2. HAVZA PLANLAMASI VE YÖNETĠMĠ YAKLAġIMLARI
2.4. Su Kaynaklarının Yönetiminde ve Planlama HiyerarĢisinde ‗Havza‘ Ölçeği
A defesa da eleição direta, como critério para escolha de diretores escolares está fundamentada em seu caráter democrático. “À medida que a sociedade se democratiza, e como condição dessa democratização, é preciso que se democratizem as instituições que compõem a própria sociedade” (PARO, 2003, p. 26). Na rede estadual de ensino do RN, a instituição de eleição para diretores de escola estava garantida legalmente pela Constituição Estadual de 1989. Embora houvesse sido experienciada em algumas escolas da rede estadual de ensino, nas décadas de 1980 e 1990, só foi institucionalizada, tardiamente, para todas as escolas da rede pública estadual, no governo de Vilma de Faria (2003 a 2006), dezesseis anos após a promulgação da Constituição Estadual (RIO GRANDE DO NORTE, 2008).
A Lei Complementar nº 290/2005 institucionaliza as eleições diretas para a Equipe de Direção da escola da rede estadual de ensino do Estado do Rio Grande do Norte. O processo eletivo, de acordo com essa legislação, deveria ocorrer em duas etapas sendo: cinquenta por cento das escolas no ano de 2005, e cinquenta por cento das escolas em 2006 (RIO GRANDE DO NORTE, 2005a).
Considerando os mecanismos legais, atualmente, o processo de eleições diretas para as Equipes de Direção de Escola encontra-se consolidado, visto que “[...] só ocorrerá eleição nas escolas que tenham mais de cem estudantes matriculados e mais de dois anos de funcionamento, contados da data da publicação da presente Lei Complementar” (art. 33; § 2º). (As escolas que não atendem a esses critérios mantém a tradição da indicação política para escolha do diretor). Os dados fornecidos pela Coordenadoria dos Órgãos Regionais de Educação – Core/SECD/RN, confirmam que, ainda, em 2005, foi realizada a primeira etapa das eleições, contemplando 165 municípios e um total de 298 escolas, que elegeram seus diretores e vice-diretores para o biênio 2006/2007. No ano seguinte (2006), a segunda etapa contemplou mais 256 escolas para o biênio 2007/2008. Dessa forma, se consolida em termos de universo determinado pela Legislação. Pelo proposto, se repetirá o processo, alternando-se a cada dois anos um grupo de escolas que escolhe os seus diretores pelo voto direto da comunidade.
Nesse contexto, a Escola Estadual 11 de Agosto foi contemplada com a eleição direta, logo na primeira etapa. O curioso é que a legislação preceitua, em seus artigos 5º e 6º, a eleição para Equipe de Direção (RIO GRANDE DO NORTE 2005a). A escola em tela já realizou dois pleitos e, em nenhum deles, houve disputa de coordenadores. Apesar de
existirem esses coordenadores na escola, não são escolhidos pelo voto direto da comunidade; nenhum deles se propôs a compor a chapa como candidato para preencher esses cargos. Na verdade, ocorre eleição apenas para diretor e vice - diretor. Nesse sentido, também “[...] não existe um grupo gestor, existe um diretor, um grupo gestor implicaria em participação, gestão e democracia, democracia entre aspas” (COORDENADOR 1).
A própria legislação é contraditória quando estabelece a modalidade de escolha dos coordenadores, deixando facultativo tanto para Secretaria de Educação do Estado, como para o próprio diretor da escola, conforme estabelecem os artigos 5º, 6º e do Parágrafo único da lei.
Art. 5º - A administração da Escola no âmbito da gestão pedagógica e administrativo-financeiro será de responsabilidade da Equipe de Direção da Escola.
Art. 6º - A Equipe de Direção da Escola será composta pelo Diretor, pelo Vice-Diretor, pelo Coordenador Pedagógico e pelo Coordenador- Administrativo.
Parágrafo Único – A aplicação do disposto no caput deste artigo não implica a criação de cargo ou funções de provimento em comissão, sendo facultada ao Poder Executivo a atribuição das competências conferidas ao Coordenador Pedagógico e ao Coordenador Administrativo-Financeiro a servidores habilitados da Secretaria de Estado da Educação, da Cultura e dos Desportos (SECD) ou ao Diretor da Escola (RIO GRANDE DO NORTE, 2005a).
