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No presente trabalho, realizou-se uma campanha de inspeções com o objetivo principal de validar o sistema classificativo proposto. Com a validação efetuada do sistema, pretende-se assim que o sistema de apoio à inspeção resultante deste trabalho auxilie da melhor forma as inspeções regulares (Pereira, 2008).

A realização de inspeções tem o objetivo de identificar as causas determinantes de cada anomalia e os sinais de pré-patologia, permitindo, durante a fase de utilização, aumentar a capacidade de detetar a necessidade de intervenção e assim reduzir o número de anomalias imprevistas (Morgado, 2012).

Através de inspeções e respetiva manutenção, é possível que os materiais em questão apresentem uma durabilidade semelhante à própria vida útil do edifício (Quadro 5.1).

As ações de manutenção de qualquer elemento construtivo pretendem corrigir pequenas deficiências decor- rentes do uso, das ações exteriores e do envelhecimento natural dos materiais e elementos construtivos. A realização de ações de manutenção eficazes e com periodicidades adequadas permite minimizar a degrada- ção prematura dos elementos construtivos durante a sua vida útil (Flores-Colen e Brito, 2010).

Neste caso em concreto, a campanha de inspeções realizada teve como principal objetivo validar o sistema classificativo proposto neste trabalho. A validação do sistema é fundamental, uma vez que permite a criação de um sistema de apoio à inspeção que auxilie as inspeções regulares a coberturas em terraço.

Silvestre (2005) realça que a eficiência das soluções de reparação de anomalias e de eliminação das causas das mesmas deverá ser avaliada através de inspeções pós-intervenção não periódicas (simultâneas com as inspeções correntes ou detalhadas), para se verificar o comportamento da mesma ao longo do tempo. Desta forma, poder-se-á detetar possíveis fenómenos de repatologia, devendo ser programada a respetiva repara- ção. Por esta razão, poder-se-á recomendar o emprego do conceito de manutenção pró-ativa (adaptado de Flores, 2002).

______________________________________________________________________________________ Quadro 5.1 - Valores máximos e mínimos das vidas úteis dos diversos elementos do sistema de cobertura (adaptado Mor-

gado, 2012) Elementos Material Vida útil HAPM E BFCLM (1999) RICS (2001) SCHNEIDER E KE- ENAN (1997); HED (1999) NRCA e NAHB (2007) Estrutura suporte Madeira 35 40 - 40 Betão ar- mado 30-35 - - 30-35 Metálica 30-35 30 - 40 Camada impermeabili- zação Asfalto 35 36 - 25-35 Betume 35 19 17 20 Plásticos 30-35 27 10 25-35 Camada de proteção Mineral 20-25 20-30 - 25 Sintético 20-35 25 19 20-50 Metálico 10-25 35-39 - 20 Madeira - 37 - - Sistema de isolamento térmico Mineral 35 36 - 35 Vegetal Sintético Sistema de drenagem Metálico 20-35 - - 20-40 PVC 10 - - 30 Fibrocimento 20-25 - - Fibra de vidro 20-30 - - 50

Sistema de remates Metálicos 15-35

- -

20 Membranas

betuminosas - -

Elementos de fixação Metálicos 20 - - 20

5.2.1 Mapeamento das anomalias

Uma das ferramentas que se recomenda durante as inspeções é a utilização do mapeamento de anomalias em complemento às fichas de inspeção, uma vez que estas fichas não permitem por si só localizar com exatidão as anomalias identificadas.

O mapeamento consiste em determinar a incidência de cada anomalia em toda a sua extensão, bem como a gravidade da sua expressão, permitindo a definição de um projeto de reparação e de outros elementos cons- trutivos degradados. Este procedimento, inicialmente através da simples observação visual (auxiliada pelas fotografias de cada anomalia presentes nas fichas de anomalia), deve ter como base as plantas dos edifícios e pode ser complementado por dados mais precisos após a execução de uma inspeção detalhada.

Na execução do mapeamento, deve ser preenchida uma malha simplificada (com quadrados de dimensão adequada à dimensão da cobertura) onde são identificadas as áreas afetadas pelas anomalias e a sua ex- tensão, ou recorrendo a fotografias do local, onde devem ser assinaladas as mesmas anomalias (adaptado de Silvestre, 2005).

