3. CAPITALIST PRODUCTION OF SPACE
3.1. Space Production Processes
2.2.3 Destinação final
Neste texto abordaremos as destinações finais dos RSDU a partir da década de 1970, que foi primeiramente o “L x FEPASA”, posteriormente o “L x S ”, l , “ g l x ”, qu u lm m área de transbordo, e, por último, a atual destinação final dos RSDU que é o aterro sanitário CGR-Guatapará.
De 1974 a 1978 a prefeitura operou “L x FEPASA”. Esse nome deriva do fato de ali ter pertencido à antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que posteriormente foi transformada na Ferrovias Paulistas S/A (FEPASA), e mesmo sendo considerada uma área de risco para a finalidade de ocupação urbana pela agência de fiscalização do Governo Estadual (CETESB), em 1991 a COHAB/RP (Companhia Habitacional de Ribeirão Preto) adquiriu, junto à Construtora Lagoinha Ltda., um terreno nessa localidade. Baseados em um laudo técnico favorável, construíram casas de padrão popular, originando os conjuntos habitacionais Jardim Juliana, Jardim das Palmeiras II, Parque dos Servidores e Jardim Margaridas (VIEIRA, 2002b).
Tais conjuntos habitacionais passaram a apresentar uma série de problemas tornados públicos somente pelas manifestações de protestos da associação dos moradores e seu embate com a COHAB-RP. Inicialmente a empresa não admitia a existência de problemas que, posteriormente, foram considerados irrelevantes.
Somente a partir da entrada com processo no Ministério Público do Estado de São Paulo a empresa promoveu ações mitigadoras e acordos (VIEIRA, 2011a, 2002a).
Como consequência, diversas casas tiveram de ser demolidas ou apresentam rachaduras. São problemas e medidas relacionados à área: severos recalques; exalação de gases e odores; poluição do solo; depreciação dos imóveis; doenças contraídas pelo contato com o solo contaminado; pagamento de verbas indenizatórias; ressarcimento das despesas com a recuperação de casas afetadas; fornecimento de novas casas; instalação de drenos de captação de gases; plantio de eucaliptos nas laterais do antigo lixão. Além disso, em diversos pontos ocorre o afloramento de água subterrânea que apresenta mau cheiro e coloração derivada da decomposição de matéria orgânica, fato decorrente da percolação no solo do chorume (VIEIRA, 2002b, 2011a).
As construções que nunca deveriam ter ocorrido naquele local, necessitavam ter sido precedidas da aplicação de métodos e técnicas de gestão e gerenciamento desses resíduos para minimizar os eventuais impactos ambientais instalados e potenciais. Nos procedimentos de implantação, operação e encerramento desse lixão não houve cuidados técnico-ambientais preventivos exigidos pelas normas técnicas e legislações vigentes no período (VIEIRA, 2002a).
Concluindo,
A construção de moradia em área ocupada por lixo é um problema sócioespacial urbano, único no gênero constatado até então, na cidade, que pode ser descrito como a execução do processo de espacialização de moradias fora das normas técnicas, legais e ambientais. (VIEIRA, 2011a, p.45)
Ou l x qu u 1978 1989 f “L x S ”, qu l l z l mu í , no quilômetro 1,5 da Rodovia Abraão Assed (SP-330), situando-se próximo ao perímetro urbano, entre a zona urbana e a zona rural, ligando o município de Ribeirão Preto ao de Serrana, tanto que nas imediações foram e são construídos bairros residenciais, áreas de lazer e empresas (VIEIRA, 2002a). Durante sua operação, foram depositadas cerca de 110 toneladas diárias de lixo doméstico, industrial, hospitalar e de construção civil (VILLAR, 2009).
Em 1997, a Petrobrás e a Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP realizaram um trabalho para a avaliação dos impactos causados pelo g “l x ”. F qu h um f l u da Formação Botucatu que estava em contato direto com o fundo do lixão. Os resultados mostram que a contaminação não apresenta perigo iminente para o abastecimento da cidade em decorrência do sentido do fluxo das águas subterrâneas, pois apenas amostras do poço localizado a 20 metros das cavas de lixo apresentou problemas de contaminação. Mas tais resultados são contestados por vários especialistas, que afirmam que os indícios de degradação distribuem-se em um halo de 150 metros ao redor da área do lixão, além de discutirem os aspectos locacionais e construtivos dos poços de monitoramento. (VILLAR, 2009, p. 6)
A poluição decorrente da imprópria disposição dos resíduos sólidos e operação sem qualquer controle ambiental levou à contaminação pelo chorume da água subterrânea da Formação Botucatu que pertence ao Aquífero Guarani, sendo que a prefeitura e os órgãos competentes não acataram e não implementaram as recomendações técnicas para a resolução do problema sugeridas no relatório de técnicos do Ministério Público do Estado de São Paulo (VIEIRA, 2002a).
