. Durante o Império, a construção do índio tupi representou a matriz da nacionalidade em contraposição aquele construído como não tupi, o tapuia. A imagem do
82 primeiro foi construída como aliado na consolidação da presença dos portugueses na América, em oposição ao último caracterizado como inimigo, não assimiláveis e recalcitrantes a civilização. Além disso, o autor aponta haver uma tensão entre a assimilação e o extermínio que marcou todo o período imperial (. Monteiro, 2006:16).
Durante as comemorações do centenário da independência o mito do indígena foi retomado e aparece em muitas das obras dos modernistas. O museu paulista, “Ipiranga”, dirigido por Afonso D’Escragnolle Taunay e o IHGSP foram espaços que construíram e consolidaram a figura do paulista enquanto uma mistura de índios e brancos, fator esse que teria contribuído na constituição de uma raça forte, uma “raça de gigantes”. Porém o índio exaltado tal qual como no Império, também foi uma figura ideal que suprime o bandeirante/paulista dos “incômodos males” que a raça negra poderia trazer além do que, remete a outro mito do império a de que seria possível através da mistura racial promover relativo desenvolvimento. Às vésperas da comemoração da independência São Paulo deseja firmar sua posição como centro da nação e modelo a ser seguido pelo restante do país.
O modelo do índio romântico criado no império assim como a imagem de paraíso nos trópicos permitia jogar para o futuro a possibilidade de desenvolvimento, um futuro que ao mesmo tempo apontava para a convergência das três raças. As vésperas de uma Segunda Grande Guerra, ainda não havia se consolidado a nação e, a questão racial ainda era uma constante a ser resolvida. Literatos como Oswald de Andrade possuíam como modelo o modernismo europeu, quando comparado com o Brasil, havia certa inadequação, a modernidade não havia sido resultado de um processo de racionalização, não existia a originalidade da língua ou uma população homogênea; a metáfora do índio antropófago, contrário ao “bom índio” tupi, poderia acenar para a urgência em absorver e homogeneizar diferenças, da mesma forma que São Paulo absorveu as outras culturas que chegaram com a imigração.
Na poesia Pau Brasil que Oswald de Andrade anuncia a necessidade da originalidade, de uma arte verdadeiramente brasileira, que “cheire, fale e use nossa língua”. Vaticina à necessidade de retorno as questões histórias do país, citando a “história bandeirante” e a necessidade de se recuperar o indígena como figura central na poesia e representante da “nossa originalidade nativa”, entretanto esse indígena assume características antropofágicas. De acordo com Antônio Candido, é em poetas e escritores como Oswald de Andrade que se encontrariam verdadeiras mostras do nacionalismo.
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[...]Sublinhemos também o nacionalismo acentuado desta geração renovadora, que deixa de lado o patriotismo ornamental de Bilac, Coelho Neto ou Rui Barbosa, para amar com veemência o exótico descoberto no próprio país pela sua curiosidade liberta das injunções acadêmicas. Um certo número de escritores se aplica a mostrar como somos diferentes da Europa e como, por isso, devemos ver e exprimir diversamente as coisas. Em todos eles encontramos latente o sentimento de que a expressão livre, principalmente na poesia, é a grande possibilidade que tem para manifestar- se com autenticidade um país de contrastes, onde tudo se mistura [...] (CANDIDO, 1967: 143)
Considerando então uma leitura sobre o Manifesto Pau-Brasil e sobre o livro que ganha o mesmo nome, a mistura ressaltada por Candido nos poetas modernistas como Oswald de Andrade, não existe da mesma forma que não existe uma atenção especifica aos negros e mulatos. Desta forma, apesar de em alguns momentos, o livro de poesias Pau-Brasil, transparecer certa positividade na mistura racial, são pouco os momentos em que aparece a figura do mulato.
Dê-me um cigarro Diz a grammatica
Do professor e do alumno E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira
Dizem todos os dias Deixa disso camarada
Me dá um cigarro (ANDRADE,
Apesar de como já ressaltado por outros escritores como Roberto Schwarz (1989), Andrade parece minimizar os conflitos simpatizando com negros e brancos; ao mestiço/hibrido no poema, o poeta parece pouco favorável, cabe o pedantismo e, por conseguinte a separação, pois a mistura estaria muito aquém das “raças originais” -“o bom negro e o bom branco”.
Em outro poema a mulata está ligada a devassidão e a luxuria além de, geograficamente estar no Rio de janeiro, cidade considerado como anti nação pelos paulistas(MOTTA, Marly Silva,1992: 110).
O Pão de Assucar
É Nossa Senhora Aparecida Coroada de luzes
Uma mulata passa nas Avenidas Como uma rainha de palco Talco
Fácil […]
84 Quanto a presença do negro, nos “Poemas da colonização” parece haver uma denuncia de sua condição escravo
“Negro fugido”
O Jerônimo estava numa outra fazenda Socando pilão na cozinha
Entraram Grudaram nele O pilão tombou Ele tropeçou E caiu Montaram nele
Porém, sua imagem esta associada em outros poemas com o estereótipo da força física e a noção de aproveitamento da força física:
Os cem negros da fazenda comiam feijão e angu
Abóbora chicória e cambuquira Pegavam uma roda de carro Nos braços.