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2.3. Türk Kesme Çiçek Endüstrisinin Rekabet Analizi

2.3.3 Türkiye‟de Çiçek Kooperatifleri, Mezatlar ve Üreticilere Katkısı

Considerando a idade das usuárias que realizaram o exame de colpocitologia oncótica no período estudado, 562 (74%) estavam dentro da faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde para a realização do exame (25-65 anos). Estes são dados considerados positivos, uma vez que essa faixa etária é a de maior ocorrência das lesões de alto grau, passíveis de serem tratadas efetivamente não evoluindo para câncer, se diagnosticadas precocemente50.

O número de mulheres que referiu ter realizado exame citopatológico anteriormente (611; 82,3%) também é considerado expressivo na população estudada. Uma alta cobertura do exame da população alvo é o componente mais importante no âmbito da atenção primária à saúde para a redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero16.

Constatou-se que 53% das mulheres haviam realizado o exame com intervalo inadequado, quando comparado à periodicidade recomendada pelo Ministério da Saúde para a realização do mesmo, equiparando-se a resultados de outros estudos51,28. A realização do exame mais de uma vez ao ano ou

anualmente sem indicação leva ao aumento dos custos sem redução significativa nos potenciais benefícios do exame52-56.

Estudos que abordam os motivos para a não realização do exame citopatológico, apontam que fatores como baixa escolaridade e baixo nível socioeconômico estão associados à não realização e à inadequação da periodicidade do exame citopatológico7,54,56-58. Dessa forma, acredita-se que a

periodicidade encontrada neste estudo aproxima-se dos dados de caracterização das usuárias, uma vez que 79% possuem o ensino fundamental completo.

Ainda quanto à caracterização das usuárias, nota-se que apenas 20% das mulheres referiram usar ACO, sendo este um percentual inferior a outros estudos na área59.Uma vez que na comparação entre os dados da Ficha de Requisição do Exame e do sistema estes tiveram informação igual em 91% da amostra analisada, acredita-se que estes dados realmente reflitam a amostra de usuárias estudada. Questiona-se, então, o porquê há uma redução no uso de ACO e quais métodos contraceptivos estas usuárias utilizam.

Destaca-se que o maior número de alterações citopatologicas (63,7%) ocorreu na faixa etária de 25-65 anos, semelhante ao que a literatura aponta, sendo essa faixa etária a de maior ocorrência das lesões de alto grau, passíveis de serem tratadas efetivamente para não evoluírem para o câncer60- 62.

O SISCOLO/SISCAN é uma ferramenta de auxílio ao controle do câncer do colo do útero, e seus dados são imprescindíveis para o conhecimento epidemiológico, a fim de melhorar ações de rastreamento no país. Nesse sentido, faz-se necessário que os profissionais de saúde que inserem os dados no sistema o conheçam, o que pode favorecer maior precisão na inserção de dados38,63,64.

Quanto ao treinamento para a utilização do sistema, apenas 28% dos profissionais afirmaram o terem recebido; os demais 72% referiram que aprenderam a utilizar o sistema com colegas de trabalho. Autores38 relatam que a falta de treinamento e/ou instruções de como utilizar os sistemas podem propiciar a produção de dados de má qualidade, não somente do ponto de vista de serem incompletos como, também, não fidedignos.Assim, o processo de qualificação manifesta-se fragmentado e desestruturado, não sendo suficiente para o bom desempenho do trabalho no cotidiano do profissional. Faz-se indispensável atividades de treinamento para facilitar o processo de trabalho dos profissionais de saúde, no qual eles possam ter mais segurança no desempenho de suas atividades.

Soma-se ao baixo conhecimento dos profissionais acerca do sistema o fato destes não conhecerem as ferramentas e os recursos que o mesmo apresenta. No campo seguimento, cujo objetivo é acompanhar as mulheres com exames suspeitos ou alterados, e verificar se estão sendo avaliadas e tratadas de forma adequada e em tempo oportuno, auxiliando os serviços na busca ativa das mesmas, 87% dos profissionais relataram que nunca utilizaram esse campo, sendo que em maioria (68%) afirmaram não o terem utilizado por desconhecimento da ferramenta.

A falta de clareza dos profissionais com relação aos dados também é um fato comprometedor para um bom registro das informações. No

SICOLO/SISCAN, o motivo da realização do exame (rastreamento, seguimento ou repetição) é campo obrigatório, entretanto, somente 20% dos profissionais tinham clareza sobre a definição dos três motivos38,63-65.

O SISCOLO/SISCAN foi considerado simples, porém subutilizado pelos profissionais, uma vez que não reconhecem o sistema como uma ferramenta de auxílio no cotidiano de trabalho, e sim um dificultador nesse processo.

Apenas 15% dos profissionais referiram utilizar o manual, ademais foi observado clareza em uma única etapa que foi a de solicitação de exames. O não treinamento, atrelado a pouca divulgação e clareza do manual, torna a operacionalização do sistema, que por mais simples que seja, dificultosa, visto que cada profissional faz a sua maneia, aumentando a chance das informações geradas serem de má qualidade.

O tempo despendido pelo profissional para inclusão dos dados no sistema, ou seja, digitar uma ficha de requisição de exame, apresentou média de 13,7 minutos (DP 11,4), com mediana de 10 minutos (mín. 2 e máx. 50). Infere-se que a instabilidade do sistema influencie no tempo gasto para realizar a digitação.

