2. BÖLÜM: TIP KÜTÜPHANELERİNDE ELEKTRONİK
2.3. Elektronik Kütüphaneler
O conceito de regimes tecnológicos foi introduzido por Nelson e Winter (1982) para descrever o ambiente tecnológico no qual as empresas operam. Os regimes tecnológicos podem ser interpretados como estruturas cognitivas que estabelecem fronteiras para os padrões da atividade de inovação. De um lado, encontra-se o regime “de base científica” no qual as possibilidades tecnológicas são criadas externamente às empresas, via avanços da ciência básica gerados pelas universidades e pelos centros de pesquisa. Do outro, encontra-se o regime denominado “tecnologia acumulativa” no qual as possibilidades tecnológicas estão centradas na capacidade produtiva das empresas.
Para Nelson e Winter, os regimes tecnológicos definem a natureza dos problemas que envolvem a atividade de inovação, moldam os incentivos e as restrições a determinados comportamentos inovadores das empresas, e afetam o processo básico de geração e seleção de tecnologias/produtos. Isso acontece devido às oportunidades oferecidas pelos ambientes tecnológico e científico, pelas condições de apropriabilidade, e pela natureza do conhecimento desenvolvido e incorporado pela
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indústria. Observa-se, por exemplo, que as empresas que vivenciam a mesma estrutura de aprendizagem tendem a apresentar padrões similares de inovação e competição.
Em um trabalho posterior, Winter (1984) aprofunda na caracterização de Schumpeter Mark I e
Schumpeter Mark II e sugere que as indústrias podem ser caracterizadas em dois regimes
tecnológicos, denominados regime empreendedor (entrepreneurial regime) e regime rotinizado (routinized regime). No primeiro, o ambiente inovador favorece a entrada de novas e pequenas empresas. No segundo, as condições são favoráveis à concentração da atividade de inovação nos laboratórios das grandes empresas já estabelecidas.
A partir da abordagem desenvolvida por Nelson e Winter (1982) e Winter (1984), diversos autores (cf. Audretsch, 1991; Dosi et al., 1995; e Kim e Lee, 2003) têm direcionado esforços para estabelecer o elo entre os regimes tecnológicos e os padrões de inovação. Nessa direção, Malerba e Orsenigo (1996, 1997) sugerem que o regime tecnológico é formado por quatro elementos: as oportunidades tecnológicas, a apropriabilidade, a cumulatividade e a natureza do conhecimento. Já os padrões de inovação ganham contornos setoriais e são caracterizados pelas dinâmicas de “destruição criadora” (Schumpeter Mark I) e “acumulação criativa” (Schumpeter Mark II).
As oportunidades tecnológicas refletem a probabilidade de uma empresa inovar a partir da realização de gastos com P&D. Quanto maior forem as oportunidades, maior é o incentivo para que as empresas inovem e tirem vantagem de uma rica e crescente base de conhecimento, facilitando a entrada de novas empresas. Por outro lado, condições de baixa oportunidade restringem a introdução de inovações às empresas estabelecidas (MALERBA; ORSENIGO, 1996; MALERBA, 2004). Também observa-se que dependendo de como uma dada oportunidade evolui ao longo do tempo, os esforços de P&D das empresas podem representar um grande impacto em seus níveis de produtividade (NELSON; WINTER, 1982).
A apropriabilidade determina a possibilidade de proteção da inovação contra a imitação e apropriação dos lucros oriundos da atividade de inovação por meio de mecanismos como patentes, segredo industrial etc. De acordo com Malerba (2004), quanto maior for a apropriabilidade, maior será a capacidade da empresa de se proteger contra possíveis imitadores, resultando em alto nível
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de concentração industrial e baixo número de inovadores. Por sua vez, um baixo grau de apropriabilidade representa um ambiente econômico caracterizado por alta externalidade (LEVIN
et al. 1987) e, consequentemente, uma maior população de empresas inovadoras.
A cumulatividade significa que o conhecimento tecnológico de hoje formam as bases das inovações futuras. Segundo Marleba (2004), a cumulatividade possui três fontes diferentes: a capacidade organizacional das empresas, o processo de aprendizagem e o feedback do mercado. Em outra palavras, a capacidade inovativa das empresas é baseada no conhecimento acumulado, no aprendizado e na experiência. Assim, as “inovações acumuladas” geram uma sequência de novas inovações, que são melhorias da inovação original ou criam novos conhecimentos que serão incorporados a inovações de áreas correlatas (DIBIAGGIO; NASIRIYAR, 2008, p. 12). Já no nível setorial, Malerba (2004, p. 22), afirma que a cumulatividade tecnológica e a persistência estão associadas com o alto grau de estabilidade na hierarquia das empresas inovadoras e na baixa taxa de novos entrantes. Diante de tal cenário, o processo de seleção favorece as grandes empresas já estabelecidas no mercado.
A natureza do conhecimento se refere à base do conhecimento por trás das atividades inovadoras das empresas. Conforme visto em Winter (1987) e Dosi (2006), essa base irá variar entre as diversas indústrias e tecnologias, pois está ligada a apectos como nível de especificidade, tacitividade, complementariedade e independência.
Para Breschi et al (2000) e Malerba (2004), essas diferenças na organização da atividade de inovação em nível setorial podem ser relacionadas à distinção fundamental entre Schumpeter Mark
I e Schumpeter Mark II. Eles afirmam que Schumpeter Mark I é caracterizado por condições de
alta oportunidade tecnológica, baixa apropriabilidade, baixa cumulatividade do conhecimento pelas empresas, alta taxa de entrada e alta instabilidade na hierarquia das empresas inovadoras. Já
Schumpeter Mark II é caracterizado por condições de baixa oportunidade, alta apropriabilidade,
alta cumulatividade de conhecimento pelas empresas, baixa taxa de novos entrantes e estabilidade na hierarquia das empresas inovadoras.
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É importante destacar que esses regimes tecnológicos e padrões schumpeterianos de inovação não são estáticos, eles tendem a se modificar ao longo do tempo. Quando uma nova indústria está se formando, as incertezas são muitas altas, as barreiras técnica e de capital para novos entrantes são baixas e o conhecimento muda rapidamente. Nesse cenário, as novas empresas surgem como os principais agentes da inovação. A partir do momento que a indústria amadurece e as mudanças tecnológicas seguem trajetórias bem definidas, o protagonismo inovador passa a ser das grandes empresas (UTTERBACK, 1994; KLEPPER, 1996). Verifica-se, porém, que quando ocorrem descontinuidades tecnológicas em uma dada indústria, o padrão Schumpeter Mark II tende a ser substituído por Schumpeter Mark I (CHRISTENSEN; ROSENBLOOM, 1995), pois as tecnologias disruptivas tornam os produtos dominantes obsoletos e ameaçam a liderança de mercado das empresas estabelecidas.
Observa-se, portanto, que as especificidades dos regimes tecnológicos afetam a estrutura social e material no qual as empresas estão inseridas. Sendo assim, elas afetam as relações estabelecidas entre as empresas e as fontes de financiamento acessíveis ao financiamento da inovação. Para entender como essas características dos regimes tecnológicos e dos padrões de inovação influenciam o inter-relacionamento entre finanças e inovação, discute-se algumas particularidades dos sistemas setoriais de inovação de duas indústrias específicas: semicondutores e biotecnologia.