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Liman ve hava meydanı inşası, yenilenmesi ve genişletilmesi istisnası

3. VERGİ KOLAYLIKLARI

3.1 Katma Değer Vergisinde Yer Alan İstisnalar

3.1.2 Tam istisnalar

3.1.2.8 Liman ve hava meydanı inşası, yenilenmesi ve genişletilmesi istisnası

Pawlowski (2004) considera que existem duas formas que permitem a transferência de informações entre as áreas de negócios nas empresas: “brokers“ e objetos–fronteira. Os “brokers” são os indivíduos que promovem a transferência de conhecimento enquanto funcionários das empresas. Os objetos-fronteira são os relatórios, projetos, sistemas e outros meios que possibilitam a transferência da visão de uma comunidade específica para outra, com seus significados também específicos e socialmente construídos. O resultado conjunto da ação dos “brokers” e dos objetos-fronteira seria o sucesso da transferência do conhecimento entre unidades de negócio.

Pode-se identificar o surgimento dos objetos-fronteira quando são satisfeitas as duas condições que seguem: (1) áreas diferentes fazem parte do mesmo sistema; e (2) as visões de cada área são inseridas dentro do sistema, que padroniza informações (STAR, 1989; WENGER, 1998). O item 1 necessita de um sistema único que transfira as informações de uma área de negócio à outra. O item 2 refere-se à capacidade de diferentes perspectivas se padronizarem dentro do mesmo sistema, no caso, o objeto-fronteira.

Dessa forma, para Star (1989) e Wenger (1998), os objetos-fronteira têm uma função: surgem para superar os problemas decorrentes do conhecimento na interface que há entre as áreas de negócio das organizações. Ainda para os autores, os problemas para fazer fluir o conhecimento entre as unidades das empresas ocorrem em qualquer tipo e tamanho de empresa, segmento e cultura organizacional.

Seguindo a visão acima apresentada, a função do objeto-fronteira é então descrita como o meio para apresentar, aprender e transformar o conhecimento, resolvendo os problemas existentes nas fronteiras inter-áreas.

O objeto-fronteira, enquanto objeto físico, segundo Miller (2005), materializa-se em artefato, relatório, projeto, sistema e processos do negócio. São produtos sobre as quais as unidades de negócio podem organizar as interconexões entre si. Este é percebido de forma diferente por cada área de negócio. Cada área possui um “olhar” sobre os objetos-fronteira, já que ele faz a conexão entre cada uma, em um espaço de compartilhamento. Segundo Miller (2005), portanto, apesar de resultar em um produto físico, o objeto-fronteira é múltiplo nas percepções que recebem de cada área de negócio na execução de suas tarefas.

Estes diferentes “olhares” na fronteira do conhecimento entre as áreas de negócio, do ponto de vista funcional, deverão entrar em consenso para superar diferenças e para que haja um entendimento comum. Os códigos internos e as subjetividades dos grupos ficarão expressos no conhecimento fronteiriço e estarão em conflito.

Cada área de negócio resolve seus problemas da sua respectiva forma e prática, mas é preciso que haja entendimento quanto ao conhecimento na fronteira. Esta idéia supera a visão de Galbraith (1973) de que é somente um processo de transferência de conhecimento, mas, segundo Carlile (2002), de transformação do conhecimento lidando com diferenças, dependências e as novidades que possam ocorrer nas fronteiras, o que faz surgir um novo resultado desta interação.

Segundo (ORIKOWSKI, apud LEVINA e VAAST, 2006), é impossível determinar se artefatos têm, ou irão ter, identidade comum e também satisfazer as necessidades locais para serem considerados objetos-fronteira. O uso contínuo do artefato, por agentes dentro de um contexto social, será a medida para caracterizá-lo como objeto-fronteira. Ou seja, para algo

ser considerado como objeto-fronteira, tem que ser útil no local, tanto no significado quanto na incorporação às práticas, e deve ter uma identidade comum entre os campos: “uma comum identidade refere a ter uma estrutura simbólica que seja comum suficiente para mais do que um mundo possa fazê-lo reconhecido” (STAR e GRIESEMER, 1989, p.393).

Portanto, os objetos-fronteira, para funcionarem, necessitam de alta manutenção e não podem ser mantidos, segundo Sapser e Salted (1984), em distâncias geográficas sem uma legítima autoridade e interdependência. As dificuldades efetivas tornam-se visíveis depois de estarem em pleno funcionamento. A construção do objeto-fronteira, segundo Brown e Duguid (1991), não pode ser rápida, precisa de tempo, análise, identificação, revisão, para que seja significativo a todos os participantes do grupo. Assim, não se apresenta de forma deliberada e informal, mas parte de uma estratégia da empresa com os envolvidos nos processos organizacionais. Star e Griesemer (1989, p.397) oferecem uma visão mais detalhada:

“Objetos-fronteiras são objetos os quais são plásticos na medida suficiente para se adaptarem às necessidades locais, e robustos o suficiente para manterem uma comum identidade entre as áreas. Eles são fragilmente estruturados em uso individual e fortemente estruturados em uso comum. Esses objetos podem ser abstratos ou concretos. Eles têm diferentes significados em diferentes mundos, mas sua estrutura é comum o suficiente para mais do que um mundo fazê-lo reconhecível, um meio de tradução”.

Portanto, os objetos-fronteira produzem a coerência necessária entre “mundos sociais” diferentes, assumindo lados aparentemente contraditórios, uma vez que os mesmos são flexíveis e robustos, frágeis e fortemente estruturados, comuns e diferenciados.

Ressalta-se que essa pesquisa tomará como base o conceito de objeto-fronteira proposto acima por Star e Griesemer, que será aplicado, posteriormente, de acordo com a perspectiva foucaultiana de poder-conhecimento. A escolha por esta definição de objeto- fronteira deve-se à opção por uma reflexão que vá além da questão funcional do objeto e que

capte as nuances de sua estrutura. Ainda diante da fundamentação de Star e Griesemer (1989), ressalta-se que o objeto-fronteira é concreto e abstrato, específico e geral, generalizante e customizado. Portanto, ao mesmo tempo em que transfere as informações, o objeto-fronteira precisa ser um espaço de negociação das identidades e diferenças dos particulares conhecimentos de cada área de negócio.

O que faz essa transferência de informações entre as áreas de negócios não é o produto nem a escolha de cada área, mas o momento em que as áreas são literalmente forçadas para algum tipo de relacionamento. Assim, cada objeto não é uma conquista intersubjetiva, mas um instrumento para mediar o conflito entre os vários mundos: “ou seja, cada protocolo (objeto) é um registro do processo de reconciliação” (STAR e GRIESEMER, 1989, p.407).

Na “cartografia” da verdade, como cita Foucault (2006), existem espaços privilegiados, instantes propícios para a verdade se produzir. Assim, os objetos-fronteira podem ser considerados uma materialização do binômio poder-conhecimento oriundo de uma atualidade em que o cálculo racional é o que rege a funcionalidade dos instrumentos organizacionais. Executando a função de intercambiar o fluxo de produção entre as áreas de negócio, e possuindo as especificidades citadas acima, o objeto-fronteira é situado como uma categoria pertencente à ciência administrativa.