Na visão dos coordenadores que assumem os cargos na escola, não teriam nenhuma vantagem para concorrerem às eleições, porque, uma vez legitimado pelo princípio legal, teriam que se comprometer com todos os turnos. Além de não terem vantagens no salário, só os comprometeriam com uma carga horária maior, haja vista que a escola funciona em três turnos. No entanto, em suas falas fica evidenciado que eles se ressentem da necessidade de uma coordenação que integre a escola nos três turnos. “Nunca mais houve uma reunião com nós todos juntos para avaliarmos, [...] há uma avaliação no turno matutino porque a coordenadora do matutino é quem conduz [...], mas ela não tem condições de conduzi-la nos outros turnos, porque ela não é dos outros turnos” (COORDENADOR 1).
A diretora, ao discutir essa temática, se mostrou desanimada; para ela, é difícil trabalhar com o grupo de forma integrada com a participação de todos. Em sua visão, as pessoas além de não contribuírem, ainda fazem cobranças por terem votado. Mais uma vez, observamos a correlação de forças no interior da Escola: ora a diretora preferia o poder verticalizado, em que ninguém questionava, ora desejaria que as pessoas se dispusessem a
participar de forma voluntária. Observamos, também, na sua fala, a compreensão de que o papel do dirigente deve ser puramente técnico, pronto a determinar quais soluções são mais adequadas para as questões administrativas e pedagógicas.
Ah! É muito difícil porque a questão dessa gestão democrática foi boa em parte a experiência, mas é muito difícil, você vê que quando o diretor era indicado era melhor de trabalhar do que hoje, eu sinto essa dificuldade antes a gente chegava dizia as coisas e as pessoas faziam tudo direitinho, tinham mais compromisso. Hoje qualquer coisa as pessoas fazem do mesmo jeito da política, as pessoas dizem ah! Eu contribuí e você quer me mandar [...], eu tenho esse jeito assim maleável, mas quando é para eu cobrar eu cobro. Faz muita falta um coordenador pedagógico, eu passo por essa dificuldade de uma pessoa que faça o trabalho nos três turnos, eu não acho o grupo atuante (DIRETORA, 2009).
Apesar de a experiência ser posta na perspectiva do exercício democrático, que pode se configurar como avanço na conquista da democratização da gestão escolar, ainda é evidente a centralidade das ações e de poder na figura do diretor. Nas escolas onde não houve a disputa pelo voto direto para os cargos de Coordenadores, Administrativo-financeiro e Pedagógico, eles passam a ser cargo de confiança do Diretor. Nesse sentido, Paro (2008), discutindo o homem como ser social e político, alerta para o fato de que, considerando a sua historicidade, ele jamais poderá ser visto de forma isolada. E é desse princípio que advém o ser político.
O político em seu sentido mais amplo significa, portanto, a produção da convivência entre pessoas e grupos. Essa convivência, como sabemos, pode ser produzida, basicamente, de duas formas: pela dominação – quando uma das partes (grupos ou pessoas) reduz ou anula a subjetividade da outra, tomando-a como objeto – ou pelo diálogo – quando há a troca de impressões, a contraposição de interesses e de vontades, mas com a predominância da aceitação mútua e da negociação, ou seja, quando a convivência se faz com a afirmação da subjetividade e ambas as partes envolvidas (PARO, 2008, p. 27).
Paro (2008) esclarece, ainda, as implicações para a educação dessa condição política do humano que diz respeito ao tipo de homem político que queremos formar numa sociedade democrática ou que tenha o horizonte de democracia. Nessa concepção, e, para que a gestão da escola seja democrática ou se coloque na perspectiva de democracia, é preciso que haja a participação dos sujeitos envolvidos e esse envolvimento só será efetivado se partir da
vontade dos sujeitos, não bastando, apenas, que se apliquem os mecanismos legais. Nesse sentido, concordamos com a discussão de Souza (2007), que corrobora a importância da realização da eleição de diretores, enfatizando-a como espaço de conquista e de liberdade da coletividade em substituição ao livre arbítrio. Chamo a atenção, no entanto, para o fato de que as eleições não asseguram a gestão democrática no âmbito da escola.
