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A reflexão sobre a melhoria do relatório semestral como ferramenta de gestão para dirigentes públicos e de subsidio a avaliação de políticas públicas é indissociável da política do Estado do São Paulo para suas ouvidorias públicas.

Considerando os pontos levantados neste trabalho, é necessário retomar a discussão do papel do relatório semestral, e, de forma mais ampla, das ouvidorias públicas.

A capilaridade das ouvidorias, presentes em todos os órgãos públicos paulistas, interligadas por um sistema executivo de TI e cujas informações são compiladas e encaminhadas ao governador, consiste em política de governo de valorização dos direitos do usuário do serviço público. Entretanto, a falta de coordenação e integração dos diversos órgãos da administração paulista, elemento chave para seu funcionamento e fator talvez encontrado não somente na política de governo para as ouvidorias, acaba comprometendo a efetivação da política.

A forma como o relatório semestral está estruturado e o fluxo do processo no qual se baseia comprometem seu papel como instrumento de gestão. As informações do relatório agrupam

64 elementos distintos e comparam desempenho de órgãos diferentes. Faltam, conforme estabelece do art. 1º do Decreto nº 49.067/04, sugestões mais qualificadas para aprimoramento do serviço público. Além disso, é defasado, elaborado com periodicidade longa, e baseado em informações pouco confiáveis. Não há publicização e nem devolutiva para os ouvidores, o que prejudica sua credibilidade.

Assim, questiona-se a efetividade não só do papel do relatório semestral, mas a das ouvidorias. As diferentes interpretações dos ouvidores quanto a seus objetivos, os seus diferentes graus de espaço institucional, a falta de independência, a falta de orientação e metodologia para o trabalho e a dificuldade de coordenação da política de ouvidorias acabam comprometendo a efetivação das competências das ouvidorias, conforme o art. 9° da Lei 10.294/99.

Considerada a complexidade do cenário, questiona-se o papel do relatório semestral e das ouvidorias. Entretanto, considerados os pontos mencionados e efetivada a política de ouvidorias, o relatório semestral pode transformar-se em efetiva ferramenta de avaliação de políticas públicas, dado seu potencial em reconhecer a percepção dos cidadãos, em especial as negativas, quanto a todos os serviços prestados pelo governo paulista. Construído adequadamente, o relatório é uma rica ferramenta para a análise da percepção dos usuários dos serviços públicos.

Vive-se atualmente a sociedade da informação, com cada vez mais possibilidade de expressão e de troca de informações de forma colaborativa, em especial com a dinamização da Internet, por meio das ferramentas da web 2.0. O próprio Governo do Estado de São Paulo vem promovendo iniciativas inovadoras em linha com as novas demandas da sociedade, como por exemplo, com a disponibilização de dados públicos em seu site (Projeto Governo Aberto) ou com a sua presença institucional em redes sociais na Internet.

Fica a impressão que trabalhar as informações advindas de seu sistema de ouvidorias públicas é um próximo passo. Elas poderiam não só subsidiar a avaliação de políticas públicas estaduais, mas em ser uma rica ferramenta de controle social. Assim, priorizar a atenção às demandas e reclamações dos cidadãos quanto aos serviços públicos paulistas faz- se importante e presente na agenda pública do Estado de São Paulo.

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