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Taksim - Maçka

Dentro da pluralidade vivencial dessas mães trabalhadoras observam-se compatibilidades entre dificuldades e facilidades vividas durante o período de licença-maternidade ampliado.

É inegável a contribuição que a Lei nº 11770 trouxe para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, principalmente quanto ao acrescentamento do período de aleitamento materno exclusivo até os seis meses, garantindo tempo e condição financeira para que a família possa tomar a decisão de investir nas práticas de cuidados saudáveis com os seus filhos. É certo também que a licença-maternidade ampliada estimula maior envolvimento da mãe com o filho e isso possibilita o fortalecimento dos vínculos afetivos, interferindo diretamente na prática do aleitamento materno.

Foi possível, contudo, notar que a licença-maternidade, isoladamente, pode não surtir efeito positivo na duração do aleitamento materno exclusivo, pois fatores emocionais, biológicos, comportamentais, sociais e ideológicos podem favorecer o desmame precoce mesmo para mulheres beneficiadas com a licença- maternidade de 180 dias.

Além da fase de adaptação da família após a chegada do bebê, durante a licença-maternidade, outra fase de adaptação surge no advento do retorno ao trabalho, as angústias maternas relativas à transição para alimentação complementar e quanto às dúvidas de com quem deixar o filho dominam o imaginário feminino. Os resultados desta pesquisa mostraram que a política pública enfoca muito intensamente o aleitamento materno, entretanto negligencia a necessidade de proteção legal para assegurar a transição para a alimentação complementar saudável e os cuidados infantis pós-retorno ao trabalho.

Outro ponto que surgiu muito importante foi a requisição pelas mulheres do envolvimento do marido nos cuidados com o filho. As mulheres parecem estar mais abertas a essa contribuição, embora a mentalidade das relações familiares patriarcais ainda apareça nas falas de poucas mulheres no estudo. A proximidade do marido nesse período foi motivada pelas mudanças ocorridas nas estruturas familiares. Hoje por influência das transformações econômicas do capitalismo as famílias são pequenas, os familiares moram em casas diferentes e distantes,

restando ao marido, por ser a pessoa mais próxima e o pai da criança, o apoio tanto nos cuidados dos filhos quanto nas atividades domésticas.

Existe diferença quanto à contribuição masculina de acordo com o número de filhos. Nas famílias onde há somente o primogênito, a presença paterna nos cuidados pós-nascimento é intensa, diminuindo com o passar dos meses pelo maior envolvimento do pai nas atividades de trabalho. Nas famílias de mais de um filho, os pais se achegam mais do primogênito, para que a mãe possa dar conta dos cuidados com o filho mais novo.

Em razão de tal mudança nas relações familiares, e da paulatina inclusão do pai nessa rotina, é importante chamar a atenção para a necessidade de mais políticas públicas que desviem o foco de sua elaboração na mulher como principal elemento para a estabilidade familiar, distribuindo, dessa forma, as responsabilidades de cuidados da criança entre o casal e reduzindo as tensões desses momentos para as mulheres.

Os homens estão cada vez mais se mostrando como parte integrante e ativa dos cuidados com os filhos e fundamentais para o estabelecimento da dinâmica familiar. Por este motivo, sugere-se que mais pesquisas relacionadas à paternidade sejam realizadas para se compreender o processo de mudança no comportamento dos novos pais, e assim ter mais fundamentos para a elaboração de políticas públicas voltadas para a paternidade.

Para garantir a alimentação e desenvolvimento infantil saudável é primordial que o poder público elabore políticas públicas articulando amamentação, alimentação complementar, licença-paternidade e licença-maternidade.

O investimento em creches públicas é reconhecidamente uma estratégia importante para assegurar o crescimento econômico do país, pois estimula as mães a evitar prolongamentos no tempo de afastamento do trabalho e amenizam a preocupação destas por não saber com quem irão deixar os filhos ao retornarem ao trabalho.

Embora a legislação brasileira ainda não seja elaborada utilizando como instrumento de apoio os diversos setores envolvidos com sua aplicação, é considerada como mais um passo importante para melhorar a proteção social dos cidadãos brasileiros, podendo equiparar-se a países desenvolvidos, que obtiveram altos níveis de desenvolvimento por priorizarem políticas públicas voltadas para as questões sociais.

No início desta pesquisa, alguns obstáculos se apresentaram como a dificuldade de localizar as servidoras, em virtude da localização geográfica das unidades de saúde/SER ou em razão de transferências e licenças requeridas no período da coleta. Fortaleza é uma cidade com uma extensa área territorial - 314.930 km² - e percorrer todas as unidades de saúde/SER exigiu certo esforço da pesquisadora. Outro obstáculo decorreu da ausência das mães - sujeitos da pesquisa - do local de trabalho no momento da visita. Adicionamos aos entraves da pesquisa a transição no governo da Prefeitura de Fortaleza, que ocasionou mudanças na gestão do trabalho das SER, resultando na demora da coleta de informações para o estudo e no número reduzido de servidoras entrevistadas.

Por ser uma pesquisa qualitativa, embora tenha representatividade de conteúdo, não é passível de generalizações devido ao enfoque em mulheres de perfil de renda elevado e do serviço público.

A pesquisa fez emergir a temática do novo comportamento paterno quanto aos cuidados infantis nas falas das servidoras, mas não investigou o que os pais achavam do seu papel no cuidado dos filhos ou como faziam para enfrentar a paternidade e a relação com o trabalho.

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