Devido ao elevado potencial poluidor e de oferecer risco de contaminação do manancial de água subterrânea, a CETESB considerou a área do Lixão de Serrana como o maior problema ambiental do município, e estudos confirmaram a contaminação por subprodutos químicos derivados dos resíduos ali depositados, sendo que essa contaminação persiste até os dias atuais (PMRP, 2012).
A falta de controle e tratamento do chorume gerado em sistemas de disposição de resíduos sólidos promove a contaminação do solo, do ar e das águas superficiais e subterrâneas, além de propiciar a proliferação de vetores de doenças, em detrimento da qualidade do meio ambiente e da saúde pública. (CELERE et al., 2007, p.946)
Essa problemática complica-se para o município de Ribeirão Preto, pois a cidade é 100% abastecida pelas águas subterrâneas do Aquífero Guarani, formação que está presente em diversos estados brasileiros, além de países como Argentina, Paraguai e Uruguai, ocupando uma área de 1,2 milhão de km2, dos quais 70% encontram-se no Brasil (CELERE et al., 2007). Abaixo vemos o mapa com a extensão do aquífero:
Mapa 11 - Aquífero Guarani
Fonte: Villar (2009)
A contaminação do chorume, proveniente do antigo lixão de Serrana, reside no seu percolamento nas áreas de afloramento que promovem a recarga do Aquífero Guarani.
Contudo, esses resultados não motivaram o poder público a tomar providências para remover o lixão da área ou criar um programa de monitoramento da região, discricionariamente, baseado em estudos bastante controvertidos de que a contaminação seria restrita àquela área, decidiu-se que o nível de risco seria aceitável. (VILLAR, 2009, pp. 5-6)
Vieira (2002a) deduz que a falta de efetivas ações do poder público na implementação das providências são motivadas pelos obstáculos técnicos e burocráticos, descaso e desinteresse do poder público e os altos custos de sua regularização. Esse tardar das ações e soluções acarreta na necessidade de reavaliações e novos estudos da dinâmica do impacto.
A consequência mais séria de toda essa realidade, é que, de um lado, as medidas para eliminar a poluição instalada no Lixão de Serrana, certamente acarretarão grandes custos sociais e financeiros, especialmente à parcela diretamente afetada pelos
fenômenos, já que, raramente, os instrumentos legais alcançam os culpados; de outro, o exercício da cidadania, por sua vez, ainda tímido, não consegue exercer de modo competente a vigilância dos mecanismos e das estratégias de ação, empregados pelos agentes públicos e privados no trato do ambiente. (VIEIRA, 2002a, p. 105)
Já l , h m g “l x ”, v í em suas operações em 1990 e ficou operacional até o fim de 2006, estando localizado às margens da rodovia Mario Donegá (SP-322), KM 0 + 500m, zona sudoeste, além de b í u ól m l , g “l x ” mbém uí um incinerador para resíduos de serviço de saúde e vala para animais mortos (PMRP, 2012).
Atualmente a área abriga a estação de transbordo de resíduos sólidos domiciliares do município de Ribeirão Preto, como foi anteriormente demonstrado, que opera com capacidade para 700 ton./dia. Seu funcionamento deve-se à Licença de Operação / CETESB nº 4003814, que vencerá em abril de 2015 (PMRP, 2012).
A estação de transbordo, identificado no Mapa 12, recebe os resíduos, os pesa, armazena separadamente em recipientes de 40 m³, que posteriormente são transportados por caminhões até seu destino final pela empresa CGR-Guatapará que faz parte do grupo Geo Vision SAE, anteriormente apresentado.
Mapa 12 - Localização da área de transbordo e do aterro sanitário CGR- Guatapará
Fonte: Google Maps - Adaptado pelo autor
O Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) de Guatapará está localizado na Rodovia Deputado Cunha Bueno (SP-253), Km 183 - Zona Rural. É um empreendimento privado destinado a disposição final de resíduos sólidos, conforme NBR 10.004:2004 da ABNT, e está adequado para receber resíduos sólidos domésticos e resíduos industriais (não perigosos – Classes II A e II B), atendendo a diversos municípios, em especial ao município de Ribeirão Preto. Ele
está apto para operar uma unidade de reciclagem de resíduos domiciliares, com capacidade de 1.500 ton./dia, ainda inoperante26. Abaixo, foto 6, o referido aterro: