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A designação desta anomalia pretende cobrir todas as anomalias relacionadas com a ausência / insuficiência de remates, em locais como soleira de portas, elementos emergentes, juntas e platibandas.

Relativamente à tipologia de remates, segundo LNEC (2002), podem identificar-se duas tipologias: remate protegido (Figura 3.79) e remate não protegido (Figura 3.80).

Tal como refere Pierce (2004), citado na revista Buildings Magazine, “95% das infiltrações ocorrem devido à execução deficiente de remates”.

Os remates devem possuir uma altura suficiente de forma a prevenir o deslizamento e a formação de um “caminho” que leve a água a infiltrar-se no interior do edifício. Segundo a legislação francesa, no caso dos revestimentos betuminosos tradicionais, a altura máxima permitida para o remate da impermeabilização é de 1,0 m contra um paramento de alvenaria (CSTB, 1986). Na generalidade dos revestimentos de impermeabi- lização, é comum adotar-se um valor mínimo de 0,15 m (Lopes, 2010) (Figura 3.81).

Quando o remate termina debaixo de um rufo e o seu topo não se encontra bem selado, então o remate não é protegido da ação da água, promovendo-se assim a infiltração da mesma pela parte superior do rufo po- dendo posteriormente migrar para o interior do edifício. Nestas zonas, é frequente ocorrer o deslocamento dos remates que podem ser limitados se a base do remate, através de uma disposição construtiva, for des- solidarizada, na extensão adequada, com o revestimento corrente de impermeabilização. Para este efeito,

______________________________________________________________________________________ pode recorrer-se a um cordão flexível colocado no perímetro da tubagem (Lopes, 2010).

Legenda:

3 - Banda de reforço (membrana Polyester R50V ou equivalente) 4 - Membrana Polyester R50V 5 - Primário betuminoso 6 - Suporte de betão 7 - Reboco armado

Figura 3.79 - Remate protegido (adaptado de LNEC, 2012)

Legenda:

1 - Mastique 2 - Rufo metálico

3 - Banda de reforço (membrana Polyester R50V ou equivalente) 4 - Membrana Polyester R50V 5 - Primário betuminoso 6 - Suporte de betão

Figura 3.80 - Remate não protegido (adaptado de LNEC, 2012)

Figura 3.81 - Pormenorização de remate em platibanda (adaptado de Imperialum, 2015)

Relativamente ao topo superior do remate, este pode ser protegido através da sua cintagem e aperto nessa zona, complementada com um vedante apropriado. É comum verificar que o remate não satisfaz a proteção adequada do bordo superior (Figuras 3.82 e 3.83), com produtos de colagem, peças e produtos tradicionais, tais como rufos e mastiques, ou introduzindo o remate no elemento emergente, interessando não só toda a espessura do reboco, mas penetrando pela alvenaria dentro (LNEC, 2002).

______________________________________________________________________________________ Figura 3.82 - Ausência de proteção adequada do bordo

superior do remate

Figura 3.83 - Infiltrações em chaminés devido à ausência de remates

Para além da importância da adequada execução dos remates na periferia da cobertura, existe outro ponto crítico, debaixo das soleiras das portas. Segundo Lopes (2010), é um ponto crítico, simplesmente porque os remates não são nem executados nem projetados convenientemente. A Figura 3.84 apresenta uma boa con- ceção de um remate por baixo da soleira da porta, tal como é referido em 3.4.2.2.

Nos elementos emergentes como platibandas, chaminés e tubos emergentes também é essencial a correta execução de remates. Na Figura 3.85, exemplifica-se a adequada pormenorização de um remate junto de um tubo emergente.

Figura 3.84 - Remate bem executado na soleira de uma porta (Imperalum, 2015)

3.4

Classificação das causas associadas às anomalias

Uma anomalia numa cobertura em terraço pode não ser apenas resultado de um erro específico de projeto, de fabrico ou de execução, mas sim de um conjunto de fatores relacionados, quer com a conceção, quer com condições particulares de fabrico, quer ainda com os processos e cuidados de aplicação dos vários materiais. Evidentemente que em algumas situações alguns destes casos assumem especial relevância face aos outros (Lopes, 2010).

______________________________________________________________________________________ Figura 3.85 - Pormenor construtivo de remate em tubagem emergente (Lopes, 1994)

Para melhor compreensão da importância desta temática e apesar da carência de dados estatísticos referen- tes à patologia da construção em Portugal, optou-se por apresentar dois raros exemplos de estudos realizados em solo nacional. Em todos os domínios da patologia da construção, e em particular nas coberturas planas, tais estudos teriam o maior interesse, quer em termos preventivos, quer corretivos, e poderiam constituir um valioso contributo para uma estratégia de melhoria da qualidade da construção.

Referindo um estudo realizado por Silva e Gonçalves (2001) (Figura 3.86), em Portugal, a mais de duas centenas de casos de obras, pode observar-se que mais de 80% dos defeitos se ficam a dever a erros de conceção e aplicação.

Figura 3.86 - Distribuição das anomalias em coberturas em terraço (adaptado Silva e Gonçalves, 2001)

Um estudo mais recente, elaborado por Gonçalves (2007) (Figura 3.87), acerca da origem das causas de anomalias na construção no território nacional, apresenta resultados semelhantes ao anterior. Os erros de execução e de projeto continuam a ser as principais causas de anomalias, com quase 60% das incidências; no entanto, regista-se um aumento do impacte das ações ambientais (19%) e falhas de manutenção (14%). Não é objetivo da presente dissertação a descrição exaustiva das causas, mas sim o estabelecimento de uma tipificação segundo grupos de responsabilidade de origem humana ou natural, das mesmas causas. Por outro lado, algumas destas causas já foram abordadas de forma sintética em 3.3, o que é inevitável para a com- preensão da essência das anomalias.

0% 10% 20% 30% 40% 50% Conceção Aplicação Materiais Utilização 38% 44% 10% 8% Conceção Aplicação Materiais Utilização

______________________________________________________________________________________ Figura 3.87 - Ocorrência das causas das anomalias (Gonçalves, 2007)

O universo de possíveis causas aqui apresentado é dependente do universo de anomalias previamente defi- nido. Como tal, apenas se considerou as possíveis causas para as anomalias definidas anteriormente. Assim sendo, possíveis causas de anomalias referentes, por exemplo, à camada de proteção não serão abordadas. É conveniente esclarecer que a designação “Conceção / pormenorização” procura incluir, também, as situa- ções de ausência, por exemplo, na causa “Conceção / pormenorização deficiente das camadas a aplicar” inclui-se a situação de ausência de isolamento térmico, barreira pára-vapor ou da camada de dessolidariza- ção. Existem ainda causas que não podem ser identificadas numa eventual inspeção, como no caso do defi- ciente armazenamento de materiais ou aplicação em condições térmicas desfavoráveis, mas no entanto não deixam de ser possíveis causas para algumas das anomalias já identificadas.

Nesta fase, para a organização das possíveis causas, considerou-se os seguintes subgrupos: Erros de projeto / conceção - Erros de execução - Ações ambientais - Erros de manutenção / utilização - Ações de origem mecânica exterior. Estes subgrupos enquadram-se em dois grupos principais: o grupo das causas diretas, que engloba as ações ambientais e as ações mecânicas exteriores, e o grupo das causas indiretas, que engloba os erros de projeto /conceção, de execução e de utilização / manutenção.

Como resultado deste processo, dispõe-se no Quadro 3.4 o sistema de classificação proposto de possíveis causas para todo o universo de anomalias já apresentado em 3.2.