A ligação do sistema com o CAD-WEB traz dificuldade ao cadastro no SISCOLO/SISCAN, uma vez que, se a usuária não possuir cadastro no CAD- WEB, não é possível registrar dados. Outro aspecto relevante é que os dados sociodemográficos são exportados diretamente para o SISCOLO/SISCAN, com exceção da variável escolaridade. Assim, se a usuária não tiver seus dados no CAD-WEB atualizados, informações desatualizadas são levadas ao SISCOLO/SISCAN, sem poderem ser alteradas.

Não foi possível realizar comparação dos resultados da avaliação do atributo simplicidade com outros estudos, pois não há estudos brasileiros que realizaram avaliação desse atributo do SISCOLO/SISCAN.

Na avaliação da qualidade dos dados, analisada pela completitude dos campos na variável escolaridade, 78,7% dos laudos não continham informação, sendo considerado um resultado ruim, em consonância com o encontrado no estudo realizado em Vitória (ES), na qual o atributo completitude foi de 99,8% para essa mesma variável45. Pode-se inferir que esse resultado é devido à não

obrigatoriedade de preenchimento do campo. As demais variáveis analisadas eram de campo obrigatório, e, assim, apresentaram completitude excelente.

Levando, portanto, em consideração somente a completitude dos dados, pode-se afirmar que o SISCOLO/SISCAN apresentou boa qualidade do dados, sendo que no geral só uma variável apresentou completitude ruim.

Quanto à consistência dos dados (comparação entre a ficha de requisição e sistema), na análise geral foram encontrados 24% de registros inconsistentes, apresentando consistência regular. No entanto, destaca-se que como algumas unidades de saúde descartavam as fichas de requisição digitadas ou não as utilizavam, a amostra foi reduzida, trazendo um risco de viés.

Quanto ao tempo de disponibilização do resultado do exame entre a coleta e o laudo final para a unidade de saúde, o sistema não apresentou boa oportunidade. Destaca-se que o resultado de exame, considerando o tempo entre a coleta e a disponibilização do resultado, obteve uma média de 87 dias, o que pode trazer implicações negativas para o seguimento e tratamento das mulheres com exames alterados66-67. A oportunidade encontrada neste estudo foi acima da esperada, comparado ao estudo realizado no ano de 2012 em Vitória (ES), na qual se encontrou uma média de 12,8 dias entre a coleta e o resultado44.

Na avaliação de estabilidade do sistema, 96% dos profissionais afirmaram que este ficou inoperante no último mês, e 65% que o mesmo ficou inoperante na ultima semana. Assim considera-se o SISCOLO/SISCAN como um sistema instável, o que reflete em outros atributos da qualidade, tais como simplicidade, qualidade dos dados e oportunidade.

O manuseio do sistema neste período do estudo e na interação com os profissionais que o utilizam permitiu identificar que o SISCOLO/SISCAN apresenta grandes restrições para o trabalho das unidades de saúde e laboratório. Além disso, foi possível verificar suas fragilidades ao iniciar a coleta dos dados, como o fato do sistema não gerar nenhum tipo de relatório (ferramenta que, até o término deste estudo, não estava habilitada).

No município do estudo, o sistema foi implantado há dois anos. Nesse período não foi possível acompanhar os dados de rastreamento do câncer do colo do útero a nível local ou realizar planejamentos.

Levando em consideração as respostas dos profissionais de saúde e a experiência vivida com o SISCOLO/SISCAN durante período deste estudo, identifica-se que, como tem sido utilizado o sistema, esse não viabiliza gerar relatórios para acompanhamento das informações a nível municipal.

O SICOLO/SISCAN é um sistema com grande potencial para auxílio à equipe de saúde e no controle do câncer do colo do útero, uma vez que é capaz de proporcionar dados epidemiológicos, permitindo a criação de ações para rastreamento organizado; porém, este necessita de melhorias para que alcance seus objetivos.

O estudo concluiu, portanto, que SISCOLO/SISCAN atinge parcialmente seu objetivo, mostrando que o sistema necessita de grande aprimoramento para ser aceito pelos profissionais de saúde do município.

Entre as limitações deste estudo destaca-se: a falta de estudos de avaliação do SISCOLO/SISCAN que permitam comparação; os dois estudos de avaliação do SISCOLO/SISCAN desenvolvidos previamente avaliaram diferentes atributos e usaram referenciais metodológicos distintos; não foi possível alcançar o número de 10% na comparação entre os dados da ficha de requisição do exame e sistema; os dados foram coletados via sistema SISCOLO/SISCAN, uma vez que o município não tem acesso ao banco de dados deste sistema.

Recomenda-se futuros estudos de avaliação do SISCOLO/SISCAN em diferentes cenários, utilizando referenciais metodológicos semelhantes, permitindo comparação entre os resultados dos estudos.

Como produto deste estudo, são apresentadas recomendações aos níveis federal e municipal quanto à avaliação do SISCOLO/SISCAN. Nesta lista de recomendações são detalhados os principais problemas encontrados no sistema e possíveis medidas para seu aperfeiçoamento (Apêndice 4).