A reparação de remates constitui-se como técnica de reparação curativa e preventiva. Esta técnica aplica-se em pontos singulares tais como platibandas, clarabóias, soleiras e chaminés.
A reparação dos pontos singulares enunciados torna-se por vezes difícil, porque os sistemas de impermeabilização são de materiais diferentes dos pontos singulares, e o espaço disponível para o trabalhador operar é demasiado reduzido.
Dependendo dos casos, torna-se vantajoso e prático fazer a reabilitação dos remates com membrana líquida de poliuretano (Figura 4.20). Esta solução tem uma grande aderência a todo o tipo de materiais, como betuminosos, betonilhas, elementos metálicos e de madeira e adapta-se com facilidade a qualquer tipo de geometria do remate.
4.14 Dissertação de Mestrado Integrado em Engenharia Militar As anomalias pontuais que ocorrem em coberturas em terraço consistem muitas vezes em fendilhações dos remates do sistema de impermeabilização com os elementos emergentes da cober- tura ou deficiências nas embocaduras dos tubos de queda. Nestes casos, recomenda-se uma das seguintes soluções:
aplicação de um revestimento de impermeabilização de ligante sintético, como tra- tamento curativo;
aplicação de uma nova argamassa de reboco (Figura 4.21);
recobrimento dessa zona por um rufo metálico fixado mecanicamente ao elemento emergente (Figura 4.22).
De um modo geral, os problemas de má impermeabilização nas soleiras devem-se à falta de altura da base da soleira e ao arrancamento da membrana de impermeabilização, sendo a reabilita- ção de cada caso distinta.
No caso em que a base da soleira se encontra elevada, a cotas superiores a 10 cm, e o reves- timento não se encontra encastrado entre a soleira e o seu suporte, o procedimento consiste em retirar a porta e a caixilharia, bem como os elementos sobrepostos ao sistema de impermeabilização na zona envolvente da cobertura. Posteriormente, é colocada a impermeabilização sob a soleira e executada a ligação com a impermeabilização da cobertura, garantindo uma sobreposição mínima de 10 cm. Por fim, recoloca-se os elementos superiores à impermeabilização, incluindo o revestimento da soleira.
Quando a soleira não tem altura suficiente para impedir a entrada de água, é necessário re- mover todos as camadas envolventes na cobertura até se atingir a camada de forma. A solução con- siste em executar um murete de alvenaria com o propósito de fazer um degrau de soleira, com uma altura suficiente, para que, conjuntamente com o revestimento de impermeabilização, impeçam a passagem água para o interior. Após executar o murete, coloca-se a membrana de impermeabiliza- ção de modo a acompanhar a subida do paramento vertical e ficar por baixo da pedra de soleira (An- tónio, 2011). A Figura 4.23 representa a forma correta de execução do remate com um elemento emergente. A Figura 4.24 representa uma execução errada de remate da soleira.
Nos pontos singulares referidos, deve ser executado um remate em toda a envolvente, numa altu- ra compreendida entre 15 e 30 cm, acima do piso acabado. Este remate permite diminuir a possibilidade de a água acumulada na cobertura penetrar através das zonas superiores dos elementos emergentes.
Figura 4.21 - Pormenor de remate embutido em roços [w29]
Figura 4.22 - Pormenor de remate protegido com rufo metálico [w29]
Dissertação de Mestrado Integrado em Engenharia Militar 4.15
Figura 4.23 - Pormenor de soleira (adaptado de Imperalum, 2014) Figura 4.24 - Pormenor errado de uma soleira (adaptado de Lopes, 2010)
Os ângulos salientes ou reentrantes devem ser arredondados, contribuindo para uma melhor aderência, particularmente das membranas betuminosas. Ainda para aumentar a resistência da zona dos remates aos esforços mecânicos, deve ser aplicada nessa zona uma banda de reforço com cerca de 30 cm de largura. Quando executado em elementos de alvenaria ou betão, o remate deve ficar embutido em roços ou, em alternativa, protegido superiormente por elementos prefabricados, por exemplo rufo metálico.
No primeiro caso, as fendas que ai se formem devem ser previamente alargadas e preenchi- das com um mastique compatível com o revestimento a aplicar. Posteriormente, deve ser aplicado um revestimento curativo com um consumo húmido de cerca de 1,0 kg/m2.
No segundo caso, a nova argamassa de reboco dever ser de cimento e areia, aplicada em duas camadas: a primeira com um traço volumétrico 1:3 (cimento: areia) e a segunda com um traço volumétrico 1:5 (cimento: areia). A primeira camada deve ser precedida de um salpisco com arga- massa rica em cimento para garantir condições de aderência.
No caso de aplicação do rufo metálico, o bordo superior deve ser preenchido com um masti- que apropriado e as peças de fixação do rufo devem ser aplicadas contra anilhas rígidas de distribui- ção da força de aperto e anilhas vedantes.
Na aplicação da impermeabilização junto a platibandas, é importante que a membrana se prolongue até cobrir a face superior do murete, especialmente se esse murete não tem uma altura significativa, até cerca de 0,5 m. No caso de ter uma altura superior a 0,5 m, o recomendado é aplicar o já referido rufo metálico fixado mecanicamente (Alves, 2013).
O capeamento da platibanda pode ser feito pela utilização de peças prefabricadas em pedra, betão, cerâmica ou metálicas. Estas peças deverão ter, preferencialmente, uma ligeira pendente para o interior da cobertura para evitar a acumulação de água no seu topo (Figuras 4.25 e 4.26). A fixação do capeamento à platibanda com peças em betão ou cerâmica é feita com cimento-cola. No caso das peças em chapa metálica, a fixação é mecânica e recomenda-se a utilização de anilhas vedantes nos pontos de fixação para evitar infiltrações por estes locais (Lopes, 2011).
4.16 Dissertação de Mestrado Integrado em Engenharia Militar
Figura 4.25 - Pormenor de platibanda [adaptado de w20] Figura 4.26 - Exemplo de platibanda com capeamen-
to em chapa metálica [adaptado de w20]