BORÇLARININ GELĐŞĐMĐ
3.1. Türkiye’de Borç Yönetim
3.1.4. Türkiye’de Borçların Sürdürülebilirliğ
A palmeira gueroba foi um recurso natural estratégico para a vida na roça dos primeiros agricultores familiares que chegaram ao município de Buriti de Goiás, sendo usada como alimento, madeira, forrageira, medicinal, ornamental e ainda para se fazer óleo de cozinha e sabão. Atualmente, com a quase inexistência de áreas preservadas de Cerrado na região e com a substituição dos sistemas tradicionais de agricultura para novos modelos tecnológicos, o valor cultural da gueroba vem cada vez mais se restringindo ao uso alimentar de seu palmito.
O aproveitamento do coco para a produção de óleo é uma iniciativa que pode revitalizar a importância cultural e ambiental da palmeira, através do componente geração de renda, envolvendo agricultores familiares, fazendeiros e extrativistas. Porém, segundo Clemente et al. (2005), entrar no mercado de óleos requer um projeto bem desenhado com escala apropriada para o mercado alvo, o que exige conhecimento detalhado de sua cadeia de produção.
Para o desenvolvimento da cadeia produtiva do óleo de gueroba há a necessidade de projeções de produtividade e renda que venham a subsidiar a decisão do
agricultor de cultivar a palmeira gueroba, assim como o desenho de sistemas agroecológicos de cultivos a partir de referências culturais e técnicas.
Além da viabilidade do cultivo da gueroba, para se consolidar a cadeia produtiva do óleo a longo prazo, é importante conhecer e preservar a variabilidade genética da espécie. Uma estratégia a ser considerada é o uso da gueroba como espécie chave para a restauração ou enriquecimento de Resevas Legais - RL’s e Áreas de Proteção Permanente - APP´s, em propriedades de agricultores familiares, com acessos obtidos do banco de germoplasma do Parque Estadual da Serra Dourada - GO.
Quanto aos pontos críticos identificados em campo, a presença de larvas do besouro P. nucleorum no coco gueroba se destaca, podendo impactar significativamente o rendimento de amêndoas e conseqüentemente a cadeia produtiva do óleo, com perda média de 48,30%. Para evitar essa perda, faz-se necessário a adoção de técnicas de manejo como o corte do cacho de cocos no início de sua maturação, ou ainda, que os cocos coletados com polpa caídos do cacho no solo sejam despolpados em um curto período de tempo, sendo para isso, oferecidos como complemento alimentar ao gado.
Outro ponto crítico identificado na cadeia produtiva foi a necessidade de classificação dos cocos no momento de sua compra pela agroindústria, quanto à percentagem de umidade e a presença ou não de polpa no fruto. A compra de uma lata de 20 litros de cocos “murchos” pela agroindústria pode significar a diferença aproximada de menos 39,2 % em peso de amêndoas em relação a uma lata de cocos secos sem polpa.
O processamento do óleo na agroindústria da Associação dos Ipês é semi-artesanal, com grande investimento em mão de obra para o processamento do óleo, sendo que a produção de 1,0 l de óleo demanda em média 18,3 horas de trabalho de uma operadora, o que demonstra a necessidade da adoção de tecnologias apropriadas.
O rendimento do óleo em massa obtido na agroindústria foi de 32,72 % (m/m) e de 36,0 % (m/mL) em volume, sendo que Nozaki (2012), através de extração química43, obteve 61,44 % (m/m) de lipídeos totais das amêndoas da gueroba. Esse índice verificado pela autora coloca o desafio de se otimizar o rendimento do óleo pela agroindústria.
Como um exercício comparativo, o rendimento do óleo de gueroba é estimado em 0,38 t/ha, adotando-se o espaçamento 4,0 x 4,0 m (625 plantas/ha) em sistema de monocultivo. A produtividade do óleo de coco (Cocos nucifera) é 0,5 t/ha (CLEMENT et al., 2005), sendo que essa espécie não sofre com sazonalidade como a gueroba, demonstrando que a produtividade do óleo de gueroba possui uma média relativamente baixa. Essas referências de produtividade colocam a necessidade de avaliação do aproveitamento integral do fruto da gueroba, na perspectiva de viabilização de sua cadeia produtiva.
O preço pago pelo coco (R$ 5,00/lata de 20 l) foi considerado barato pelos agricultores familiares, porém a renda obtida foi considerada complementar, pelo fato do coco ser um recurso natural que não estava sendo aproveitado, e principalmente, pela atividade ser realizada na época da seca, quando a renda advinda do leite diminui muito. A iniciativa proporcionou uma renda média de R$ 134,00/safra para 93 pessoas, sendo que 18 famílias agricultoras que se dedicaram à atividade obtiveram a renda média de R$ 300,00/safra.
O custo de produção do óleo é alto, não viabilizando sua comercialização enquanto matéria-prima. A Associação dos Ipês identificou como estratégia de comercialização a agregação de valor, usando o óleo como ingrediente principal na composição de 11 diferentes cosméticos, através da terceirização dos serviços de uma indústria cosmética, sendo a comercialização dos produtos realizada via parceria firmada com a Central do Cerrado, uma cooperativa de 2º grau especializada em comercialização de produtos da sociobiodiversidade do Cerrado.
A cadeia produtiva do óleo de gueroba, com perfil semi-artesanal, ao colocar um produto inédito no mercado, se diferencia pelo conceito intrínseco de promover a agrobiodiversidade, gerar renda para agricultores familiares e possuir o protagonismo de mulheres na gestão de um empreendimento comunitário. Porém, o fortalecimento da comercialização e do gerenciamento do empreendimento comunitário são os principais pontos críticos da cadeia produtiva, sendo necessário maior envolvimento dos agricultores familiares e extrativistas para a formação de uma cooperativa.
O óleo de gueroba se encontra em fase de experimentação de oportunidades e estrategicamente, os elos de sua cadeia produtiva, envolvem apoios e parcerias técnicas, políticas e econômicas, para a viabilidade da iniciativa em um mercado diferenciado: ecológico, justo e solidário.