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Tıp Kütüphanelerinde Kullanılan Elektronik Kaynakların Tarihçesi

2. BÖLÜM: TIP KÜTÜPHANELERİNDE ELEKTRONİK

2.4. Tıp Kütüphanelerinde Kullanılan Elektronik Kaynakların Tarihçesi

A indústria de semicondutores “é geralmente definida como o ramo da indústria eletrônica que fabrica componentes eletrônicos (quase inteiramente componentes ativos), utilizando as propriedades dos materiais semicondutores, dos quais o silício é, de longe, o mais comum” (DOSI, 2006, p. 54). O nascimento desta indústria ocorreu no final de 1947 com o desenvolvimento do primeiro transistor de ponto de contato nos laboratórios da Bell Telephone – uma subsidiária da American Telephone & Telegraph (AT&T). O transistor nasceu a partir da necessidade da AT&T de obter uma tecnologia viável e barata para acolher a demanda crescente por chamadas de longa distância (MOWERY; ROSENBERG, 2005).

Malerba e Orsenigo (1993) argumetam que os anos iniciais da indústria de semicondutores foram caracterizados por condições de alta oportunidade – característica típica de uma nova indústria baseada em um novo campo científico. O conhecimento científico básico (física do estado sólido e química) por trás da descoberta do transistor era relativamente fácil de se assimilado e atraiu a atenção de cientistas, empreendedores e grandes empresas estabelecidas, tanto de dentro da indústria eletrônica quanto de fora dela. Malerba e Orsenigo ainda afirmam que várias das empresas (General Eletric, RCA, e Sylvania, só para citar algumas) que entraram na então recém-criada indústria de semicondutores já eram integradas verticalmente e possuíam uma produção bastante diversificada (ibidi., p. 51-52).

Diferente de outras trajetórias tecnológicas, o desenvolvimento da indústria de semicondutores não contou com o papel ativo das universidades como fonte direta de conhecimento. Conforme visto em Mowery & Rosenberg (2005), a complexidade das operações industriais envolvidas na fabricação de semicondutores pode ajudar a explicar o baixo envolvimento das universidades. No período entre 1950 e 1955, grandes empresas estabelecidas do setor eletroeletrônico foram responsáveis por 92% de todas as principais inovações. Observa-se, no entanto, que as empresas que deram origem a grande parte das inovações do setor não foram, em geral, aquelas que exploraram com sucesso essas inovações no mercado (DOSI, 2006, p. 64). O primeiro transistor de sucesso comercial, por exemplo, foi produzido pela Texas Instruments, em 1954. Já em 1975,

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as empresas dominantes dessa indústria incluíam empresas relativamente novas, criadas no final da década de 1950, como a Intel e a Fairchild.

Outra característica peculiar da indústria de semicondutores que contribuiu para a exploração comercial da descoberta do transistor foi a política antitruste do governo dos EUA. Em 1949, o Departamento de Justiça iniciou uma grande ação antitruste contra a AT&T. A ação foi resolvida com a publicação da sentença de consentimento (Consent Decree) de 1956 que estabeleceu que a AT&T poderia fabricar semicondutores apenas para o seu uso próprio. Além disso, a AT&T “teve que disponibilizar, sem pagamentos de royalties, todas as suas patentes relativas a semicondutores obtidas antes de 1956 para todas as empresas norte-americanas, e as patentes posteriores a 1956 a preços moderados” (DOSI, 2006, p. 71).

Esse cenário de baixa apropriabilidade favoreceu a disseminação do conhecimento e, certamente, possibilitou novos avanços tecnológicos como, por exemplo, o desenvolvimento do circuito integrado (CI) – combinado de uma série de transistores em um único chip de silício – pela Texas Instruments em 1958. O CI foi desenvolvido a partir das inovações de processo das tecnologias de difusão e de máscaras de óxido que foram incialmente desenvolvidas para fabricação dos transistores de junção de silício (MOWERY; ROSENBERG, 2005). O desenvolvimento do CI aumentou as oportunidades no setor e possibilitou a entrada de novas empresas que passaram a dividir o mercado com as empresas estabelecidas. Mas diferentemente do período de desenvolvimento do transistor, a base de conhecimento que emergiu com o CI “became more and more centered on design and engineering rather than on basic science, and became increasingly tacit and firm-specific” (MALERBA; ORSENIGO, 1993, p. 52).

