3. VERGİ KOLAYLIKLARI
3.1 Katma Değer Vergisinde Yer Alan İstisnalar
3.1.2 Tam istisnalar
3.1.2.12 Taşımacılık istisnası
A presente pesquisa identificou o objeto-fronteira Sistema de Serviço ao Cliente – materializado em sistemas de informação – como corporificador dos efeitos de poder por meio dos discursos analisados. Tais manifestações de poder exercidas sobre os funcionários foram captadas nas entrevistas e na análise dos documentos da empresa em foco, a Embratel.
Os objetos-fronteira manifestam efeitos de poder por haver uma prática discursiva que os legitima, através de instrumentalidades racionais possibilitadas pelo contexto sócio– histórico. São efeitos de poder conjurados pelos objetos as seguintes categorias: classificar, controlar, selecionar, organizar, padronizar, disciplinar, normalizar, examinar, classificar, tornar visível, vigiar, acompanhar, registrar, ordenar, hierarquizar, objetivar as relações, tolher subjetividades, dominar acontecimento aleatório, reduzir a indeterminação envolvida, primar pela eficiência e naturalizar.
Estes efeitos de poder mediados pelo objeto-fronteira podem ter uma conotação negativa, como excluir, censurar e etc.. Porém, de fato o poder produz o real; produz domínios de objetos e rituais de verdade. O indivíduo e o conhecimento que dele se pode ter dizem respeito a esta produção.
Assim, os efeitos de poder são produtos e produtores deste tipo de homem e sociedade. O resultado das ações do objeto-fronteira é a chamada “verdade” ritualizada e aceita pela sociedade.
Foi apresentado o objeto-fronteira como objeto funcional e como o mesmo materializa-se em artefato, relatório, projeto, sistema e processos do negócio. Cada área de negócio enxerga os objetos-fronteira de uma forma singular, já que ele faz a conexão entre
cada uma, em um espaço de compartilhamento. Assim, o objeto-fronteira é múltiplo nas formas que são visualizados por cada área de negócio na execução de suas tarefas.
Estes diferentes “olhares” na fronteira do conhecimento de cada área de negócio, do ponto de vista funcional, deverão entrar em um entendimento comum para superar diferenças e para que haja um entendimento comum. Os códigos internos e as subjetividades dos grupos ficarão expressos no conhecimento fronteiriço e estarão em conflito.
Portanto, os objetos-fronteira produzem a coerência necessária entre “mundos sociais” diferentes, assumindo lados aparentemente contraditórios, uma vez que os mesmos são flexíveis e robustos, frágeis e fortemente estruturados, comuns e diferenciados para que assim possam fazer a “tradução” da informação de uma área para a outra.
Porém, por interligar diversas áreas de negócios, o conceito “objeto-fronteira” merece estudos mais aprofundados em função da sua importância na percepção da dinâmica do dia a dia organizacional. A sua complexidade analítica ainda não foi muito explorada pelos acadêmicos de Administração, o que pode ser suprido por meio de pesquisas quantitativas e pesquisas qualitativas envolvendo outras empresas e foco em outros objetos. Com certeza, tais pesquisas podem trazer significativas contribuições para o campo dos estudos organizacionais.
Ainda há pouca pesquisa sobre objeto-fronteira no Brasil. A maioria da bibliografia coletada foi em inglês sobre o chamado boundary-object, o que corrobora as possíveis, ainda que incipientes, contribuições desta dissertação.
Cabe ressaltar que este trabalho pretende ser um estímulo a reflexão crítica de um sistema denominado SSC, manifestação de poder no espaço organizacional Embratel. Trabalho este estimulante, uma vez que a partir dos pressupostos teóricos sobre poder de Michel Foucault, foi possível a análise de um sistema, no caso um objeto-fronteira,
empregando o método de análise do discurso em cima dos documentos da Embratel e das respostas dos entrevistados.
Como pesquisador, durante o desenvolvimento da pesquisa, fui notando várias manifestações de poder que não suspeitava existirem até então. A pesquisa qualitativa contribuiu assim, para o desdobramento de novas perspectivas, que surgiram durante a realização do trabalho.
O trabalho também contribuiu para desvendar sutilezas perversas que são “mascaradas” por um sistema que vende somente benefícios. Quando a empresa se posiciona por uma mudança de sistema, justifica-se por eficiência, benefícios econômico-financeiros e até para facilitar o trabalho do funcionário. Porém, quando o sistema é analisado detidamente, notou-se uma série de manifestações de poder no qual os funcionários, muitos até sem saber foram prejudicados no que tange à invasão de privacidade no seu trabalho, acirramento da competição travestido como mais uma benesse corporativa, padronizar em nome da racionalidade afetando a criatividade do funcionário. Portanto, a pesquisa contribuiu para “retirar algumas máscaras corporativas” que são naturalizadas e reificadas pelo senso comum.
De forma conclusiva, é interessante notar como as empresas, cada vez mais, se utilizam de sistemas e processos em prol da eficiência e eficácia, descartando como tais alterações afetam o funcionário. A lógica racional passa a ser a “chave” para processos de mudança e inovação. Neste contexto, os funcionários passam a ser vistos como aptos a suportar as alterações, buscando sua aceitação de forma sempre resignada, garantindo assim a sua empregabilidade no mercado.
Por último, cabe ressaltar a importância da escolha de Michel Foucault como referencial teórico. Para o pensador francês, viver em sociedade é de alguma maneira viver de modo que seja possível a alguns agirem sobre a ação de outros. Ou seja, o poder é antes de
tudo uma relação que faz parte do “viver em sociedade”. Não é um objeto, uma coisa, mas uma prática social.
A forma como este autor “olha” o poder nos permite entender a sua manifestação e materialização em práticas do cotidiano organizacional. E tal procedimento, talvez, nos permita compreender as relações de trabalho de uma forma um pouco mais crítica e reflexiva.