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O teste de estanqueidade é um dos testes mais básicos podendo igualmente ser o mais eficaz (Capolino, 2004). Por outro lado, a Canadian Roofing Contractors’ Association (CRCA) (2007) recusa o recurso a este método afirmando que os riscos associados ao mesmo não são compensadores do benefício potencial do resultado final. A mesma entidade afirma que este método não fornece informação sobre a qualidade da conceção da

______________________________________________________________________________________ Sistema de inspeção e diagnóstico de anomalias em coberturas em terraço 4-14 cobertura ou sobre a durabilidade dos materiais. O método fornece informação sobre a existência de infiltra- ções, se a quantidade de água aplicada em teste for adequada, mas para além disso não permite avaliar o seu comportamento a longo prazo, tal como não fornece indicações sobre a resistência do sistema de cober- tura à ação do vento ou comportamento face à ação da temperatura.

Para a realização deste teste, o sistema de drenagem é selado, tipicamente durante 24-72 horas (ASTM, 1998), enquanto se enche a cobertura com água, formando uma lâmina de água com um mínimo de 2,5 centímetros de altura (Figura 4.22 e Figura 4.23) (Schwetz, 2014) (Capolino, 2004)9. Simultaneamente, a face inferior da cobertura no interior da habitação é inspecionada de forma a detetar eventuais infiltrações. É fundamental a correta interpretação da estrutura que suporta a cobertura de forma a não exceder a capa- cidade de suportar a carga aplicada (pela lâmina de água). A capacidade de a estrutura suportar o peso exercido pela lâmina deve ser examinada por uma entidade credenciada de forma a não ocorrer o colapso da estrutura. A lâmina de água não só exerce força na vertical (peso), como também gera impulsos horizontais nos elementos de contorno, nomeadamente nas platibandas. Nestes elementos, é igualmente necessária uma verificação de segurança aos impulsos hidrostáticos (ASTM, 1998).

Figura 4.22 - Ensaio de estanqueidade em cobertura. Fonte: http://www.constructionspecifier.com/tag/roofing-

Figura 4.23 - Ensaio de estanqueidade em edifício

A concretização deste método apresenta algumas dificuldades, tais como: a demora no enchimento da co- bertura com água, no teste e na drenagem da água após teste; dependendo da inclinação da cobertura, a água necessária para executar o teste pode aumentar, ou seja, para uma maior inclinação é necessária uma maior quantidade de água; relativamente à quantidade de água necessária, é imprescindível uma análise da mesma, tendo em conta a capacidade resistente da estrutura, como referido.

Neste contexto, é sempre possível a divisão da cobertura em áreas isoladas mais pequenas, testando-as individualmente. Uma vez terminado o teste, a água deve ser removida de forma segura e o sistema de drenagem desobstruído (Capolino, 2004).

Este teste tem ainda a desvantagem de, no caso de a membrana de impermeabilização não oferecer total estanqueidade, a água infiltrada poder alojar-se entre a membrana e o seu suporte (Figura 4.24), tal como Schwetz (2014) observou num caso de estudo de uma cobertura em terraço de um edifício construído no ano de 2007 em Nova York.

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Figura 4.24 - Humidade alojada entre a membrana de impermeabilização e o seu suporte (Schwetz, 2014)

4.3

Matriz de correlação anomalias - técnicas de diagnóstico

Após a identificação de uma anomalia em cobertura em terraço, através da consulta da matriz de correlação anomalias - técnicas de diagnóstico, consegue-se definir o método mais adequado em termos de extensão e gravidade.

Através desta matriz, é possível fornecer ao inspetor a informação relativa aos ensaios que possuem grande relação com as anomalias, por serem de fácil execução através de equipamento acessível, bem como listar ensaios de pequena relação, os quais se caracterizam pelo alto custo, elevada exigência técnica ou campo de aplicação reduzido. Existem, no entanto, anomalias que podem ser caracterizadas recorrendo apenas à observação visual não assistida, podendo assim ser parametrizadas sem que seja necessário executar qual- quer ensaio in situ (Silvestre, 2008).

Na matriz de correlação anomalias - técnicas de diagnóstico apresentada (Quadro 4.3), na interseção de cada linha (anomalias) com cada coluna (método de diagnóstico) é inscrito um número, que representa o grau de correlação entre ambos, de acordo com o seguinte critério (Brito, 1992):

 0 - SEM CORRELAÇÃO - não existe qualquer relação entre a anomalia e a técnica de diagnóstico;  1 - PEQUENA CORRELAÇÃO - técnica de diagnóstico adequada à caracterização de determinada

anomalia, embora possua limitações, em termos de execução técnica ou de custo, que reduzem o espectro da sua aplicabilidade;

 2 - GRANDE CORRELAÇÃO - técnica de diagnóstico adequada à caracterização de determinada anomalia, cuja execução é de exigência técnica mínima e o equipamento necessário acessível, tor- nando a respetiva área de aplicação abrangente.

Como exemplo da relação entre as anomalias e as técnicas de diagnóstico referidas, são apresentados no Quadro 4.4 os vários ensaios que podem ser utilizados no diagnóstico da anomalia A-G9 - Deficiências de inclinação / empoçamento.

Após a conclusão da matriz de correlação para todas as anomalias, é possível definir a metodologia a seguir em cada uma das situações, permitindo assim planear os meios humanos e materiais a afetar, para otimizar o prazo de execução da campanha de ensaios (Garcez, 2009).

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Quadro 4.3 - Matriz de correlação anomalias - técnicas de diagnóstico

D-A1 D-A2 D-B1 D-B2 D-C1 D-D1 D-E1

A-G1 2 0 0 0 0 0 0 A-G2 2 0 2 2 2 2 2 A-G3 2 0 0 0 0 0 0 A-G4 2 0 0 0 2 0 0 A-G5 2 0 0 0 0 0 0 A-G6 2 0 0 0 0 0 2 A-G7 1*1 0 0 0 2 0 0 A-G8 2 0 0 0 0 0 0 A-G9 2 2 0 0 2*4 0 0 A-G10 2 0 0 0 2 0 0 A-G11 2 0 0 0 0 0 0 A-G12 1*2 0 2 2 2 2 2 A-S1 2 0 0 0 0 0 0 A-S2 2 0 0 0 0 0 0 A-S3 2 0 0 0 0 0 0 A-S4 2 2 0 0 0 0 0 A-S5 2 0 0 0 0 0 0 A-S6 1*3 0 0 0 0 0 0 A-S7 2 2 0 0 0 0 0 A-S8 2 0 2*5 0 2 0 2

*1 Necessário recorrer a técnicas destrutivas.

*2 Não é possível para humidade de construção presente nos materiais e entre camadas do sistema de cobertura. Deve-se recorrer a outros métodos auxiliares, por exemplo à deteção elétrica ou termografia.

*3 Caso seja no isolamento térmico, terá de se recorrer a técnicas destrutivas. *4 No caso do empoçamento.

*5 Só no método de baixa tensão.

Quadro 4.4 - Correlação entre os ensaios in situ e a anomalia A-G9 - Deficiências de inclinação / empoçamento