A Escola Estadual 11 de Agosto, a partir do ano de 2005, vivenciou a última experiência de implantação de democratização da gestão escolar e está concluindo o segundo mandato pelo voto direto da comunidade. É um processo que vem se construindo na perspectiva democrática; mesmo assim, observamos que, ainda, existem fortes traços de autoritarismos que são denunciados nas falas dos sujeitos envolvidos no quotidiano da escola. Esses vínculos se refletem nas atitudes dos gestores vinculados a antigas práticas autoritárias de clientelismo e patrimonialismo. Ao ser questionado sobre a gestão da escola, um dos coordenadores afirma:
Não tem uma autonomia do gestor, eu vejo muita interferência mesmo ele querendo tomar uma decisão ele não pode. Além das ingerências políticas existe também intervenção dos órgãos intermediários. Assim por exemplo o diretor toma uma decisão e a DIRED pode impedir. A escola não tem uma gestão democrática porque o diretor não se integra com os demais membros da equipe escolar. Tem que ser um grupo, falta à integração com a comunidade escolar, com o conselho deliberativo da escola. A coisa mais forte que impede da escola ser democrática são as ingerências políticas. Com relação ao conselho na verdade a gente sabe que não funcionou e precisa para a gestão ser democrática; é necessário que o conselho funcione, tem que funcionar até porque mesmo que o conselho decida, mesmo assim ainda tem as ingerências políticas. Por isso O conselho tem que ser ativo [...] (COORDENADOR 2).
Fica patente, na fala do entrevistado, a compreensão do conceito de gestão democrática como coletividade, integração do grupo. Ele deixa claro a debilidade na integração e na participação da comunidade escolar. Lück (2006), analisando as discussões de alguns diretores escolares em cursos de capacitação em gestão democrática e participativa, chama atenção para a falta de clareza do significado de participação, tanto por parte de professores ou pais, como também dos dirigentes escolares. É preciso competência técnica e política dos gestores para compreenderem o que representam esses espaços no interior da escola.
Evidencia-se que as situações apontadas não podem ser mudadas apenas a partir da mera vontade de dirigentes ou de exortações dos mesmos para que os professores ou pais de alunos participem da construção de uma escola mais ativa e competente, ou do desenvolvimento de algum projeto específico (LÜCK, 2006, p. 76).
Nessa visão, a justificativa para que muitos diretores resistam às mudanças no sentido de formar uma equipe de gestão, deve-se ao fato de que, normalmente, as mudanças desestabilizam a ordem vigente. Isso levaria a despertar reações adversas ao que a escola tem praticado como poder centralizado na figura do diretor. A Escola Estadual 11 de Agosto, apesar de apresentar ao longo do seu processo histórico momentos em que se evidenciam a participação mais efetiva da comunidade escolar (Conselho-Diretor, Grêmio Estudantil), ainda guarda nichos de poder estabelecidos que distanciam a direção dos demais segmentos ou seja, mantém ligação mais efetiva com o órgão intermediário (Dired). Ao ser questionada sobre esse aspecto da gestão democrática, a diretora nega que isso ocorria ao afirmar que “[...] a gestão democrática se refere muito a autonomia e não tem, você sabe que não tem, mesmo que a gente queira fazer uma coisa não pode vem a DIRED e derruba, tem as ingerências políticas” (DIRETORA).
Existem outros casos evidenciados que se configuram como fragilidades nesse processo de construção dos canais de participação no interior da escola. Casos como o distanciamento do diretor com o segmento dos professores, discussão sempre presente na fala dos sujeitos. “[...] A escola não tem uma gestão democrática porque os gestores decidem as coisas muito só, sem convocar, sem levar os professores ao conhecimento do que está acontecendo, sem partilhar as coisas que ocorrem à gente é pego de surpresa com algumas coisas” (COORDENADOR 1).
A diretora, também reclama que os professores não participam mais efetivamente nas discussões junto à gestão da escola, demonstrando, inclusive, dificuldades de lidar com alguns deles. Deixa transparecer, ainda, que o diretor eleito pode ter mais dificuldade para dirigir ao afirmar que “[...] essa coisa de eleição deixa desentendimento. Isso para mim também é uma dificuldade muito grande, eu não me sinto à vontade no turno noturno porque sei que tem um professor que não me suporta” (DIRETORA). Dessa forma, as discussões, no que diz respeito ao encaminhamento das questões de ensino aprendizagem, ficam sob a responsabilidade exclusiva dos professores e o coordenador de cada turno; o processo, em si, não é discutido coletivamente, exceto no turno matutino, conforme relato de um dos entrevistados (COORDENADOR 1).
