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No presente estudo, a análise dos dados colhidos com as entrevistas foi através da técnica denominada por análise de conteúdo. Vislumbra-se, desta forma, deduzir sobre a construção do conhecimento voltado para o desenvolvimento técnico jurídico, como competência traçada pelo Ministério da Educação, segundo os aspectos apresentados pelos entrevistados, levando-se em consideração suas experiências pessoais durante a realização do estágio supervisionado (BARDIN, 1979).

A análise dos dados por meio de análise do conteúdo permitiu a identificação da presença ou ausência de determinadas características em fragmentos de mensagens (CAREGNATO e MUTTI, 2006). Sendo possível a análise das palavras nos textos produzidos pelas entrevistas coletadas junto aos alunos do núcleo de práticas.

A análise de conteúdo é definida por Laurence Bardin (1979, p. 42), como,

um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.

Alguns significados são essenciais para serem alcançado no material qualitativo, para atingi- los têm sido desenvolvidas algumas técnicas a serem utilizadas na análise de conteúdo, tais como a análise da expressão do entrevistado, a análise de relações, a análise temática e a análise da enunciação. Para Bardin (1979), não existe nada pronto para aqueles que pretendem utilizar a análise de conteúdo como método em suas investigações. Ela determina que existem algumas regras básicas, que possibilitam o investigador reinventar a cada momento uma maneira de analisar os dados.

Buscou-se no presente estudo alcançar na análise do conteúdo, o cumprimento das três fases, especificadas por Bardin (1979) a saber: 1 - pré-análise; 2 - exploração do material; 3 - tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. Sendo entendido por pré-análise a análise superficial dos dados, nesse momento há uma breve leitura dos dados, fazendo a escolha

dos documentos, para serem submetidos aos procedimentos analíticos. E, por último nesta fase, realizar-se-á a preparação do material, no presente estudo, que foram utilizadas as entrevistas gravadas, transcritas na íntegra, o que possibilitou a manipulação do material para posterior análise.

Terminada a pré-análise, iniciou-se a exploração do material, que consistiu numa fase de dedicação, de operações de codificação, enumeração, classificação e agregação, em função de regras previamente formuladas. Nesta fase foi realizado o recorte, a enumeração e a classificação das categorias, identificadas no material coletado após a transcrição das entrevistas realizadas com os alunos. Por fim, ocorreu o tratamento dos resultados obtidos, a inferência e a interpretação. Nesse estudo, em que foi selecionada a análise de conteúdo qualitativo, os resultados brutos foram tratados de maneira significativa e válida (BOCCHI, MONTI e SPIRI, 2008).

Na pesquisa aqui realizada, pretendeu-se atingir as fases acima indicadas, alcançando-se os objetivos previstos nesta pesquisa, ou até mesmo resultados inesperados.

A análise de conteúdo, segundo Caregnato e Mutti (2006), ocorre pela análise de categorias temáticas. Preocupando-se com o sentido embutido no texto analisado, e as possíveis diferenças existentes entre um texto e outro. A análise por categorias temáticas, de cunho subjetivo e qualitativo, implica no desenvolvimento de uma pesquisa onde o aspecto eminentemente sensível do autor do presente estudo, a fim de possibilitar a codificação de segmentos, que se ligam a categorias, possibilitando a compreensão do texto. Tais categorias serão constituídas a partir do objetivo geral desta pesquisa.

Para fazer parte das categorias, as seguintes perguntas foram respondidas: “- Como as categorias estão relacionadas? - As categorias permitem ligações quando se recorre aos dados? - Quais as conclusões podem ser desenhadas?” (BOCCHI, MONTI e SPIRI, 2008). A intenção nas respostas a tais perguntas é descobrir as relações entre as categorias e encontrar alinhamentos ou temas comuns que permeiam os dados.

Identificadas as categorias foram elaborados relatórios, que resumiram os conjuntos de significados identificados em cada uma das unidades de análise, o que segundo Moraes (1999) é imprescindível para validação da pesquisa e seus resultados.

Com o objetivo de construir resposta à problemática proposta, foram interpretados os significados captados, atingindo assim a terceira fase indicada por Bardin (1979), com a interpretação dos dados e sendo retiradas as inferências possíveis, compreendendo-se o conteúdo das informações.

Após ouvidas e transcritas as entrevistas, foram realizadas várias leituras a fim de identificar o conteúdo que atendia à pesquisa. A partir da análise dos dados, por meio de análise de conteúdo, foi possível identificar a presença ou a ausência de determinadas características, (CAREGNATO e MUTTI, 2006). Referida identificação viabilizou a definição das categorias, que nada mais são do que uma forma do pensamento, dos conceitos, um reflexo da realidade, podendo ser entendido, como sínteses do saber (BARDIN, 1979). Assim partimos das seguintes categorias:

Quadro 4 – Categorias da pesquisa CATEGORIA I

Estágio Supervisionado

Expressões e relatos que vislumbrem o contato com a prática da advocacia forense

CATEGORIA II Competências Alcançadas

Percepção sobre as competências desenvolvidas ao

longo do estágio Fonte: Elaboração própria

Frise-se por fim que, sendo delimitadas as categorias, estas foram preenchidas até que se chegou ao ponto da saturação pelo preenchimento dos dados. Esta pesquisa foi realizada prezando pela qualidade dos dados, através de transcrições legíveis; gravações claras, dentre outros, no que diz respeito à natureza da informação, foram claras e concisas, com uma quantidade de informação útil obtida de cada sujeito participante (BARDIN, 1979). Ocorrendo homogeneidade interna e externa, processou-se a análise do conteúdo.