5.2.2 Fichas de inspeção

As fichas de inspeção têm como objetivo condensar informação sobre as inspeções a coberturas em terraço, nomeadamente as características do edifício e outras informações destinadas à caracterização das anomalias identificadas. Deste modo, as fichas de inspeção incluem os seguintes campos:

 cabeçalho com o número da ficha de inspeção, a data da inspeção, o responsável pela mesma e o objetivo da inspeção;

______________________________________________________________________________________  a localização, o tipo de utilização dominante, intervenções posteriores, o n.º de pisos acima do solo,

o tipo de envolvente e a proximidade do mar (menos de 1 km, entre 1 e 5 km, mais de 5 km);  para cada cobertura em terraço:

 o acesso ao interior do edifício;  a área total e inclinação;

 o tipo de cobertura (sem isolamento térmico, tradicional, invertida ou não é possível saber (N.S.);  tipo de utilização (acessível, não acessível);

 tipo de proteção (pesada, leve, não existe);

 material de isolamento térmico (mineral, sintético, não existe);

 existência de fixação mecânica (no capeamento, nos remates, no isolamento térmico, não existe ou não se sabe);

 existência de caminhos de circulação;

 as singularidades existentes (platibandas, caleiras, soleiras, chaminés, elementos emergentes, tu- bos ladrão, juntas de dilatação, clarabóias, tubos de queda, equipamentos, guarda-corpos, áreas técnicas).

 para eventuais operações de manutenção efetuadas:

 a tipologia implementada e a periodicidade das inspeções e/ou das intervenções efetuadas;  as características das intervenções efetuadas, como a data de execução, técnica utilizada e os res-

petivos materiais;

 os meios de acesso existentes na cobertura do edifício para a realização das operações de vistoria / intervenção;

 o registo de observações finais de inspeção.

Nos anexos 5.I e 5.III, apresenta-se, respetivamente, um exemplar de uma ficha de inspeção e um de uma ficha preenchida.

Em relação ao preenchimento das fichas durante as inspeções, ocorrem, por vezes, alguns problemas:  dificuldade em obter informações, relativamente às intervenções anteriores e à própria constituição

do sistema da cobertura;

 dificuldade em aceder ao interior dos edifícios a fim de analisar a existência de eventuais anomalias no interior do edifício;

Naturalmente que, por vezes, estas dificuldades impedem a recolha de informação preciosa para a análise de anomalias.

5.2.3 Fichas de validação

As fichas de validação, tal como a própria designação indica, destinam-se a validar o sistema de inspeção e diagnóstico proposto, sendo que, para tal, se criou uma ficha de validação para cada cobertura analisada. Nestas fichas, foi efetuado o registo das anomalias detetadas (sempre igual ou superior a uma, dado que só foram inspecionadas coberturas que apresentavam anomalias) de acordo com a classificação apresentada no capítulo 3. As anomalias foram ainda caracterizadas nas fichas de validação em função de vários parâme- tros (apenas nos aplicáveis), como sejam:

 condições para que o fenómeno progrida;  percentagem de área afetada;

______________________________________________________________________________________  estado de degradação;

 manchas de humidade;  ocorrência de infiltrações;

 o fenómeno pode no curto / médio prazo vir a afetar o estado do revestimento de impermeabilização;  materiais adequados;

 recobrimentos adequados nos remates;  existência do elemento em questão;  junta sobreelevada;

 largura de sobreposição suficiente;  existência de ralos nas embocaduras;  localização adequada;

 inclinação insuficiente;  nível de gravidade.

Após a identificação das anomalias e dos respetivos parâmetros, foram assinaladas, in situ, as causas prováveis, diretas e indiretas, da ocorrência daquelas. Este procedimento tem por base o sistema classificativo apresentado no capítulo 3, bem como os respetivos métodos de ensaio, caracterizados no apítulo 4. A análise estatística e a validação do sistema classificativo, apresentadas posteriormente, têm por base toda a informação presente nestas fichas.

Nos Anexos 5.II e 5.IV, apresenta-se, respetivamente, um exemplar de uma ficha de validação e um de uma ficha preenchida.