Na visão de Paro (2008), a participação envolve, também, a questão do ensino. Para esse autor, na gestão sob a perspectiva democrática, o próprio conteúdo tem uma nova configuração exigindo outra metodologia de ensino. O ensino puramente verbalista não contempla um conteúdo abrangente que envolva cultura, valores, condutas, gostos artísticos, além de outros. É necessário incorporar uma metodologia que envolva a participação do aluno.
Na tabela abaixo, procuramos demonstrar o movimento de entrada e saída dos alunos atendidos pela escola, no período em estudo. Esse movimento apresenta um fluxo constante, se considerarmos a quantidade de alunos matriculados anualmente, no período em estudo. Além desses dados, achamos oportuno demonstrar o movimento de evasão, transferência, matrícula final, número de alunos aprovados sem dependência51, e os números aprovados por progressão parcial. ANO M AT . I NIC IA L E VAD IDO S % T RANSF E R IDO S % M AT . F INAL % AP RO V. SE M DE P E N DÊ N CIA % AP RO VADO S % RE P RO V ADO S % P RO G RE SS ÃO P ARC IA L % 2005 674 175 26 43 6 456 68 276 61 380 83 76 17 104 23 2006 747 181 24 44 6 522 70 325 44 472 63 50 7 145 19 2007 641 182 28 45 7 414 65 234 57 310 75 104 25 76 18 2008 608 175 29 14 2 419 69 318 76 380 91 39 9 62 15 TOTAL 2670 713 27 146 5 1811 68 1153 43 1542 58 269 10 387 14
Tabela 1 – Diagnóstico Geral do Ensino Médio / Período 2005-2008: matriculas e rendimentos.
Fonte: Escola Estadual “11 de Agosto” (2009).
Sobre os dados referentes à matrícula inicial e à matricula final dos alunos, no período em estudo, os números da série histórica são oscilantes. Observamos, também que, no ano de 2005, a matrícula inicial foi de 647 alunos e uma matrícula final de 456 alunos, excetuando-se as taxas de evasão, repetência e progressão parcial; os aprovados representam um percentual de 83% desses alunos, o que demonstra um bom rendimento do desempenho escolar em relação aos resultados dos anos subsequentes. Em 2006, o número de alunos matriculados foi maior: 747 alunos, e a matrícula final foram de 552 alunos. Nos dois últimos anos, a matrícula
51 É considerado aprovado sem dependência o aluno que obtém nota igual ou superior a 6,0 em todos os componentes curriculares (PORTARIA Nº 1730/2006/SECD/RN). Os alunos que são reprovados em até três componentes curriculares podem matricular-se no ano subsequente e fazer matrícula por disciplina para cursá- las, paralelamente em outro horário. Essa situação é chamada de Progressão Parcial (NORMAS BÁSICAS DO ESTADO, 2001).
inicial decresceu; em 2007, a matrícula inicial foi de 641 alunos para uma matrícula final de 414 alunos em 2008.
Embora discutir a questão da evasão e da repetência dos alunos não seja o foco deste trabalho, achamos necessário apresentar o movimento de matrículas e o rendimento dos alunos, nesse período, considerando que, segundo os informantes (entrevistados), o envolvimento da gestão com a questão pedagógica, normalmente acontece, na escola, de forma mais efetiva, no início do ano letivo. Nesse momento, a Coordenação-Pedagógica e os docentes procedem a uma análise do resultado anual dos alunos, conforme descrevemos na tabela 1. Diante dos resultados obtidos, são traçadas diretrizes para o planejamento pedagógico anual da Escola. Ainda de acordo com os entrevistados, essa é uma perspectiva de planejamento participativo – momento em que cada segmento assume compromisso com as tarefas, inclusive a diretora.
Outro ponto que ressaltamos, em nossa análise, é a proposta de planejamento participativo que a escola tenta implementar. Nesse caso, corroboramos as ideias de Demo (2001, p. 44) quando adverte que é preciso alertar porque “[...] a maioria das propostas de planejamento participativo são feitas como expediente esperto para se evitar a participação efetiva das bases, no sentido de uma estratégia de desmobilização” dos segmentos que se contrapõem à gestão da escola.
Outro fato que comprova que a concepção de participação da escola está atrelada à ideia do planejamento participativo, pode ser confirmado na fala de um dos entrevistados quando, questionado sobre a democratização da gestão. Ao responder ele faz referência ao setor pedagógico, uma vez que, segundo ele não tem merecido a atenção necessária da gestão nos momentos de planejar e afirma: “[...] eu acho que a gestão atua mais ou menos, acho descaso na parte pedagógica, acho que se preocupa só com o burocrático” (FUNCIONÁRIO).
