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I. BÖLÜM

1.9. HALKEVLERİ FAALİYET ŞUBELERİ

1.9.4. Spor Şubesi

Esta pesquisa confirmou pontos importantes encontrados na literatura sobre carreira artística. Primeiro, que a instabilidade financeira é um dos principais pontos negativos deste setor; segundo, que a maioria iniciou precocemente nesta carreira, em reflexo da percepção de um dom ou vocação para as artes. Em terceiro lugar, constatou que entre os artistas há uma forte incidência de auto-didatismo, em parte devido às próprias características do trabalho/obra produzido, em parte como conseqüência do posicionamento marginal de muitos desses artis- tas dentro do mundo das artes em que habitam. A pesquisa também mostrou que há uma aparente centralidade da identidade artística, a julgar pelo intenso envolvimento temporal nesta carreira. Mostrou que nesse meio vive-se de projetos e a incerteza é uma constante.

Constatamos também que o artista, explícita ou implicitamente, tem uma identidade marcada pela idéia de criação. Nesse sentido, descrevem-se como diferentes das pessoas que ocupam carreiras “tradicionais”, na medida em que se sentem autônomos, livres ou independentes para produzir seu próprio estilo e organizar seu tempo e suas rotinas. A maioria é autônoma, não se vinculando a uma organização ou instituição. Dependem de redes de relacionamento para adquirem trabalho, alunos ou novos projetos. Acreditam no talento, mas não deixam de men- cionar que ele, por si só, não é garantia de uma carreira bem-sucedida: é preciso disciplina, auto-controle e muito treinamento. Parecem alimentar em relação ao Estado uma postura cética, na medida em que pouquíssimos já conseguiram algum apoio público para a realização de seu trabalho e, principalmente, para sua própria sobrevivência.

Constituem não mais do que 1,5% de todos os ocupados no Estado de São Paulo, 65% deles trabalhando por conta própria e a maioria ganhando até 3 salários mínimos. Apesar disso, parecem ter a convicção de realizar um trabalho diferenciado, contribuindo para a formação, o desenvolvimento, o enriquecimento pessoal de seus respectivos públicos. Vivem às voltas com o desafio de provarem continuamente sua identidade profissional, contra quem possam vê-los como “supérfluos” ou então amadores que fazem de seu hobby uma constante. Sua identidade é também afirmada em favor da liberdade e do desejo de auto-expressão, de modo

que conjecturamos, neste estudo, o predomínio da âncora “autonomia” entre as pessoas que seguem essa carreira.

Observamos que o começo da carreira artística, a entrada nesse universo “desconhecido” e inicialmente repleto de expectativas ocorre em geral pela crença na precocidade do “dom” ou do “talento”; pela representação positiva da carreira como propiciadora de oportunidades de felicidade, prazer, autonomia, liberdade e criação; pela influência do ambiente familiar ou pelo desejo de desafio, de ir contra a corrente, de impor-se e de se afirmar às vezes sob cir- cunstâncias desfavoráveis. Em todo caso, cumpre ressaltar que o início nem sempre é linear é “lógico”: encontramos também entre nossos entrevistados aquele que foi “experimentando”, achegando-se à carreira artística por experimentação e depuração demorada. Mas não há como negar, ao menos como hipótese, que há uma incidência importante da percepção de carreira como “vocação”, não apenas como um “emprego”. Estas seriam algumas das razões, dos “porquês” (em nossa terminologia, do know-why), envolvidos na carreira artística.

No geral, concebem o trabalho como diferente, qualitativa e quantitativamente, do emprego – enquanto o primeiro propicia prazer, satisfação e “paixão”, o segundo refere-se a uma seqüên- cia de rotinas que deixam pouca margem à autonomia e que são realizadas tendo em vista a obtenção de uma remuneração. O artista parece identificar antes com seu próprio estilo e suas inclinações do que com organizações ou empresas – mesmo porque, como vimos, sua carreira é conduzida como uma carreira sem fronteiras, para as quais o desenvolvimento da “marca própria” (de uma biografia), de competências técnicas e relacionais, são os componentes- chaves.

Entre as estratégias mais comuns para a condução da carreira no ambiente incerto em que se revela o universo cultural, encontramos a diversificação das atividades, definida aqui como carreira portifólio, além de uma dupla carreira, a qual pode ou não estar relacionada com as artes. Nesse sentido, dar aula, escrever para jornais, produzir profusamente para atender ao maior número de pedidos, associar-se a instituições (editoras, galerias, escolas), são práticas comuns.

Em suma, esta pesquisa nos permitiu discutir questões relacionadas ao desenvolvimento de carreiras em ambientes instáveis e nos quais a “agência” pessoal é fortemente necessária para a determinação dos rumos da carreira. Permitiu-nos também introduzir problemas demarcató-

rios, tais como entre hobby e trabalho, profissionalismo e amadorismo, prazer e necessidade, identidade pessoal e identidade social (a própria visão do artista e a que os outros têm dele, para efeitos de uma relação de mercado), valor intrínseco e valor atribuído (o valor que o artista julga sua obra possuir e aquele que lhe é atribuído pelo mercado) – ou entre valor econômico e valor cultural.

Contudo, o estudo possui uma limitação que merece ser retomadas neste final. A representati- vidade da amostra: por termos escolhido dez setores para investigar, não foi possível, com apenas dois entrevistados de cada um, identificar especificidades de cada setor e, em seguida, de compará-las uns aos outros. Ainda nesse aspecto, duas pessoas por setor também não garantem a representatividade necessária sequer para falarmos com profundidade desse mes- mo setor. Como conseqüência, nossa estratégia foi recorrer, na maior parte das vezes, à totali- dade das entrevistas para confirmar os pontos da literatura com a qual trabalhamos e que nos serviu de roteiro analítico. Como recomendação, essa é uma limitação que poderia ser poste- riormente corrigida por um desenho de pesquisa quantitativo, de tipo experimental. Adicio- nalmente, as hipóteses contidas neste estudo podem igualmente ser testadas dentro desse escopo experimental.

Seção 7