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BORÇLARININ ETKĐLERĐ

2.4. Devlet Borçlarının Kapatılması

2.4.1. Devlet Borçlarının Ödenmes

Antigamente, no sistema tradicional de formação de pastos, a vegetação nativa era derrubada e queimada, “que na época ainda era tudo no fogo mesmo”, e a roça era plantada por dois a três anos seguidos. Após esse período, deixava-se o capim jaraguá (Hyparrhenia rufa (Ness) Stapf) nascer espontaneamente para a formação de pasto. “Não sei como chegava a semente e ele tava lá, o jaraguá é nativo desse jeito” (Divino). O capim jaraguá é considerado nativo pelos entrevistados porque nascia espontaneamente nas áreas desmatadas ou cultivadas, porém essa espécie é de origem africana, trazida para a formação de pastagens no Brasil (MATOS; PIVELLO, 2009).

Em algumas roças, após a colheita, colocava-se o gado para comer a “palhada”, sendo que o gado comia também a gueroba que havia nascido. Porém, em roças que a gueroba nascia espontaneamente e crescia durante os anos de plantio, quando deixava-se

10 Um pau com ponta usado para fazer um pequeno buraco no solo. 11 O olho é o lado do coco que fica preso ao cacho.

o capim jaraguá crescer para a formação dos pastos, as guerobas já estavam desenvolvidas, e assim formava-se o pasto consorciado com gueroba.

Quando meu marido derrubou para fazer roça já era capoeirão, aí fechava em roda prá vacas não entrar, aí as guerobas nasceu lá nativa, aí foi deixando crescer, e quando colocou as vacas era capim jaraguá, naquele tempo era só jaraguá, e esse não matava as guerobas, ichi o jaraguá era saúde prá elas. (Maria Cruz)

Segundo os entrevistados, o capim jaraguá convivia bem com a gueroba e com o fogo e também com outras plantas que nasciam espontaneamente, “ele aceita bassoura no meio dele”, sendo que a gueroba pode prejudicar o desenvolvimento do jaraguá por causa do sombreamento e não o contrário.

O jaraguá foi substituído pela braquiária (Brachiaria decumbens), introduzida na região no início dos anos 80 ou aproximadamente há 30 anos atrás, adaptando- se muito bem. “Então dicerto eu falo, o braquiária prá nós veio prá ficar, porque ele agüenta o gado mesmo” (Natalício).

A mudança do jaraguá para braquiária fundamenta-se na adoção de um novo sistema de formação de pastagens que não utiliza o fogo12.

O jaraguá não guenta mais aqui na região, a vida dele é pouca, foi só parar de queimar, o jaraguá tem que queimar no mínimo de dois em dois anos, tem que passar fogo nele, senão ele já enfraquece, o braquiária pode ficar sem queimar, a vida útil dele não depende de fogo. (Valdir)

As mudanças climáticas na região, devido à escassez de chuvas, também é citada como motivo para a introdução da braquiária. “É porque o jaraguá, nós agora tem pouca chuva, então o jaraguá sai a raiz prá riba, o gado vai arranca tudo e acaba com tudo, acaba os pastos, é um tiquinho de gado para um mundo de pasto” (Celestrino).

A mudança do capim jaraguá para a braquiária impactou os sistemas de pastagens com gueroba, pois a braquiária com o tempo tende a matá-las, num período aproximado entre 2 e 10 anos. “Ela vai miudando a cabeça, fica com a cabeça pequeninha, as

12 Segundo Márcio Mesquista Lobo, técnico da Emater de Buriti de Goiás, o fogo quebra a dormência

folhas pequeninha, mais amarela, vai aniquilando, amufinando, até os cocos diminui, com mais ou menos uns 2 anos ela morre” (Sebastião).

Figura 21. (a) Pastagem braquiária e gueroba; (b) Gueroba morta no pasto de braquiária. Fonte: Jaqueline Evangelista Dias

O comportamento da gueroba consorciada com braquiária pode se diferenciar quanto à fertilidade e umidade dos solos, sendo que em solos férteis e de textura média, a gueroba pode conviver com a braquiária durante anos sem prejuízos para a palmeira. “Ali as guerobas estão boas até e é no braquiária, boniteza aquele tanto de coco, lá tem muitos anos que ela tá no braquiária, lá era quintal, aí depois jogou semente de braquiária, tem mais de treze anos, a terra é boa, ocê sabe onde era quintal era bem cuidado” (Dolores).

A principal razão levantada para o fato da braquiária matar a gueroba é a agressividade desta gramínea em relação à qualquer espécie, sendo que nas pastagens de braquiária existem poucas plantas consideradas pragas. “Então ele garra no chão e ele mata tudo que nasce ali, é o capim mais terrível que eu já vi” (Celestrino).

Os entrevistados também consideram que este fato está relacionado à competição por nutrientes existente entre a braquiária e a gueroba, por possuírem o mesmo tipo de sistema radicular, sendo a raiz da braquiária considerada mais eficiente e resistente. “A raiz do braquiária que mata ela, repondo as substâncias tudo prá ele” (Sebastião).

A gueroba também é descrita como uma planta que possui muitas raízes e necessita de muita água para sobreviver, sendo que o capim braquiária exerce sobre a gueroba uma competição muito forte por umidade. “Eu acho que o braquiária puxa muito a umidade, e rouba muito a umidade dela, na competição, a gueroba sai perdendo” (Antônio).

As guerobas consorciadas em pastagens com braquiária produzem menos cocos que em outros sistemas de plantio, assim como o tamanho dos cocos são menores. A introdução da braquiária em uma pastagem pode fazer com que a gueroba pare de produzir coco em pouco tempo. “Aqui tinha muita gueroba, era no jaraguá, quando a gente veio, colocou braquiária, aí acabou, morreu todas, com 2 a 3 anos elas já ficaram fininhas, desde o primeiro ano que colocou a braquiária elas já não produziu mais coco, foi afinando até morrer” (Antônio).

As pastagens consorciadas com gueroba causam uma falsa impressão que há uma população expressiva da palmeira nas propriedades rurais, porém neste sistema, a gueroba não consegue se regenerar, estabelecendo-se uma população velha da palmeira. Assim, com uma população velha da palmeira e a tendência da braquiária matar a gueroba com o tempo, o sistema de pastagens consorciado com gueroba tende a desaparecer da região.

Na região, além do jaraguá, o capim quicuio (Brachiaria humidicola) também convive bem com a gueroba13, porém não é uma gramínea comumente usada pelos agricultores, difícil de ser encontrada nas propriedades rurais.