A própria Diretora da escola admite o pouco envolvimento com as questões do ensino aprendizagem. A afirmação pode ser corroborada na fala da mesma, quando o tema é a participação de todos os segmentos na construção do Projeto Político-Pedagógico – PPP da Escola. Segundo ela, a maioria desses projetos objetiva atender às diretrizes da política educacional vigente que são determinadas pelos órgãos centrais e intermediários a SECD-RN e a DIRED, respectivamente. Geralmente, são feitos às pressas sem a participação da comunidade escolar, visto que são implementados em forma de programas com objetivos e prazos determinados, conforme observação feita pela diretora.
A atualização do PPP foi feita com um grupo muito restrito, porque chegou de momento, foi só por causa da proposta diferenciada do ensino médio noturno. Foi preciso no final de semana atualizar o currículo e o PPP da Escola às pressas para poder ser implantado essa proposta do ensino médio da escola (DIRETORA).
Além dessas questões, outra muito focalizada pelos sujeitos e que, segundo eles, contribui para que a maioria das decisões da escola não seja tomada democraticamente, tendo, pois, a ingerência política. Essa foi uma constante em todas as falas dos entrevistados e, nesse sentido, a comunidade escolar fica, visivelmente, dividida: de um lado, o grupo que apoia as decisões da direção, normalmente pertence à mesma corrente político – partidária; e de outro, os que se consideram oposição à direção.
A ingerência política é evidenciada a partir da composição das chapas para concorrer ao cargo de diretor e vice-diretor. Ressaltamos que, da regulamentação da Lei Complementar nº 290/2005 (RIO GRANDE DO NORTE 2005a), até o final do ano de 2008, houve dois pleitos para escolha de Diretor e Vice-Diretor. No entanto, permanece a mesma diretora desde o ano 2003. No início do ano de 2003, essa diretora foi indicada, politicamente e, nessa condição, exerceu a função por um período de 2 (dois) anos 2003-2004. Com a legalização da modalidade de escolha de diretor via eleição, a diretora se candidatou compondo a chapa com um dos professores da escola e se elegeu, com a maioria dos votos válidos, visto que não ocorreu composição de outra chapa, assim, houve chapa única na primeira eleição, gestão 2005-2006.
A composição da chapa única foi resultante de uma negociação política. Na época, a maioria do colégio eleitoral fazia parte da corrente política majoritária do município, que incentivou a chamada chapa de consenso. Assim, a diretora que havia sido indicada politicamente para exercer um mandato de 04(quatro) anos, deveria continuar por mais 02 (dois) até termina-lo. De acordo com Sartory (1994, p 128) “[...] o consenso não é um consentimento real. Não implica o consentimento ativo de todos em relação a uma coisa”, por isso, as divergências políticas começaram a se manifestar rapidamente.
Ninguém, contudo, se propôs a compor outra chapa, mesmo que não concordasse com a chapa de consenso. Dessa forma, de acordo com os trâmites legais, foi instalada a comissão eleitoral pelo Conselho de Escola recém-eleito que conduziu o processo eleitoral. Conforme Hirst, (1992, p. 39) “[...] a democracia representativa permite o governo de um partido legitimado pelo voto popular, mas esse voto pode representar as escolhas de uma minoria do eleitorado ativo.” Nesse mesmo raciocínio, Bobbio (2000, p. 32) enfatiza que “[...] é preciso que aqueles que são
chamados a decidir ou a eleger os que deverão decidir sejam colocados diante de alternativas reais e postos em condição de poder escolher entre uma ou outra”.
Como não existiu outra, é legitimada a chapa única, ficando os eleitores sem alternativas reais de escolha. Cumprindo determinações do regulamento das eleições, os candidatos fizeram mobilizações no interior da escola, propaganda política e expuseram o Projeto de Gestão para o biênio, de acordo com as alíneas do referido regulamento:
a) Elaborar calendário, respeitando o cronograma das Assembleias Gerais para a(s) apresentação (ões) do(s) Projeto(s) de Gestão (ões), que deverá ser divulgado garantindo igual tempo de exposição para a(s) chapa(s) inscrita(s), sem discriminação.
b) O Projeto de Gestão elaborado por cada chapa inscrita, precisa ter coerência com a proposta pedagógica e com o regimento da escola.
c) Deverão está explícito no projeto de gestão: objetivos, metas,