Além da política antitruste que promoveu mudanças significativas no desenvolvimento da indústria de semicondutores, o governo também contribuiu diretamente para o aperfeiçoamento do setor. A preocupação com a defesa nacional gerada pela Segunda Guerra Mundial e pela subsequente Guerra Fria estimulou os gastos do governo dos EUA na aquisição de componentes eletrônicos, particularmente por CI. A disposição do governo de comprar produtos de fornecedores com pouca ou nenhuma tradição de fornecimento para a defesa, como a Texas Instruments, impôs uma substancial transferência e intercambio de tecnologia entre as empresas do setor. Para minimizar

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os riscos de uma possível falha de fornecimento, o governo exigiu que os seus fornecedores desenvolvessem uma “segunda fonte”. Isto é, as empresas contratadas tinham que desenvolver um produtor local capaz de fabricar um produto idêntico ao original (MOWERY; ROSENBERG, 2005). Como resultado, essas empresas tiveram que compartilhar entre si os seus “segredos industriais”, facilitando a difusão do conhecimento.

O grande volume das compras governamentais possibilitou um avanço adicional na curva de aprendizado das empresas. Para atender a alta demanda e as especificidades das aplicações militares, as empresas tiveram que investir em componentes eletrônicos com alto desempenho e eficiência como, por exemplo, transistores capazes de resistir a elevadas temperaturas. Como ressalta Dosi (2006), as exigências do setor militar influenciaram fortemente a trajetória da tecnologia de semicondutores por meio da incorporação de características como a tendência a miniaturização, maior confiabilidade, menor dispersão de energia, e, mais tarde, com os circuitos integrados, maior complexidade das funções desempenhadas. Dosi ainda destaca que o governo dos EUA não estava preocupado com os custos unitários decrescentes – requisito importante para expansão dos semicondutores no mercado não-militar. No entanto, as inovações inter-relacionadas de processo e produto contribuíram para abaixar os custos unitários e expandir o número de aplicações comerciais (FABRIZIO; MOWERY, 2007 p. 292).

Se por um lado, as políticas públicas de fomento e financiamento do governo dos EUA facilitaram o acesso e a difusão tecnológica, por outro, elas ajudaram a intensificar a competição entre as empresas atuantes no mercado e criaram um ambiente rigoroso e seletivo que ajudou a eliminar aquelas menos eficientes (ibidi., p. 294). De acordo com Mowery e Rosenberg (2005), essa combinação de diversidade tecnológica e fortes pressões seletivas se mostrou bastante benéfica para o amadurecimento da indústria de semicondutores.

Por fim, a pesquisa desenvolvida por Dibiaggio e Nasiriyar (2008) ajuda a elucidar as principais características do regime tecnológico deste setor. A partir da análise do banco de dados do Escritório Americano de Marcas e Patentes (USPTO, na sigla em ingês), com patentes depositadas entre 1953 e 1998 por 558 empresas, Dibiaggio e Nasiriyar identificaram que a indústria de semicondutores é caracterizada pela alta cumulatividade do processo de aprendizagem das

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empresas e pelo baixo nível de oportunidades. Eles ainda destacam que a crescente intensidade das atividades de P&D no setor (contabilizadas pelo número de patentes depositadas) tem possibilitado a entrada de novas empresas, mas as contribuições dessas empresas para os avanços tecnológicos na indústria têm sido inferiores às contribuições oriundas das grandes empresas já estabelecidas no mercado. Sendo assim, a indústria de semicondutores pode ser caracterizada como um regime rotinizado no qual se sobressai o padrão Schumpeter Mark II.